2 de fevereiro de 2016

Com um pé no governo e outro na oposição, ou a visão marxista do PCP


Viver longe de Portugal altera a perspectiva com que encaramos o que vai acontecendo no país.
Nunca escondi as minhas reservas acerca da fórmula encontrada para viabilizar a governação de António Costa e do PS.
Reservas que se prendiam sobretudo com o comportamento do PCP enquanto apoiante de uma solução de poder porque nunca acreditei no PCP como partido que faça parte de uma solução de poder.
Essa descrença acentua-se com o comportamento errático dos comunistas nos tempos mais recentes. 
A teimosia em apresentar um candidato próprio às presidenciais (o Bloco fez o mesmo); a convocação de greves por parte de sindicatos afectos à CGTP, a base da militância comunista; a crítica pública ao projecto de Orçamento de Estado e a algumas medidas neste contempladas; a crítica pública à estratégia europeia do Executivo, indo ao ponto de se afirmar que, neste particular, a estratégia é igual à da coligação PSD/CDS; acentuam a ideia que este PCP existe para ser oposição e só sabe ser oposição. 
E tanto assim é que o PCP consegue esse malabarismo extraordinário de ser oposição à solução de governo que apoia. 
Jerónimo de Sousa e os seus camaradas continuam com a mesma fixação em Marx. 
Desta vez não é Karl Marx, é Groucho Marx e o seu célebre "eu nunca faria parte de um clube que aceitasse como membro um tipo como eu".

15 comentários:

  1. Pois é o PCP está numa situação complicada a de dizer sim e não ao mesmo tempo.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.

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    1. Mas quem é que escolheu esse destino, Francisco??
      O PCP não é um partido de poder dentro do contexto da União Europeia.
      E os líderes comunistas sabem que, se seguirem a estratégia de Costa, vêem fugir eleitorado para o PS e para o Bloco.
      Para evitar isso têm que ser o que sempre foram - oposição, contestação.
      Como é que isso é possível se se faz parte da solução governativa.
      A quadratura do círculo.
      Aquele abraço, boa semana

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  2. Pedro, o comportamento e o pensamento errático de António Costa, a sua ânsia de poder, de ser 1º Ministro, conduziram o País - uma vez mais - para o fio da navalha, aliás, um "filme" já antes visto e com um denominador comum, a saber, o Partido Socialista.

    Não vejo, sinceramente, outra alternativa ao nóvel Presidente da República que não seja a dissolução da AR, pois naquele saco de gatos o PCP não pode ser a "Olivia Patroa" às 2ªs, 4ªs e 6ªs e a "Olivia Costureira" às 3ªs e 5ªs.

    É um asco viver neste país com tantas potencialidades, mas que teima em não ter amor próprio, teima em jogar pela janela fora a felicidade, onde os políticos não tem sentido de Estado e são, isso sim, patetas com salários chorudos.

    Eles quiseram assim, nós estamos a perder tempo e credibilidade internacional que, doa a quem doer, adquirimos ao longo do consulado do XIX Governo Constitucional.

    Aquele Abraço.

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    1. Para quem está fora essas figuras ridículas ainda metem mais impressão, Ricardo.
      Não surpreendem, o PCP só tem hipótese de ser poder se for sozinho e de forma totalitária.
      Mas entristecem, desmoralizam,
      Como é que o país pode ter credibilidade externa se se apresenta desta forma??
      Aquele abraço

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  3. Não sendo comunista, o Jerónimo de Sousa até era uma pessoa com quem simpatizava. Mas esta posição dúbia, e a tirada à Pedro Arroja, na noite de eleições, a propósito da candidata do bloco de esquerda, derrubaram toda a simpatia que tinha por ele.
    Um abraço

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    1. A boca que ele endereçou à Marisa Matias só me mereceu um qualificativo, Elvira Carvalho - canalha!
      Disse-o então, não retiro uma vírgula.
      Não estou nada surprendido com esta posição dúplice do PCP.
      Restou triste, o que é bem diferente.
      Um abraço

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  4. Lembra-se da estória do escorpião? Parece que o PCP está em igual situação, mas o pior é que arrastará toda a Esquerda para o fundo .

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    1. Esse era o meu receio quando vi o PCP como participante da solução de governo, São.
      Esperava estar enganado.
      E gostava de estar enganado.
      Lá está, como o escorpião, está no ADN.

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  5. O que esperar de um partido que nunca soube fazer outra coisa se não oposição?
    Na pessoa do seu secretário geral, vão-se ouvindo umas palermices, daquelas que nos leva a dizer ... 'quem não o conhecer que o compre'.
    Abraço

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    1. Sempre foi essa a impressão que tive deste PCP, António.
      Tinha muito receio quando vi o partido fazer parte de uma solução governativa.
      Aí está o resultado.
      Aquele abraço

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  6. Só se inventarem o "nim"....
    Vai por aqui um tal sarilho que até dói!
    bjs

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    1. Mesmo assim o PCP seria contra, papoila.
      Porque o PCP é, acima de tudo, contra.
      Seja o que for, seja quem for.
      Bjs

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