7 de fevereiro de 2011

DEDICATÓRIA AOS AMIGOS (FERNANDO PESSOA)


"Um dia a maioria de nós irá separar-se.

Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angustia, das vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.

Hoje já não tenho tanta certeza disso.

Em breve cada um vai para seu lado.

Seja pelo destino ou por algum desentendimento, cada um segue a sua vida.

Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... os dias vão passar, meses... anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro.

Vamo-nos perder no tempo...

Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:

Quem são aquelas pessoas?

Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!

- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito.

Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...

Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.

E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.

Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes daquele dia em diante.

Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida isolada do passado.

E perder-nos-emos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

7 comentários:

  1. Um texto muito bonito Catarina.
    Que me fez recordar muita gente.

    ResponderEliminar
  2. Muitos atribuem essa poesia a Vinicios de Moraes

    ResponderEliminar
  3. Nem Vinicius nem Fernando Pessoa, aliás esse nunca escreveria algo assim.

    ResponderEliminar
  4. Afinal de quem é o Poema...Vinícius ou Pessoa....?????

    ResponderEliminar
  5. De Pessoa??? "Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... " Quantas pessoas tinham telefone em casa na altura em que Pessoa morreu (1935)?

    Um bocado de seriedade antes de atribuir falsamente a grandes autores coisas que eles nunca escreveram... Já se leram na net palavras de Borges, Garcia Márquez, etc. que eram totalmente apócrifas. É pena.

    ResponderEliminar
  6. Desculpe o meu comentário anterior. Pode ficar sem publicar, claro, mas acho que devia tirar o nome de Fernando Pessoa deste texto.

    Tenha um bom dia, e como presente, este poema de João Miguel Fernandes Jorge, de que gosto imenso, e que fala de amigos:

    JANTAR EM ALCABIDECHE

    Estavam os meus amigos. E, todos, mais
    ou menos bêbados. As mãos brincavam com
    as facas, apertavam os copos entre os
    dedos, espremiam limão sobre os peixes
    grelhados. Os gestos, a alegria
    do encontro tornara-os tenros e desajeitados.
    Mais do que dirigindo-nos a nós próprios,
    fazíamo-lo para uma presença imaginária,
    a secreta corrente que a cada um unia; e,
    mais secretamente ainda, dois e três escondia.
    Depois, não há como o álcool,
    o vinho branco escolhido – que não fora
    excelente – para fazer querer
    ser o eu presente o verdadeiro eu;
    e que, até então, sempre permanecera
    escondido.
    Os meus amigos falam, falam todos ao mesmo
    tempo e não se entendem.
    E quanto mais querem dizer mais abraços dão.
    Riem e chegam mesmo a participar, felizes,
    na união em cada um;
    meio perdidos no seu sonho de representação
    de si, não procuram mais do que provar, e
    provar aos outros, uma única coisa: cada um
    é o mais fiel naquele jantar,
    Eu, quase sempre, permaneci alheio e
    olhava-os, como vocês, leitores,
    nos estão a olhar agora.

    João Miguel Fernandes Jorge



    ResponderEliminar