2 de dezembro de 2009

E pur no si muove!


A frase "E pur si muove!" foi utilizada por Galileu para enfurecer a Inquisição e insistir na sua teoria, segundo a qual a Terra gira à volta do Sol.
A evolucão científica veio dar razão a Galileu.
No cenário político de Macau, depois de conhecidos ontem os nomes que vão integrar o Conselho Executivo, a expressão a que teremos que recorrer terá de ser a oposta à que Galileu tornou famosa.
Cada vez mais, harmonia e continuidade, são sinónimo de imobilismo, total ausência de ousadia e mudança.
As mesmas pessoas, as mesmas caras, as mesmas ideias.
Os nomes dos membros do Conselho Executivo aqui http://www.gcs.gov.mo/showNews.php?DataUcn=41461&PageLang=P .
Sete transitam do anterior Conselho Executivo; três são novos.

Os novos são o deputado Chan Meng Kam, cujo peso político se foi reforçando ao longo dos anos e teve um enorme impulso com o episódio da reunião familiar; o arquitecto e presidente da Cruz Vermelha de Macau Eddie Wong (Wong Yue Kai); a presidente da AGOM Ho Sut Heng.
Chan Meng Kam chega ao Conselho Executivo depois de ser falado há já muito tempo para desempenhar tais funções.
O homem de Fujian abraçou a causa da reunificação familiar, conseguiu muita visibilidade e simpatia mercê da mesma, e não pode ser ignorada sua influência junto de uma larga camada da população.

Depois, sendo um empresário, é um "dois em um" que é muito útil ao poder instituído.
Eddie Wong é, há muito, um homem com boas relações nos corredores da Praia Grande.
Não levanta ondas, mas não traz nada de muito novo ao Conselho Executivo.

E ganhou visibilidade e proximidade ao Chefe do Executivo eleito na sequência dos esforços de auxílio às vítimas da tragédia de Sichuan (na foto exactamente em Sichuan e na qualidade de presidente da Cruz Vermelha de Macau).
Ho Sut Heng vai substituir o seu colega da AGOM, Lam Heong Sang, eleito deputado nas listas da AGOM (na foto, junto a Tou Wai Fong do CCAC).
Funciona a lógica da substituição directa e o mecanismo de compensação face a um resultado eleitoral decepcionante.
Quem esperava poder ler nas nomeações dos membros do Conselho Executivo sinais do que vai ser o futuro político da RAEM só pode chegar a uma conclusão - vai ser igual ao presente, o qual, por sua vez, é igual ao passado.
É um opção legítima.
Mas nada entusiasmante.
Carlos Morais José, na edição do Hoje Macau, refere, recorrendo à tradição popular, que "(...) com estes já sabemos com o que podemos contar".
É verdade.
Não é necessariamente bom, mas é verdade.
Fraca consolação, dirão alguns.
Pode ser que o futuro prove que os actuais dirigentes tinham razão, dirão outros.


Tal como Galileu, não é?
A ideia de que as nomeções poderiam, de algum modo, indiciar os dirigentes que estarão a ser preparados para, num futuro mais ou menos próximo, assumir os destinos da RAEM, também não se concretizou.
Só Lionel Leong Vai Tac corresponde a esse perfil.
Mas, também aí, não há nada de novo.
Chan Meng Kam é que, com esta nomeação, parece revelar vontade, e peso político, para ainda aspirar a mais altos voos.
A conferir futuramente.

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