16 de junho de 2011

Carta aberta a Pedro Passos Coelho

Meu caro Dr. Pedro Passos Coelho,
Senhor primeiro-ministro indigitado,

Acompanhei com particular atenção, em directo até, a sua saída triunfal do Palácio de Belém após a reunião que manteve com Sua Excelência o Presidente da República.
Esperavam-no, ansiosos, umas dezenas de jornalistas, ligados aos mais variados órgãos de comunicação social.
Todos ávidos de novidades sumarentas, de nomes bombásticos de ministros ou ministeriáveis.
E o que aconteceu?
Com um ar grave, e um tom de voz dramático (a tão famosa voz de barítono, não é?), V. Exa. começou por informar os presentes que iria responder somente a três perguntas.
Três perguntas seriam suficientes?
Se fossem bem feitas....
Afinal, nem as perguntas nem as respostas foram brilhantes.
Enredado em formalismos, e em respeito institucional, V. Exa. remeteu para um comunicado da presidência da República (já são mais amiguinhos, já?), para uma assinatura formal do acordo político com o CDS/PP, para uma conferência de imprensa que se seguirá a essa cerimónia.
Assim sendo, sobrou uma novidade - V. Exa. mantém o nome de Fernando Nobre como candidato do PSD à presidência da Assembleia da República, o segundo lugar na hierarquia do Estado.
Apesar de, sabe-o V. Exa. muito bem, Fernando Nobre ser um factor de divisão.
Porque não tem experiência parlamentar (algo de semelhante a colocar um caloiro como regente da cadeira, entende?), porque é uma pessoa que demonstra um jogo de cintura que não cai bem a quem assiste, porque diz que não ambiciona cargos políticos e depois se agarra como uma lapa a uma promessa pré-eleitoral quando toda a gente percebe que é alguém indesejado.
V. Exa. argumenta que tem de se manter fiel à palavra dada.
Permita-me a ousadia de lhe dizer que há palavras que nunca deviam ser ditas, muito menos dadas.
E que, não reconhecer um erro, e insistir no mesmo, não é demonstração de carácter, é apenas teimosia.
V. Exa. não sabe, mas eu resido em Macau.
Estando longe, sinto todos os problemas que o meu País vive muito perto.
E preocupo-me com  este tipo de atitudes.
Gosto de pessoas que se mantêm fiéis à palavra dada.
Mas, simultaneamente, espero que as pessoas sejam capazes de reconhecer os erros que cometem.
E que os emendem por iniciativa própria e a tempo de evitarem mais problemas.
Porque, como V. Exa. bem sabe, problemas já temos de sobra.
Remeter o odioso de rejeitar o nome de Fernando Nobre para a Assembleia da República é uma atitude muito feia, baixa política e  politiquice, que não têm sentido nem cabimento numa época em que se enfrentam tantas e tão graves dificuldades.
Assim sendo, as suas declarações aos órgãos de comunicação social pareceram-me uma pura perda de tempo.
Julgo que, se era para dizer que insistia no nome de Fernando Nobre, não era preciso aquele espectáculo todo.
Felicito-o pela indigitação para o cargo de primeiro ministro, confirmada ainda o directo das televisões não tinha terminado nem V. Exa. tinha descido a escadaria do Palácio de Belém, mas não deixo de lhe manifestar a minha profunda preocupação com este traço de personalidade que lhe começo a detectar.
Permita-me que lhe recorde, com todo o respeito, que, para teimoso e arrogante, chegou-nos o seu antecessor.

Apresento-lhe os meus melhores cumprimentos e subscrevo-me com protestos da mais elevada consideração e respeito,
Pedro Coimbra

18 comentários:

  1. A procissão ainda nem começou e as divergências já andam por aí numa azafama para lhe fazer frente.
    Penso que aquele lugar não é assim tão importante. O mais importante é pôr em ordem muitas coisas que ficaram desarrumadas e saber liquidar a dívida e ainda dar aos portugueses um pouco de trabalho e esperança.
    Chega de tachos e parcerias P/Privadas onde nunca se sabe dos ganhos e as perdas são cada vez maiores.
    Chega de tantas mentiras refinadas para nos sacar dinheiro em impostos.......
    Chega....

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  2. Caro Pedro
    Sei que não é um abaixo asssinado, mas se me permite assino por baixo.
    De facto ainda não é... e já tem atitudes muito pouco "nobres".
    Abraço

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  3. Estimado Amigo Pedro Coimbra,
    Estou totalmente solidário com sua belas e profundas palavras.
    Como sabe, e p[rovavelmente, melhor do que eu, a política é assim, uns aldrabões de primeira, que se aproveitam dos dinheiros dos contribuintes para se enriquecerem, nada mais.
    Eu terei a dizer imensas coisas, mas a guardo, porque os portugueses, tal como eu, rtadicados em Macau à bastanta ntes anos, foram sempre considerados portugueses de 2a. classe.
    Um abraço amigo

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  4. Luís,
    PPC está a ser teimoso.
    E Fernando Nobre oportunista.
    Já se percebeu que foi um erro tremendo convidar Fernando Nobre para um lugar que não se atribui, é sujeito a eleição.
    E, apresentar alguém sem curriculo e com má imagem a essa eleição, é dividir o partido, a coligação.
    Criar confusão por causa de um tacho.
    Fica mal a PPC esta teimosia e fica mal a Fernando Nobre não se afastar voluntariamente.
    Há tanta coisa importante em que penasr e PPC, ontem, preocupou-se apenas em reforçar esta sua teimosia cega?
    Começa mal.

    Rodrgigo,
    Ontem, a brincar com um amigo que é miltante do PSD, dizia-lhe o que lhe digo agora - "apetece comentar que 'nobres fora nada'"!! :))
    Abraço

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  5. Amigo Cambeta,
    Neste caso, mais do que aldrabice, há teimosia da parte de um e apego ao tacho da parte do outro.
    Que atitudes feias!!
    Abraço

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  6. O Pedro diz-nos, a determinada altura, isto:

    "...não deixo de lhe manifestar a minha profunda preocupação com este traço de personalidade que lhe começo a detectar."

    Estou em vantagem sobre si, Amigo. Porque o traço de personalidade de Pedro Passos Coelho foi coisa que descobri há algum tempo.

    Irei dar-lhe, ao primeiro ministro indigitado, o benefício da dúvida mas, permita-me que lhe diga, sem o menor sentido de fé.

    O exemplo de Fernando Nobre cai como sopa no mel.
    Espero que, como por aí consta, Fernando Nobre não vá ocupar o Ministério da Saúde.

    A "voz de barítono" prepara-se para nos dizer, do alto da sua altivez por vezes arrogante, quem são os ministros e secretários e sub-secretários, porteiros, motoristas e a marca das canetas que cada um vai usar.
    Passe a publicidade, fala-se na velha BIC.
    Uma dúvida: BIC Laranja para escrita fina ou BIC Cristal para escrita normal?

    E lá vão andar, todos - noblesse e "troika" oblige - andar de Fiat 600.

    Saudações

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  7. Observador,
    Fernando Nobre não vai ser ministro.
    Isso já se percebeu.
    PPC insiste em apresentá-lo como candidato a presidente da AR e será a AR a chumbar o nome dele.
    A começar por muitos deputados do PSD.
    PPC sairá chamuscado, mas fiel à palavra dada que é a única preocupação no momento.

    Curioso que fale no Fiat 600, o meu primeiro e inesquecível carro (custou na altura 9 contos).

    Vamos ver o que aí vem.
    Esta teimosia dele está-me a chatear um bocado, confesso.

    Um abraço

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  8. Coimbramigo

    Permita-me Vossa Insolência que tome a liberdade de discordar aberta, frontal, coerente e dignamente de tu. Ops, de Vossinsolência.

    O PC está acima de qualquer suspeita, não lhe admito, portantos (sem s) que trate desta maneira descortês ou seja do Corte Inglez, o nosso amado pescado.

    Perdão, que disse Vossa Insolência? Que objectou? Ah, sim, compreendo-o: foi um lapsus scritae; eu queria dizer pescada, palavra que sim.

    Tal como o vestido, também esse insigne teleosteo, da ordem perciforme e da família merlucciidae, antes de o ser, já o era.

    Curiosa situação esta: Sua Insolência o Senhor Primeiro-Ministro indigitado, ex-Doce e actual noivo à espera de bênção matrimonial, não merece as suas ínvias e sórdidas afirmações epistolares.

    Há maneiras, Senhor Dótour. O facto de Vossa Insolência residir na 中華人民共和國澳門特別行政區 não lhe confere o direito de ser insidiosamente torpe.

    Vivó o PC!; e já agora, vivó PP!. Que sejam muito felizes e que o Cristo os cubra... de bênçãos.

    Apesar do pesar, abç

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  9. Pedro
    Estou solidária com as suas palavras meu amigo. Lamento não servir de abaixo assinado.
    Sinto uma tristeza enorme ao ver o meu País a ser governado por pessoas sem escrúpulos não olham a meios para atingirem fins neste caso tachos, não foi com este mundo que sonhei e lutei. Entristece-me a memória curta dos Portugueses, assim como os valores que se estão a perder pela maldita ambição,vão ser assim criados os nossos homens do amanhã.
    Abraço

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  10. Ao pessoal que agora critica o Pedro Passos Coelho gostaria de colocar uma pergunta pertinente: acaso foram votar?

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  11. Como muito bem diz, mais importante do que ser fiel à palavra dada é não pronunciar certas palavras.
    Assino por baixo
    CBO

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  12. Ferreiramigo,
    Ganda malha!!!
    Associo-me ao seu grito(mas vou mais directo ao assunto) - que nosso senhor os cubra que é uma f*&^%$ santa!! :)))
    Abraço

    Adélia,
    Estão os dois a fazer figura de urso.
    O PPC porque teima em seguir por um beco sem saída e em fazer joguinhos políticos (a AR que chumbe o nome do gajo).
    O Fernando Nobre porque devia, voluntariamente, desobrigar o PPC e afastar-se deste corrida.
    Enfim...
    Abraço

    FireHead,
    Você segue a filosofia cavaquista?
    Quem se abstém na votação não pode criticar?
    Que disparate!!

    Carlos,
    PPC faz finca-pé, com o mesmo pé em que deu o tiro, numa asneira demasiado óbvia.
    Fernando Nobre não vai ser presidente da AR.
    Nem tem categoria e capacidade para isso.
    Um e outro deviam ter a lucidez de perceber isso e evitar discussões estéreis.
    Um abraço

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  13. Pedro,

    escrevi aqui, ontem, um "tratado" sobre esta matéria infelizmente, por razões que julgo serem técnicas, não se encontra publicado.

    Muito sucintamente queria dizer duas coisas:

    1- O Fernando Nobre tem o carácter do tamanho de um piolho.
    2- Espero que Pedro Passos Coelho tenha a presença de espírito de não teimar na sua eleição para a Presidência da Assembleia da República.

    Por fim, dizer que ao 1º Ministro indigitado desejo sorte para a sua governação porque tal será sinónimo de sorte para Portugal.
    E depois dizer que sinto ainda uma certa "azia" com o resultado das Legislativas, mas a verdade é que quem é derrotado nunca gosta de o ser, pelo menos por mim falo.

    Abraço e bom fim de semana!

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  14. Não é filosofia cavaquista, pois eu sempre pensei assim ainda antes dele ter dito isso. E será que não é verdade? Porquê criticar se não votou? Onde está a moral? Ou é criticar só porque sim? Não admira porque é que o país está como está. Continuem a não votar que há sempre quem vote por vocês. :)

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  15. FireHead,
    Eu não perdi os meus direitos de cidadania por me ter abstido nesta e noutras eleições.
    E repare que eu estou a criticar um aspecto muito concreto da actuação de PPC.
    O finca-pé na opção tonta Fernando Nobre.
    Que pode dar problemas sérios logo no início da governação.
    Porquê e para quê?
    Porque PPC está a ser teimoso e Fernando Nobre afinal não passa de um politiqueiro à procura de tacho?
    Não é tempo para discussões bizantinas.
    E temos o dever de o dizer.
    Tendo, ou não, votado.

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  16. Belíssima posta! Não só na substância mas também na forma(e não me refiro só ao texto justificado!)
    Muito bom

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  17. Bom, a minha opinião é que o voto devia ser obrigatório como nos EUA. Você que está em Macau sabe perfeitamente que na China ainda hoje em dia o povo suspira pelo direito de votar. As pessoas só sabem dar valor às coisas quando têm de as conquistar - se já nasceram com elas como dados adquiridos, a história é outra: a que se vê.
    Mas é a minha opinião e ela vale o que vale. Não estava a criticar ninguém, apenas o meu ponto de vista defende que se o povo quer protestar contra o governo, seja ele qual for e por que motivo for, é nas urnas que tem de o fazer.

    Abraço.

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  18. Anónimo,
    O texto justificado fica melhor sim senhor.
    Todas as sugestões são bem vindas.

    FireaHead,
    Se, e quando for obrigatório, eu voto, claro.
    Mas gostava que isso não acontecesse em Portugal.
    As pessoas devem ter possibilidade e liberdade de optar.
    Até optar por não votar.
    Um abraço

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