22 de fevereiro de 2011

A tradição já não é o que era


Nos dérbis, normalmente ganha a equipa que está em pior situação.
Isto é "futebolês".
Quando se defrontam o Benfica de Jorge Jesus e o Sporting de Paulo Sérgio, ganha o Benfica!
Exactamente o que aconteceu ontem.
O Benfica estava obrigado a ganhar.
E ganhou (2-0).
E ganhou porque é muito melhor (não foi sorte como afirmaram Djaló e o adjunto do Sporting).
E melhor em tudo.
Tem melhor equipa, melhores jogadores, melhor treinador, melhor organização.
A diferença entre as duas equipas, há que dizê-lo, é maior que os 15 pontos que as separam na classificação.
O Benfica é uma equipa ganhadora, com classe, com personalidade, muito bem orientada.
O Sporting é uma lástima!
Não há ali uma réstia de classe, de valentia, de galhardia.
Há sim uma enorme desorientação e uma vulgaridade que não me recordo de ver em Alvalade.
Basta olhar para os plantéis.
O Benfica tem jogadores de grande capacidade, craques - Gaitán, Salvio, Coentrão, Roberto...
O Sporting tem um plantel constituído por jogadores que não teriam qualquer hipótese de entrar nos plantéis dos rivais.
Erros de gestão e de formação do plantel que vão custar muito dinheiro, e levar muito tempo, a corrigir.
Chegamos aos treinadores.
Jorge Jesus é o treinador ideal para o Benfica.
Arrumou a casa, conseguiu ganhar títulos, valorizar jogadores, substituir os que perdeu.
Começou mal a época, soube corrigir os erros, e agora está imparável.
Falta-lhe dimensão europeia.
Que poderá começar a conquistar na próxima quinta-feira.
Do outro lado, um Paulo Sérgio que, apanhado no turbilhão, demonstra uma incapacidade confrangedora.
Será um treinador indicado para uma equipa de meio de tabela.
Para o Sporting?
Nem de perto.
E chegamos à parte directiva.
Luís Filipe Vieira e Rui Costa ressuscitaram o Benfica ganhador.
José Eduardo Bettencourt e Costinha (antes dele Pedro Barbosa, Sá Pinto) destroçaram o Sporting.
Quem vier a seguir terá à frente uma tarefa ciclópica para voltar a dar dimensão ao Sporting.
O jogo de ontem reflectiu estas realidades.
O Benfica entrou em Alavalade mandão.
O Sporting com uma tremideira que mete dó.
O primeiro golo é patético.
E reflecte estes factos.
Os jogadores do Sporting sem saberem o que fazer com a bola.
Os do Benfica, aves de rapina, a roubarem-na e a colocá-la no fundo da baliza.
Simples e directo.
O Benfica, sempre dominador, perde Sidnei por expulsão.
Seria o momento ideal (final da primeira parte) para equilibrar o jogo.
Pura ilusão.
Jorge Jesus faz entrar Jardel, altera o sistema de jogo, e continua a dominar.
O Sporting, em vantagem numérica, continua sem saber o que fazer.
O segundo golo surge naturalmente.
E sem grande desgaste para o Benfica.
Grande vitória do Benfica, a reduzir a desvantagem para o Porto (8 pontos), a ampliar a vantagem para o Sporting (já está a 15 pontos), a manter viva a luta pelo título.
O Sporting está em terceiro lugar, com mais um ponto que o Guimarães, e numa situação verdadeiramente penosa.
Não há tradição que resista!

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