30 de novembro de 2018

Brasileiros



BRASILEIRO NO PAÍS DA MERKEL 

Um BRASILEIRO chegou à Alemanha sem falar uma palavra de alemão.
Sentou-se numa cervejaria e pediu uma cerveja.
O criado não entendeu nada.
O BRASILEIRO insistiu duas, três, quatro, cinco vezes e nada.
Desesperado, proferiu um palavrão bem ao jeito Português!
O empregado esboçou um sorriso, fez um sinal afirmativo e trouxe a tão desejada cerveja.




BRASILEIRO EM OXFORD

Uma família brasileira mandou o filho para Oxford para tirar um curso superior e ao mesmo tempo aperfeiçoar o seu inglês. 
Trocavam habitualmente correspondência mas fim de sete meses o pai resolveu telefonar.
- Oi, filho como vão seus estudos em Oxford? 
- Uma maravilha! 
-E o seu inglês? 
- Tá tomando banho no banheiro...

BOM FIM-DE-SEMANA!

29 de novembro de 2018

Golfinhos e tubarões


Na antevisão do jogo de ontem, Sérgio Conceição falou em golfinhos e tubarões.
Para, no final do jogo, afirmar que, pelos vistos o Futebol Clube do Porto tinha sido o tubarão do grupo.
Com a vitória de ontem, frente ao vice-campeão alemão (Shalke 04), o Porto confirmou a passagem à próxima fase (ambas as equipas estavam virtualmente apuradas antes de o jogo começar), somou mais uma vitória (3-1), mais prestígio, mais dinheiro (a soma dos ganhos nesta Liga dos Campeões já ultrapassa 65 milhões de euros).
E confirmou uma fase muito positiva, a abundância de soluções num plantel muito unido em torno de uma liderança forte de um treinador que se afirma cada vez mais como o homem certo no lugar certo.
A mistura de músculo (Maxi, Filipe, Danilo, Herrera, Marega) com virtuosismo (Militão, Telles, Óliver, Brahimi e Corona) está a resultar muito bem.
Em termos de resultados e de exibições.
Conseguidos dois objectivos nesta edição da Liga dos Campeões (passagem à próxima fase e primeiro lugar no grupo), é chegado o momento de dar oportunidade aos menos utilizados no jogo com o Galatasaray.
Voltando à linguagem do mundo animal, chega agora a fase de enfrentar os tubarões.
Sim, porque a partir desta fase os golfinhos serão muito poucos ou nenhuns. 

Intemporais (143)

28 de novembro de 2018

Quem é que assiste aos debates sectoriais das Linhas de Acção Governativa na TDM?


Primeiro o Chefe do Executivo, agora os Secretários.
Um a um, dois dias para cada um, cinco horas de cada vez (15 às 20 horas).
Cinco horas enfadonhas, monótonas, com o acréscimo da dificuldade e cansaço que representa a tradução simultânea.
Cinco horas que os deputados aproveitam para fazer pequenos discursos, que muitas vezes nada têm a ver com a tutela que está no hemiciclo, que com alguma sorte terminam numa pergunta.
Para não obterem respostas minimamente satisfatórias.
Para eles (deputados) e para os telespectadores.
Fará sentido transmitir esta sensaboria, tantos dias, tantas horas, num canal generalista?
Quem é que assiste aos debates sectoriais das Linhas de Acção Governativa na Teledifusão de Macau (TDM)?
Perguntar não ofende…

La gaffe


27 de novembro de 2018

Rejeição do confronto


A população de Taiwan foi às urnas dizer alto e bom som que rejeita uma estratégia de confronto com Pequim.
Se era esta a percepção do que representaria o resultado das eleições municipais, a sensivelmente um ano das eleições presidenciais, os resultados não deixam margem para dúvidas.
A retórica de confronto com Pequim, e independentista face à República Popular da China, vinda do interior do Partido Democrático Progressista (PDP), e personificada pela líder Tsai Ing-wen, foi claramente rejeitada pelos eleitores da Ilha.
Sorri Pequim, sorri o Kuomintang, sai de cena, pela porta pequena, Tsai Ing-wen.
Mas só a prazo, depois das eleições presidenciais do próximo ano.
Porque, para já, Tsai Ing-wen apenas abandona liderança do PDP.
Mas abandona essa liderança com recados bem claros para quem lhe suceder.
Recados que teremos que esperar para ver se serão audíveis e aceites pela nova liderança do Partido.
Afirmar que o PDP permanecerá fiel à sua estratégia independentista, e que os resultados destas eleições tiveram muito mais a ver com questões económicas internas do que com questões de política externa, afigura-se como uma estratégia de óbvia fuga para frente que não se afigura agrade aos eleitores que agora de forma tão clara rejeitaram o PDP e as suas ideias.
As relações entre Taiwan e Pequim continuarão a ser pautadas publicamente por muita retórica, muita declaração de intenções.
Em privado, no interior dos gabinetes, no jogo da diplomacia, muita cautela, muita negociação, nada gestos bruscos de qualquer das partes.
Quem não perceber isto estará condenado a sofrer dissabores como agora sofreram o PDP e Tsai Ing-wen.

Sophia Floersh de regresso a casa


Depois do acidente horroroso de domingo Sophia Floersh regressa a casa para iniciar um longo período de recuperação e com o título de Embaixadora da Boa Vontade do Turismo de Macau.
Chapelada para quem lhe prestou os primeiros socorros, o Hospital Conde de São Januário, a equipa médica e de enfermagem. 
As imagens arrepiantes do acidente de domingo agora que o pior já passou.

26 de novembro de 2018

23 de novembro de 2018

A idade ensina-nos a fazer melhores escolhas


UMA QUESTÃO DE PRIORIDADE

Uma senhora bem idosa estava no convés de um navio de cruzeiro a segurar o seu chapéu firmemente com as duas mãos para não ser levado pelo vento. 
Um cavalheiro aproxima-se e diz:
- Perdoe-me, senhora...não pretendo incomodar, mas a senhora já notou que o vento está a levantar bem alto o seu vestido?
- Já, sim, mas é que eu preciso de ambas as mãos para segurar o chapéu.
- Mas, senhora....a senhora deve saber que suas partes íntimas estão a ser expostas! - disse o cavalheiro.
A senhora olhou para baixo, depois para cima, e respondeu:
- Cavalheiro, qualquer coisa que o Sr. esteja a ver aqui em baixo tem 85 anos.
O chapéu comprei-o ontem.

BOM FIM-DE-SEMANA!

22 de novembro de 2018

Quem acredita que o assassinato de Jamal Khashoggi nada teve a ver com o Príncipe saudita Mohammed bin Salman?


Jamal Khashoggi era um jornalista corajoso, feroz crítico do regime totalitário e obtuso que oprime a Arábia Saudita.
Por ser corajoso e defender as suas convicções, foi assassinado e o seu cadáver desmembrado de uma forma tão fria quanto absolutamente bárbara.
A Turquia, país onde o horrendo crime ocorreu, apresentou todos os pormenores e todas as provas desta rábula macabra.
Um crime cometido na embaixada da Arábia Saudita, por um comando altamente profissional que se deslocou a Istambul pura e simplesmente para liquidar Jamal Khashoggi.
A mando de quem, é a questão que ainda permanece sem resposta oficial.
Oficial, sublinhe-se a traço grosso.
Porque não será muito complicado perceber que seria virtualmente impossível Mohammed bin Salman não saber o que se estava a passar.
A explicação das autoridades sauditas (uma discussão que descambou em agressões e que tiveram como consequência a morte acidental de Jamal Khashoggi) é apenas a pública demonstração que o regime saudita julga que tudo lhe é permitido.
O que aparentemente até nem será assim tão disparatado.
Basta ouvir as declarações mais recentes de Donald Trump acerca do caso para se chegar facilmente a essa conclusão.
Contra todas as evidências, contra todas as provas, desafiando a própria lógica, Donald Trump diz acreditar na palavra de Mohammed bin Salman.
Um crente, Donald Trump afinal é um crente.
Acredita em Putin quando este lhe diz que não interferiu nas eleições norte-americanas, em Kim Jong-un quando lhe diz que vai desistir do programa nuclear norte-coreano, em Mohammed bin Salman quando este lhe diz que nada teve a ver com a morte de Jamal Khashoggi.
Quem é que acredita que o assassinato de Jamal Khashoggi nada teve a ver com o Príncipe saudita Mohammed bin Salman?
Aparentemente só Donald Trump, o mesmo que não acredita nas alterações climáticas.

Intemporais (142)

21 de novembro de 2018

Theresa May…go away


Theresa May assumiu o Brexit como um processo seu e tornou-se na cara e na voz da saída da Grã-Bretanha do seio da União Europeia.
Se estivesse de visita a um dos muitos casinos de Macau, poderia dizer-se que Theresa May apostou as fichas todas num abandono negociado da União Europeia que sempre lhe pareceu uma negociação simples e escorreita.
Enganou-se e corre o sério risco de ser a vítima de um processo que se arrasta, se complica, levanta cada vez mais objecções e dúvidas.
Negociado um acordo com a União Europeia, que parecia ser a etapa mais complicada, Theresa May vê crescer internamente uma onda de contestação a esse acordo.
Uma onda de contestação que poderá descambar num voto parlamentar de rejeição ao acordo conseguido com tanto esforço e ao longo de tanto tempo.
Voto esse que, somado à contestação interna e às numerosas deserções de membros do governo britânico, desencadearia uma crise política de consequências imprevisíveis.
Se parece haver uma vontade relativamente ampla dentro da classe política e do público britânico tendente a evitar uma saída da União Europeia sem acordo (é melhor um mau acordo que acordo nenhum), no restante está instalada a confusão.
O Brexit entra agora na sua fase mais decisiva.
E Theresa May tem tudo a ganhar ou tudo a perder nesta fase essencial do processo.
Os sinais que chegam de uma Grã-Bretanha profundamente divida fazem crer que Theresa May…go away.

Turismo rural


Trata-se de um desporto nacional que antes se chamava "ir à terra". A diferença é que se fores à tua terra, vais de borla, e se fizeres turismo rural vais a uma terra que não é a tua e pagas uma pipa de massa. Para fazer turismo rural não serve qualquer terra. Tem de ser uma terra "com encanto".

E o que é uma terra "com encanto"? Obviamente, é uma terra que está num guia de terras "com encanto". Está-se mesmo a ver. A estas terras chega-se normalmente por uma estrada municipal "com encanto", que é uma estrada com tantos buracos e tantas curvas que quando chegas à terra estás mortinho para sair do carro.

E quando entras no café tentas integrar-te com os vizinhos. - Bom dia, compadres! O que é que é típico daqui? E o gajo do café pensa: "Aqui o típico é que venham os artolas da cidade ao fim-de-semana gastar duzentos contos".

A seguir, ficas instalado numa casa rural ou "casa com encanto", que é uma casa decorada com muitos vasinhos e réstias de alhos penduradas do tecto, que não tem televisão, nem rádio, nem microondas. Em contrapartida, tem uns cabrões de uns mosquitos que à noite fazem mais barulho que uma Famel Zundapp.

Depois apercebes-te que os da terra vivem numas casas que não têm encanto nenhum, mas têm jacuzzi, parabólica, Internet e video-porteiro. A tua casa não tem video-porteiro, mas tem uma chave que pesa meio quilo.

Outra vantagem de fazer turismo rural é que podes escolher entre uma casa vazia ou ir viver com os donos da casa. Fantástico!!! Vais de férias e, além da tua, ainda tens de aguentar uma família postiça. Que à noite queres ver o filme, eles os documentários e tu perguntas-te: "Quem é que manda mais? Eu, que paguei 600 euros ou este senhor que vive aqui?" Ganha ele, que tem um cacete.

Ainda por cima, dizem-te que tens "a possibilidade de te integrares nos trabalhos do campo". O que quer dizer que te acordam às cinco da manhã para ordenhar uma vaca. Não te lixa?

É como ires à bomba da gasolina e teres de pôr tu a gasolina, ou como ires ao McDonalds e teres de arrumar o tabuleiro. Ou seja, o normal.

Então, levantas-te às cinco para ordenhar as vacas. E digo eu: porque raio é que é preciso ordenhar as vacas tão cedo? O leite está lá! Não se podem ordenhar depois do pequeno-almoço? Eu acho que isto é só para chatear, porque a vaca deve ficar muito contente por a acordarem às cinco da manhã para um estranho lhe vir mexer nas mamas. A vaca olha para ti como se dissesse: "Ouve lá, pá! Se queres leite vai ao frigorífico e abre um pacote!" É que é mesmo só para chatear!!!

Mas o "encanto" definitivo são "as actividades ao ar livre". Como quando te põem a fazer caminhada, que é aquilo a que normalmente se chama andar, e consiste, exactamente, em por um pé em frente ao outro até não poderes mais, enquanto os da terra vão num jipe com ar condicionado. Mas tu feliz da vida. Vais pelo campo atordoado. Tornas-te bucólico e tudo te parece impressionante: vês uma vaca e dizes: "Ummmmm, que cheirinho a campo". A campo não, a bosta!!! Mas, isso sim, é o bosta "com encanto". E tudo, seja o que for, te sabe maravilhosamente: na mesa pespegam-te dois ovos estrelados com chouriço e tu na cidade não comes estes ovos, nem estes chouriços. E perguntas ao empregado? - Este chouriço é da matança? - Quase, porque o gajo do camião da Izidoro ia morrendo ali na curva.

De repente, ouves umas badaladas e dizes: - Ah! Que paz! Não há nada como o som de um sino!... E o gajo do café diz-te: - É gravado. Não vê o altifalante no campanário?

Nesse momento, perguntas-te se os ruídos das galinhas e dos grilos não estarão num CD: "RuralMix2006", "Os 101 Maiores Êxitos Campestres". A única coisa de que tens a certeza é que os cabrões dos mosquitos são verdadeiros. Pareces um Ferrero Rocher com varicela!!! Eu acho que, de segunda a sexta, as pessoas destas terras vivem como toda a gente, mas ao fim-de-semana espalham pela estrada uns tipos mascarados de pastores e quando vêem que se aproxima um carro, avisam os da terra pelo telemóvel: "Hey, vêm aí os do turismo rural!" E mudam o cartaz de "Videoclube" pelo de "Tasca", soltam uns cães pelas ruas e sentam à entrada na terra dois avôzinhos a fazer sapatos, que depois tu compras uns e saem-te mais caros que uns Nike.

Enfim, acho que uma montagem tão grande como esta não pode ser obra de pessoas isoladas. Tenho a certeza de estão implicadas as autoridades.

Imagino o Presidente da Câmara: - "Queridos conterrâneos: este Verão, para aumentar o turismo, vamos importar mais mosquitos do Amazonas, que no ano passado tiveram imenso êxito. E quero ver toda a gente com boina, nada de bonés de pala da Marlboro. E façam o favor de pintar o espaço entre as sobrancelhas, que assim não parecem da província! E as avós: nada de topless na ribeira, que espantam os mosquitos! E só mais uma coisa: este ano não é preciso ninguém fazer de maluquinho da terra, que com os que vêm de fora já chega!

20 de novembro de 2018

Mais uma relação amorosa mal sucedida para Donald Trump


Ainda há tão pouco tempo Donald Trump declarava ufano que ele e Kin Jong-un se tinham apaixonado e o líder norte-coreano já deu uma valente facada nessa intensa paixão.
Muito antes de o matrimónio se consumar, Kim Jong-un preferiu testar uma arma com capacidade nuclear, em homenagem ao falecido papá, esquecendo a paixão ardente de Trump e com Trump.
O Presidente norte-americano realmente é atreito a relações amorosas tempestuosas.
Já não lhe bastava uma esposa cada vez mais afastada e irritada, depois do historial de divórcios e aventuras extra-matrimoniais de todos conhecidos, agora é a mais recente paixão que descamba em pública e descarada traição.
Mais uma relação amorosa mal sucedida para Donald Trump.
Azar, mau feito, má avaliação, ou simplesmente não conseguir perceber que realmente “quem dorme com cães acorda com pulgas”?

A ESTUPIDEZ DAS GUERRAS (Frei Bento Domingues, O.P.)



1. Para O Livro do Desassossego, “as guerras e as revoluções – há sempre uma ou outra em curso – chegam, na leitura dos seus efeitos, a causar não horror mas tédio. Não é a crueldade de todos aqueles mortos e feridos, o sacrifício de todos os que morrem batendo-se, ou são mortos sem que se batam, que pesa duramente na alma: é a estupidez que sacrifica vidas a qualquer coisa inevitavelmente inútil. Todos os ideais e todas as ambições são um desvario de comadres homens. Não há império que valha que por ele se parta uma boneca de criança. Não há ideal que mereça o sacrifício de um comboio de lata”.

Ainda antes deste texto, Fernando Pessoa já tinha escrito: “Dói-me na inteligência que alguém julgue que altera alguma coisa agitando-se. A violência, seja qual for, foi sempre para mim uma forma esbugalhada de estupidez humana. Depois, todos os revolucionários são estúpidos, como, em grau menor, porque menos incómodo, o são todos os reformadores”.

Não diz só porque lhe dói a inteligência, dá um bom conselho, embora, como sempre, o julgue inútil: “Revolucionário ou reformador – o erro é o mesmo. Impotente para dominar e reformar a sua própria atitude para com a vida, que é tudo, ou o seu próprio ser, que é quase tudo, o homem foge para querer modificar os outros e o mundo externo. Todo o revolucionário, todo o reformador é um evadido. Combater é não ser capaz de combater-se. Reformar é não ter emenda possível”.

Não falta nada para se concluir que Fernando Pessoa não passava de um reles reaccionário conformado com o mundo como ele está: um conservador, um decadente.

Talvez afirmasse a sua lucidez irónica e não, apenas, niilista: “O homem de sensibilidade justa e recta razão, se se acha preocupado com o mal e a injustiça do mundo, busca naturalmente emendá-la, primeiro, naquilo em que ela mais perto se manifesta; e encontrará isso em seu próprio ser. Levar-lhe-á essa obra toda a vida”.

Esta fuga para a interioridade não se pode confundir com uma cedência à conversa beata ou búdica nem se reduz aos seus momentos de «quase místico». Fernando Pessoa confessa que pertence “a uma geração que herdou a descrença na fé cristã e que criou em si uma descrença em todas as outras fés. (…) Sem fé, não temos esperança, e sem esperança não temos propriamente vida. Não tendo uma ideia de futuro, também não temos uma ideia de hoje, porque o hoje, para o homem de acção, não é senão um prólogo do futuro”.

No entanto, “reconhecer a realidade como uma forma da ilusão, e a ilusão como uma forma da realidade, é igualmente necessário e igualmente inútil”.

Vai procurar fazer de todas as formas de falência e de inutilidade uma vitória, mediante a criação literária indiferente ao estado das coisas do mundo exterior: “Já que não podemos extrair beleza da vida, busquemos ao menos extrair beleza de não poder extrair beleza da vida”.

A alergia ao revolucionário e ao reformador não deixa de ser pertinente na maioria dos casos. As grandes excepções, como Gandhi, Luther King, Mandela e outros, não podem fazer esquecer os criminosos das revoluções e das contra revoluções ao longo da história. Como dizia uma personagem de Dostoievski, o monstro mais monstruoso é um monstro dotado de nobres sentimentos. As tentativas de justificação da violência, para a vitória da revolução ou da guerra, só podem aumentar a estupidez.

2. Nesta crónica, não foram as ideias estéticas, sociais, políticas ou teológicas d’O Livro do Desassossego que me preocuparam, embora o considere uma possível introdução à mística, na medida em que destrói todas as formas de ilusão. O que me agrada é a sua impiedosa lucidez perante todas as formas de guerra e violência.

Na semana passada, Rui Tavares evocou o mesmo tema: “Há cem anos e um dia os sinos das igrejas de Shrewsbury, em Inglaterra, tocavam com a notícia do fim da I Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, na mesma aldeia, bateram à porta da casa da Sra. Susan Owen para lhe entregar um telegrama. O seu filho Wilfred tinha morrido há exactamente uma semana, hora por hora, na frente de batalha em França.

“Wilfred Owen foi uma das últimas estúpidas mortes de muitos milhões de estúpidas mortes de uma guerra estúpida que começou há cento e quatro anos e acabou há cem anos, feitos ontem, sem que ninguém saiba muito bem explicar exactamente porquê. (…) Morrer pela pátria pode ser necessário, pode ser até inevitável, pode resultar de um acto de bravura. Mas Owen viu à sua volta como se morria pela pátria na Europa das trincheiras, e não era doce nem honroso”.

Rui Tavares apresenta, depois, os números monstruosos das vítimas das guerras na Europa, desde a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) até à II Guerra Mundial (1939-1945). A guerra era o estado natural da Europa.

3. Trabalhei em Moçambique durante a guerra civil. Aconteceu-me a mesma coisa em Angola. Em Chiapas, México, vi-me cercado pela revolta zapatista (1994); entrei em Lima, Peru, quando o Sendero Luminoso tinha posto a cidade a ferro e fogo; na Colômbia, não senti, apenas, o que foram anos e anos de guerras. Em Medellin, quando foram interrompidas as negociações de paz, tive uma espingarda apontada às costas.

Nem sequer posso esquecer a estupidez das “guerras” entre aldeias das Terras de Bouro e a violência desencadeada nas feiras e romarias entre grupos.

Ondem nascem os desejos de guerra e violência? Deixo em suspenso esta questão essencial para nova oportunidade, pois não pode ser abordada em alguns parágrafos. 

Conhecendo a sua história bélica, não é pouca coisa celebrar setenta e três anos de paz na Europa. A grande interrogação é esta: se a guerra é uma estupidez o que será preciso fazer para que os seus povos não voltem a ser usados como estúpidos?

O projecto europeu só tem a ganhar com os debates e as discussões que o tornem cada vez mais democrático e eficiente e no qual todos se possam reconhecer na diversidade das suas tradições e nas diferentes culturas e políticas. Aceitar, em nome da liberdade, as correntes e os movimentos apostados em destruir a Europa é consentir alegremente no seu suicídio.

A estupidez não tem de ser uma lei eterna.

in Público, 18.11.2018

19 de novembro de 2018

PIADAS VENEZUELANAS


Na Venezuela um menino chega da escola faminto e pergunta à sua mãe:
- "Mamãe, o que vamos comer ?"
- "Nada, filhinho."
O menino vê o papagaio da casa e diz:
- "Nem papagaio com arroz ?"
- "Não temos arroz, filhinho."
- "E papagaio assado?"
- "Não temos gás."
- "Assa na churrasqueira elétrica !"
- "Não temos eletricidade, filho."
- "Que tal papagaio frito ?"
- "Não temos óleo, querido."
Grita o papagaio:
- "VIVA MADURO !!! VIVA MADURO!!!"

* * * * *

Uma professora venezuelana  mostra aos alunos um retrato do presidente Bush, e pergunta à classe:
- "De quem é este retrato ?"
Silêncio absoluto....
- "Eu vou ajuda-los. É por culpa deste senhor que nós estamos passando fome, vivendo na miséria."
- "Ah, professora ! É que sem o bigode e o uniforme não dava para reconhecer !"

* * * * *

Maduro está fazendo um de seus famosos discursos:
- "E a partir de agora teremos de fazer mais sacrifícios !"
Diz alguém na multidão:
- "Trabalharemos o dobro !"
Maduro continua...
- "E temos de entender que haverá menos alimentos !"
Diz a mesma voz:
- "Trabalharemos o triplo !"
- "E as dificuldades vão aumentar !"
Completa a mesma voz:
- "Trabalharemos o quádruplo !"
Nesse momento Maduro pergunta ao chefe da segurança:
- "Quem é esse sujeito que vai trabalhar tanto ?"
- "O coveiro!

* * * * *

O governo revolucionário vai tomar todas as providências
para que nenhum venezuelano vá para a cama sem comer:
Vai recolher todas as camas!

* * * * *

O pai venezuelano pergunta ao filho pequeno:
- "O que você quer ser quando crescer ?"
- "Estrangeiro."

* * * * *

Putin foi à Venezuela e ficou impressionado com o número de pessoas usando sapatos com solas furadas, rasgados em cima, etc. 
Estranhou que as pessoas ainda estavam com sapatos rasgados e maltratados. 
Perguntou a Maduro a razão disso.
Maduro, indignado, respondeu com uma pergunta:
- "E na Rússia, não é a mesma coisa ? Vai me dizer que lá todo mundo tem sapato novo ?"
Putin disse a Maduro que fosse à Rússia para conferir.
 E se ele encontrasse um cidadão qualquer com sapatos furados, tinha a permissão para matar essa pessoa.
Maduro tomou um avião e se mandou para Moscovo. 
Quando desembarcou, a primeira pessoa que viu estava com sapatos rasgados e furados, que pareciam ter pertencido ao avô. 
Não titubeou. 
Tirou a pistola e matou o sujeito.
Afinal, tinha permissão de seu colega Putin para fazer isso. No dia seguinte as manchetes dos jornais Soviéticos anunciaram:

- PRESIDENTE DA VENEZUELA MATA SEU EMBAIXADOR NO AEROPORTO.

* * * * *

Maduro morre e chega no céu, mas não estava na lista. 
Assim, São Pedro o manda ao inferno.
 Quando chega lá, o diabo em pessoa o recebe e diz:
- "Olá Maduro, seja bem-vindo. 
Eu estava à sua espera. Aqui você vai se sentir em casa."
- "Obrigado, Satanás, mas estive primeiro no céu e esqueci minhas malas lá em cima, na portaria."
- "Não se preocupe. Vou enviar dois diabinhos para pegar suas coisas."
Os dois diabinhos chegam às portas do céu, mas as encontram fechadas, porque São Pedro tinha saído para almoçar. 
Um dos diabinhos diz ao outro:
- "Olha, é melhor pularmos o muro. Aí pegamos as malas sem ninguém nos perturbar."
Os dois diabinhos começam a escalar o muro; mas, dois anjinhos passavam por ali, e ao verem os diabinhos, um comenta com o outro:
- "Não faz nem dez minutos que Maduro está no inferno e já temos refugiados !!!"

BOA SEMANA!

16 de novembro de 2018

O parto da prostituta


As palavras existem para serem ditas... em qualquer contexto. Culpa é de quem as interpreta fora do contexto...

Senão vejam:
O Parto da Prostituta.

O tipo está preso na esquadra, todo partido...
O advogado comparece para libertá-lo, e pergunta o que havia acontecido.
O cliente começa a explicar:
- Bem, eu estava a passar na rua e, de repente, vi um monte de gente a correr.
Estavam a ajudar uma prostituta, que acabava de dar à luz um lindo menino em plena rua.
Solidário, comprei um pacote de fraldas para presentear a prostituta.
Ao aproximar-me, um polícia com 2 metros de altura e 3 de largura, viu o pacote de fraldas nas minhas mãos e perguntou:
- Para onde vai isso?
E eu respondi:
- Vai pra p - - - que pariu.
Depois disso não me lembro de mais nada, mas já consigo abrir um olho.


BOM FIM-DE-SEMANA!

15 de novembro de 2018

Exército europeu – um passo à frente na política de defesa comum


Emmanuel Macron e Angela Merkel coincidem na proposta de criação de um exército europeu.
Uma proposta que irritou o irascível Donald Trump.
Que percebeu que é ele um dos principais responsáveis por a questão ser levantada neste momento.
O inconstante Trump não é confiável, é ignorante e é perigoso.
Algo que Merkel deixou mais ou menos claro ao discursar perante o Parlamento Europeu.
Um Parlamento Europeu onde se sentam cada vez mais eurocépticos, nacionalistas, populistas.
Se lhes juntarmos Trump nos Estados Unidos, Putin na Rússia, Xi Jinping na China, não custa muito perceber porque é que a proposta de criação de um exército europeu ganha especial acuidade.
Um exército que, como bem sublinharam Macron e Merkel, não se iria opor ou sobrepor à NATO, antes iria complementar aquela estrutura ao com ela cooperar.
A proposta faz todo o sentido até por representar um passo à frente na política de defesa comum da União Europeia, um pilar do desenvolvimento da União que está pouco mais que paralisado.
Mas uma proposta que, para ser concretizada, terá que vencer imensos obstáculos.
A começar pela desconfiança e os nacionalismos populistas que pretende combater, e a acabar na oposição americana que vê a sua posição militar hegemónica, e os seus ganhos económicos com a venda de armamento e tecnologia militar, bastante ameaçados.

Intemporais (141)


14 de novembro de 2018

Ano siguinte tudo genti tem aumento


Já passaram uns anos desde que o grande dinamizador da Dóci Papiaçam di Macau, o meu amigo Miguel de Senna-Fernandes, tornou a expressão "ano siguinte tudo genti tem aumento" famosa.
Foi num jantar com o anterior Chefe do Executivo, Edmund Ho, que o Miguel com esta expressão o “entalou” na promessa de aumentar os salários em Macau.
Deu risota, foi bem aceite, e foi uma promessa involuntária(?) mas cumprida.
O actual Chefe do Executivo deve ter-se lembrado deste episódio ao preparar as Linhas de Acção Governativa que vai apresentar já esta quinta-feira na Assembleia Legislativa.
Aquelas curtas palavras em Pequim, e aquele sorriso maroto, são facilmente descodificáveis – ano siguinte tudo genti tem aumento.
No último ano de governação, Chui Sai On vai “partilhar os frutos do desenvolvimento económico com a população” (sic).
Ano siguinte tudo genti tem aumento.
Os funcionários públicos vão ser aumentados (os tais 3.5% que são segredo), haverá aumento dos subsídios, das devoluções de impostos, reduções de outros impostos, aumento do valor pecuniário dos cheques anuais.
Não se esperam grandes novidades destas que serão as ultimas Linhas de Acção Governativa apresentadas por Chui Sai On.
Mas haverá de certeza muita$ novidade$.
Ano siguinte tudo genti tem aumento!

TESTE DO PÉ DIREITO


Que esperto é seu pé direito?
Tente, só leva 2 segundos.
1. Sentado numa cadeira em frente ao seu computador, erga o seu pé direito do chão e gire-o em círculos no sentido horário.
2. Agora, enquanto faz esse movimento, desenhe o número '6' no ar com a sua mão direita.
O seu pé mudará de direcção.
Eu avisei! 
E não há nada que você possa fazer sobre isso!



13 de novembro de 2018

Formação em línguas e boas maneiras?


O sector dos táxis, que insiste em manter-se à margem da lei, apresentou agora nova proposta que só pode ser encarada com mais uma prova da desfaçatez de quem acha que tudo pode porque tudo lhe é permitido.
Multas mais pesadas é uma má ideia, dizem os representantes destes meliantes.
E eu até concordo, não é com multas mais pesadas que se resolvem os problemas.
Até se podem agravar.
Porque essas multas se podem repercutir em mais casos de cobranças excessivas para fazer face aos “prejuízos” decorrentes dos encargos com a liquidação dessas multas.
O que já é o cúmulo da pouca vergonha é sugerir que os infractores vejam a licença de taxista suspensa, no máximo pelo período de um mês, para poderem receber formação em línguas e boas maneiras.
Formação? Em línguas e boas maneiras? Mas não era suposto que tivessem algum conhecimento de línguas e tivessem boas maneiras? E, a existir essa formação, seria custeada por quem?
Enquanto não houver coragem política para começar a cancelar licenças de táxis e taxistas, que os próprios donos das licenças dos táxis reconhecem ter muitas "ovelhas negras"(sic), não se resolve problema nenhum.
Até lá, todas estas manobras de diversão, bizarras, sem vergonha, não passam de papas e bolos.
Para enganar tolos.
Quando é que vamos de uma vez por todas deixar de ser tolos, e tratados como tolos, por gente que não merece o mínimo de respeito?

O Natal ficou sem Menino Jesus e tornou-se a festa do cone iluminado , por HELENA MATOS



De repente no meio da rua lá está aquela tranquitana metalico-luminosa a que chamamos árvore de Natal. E foi perante aquele cone iluminado, artefacto que nos sobrou devidamente expurgado de tudo o que possa identificar aquilo que somos, o que sentimos, o donde vimos, que me dei conta de como em nome da segurança, da tolerância, da saúde e de sei lá mais o quê estamos a criar um mundo faz de conta. Um mundo em que:
  • O bolo rei já não tem brinde.
  • O iogurte ficou sem lactose.
  • As natas perderam a gordura.
  • O leite vem da soja e não das vacas.
  • Os doces ficaram sem açúcar.
  • Os bolos não têm farinha.
  • O café perdeu a cafeína.
  • A manteiga ficou magra.
  • O pão não tem glúten.
  • O circo ficou sem leões, depois sem elefantes e agora sem animais.
  • A humanidade ficou sem sexos e dizem que está perder o interesse pelo sexo.
  • O namoro ficou sem palavras por causa do assédio.
  • A Bela Adormecida ficou sem beijo porque o príncipe foi acusado de abuso.
  • A Capuchinho Vermelho já não é salva pelo caçador que também deixou de caçar e o lobo ficou vegetariano.
  • Os maridos e as mulheres passaram a cônjuges.
  • Os parques infantis ficaram sem escorregas de verdade. E alguns sem baloiços.
  • Chama-se a televisão em vez da polícia.
  • Os brinquedos ficaram sem graça mas estão cheios de didatismo.
  • As crianças não têm tempo para não fazer nada.
  • A má educação tornou-sebullying.
  • Os pátios das escolas já não têm árvores nem terra.
  • As gaiolas ficaram sem grilos.
  • Os filhos não têm pai nem mãe mas sim progenitores.
  • As feiras não têm graça.
  • O atirei o pau ao gato ficou sem letra.
  • A mentira tornou-se inverdade.
  • A culpa é alegada.
  • A verdade inconveniente.
  • O artesanato é certificado.
  • A fruta não tem bicho.
  • Brincar é uma actividade devidamente monitorizada.
  • Os filmes não contam histórias, ilustram teses.
  • As universidades tornaram-se uma liga de costumes.
  • As coisas deixaram de ser o que são para se tornarem num dado a avaliar consoante o seu enquadramento numa perspectiva condicionada por diversas valências.
  • Tudo é relativo.
O Natal ficou sem Menino Jesus e tornou-se a festa do cone iluminado.

12 de novembro de 2018

E-mail para uma amiga


Novidades...

Conforme prometi, estou enviando um e-mail contando as novidades da minha primeira semana depois de ser transferida pela firma para o Rio de Janeiro. 
Terminei hoje de arrumar as coisas no meu novo apartamento. Ficou uma gracinha, mas estou exausta.

Segunda-Feira: 

Cheguei à firma e já adorei. 
Entrei no elevador e quase no mesmo instante que o homem mais lindo desse planeta. 
Ele é loiro, tem olhos verdes e o corpo musculoso parece querer arrebentar o terno.
 Lindo!
Estou apaixonada. 
Olhei disfarçadamente a hora no meu relógio e fiz uma promessa de estar parada defronte ao elevador todos os dias a essa mesma hora. 
Ele desceu no andar da engenharia. 
Conheci o pessoal do setor, todos foram atenciosos comigo. 
Até o meu chefe foi muito delicado.
Cheguei à minha casa e comi comida enlatada. Amanhã vou a um mercado comprar alguma coisa.

Terça-Feira: 

Amiga! Precisava contar. 
Sabe aquele homem de que falei? 
 Ele olhou para mim e sorriu quando entramos no elevador. Fiquei sem ação e baixei a cabeça.
 Como sou burra! Passei o dia no trabalho pensando que preciso fazer um regime. 
Olhei-me no espelho hoje de manhã e estou com uma barriguinha indiscreta. 
Fui ao mercado e só comprei coisinhas leves: biscoitos, legumes e chás. 
Resolvido! Estou de dieta.

Quarta-Feira: 

Acordei com dor de cabeça. 
Acho que foi a folha de alface ou o biscoito do jantar.
 Preciso manter-me firme na dieta. 
Quero emagrecer dois quilos até o fim-de-semana. 
Ah! O nome dele é Marcelo. 
Ouvi um amigo dele falando com ele no elevador. 
E ainda tem mais: ele desmanchou o noivado há dois meses e esta sozinho. 
Consegui sorrir para ele quando entrou no elevador e me cumprimentou. 
Estou progredindo, não? 
 Como faço para me insinuar sem parecer vulgar?
 Comprei um vestido dois números menores que o meu. 
Será a minha meta.

Quinta-Feira: 

O Marcelo me cumprimentou ao entrar no elevador, seu sorriso iluminou tudo!
 Ele me perguntou se eu era a arquiteta que viera transferida de Brasília e eu só fiz: "U-hum"... 
Ele me perguntou se eu estava gostando do Rio e eu disse: "U-hum". 
 Aí ele perguntou se eu já havia estado antes aqui e eu disse: "U-hum". 
Então ele perguntou se eu só sabia falar "U-hum" e eu respondi: "sim". 
Será que fui muito evasiva? 
 Será que eu deveria ter falado um pouco mais? 
Ai, amiga! Estou tão apaixonada!
Estou resolvida! Amanhã vou perguntar se ele não gostaria de me mostrar o Rio de Janeiro no final de semana. 
Quanto ao resto, bem... 
Ando com muita enxaqueca. 
Acho que vou quebrar meu regime hoje. 
 Estou fazendo uma sopa de legumes. 
Espero que não me engorde demais.

Sexta-Feira: 

Amiga! Estou arruinada!
 Ontem à noite não resisti e me empanturrei. 
Coloquei bastante batata-doce na sopa, além de couve, repolho e beterraba. 
 Menina! Sai de casa que parecia um caminhão de lixo. 
Soltava pum um atrás do outro! 
 (Nossa! Você não imagina a minha vergonha de contar isto, mas se eu não desabafar vou me jogar pela janela!).
 No metrô, durante o trajeto para o trabalho, bastava um solavanco para eu soltar um futum que nem eu mesma suportava. 
 Teve um momento em que alguém dentro do trem gritou:
"Fazer pum até pode, mas jogar merda em pó dentro do vagão é muita sacanagem!" 
Uma senhora gorda foi responsabilizada. 
Todo mundo olhava para ela, tadinha.
Ela ficou vermelha, ficou amarela, e eu aproveitava cada mudança de cor para soltar outro. 
O meu maior medo era prender e sair um barulhento.
 Eu estava morta de vergonha. 
 Desci na estação e parei atrás de uma moça com um bebê no colo, enquanto aguardava minha vez de sair pela roleta.
Aproveitei e soltei mais um. 
O senhor que estava na frente da mulher com o bebê virou-se para ela e disse: 
"Dona! E melhor a senhora jogar esse bebê fora porque ele esta estragado!". 
Na entrada do prédio onde trabalho tem uma senhora que vende bolinhos, café, queijo, essas coisas de camelô. 
 Pois eu ia passando e um freguês começou a cheirar um pastel, justo na hora em que o futum se espalhou. 
 O sujeito jogou o pastel no lixo e reclamou: 
"Poh, dona Maria! Esse pastel tá bichado!"
 Entrei no prédio resolvida a subir os dezasseis andares pela escada.
Meu azar foi que o Marcelo ficou segurando a porta, esperando que eu entrasse. 
Como não me decidia, ele me puxou pelo braço e apertou o botão do meu andar.
Já no terceiro andar ficamos sozinhos. 
Cheguei a me sentir aliviada, pois assim a viagem terminaria mais rápido. 
Pensei rápido demais.
O elevador deu um solavanco e as luzes se apagaram. Quase instantaneamente a iluminação de emergência acendeu. Marcelo sorriu (ai, aquele sorriso...) e disse que era a bruxa da sexta-feira.
 Era assim mesmo, logo a luz voltaria, não precisava se preocupar. 
 Mal sabia ele que eu estava mesmo preocupada.
Amiga, juro que tentei prender. 
 Mas antes que saísse com estrondo, deixei escapar. 
 Abaixei e fiquei respirando rápido, tentando aspirar ao máximo possível, como se estivesse me sentindo mal, com falta de ar. 
Já se imaginou numa situação dessas? 
 Fazer um pum e ficar tentando aspirar ao pum para que o homem mais lindo do mundo não perceba que foi você?
 Ele ficou muito preocupado comigo e, se percebeu o mau cheiro, não o demonstrou. 
Quando achei que a catinga havia passado, voltei a respirar normal. 
Disse para ele que eu era claustrofobia.
 Mal ele me ajudou a levantar, eu não consegui prender o segundo, que saiu ainda pior que o anterior.
 O coitado dessa vez ficou meio azulado, mas ainda não disse nada.
Abaixei novamente e fiquei respirando rápido de novo, como uma mulher em estado de parto. 
Dessa vez Marcelo ficou afastado, no canto mais distante de mim no elevador. 
Na ânsia de disfarçar, fiquei olhando para a sola dos meus sapatos, como se estivesse buscando a origem daquele fedor horroroso. 
Ele ficou no canto, impávido.
Nem bem o cheiro se esvaiu e veio outro. 
Ele se desesperou e começou a apertar a campainha de emergência. 
 Coitado! Ele esmurrou a porta, gritou, esperneou, e eu lá, na respiração cachorrinho.
Quando a catinga dissipou, ele se acalmou. 
 As lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos. 
 Ele me viu chorando, enxugou meus olhos e disse:
"Meus olhos também estão ardendo" Eu juro que pensei que ele fosse dizer algo bonito. 
Aquilo me magoou profundamente. 
Pensei: "Ah, é assim? Então acabou a respiração de cachorrinho”.
Depois disso, no primeiro ele cobriu o rosto com o paletó. 
 No segundo, enrolou a cabeça. 
 No terceiro, prendeu a respiração, no quarto, ele ficou roxo. 
 No quinto, me sacudiu pelos braços e berrou: 
"Mulher! Para de cagar!" 
Depois disso ele só chorava. 
 Chorou como um bebê até sermos resgatados, quatro horas depois. 
 Entrei no escritório e pedi minha transferência para outro lugar, de preferência outro País.

Apague este e-mail quando terminar de ler.

Sua amiga de sempre! 

Barriga das dores!


BOA SEMANA!