É só o segundo jogo e a vitória já é fundamental?

 
Parece muito estranho que, ao segundo jogo do grupo de apuramento, se fale já num jogo que é fundamental ganhar.
Mas é esse o discurso mais ouvido nestes dias que antecedem o jogo em Oslo.
Depois do desastre que foi o empate com a selecção cipriota em Guimarães, uma derrota em Oslo deixaria a Selecção portuguesa em muito má posição para garantir uma vaga no Europeu a disputar daqui a dois anos.
Num cenário complicado, num jogo com uma equipa forte, a Selecção portuguesa enfrenta ainda uma série de problemas que fazem com que a tarefa de vencer em Oslo se afigure como mais um daqueles feitos em que o futebol português é pródigo.
Quando todas as condições estão reunidas para ganhar, não se ganha.
Até se perde um Europeu, em casa, com um apoio popular nunca visto, contra uma selecção grega perfeitamente vulgar, que já tinha derrotado os portugueses uns dias antes.
Quando tudo aponta a direcção do descalabro, aparecem os milagres.
Ainda não será altura de milagres, mas Agostinho Oliveira já começa a apelar ao Divino.
No dia em que o diário O Jogo divulga uma sondagem de opinião na qual mais de 80% dos inquiridos manifestam a vontade de ver Queiroz fora da Selecção, a equipa que vai jogar em Oslo, a acreditar nas informações veiculadas na imprensa, vai ser uma equipa diferente da que jogou em Guimarães.
E muito diferente da que, ainda recentemente, disputou o Mundial.
Assim, se Eduardo se mantém na baliza, e Bruno Alves e Ricardo Carvalho formam a dupla de centrais, as novidades começam nas laterais.
A lesão de Fábio Coentrão obrigava a alterações.
Isso já se sabia.
Mas, depois da péssima exibição em Guimarães, Miguel também sai da equipa.
Oportunidade para Sílvio, o garoto que o Braga foi descobrir em Vila do Conde e que Mourinho diz ser o jogador que mais o encanta no campeonato português, se estrear na Selecção A.
Sílvio que vai ocupar a lateral direita, a posição onde se vem evidenciando em Braga, ele que se destacou em Vila do Conde a jogar como..... lateral esquerdo.
Lateral esquerdo vai ser Miguel Veloso, ele que tantas vezes, ainda ao serviço do Sporting, afirmou não gostar de ocupar aquela posição.
Mexidas também no meio-campo.
Manuel Fernandes é outra das vítimas do jogo de Guimarães.
O incompreensível duplo pivot defensivo adpotado em Guimarães é agora abandonado.
Não fazia sentido nenhum a jogar contra Chipre em casa.
Contra a Noruega, em Oslo....
Raul Meireles, ainda sem ritmo, sem concentração, e sem rotina do lugar, vai ocupar a posição "6".
Com Tiago e Moutinho, a equipa portuguesa apresenta agora um duplo pivot mais ofensivo, num meio-campo muito franzino, com uma média de alturas na ordem do metro e setenta.
Isto quando, do outro lado, estão os matulões noruegueses.
Fácil prever que, do lado português, se vai apostar na circulação de bola junto ao relvado.
Os noruegueses vão colocar as fichas todas num futebol mais directo, priveligiar a vertente física.
Nada de novo a Norte.
Nada de novo também no trio ofensivo português.
Não havia razões para efectuar alterações.
Nem grandes opções, sejamos sinceros.
Os portugueses marcaram quatro golos em Guimarães.
E ficaram a dever a si próprios uns quantos mais.
Assim, Nani e Quaresma jogarão junto às linhas, com movimentações para dentro,  em constante troca de posições e no apoio ao jogador mais adiantado - Hugo Almeida.
Parece evidente que a Selecção portuguesa poderá perfeitamente ganhar o jogo em Oslo.
E sem necessitar do apoio do Divino.
Antes, e apenas, porque tem jogadores com capacidade para resolverem jogos.
Porque, para além desses jogadores, a realidade é confrangedora.
A Selecção portuguesa conseguiu reunir, e em muito pouco tempo!, todas as condições para não ganhar.
E, a julgar pela prestação das selecções mais jovens, pelo facto de não aparecerem novos talentos, de haver cada vez menos jogadores portugueses nas equipas de topo, essas condições para não ganhar parecem querer instalar-se por muito tempo.
Reviver o passado na Praça da Alegria? 

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