22 de junho de 2017

Substituição de gerações

Fausto cantava em 1996 que "atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir".
Hoje temos dois exemplos dessa realidade, dois exemplos de substituição de gerações.
O primeiro em Macau.
Trinta e três anos depois da sua primeira eleição para a Assembleia Legislativa de Macau, Leonel Alves, muito provavelmente o mais bem preparado tecnicamente de todos os deputados, e o que melhor conhece o funcionamento do hemiciclo, anunciou formalmente que chegou o momento de dar lugar a outros.
Não conheço pessoalmente Leonel Alves, muito menos lhe devo quaisquer favores ou ele a mim.
Sinto-me assim particularmente confortável ao afirmar que a Assembleia Legislativa, infelizmente já de si tão pobre na sua composição, e a correr sérios riscos de ver essa pobreza agravar-se com o cenário que se adivinha para as eleições de Setembro,  sofre um duro golpe com a perda de um deputado como Leonel Alves.
Compreendo perfeitamente a decisão do deputado, tenho que a aceitar, mas não posso, enquanto cidadão de Macau, residente permanente e alguém que tanto gosta desta que é agora Região Administrativa Especial da China, deixar de lamentar a mesma. 
Porque não será fácil encontrar alguém que possa suceder a Leonel Alves e desempenhar na Assembleia Legislativa um papel semelhante ao que este filho da terra desempenhou ao longo destes anos.
De Macau para Portugal, da Assembleia Legislativa para a Selecção Nacional de Futebol.
Se a substituição de gerações na Assembleia Legislativa de Macau não faz prever nada de bom, a substituição de gerações na Selecção Nacional funcionou lindamente.
Jogadores em fim de carreira, longe do brilho e do fulgor de outros tempos (Moutinho, Quaresma, Nani) foram substituídos com vantagem, com notórias melhorias, por uma nova geração (Adrien, Bernardo, André, "os Silvas") no jogo contra a Rússia para a Taça das Confederações.
Outra energia, outra dinâmica, outra movimentação e outra imaginação, resultaram numa vitória importantíssima que deverá assegurar a passagem da Selecção Nacional às meias-finais do torneio. 
Fausto tinha toda a razão - "atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir."

Intemporais (78)

21 de junho de 2017

Inferno em Pedrógão Grande



Ao contrário do que escreve Miguel Esteves Cardoso, eu não sou nem me julgo especialista no combate a incêndios, muito menos em medidas de prevenção que são necessárias implementar para evitar que estes aconteçam.
Como qualquer cidadão tenho as minhas opiniões, em nada baseadas em dados científicos, apenas na minha sensibilidade.
Consciente dessa minha limitação não vou estar agora a expor opiniões que não terão qualquer valor para terceiros.
Guardo-as para mim.
O que já não guardo para mim é uma imensa dor, misturada com revolta, por ver tantas vidas ceifadas em florestas que se querem acolhedoras e que são repentinamente transformadas num autêntico Inferno na Terra.
Há pessoas que serão encarregues de investigar se este fenómeno é normal, se é a Natureza a mostrar a sua revolta pelos maus tratos que tem sofrido, ou se há outras explicações.
Porque é essa a função dessas pessoas, desses especialistas.
Desejo que essa investigação se faça, que se apure tudo o que há para apurar, que se explique o que agora nos parece inexplicável.
E desejo também que, no final, não se reduza tudo o que se passou a um fenómeno muito habitual - a demissão de um qualquer responsável político cuja cabeça entregue em bandeja de prata acalma a fúria da multidão, um qualquer São João Baptista dos tempos modernos.

Começar do zero (Miguel Esteves Cardoso)


É pena que tanta gente saiba explicar porque é que os incêndios acontecem mas ninguém seja capaz de impedi-los de acontecer.

São tantos os peritos. Cada um deles sabe qual é o problema. Cada um deles sabe qual é a solução. Cada um deles sabe de quem é a culpa.
O mal é haver X. O mal é não haver Y. O mal é do ordenamento do território. O mal é da falta de pessoal. O mal é da falta de investimento. O mal é da falta de educação. O mal é da ignorância. O mal é das falsas economias. O mal é das vistas curtas. O mal é da pobreza. O mal é da falta de dinheiro. O mal é da ganância. O mal é do desconhecimento ecológico. O mal é das reformas. O mal é dos políticos. O mal é da política. O mal é do planeta. O mal é do capitalismo. O mal é da incúria. O mal é do sistema. O mal é da natureza humana. O mal é dos portugueses. O mal é do ser humano.
É fácil fazer uma lista de males. Um mal nunca vem só. É pena que tanta gente saiba explicar porque é que os incêndios acontecem mas ninguém seja capaz de impedi-los de acontecer. Um dos deveres mais básicos de qualquer estado é proteger os cidadãos. Quando acontece uma tragédia a única resposta racional é juntar esforços para tentar impedir que volte a acontecer. Isso significa, no mínimo, mudar imediatamente o estado das coisas. Isso significa criar imediatamente uma nova força de prevenção dos incêndios: uma força científica, executiva, didáctica e policial. Isso significa um orçamento generoso. Isso significa recrutamento. Isso significa gente qualificada e ordenados decentes.
E isso significa, também, acarinhar e dignificar as outras vítimas: os bombeiros.

20 de junho de 2017

Revolução francesa


A Revolução Francesa representou uma mudança de regime político, de paradigma político.
A revolta do povo levou à mudança dos governantes, à alteração do regime político.
Sendo algo exagerado comparar o que aconteceu este domingo em França com o que aconteceu em 1789, a verdade é que se pode pensar numa revolução francesa (assim, com minúsculas) para caracterizar o fenómeno que varreu a França, primeiro nas eleições presidenciais, agora nas legislativas.
A vitória, com maioria absoluta, do República em Marcha, do Presidente Emmanuel Macron, aliada a um número brutal na abstenção (56%), e à débacle dos partidos tradicionais e das suas lideranças, demonstram claramente a completa desilusão dos franceses com quem os tem governado e como tem sido conduzida a política no país.
Os franceses gritaram bem alto que estavam fartos das mesmas caras, dos mesmos partidos, das mesmas políticas, de uma alternância que deixava invariavelmente tudo na mesma.
E, nas urnas, quer com a sua presença e o seu voto, quer com a sua ausência, disseram que queriam algo novo.
Novas políticas, novo rumo, novas caras.
Se as novas caras são o elemento mais simples desta equação e já existem, essas novas caras, a começar pelo próprio Emmanuel Macron, enfrentam agora o enorme desafio de apresentarem aos franceses aquilo que estes exigem - novas políticas, novas ideias, um novo rumo.

O ECUMENISMO DAS MULHERES (Frei Bento Domingues, O.P.)


1. Nos finais dos anos 60 do século passado, num curso de cristologia, dediquei algumas aulas a investigar, com os alunos, o contraste entre a atitude de Jesus em relação às mulheres e a sua permanente ausência nas grandes decisões de orientação da Igreja. As mulheres não tinham podido votar os documentos do concílio ecuménico Vaticano II, como também nunca tinham tido voz activa em nenhum outro Concílio. Um estudante, no debate, argumentou que, por isso, era um abuso falar de concílios ecuménicos, porque lhes faltou sempre a voz e o voto das mulheres cristãs. Esse facto era mais grave do que a ausência das Igrejas ortodoxas e protestantes no Vaticano II.
Mesmo sem entrar agora nessa discussão, é preciso ir à raiz de toda a problemática actual na Igreja, sobre o acesso das mulheres aos ministérios ordenados, sobretudo depois da decisão de João Paulo II destinada a abolir, e para sempre, qualquer debate a esse respeito. Invocou para o efeito a sua missão e decidiu que a Igreja não tem qualquer poder para conceder a ordenação sacerdotal às mulheres e que esta posição deve ser mantida por todos os fiéis da Igreja, definitivamente.
A 18 de Novembro de 1995, a Congregação para a Doutrina da Fé declarou que esta Carta Apostólica não é uma definição ex-cathedra.
A vontade de suprimir para sempre qualquer debate sobre esta matéria é o desejo do impossível. Há-de haver sempre quem não sinta essa obrigação e teime em discutir, como seu direito.
De facto, esse documento vem na linha da progressiva sacerdotalização dos ministérios ordenados na Igreja com resultados pouco cristãos. Levou a esquecer o principal: a marca sacerdotal do baptismo. Isto sim, que é grave. O principal passou para secundário e o secundário para principal. É uma inversão que atinge a própria raiz do cristianismo.
Por outro lado, não existem dois baptismos, um para homens e outro para mulheres. A identidade cristã é sacerdotal sem distinção de género. No entanto, quando se fala de sacerdotes pensa-se logo nos padres e nos bispos, algo vedado às mulheres.
É por esta deformação que os ministérios ordenados adquiriram uma posição tão relevante e absoluta em relação aos outros ministérios eclesiais, mas sobretudo desvalorizando a dignidade baptismal, comum a todos os cristãos. Esta é anterior e determinante para o exercício de outro qualquer ministério na Igreja. Aquilo que é um serviço expressou-se como um poder que impõe e domina, desfigurando a imagem cristã da Igreja: uns ensinam, mandam e celebram e os outros e as outras escutam, obedecem e assistem.
2. A qualificação do Baptismo, no Espírito Santo, é ontológica. Existe para celebrar um nascimento novo para a fraternidade na Igreja de irmãs e irmãos. Quando Tomás de Aquino pergunta o que há de mais importante, de mais poderoso na lei nova do Evangelho, responde: a graça do Espírito Santo, tudo o resto é para a secundar. Os ministérios pertencem ao âmbito funcional, são da ordem do fazer. A graça do Baptismo é da ordem do ser.
O chamado sacerdócio comum dos baptizados não se identifica com os ministérios ordenados a que se costuma chamar sacerdócio ministerial ou hierárquico. Ao fazer isto, esquece-se que a diferença entre ambos é em benefício do Baptismo e não ao contrário. A verdadeira dignidade de todos os cristãos, masculinos e femininos, provém da graça baptismal.
A desgraça está mesmo neste ponto. Quando se fala do sacerdócio comum, dado pelo Baptismo, fica-se com a ideia, essa sim muito comum, de que este está muito abaixo do sacerdócio ministerial, quando a verdade é completamente inversa. Os chamados ministérios ordenados têm uma história muito complexa que importa conhecer para não se cair em contra-sensos, como documentou o teólogo J. Tillard.
Se a celebração do Baptismo é um sacramento da transformação pascal da vida, todos os baptizados, sejam masculinos ou femininos, tornam-se sacerdotes, participantes do sacerdócio de Cristo. Esta participação é o fundamento de tudo o que acontece na Igreja.
Quando se nega a possibilidade das mulheres baptizadas acederem aos ministérios ordenados, são exibidas muitas razões. A particularidade de todas elas é a de terem perdido a razão. É frequente invocar a Última Ceia para falar da instituição da Eucaristia. Por não constarem, nessa narrativa, nomes de mulheres, diz-se que não receberam o sacramento da ordem, o fazei isto em memória de Mim! O uso do argumento da ausência de mulheres nessa Ceia, para não poderem presidir à Eucaristia, deveria ser radicalizado, para se ver o seu absurdo. Se isso fosse verdade, as mulheres ficariam definitivamente impedidas de participarem na Eucaristia. Em termos “pastorais”, as mulheres deveriam ser impedidas de irem à missa!
3. O teólogo valdense italiano, Paolo Ricca, depois de analisar a situação da mulher na comunidade cristã nascente, procurou mostrar como «progressivamente foi afastada, de quase todas as funções, até se tornar o proletariado do cristianismo. Tal como na sociedade industrial do século XIX, o proletariado levava as coisas para a frente, as mulheres levam a Igreja para a frente, mas justamente como proletárias, isto é, sem poder.
Parece-me um retrato sugestivo, mas esse caminho pode desvirtuar o que, hoje, está em causa: as mulheres, como no tempo de Jesus, não pretendem, como os discípulos, um poder de dominação, mas o poder de servir.
A regra de Santo Agostinho está certa: Convosco sou cristão, para vós sou bispo. A complementaridade das mulheres nos ministérios ordenados manifestará a originalidade das capacidades femininas de servir as comunidades cristãs, que tradições obsoletas impedem.
O Papa Francisco foi à Suécia para celebrar os 500 anos da Reforma Luterana. Encontrou mulheres e homens ordenados no serviço de uma Igreja cada vez mais democrática nas suas decisões. Não se poderá aprender nada com essa tradição?
As mulheres ordenadas, caminho ou obstáculo ao ecumenismo cristão?
in Público 18.06.2017

16 de junho de 2017

Pensamentos e filosofias


Uma avó é uma babysitter que olha para as crianças e não p'rá televisão.

Em cada 10 pessoas, 6 sabem contar. 
As outras 3 são ignorantes.

Há muitas coisas mais importantes que o dinheiro, mas são tão caras!

Na guerra dos sexos ambos os lados dormem sempre com o inimigo.

A bebida mata lentamente!
E depois? 
Não estou com pressa de morrer...

O homem nasce, cresce, apaixona-se, fica burro e casa.

A modéstia é uma das minhas inúmeras virtudes.

Vendu baratto. 
Virificadore ortografico IBM. 
Muito boum.

Não roube! 
O governo detesta concorrência.

Evite uma vida sedentária: Beba água!

A primeira impressão é a que fica, mas só se o toner for bom!

Evite os vírus. 
Ferva o computador antes de usar!

Tudo na vida é passageiro, excepto o cobrador e o motorista.

Um chato nunca perde seu tempo. 
Perde o dos outros.

Quer um Chokito? 
Então ponha o dedo na tomadita!

A esperança e a sogra são sempre as últimas a morrer.

BOM FIM-DE-SEMANA!

15 de junho de 2017

Subscrição de listas - muito mais que uma questão de tradução


As notícias mais recentes dão conta da existência de noventa e duas pessoas que infringiram o disposto no nº 3 do artigo 27º da Lei Eleitoral ao subscreverem mais do que uma lista.
Muito se tem falado numa eventual divergência entre as versões chinesa e portuguesa da Lei Eleitoral.
Uma questão que foi levantada em primeira mão pela Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa e que tem criado algum frisson junto de vários sectores da comunidade política de Macau.
A Comissão de Assuntos Eleitorais tem feito um trabalho exaustivo de divulgação da Lei Eleitoral, nomeadamente  da proibição constante da norma supracitada, em todos os meios de comunicação social, em todos os fóruns públicos.
Assim sendo torna-se muito complicado perceber a razão que explique haver ainda tanta gente a infringir a norma.
A apontada divergência na tradução?
Pode ser.
Mas, com toda a franqueza, não acredito que assim seja.
Mais do uma qualquer divergência entre as versões da lei nas duas línguas oficiais, julgo haver aqui sinais preocupantes de uma enorme ignorância, e de um não menor desinteresse, por tudo o que se relacione com o processo eleitoral.
E esses sinais são muito mais preocupantes, e de muito mais difícil resolução, do que um qualquer problema de tradução do texto legal.

Intemporais (77)

14 de junho de 2017

The show must go on and the show will go on


Jeff Sessions, procurador-geral dos Estados Unidos, em depoimento no Senado, na maioria das questões com que foi confrontado, aos costumes disse nada.
O sigilo das questões a serem tratadas, a relação de confiança com o Presidente, as habituais justificações (desculpas??) para não falar, para dizer muito sem dizer nada.
Já não foi assim, e foi até muito assertivo, quando confrontado com um possível conluio com entidades russas que terão conduzido a interferência destas nos resultados das eleições americanas.
Aí sim, Jeff Sessions negou veementemente essa possibilidade, declarou-se ofendido e difamado (vamos ver se reage judicialmente a essas ofensas e difamações e contra quem).
Antes de Jeff Sessions quem também tinha sido bastante assertivo, e também tinha deixado muitas questões sem resposta, tinha sido o antigo director do FBI, demitido sumariamente por Donald Trump, James Comey.
James Comey que não se engasgou nem lhe doeu a voz para dizer alto e bom som que tem a certeza que houve interferência russa no processo eleitoral norte-americano que conduziu à eleição de Donald Trump.
Se houve interferência russa (alguém tem dúvidas disso??), se não passou por Jeff Sessions, que pelos vistos só se encontrou com dignitários russos para beber vodka, afinal quem foi o operacional que fez esse trabalho sujo?
Ou foram muitos?
Segue-se o depoimento do genro de Donald Trump, Jared Kushner.
Provavelmente também para negar quaisquer contactos com a Rússia.
O circo americano continua.
No dia em que Jeff Sessions se apresentava quase angelical no Senado, Donald Trump e os seus colaboradores deram a conhecer um exercício de pura bajulação parola de um bando de lambe-botas perante uma figura cada vez mais ridícula que vai vendo o seu papel de Presidente dos Estados Unidos reduzido a um triste espectáculo mediático.
The show must go on and the show will go on.

Anda um pai a criar uma filha para isto... (Laurinda Alves)


Estes rapazes e raparigas terão os seus filhos e as filhas, e uma das grandes interrogações também passa por saber como agiriam se soubessem que as suas próprias filhas se vendem por um par de shots.

Indo directamente ao assunto e usando a terminologia dos próprios alunos universitários que montaram as barracas das Queimas das Fitas, este ano houve tendas particularmente más em alguns dos queimódromos: a “Tenda das Tetas”, onde bastava “mostrar as mamas” para ter bebidas à borla, e a barraca onde as raparigas também não pagavam se dessem beijos na boca umas das outras. Não estamos a falar de beijinhos infantis (que já seriam de mau gosto, até para raparigas que vivem a sua homossexualidade com autenticidade e sem exibicionismos), mas de beijos pornograficamente demorados, elaborados, incitados e aplaudidos pelos rapazes em volta. Beijos de bordel, dados em estado líquido, note-se, com níveis de alcoolémia de rebentar qualquer escala.

Não estive em nenhuma das Queimas, seja a do Porto, de Braga ou de Coimbra, mas bastaram-me três brevísssimos vídeos, destes que circulam nas redes sociais e no whatsapp (que um comité de ética me enviou por ser jornalista e cronista, para perceber a extensão do fenómeno, e para que não escrevesse sem saber exactamente sobre o que estava a escrever), dizia eu que me bastaram estes três fragmentos descarada e propositadamente gravados para circularem na net, para compreender que a realidade ultrapassa a ficção. Em todos podemos ver as caras e os corpos dos estudantes envolvidos, em todos se ouvem gargalhadas e frases obscenas em tudo iguais às que já vimos ou ouvimos no cinema, ou em documentários sobre assédio,bullying, estupro e outros abusos. Dá náuseas ver estes vídeos, confesso, mas são uma realidade real, nua e crua. Servem para perceber de que falamos, quando falamos de animação em certas festas estudantis.

Pergunto-me quem serão os pobres pais das raparigas e rapazes que confundem prostituição com diversão? Mas também me pergunto quem serão estas mulheres que não conhecem a história das mulheres, nem as suas lutas, provações, perseguições e privações ao longo dos séculos? Estas raparigas andam na universidade, mas não sabem básicos essenciais sobre a Humanidade. Não só aceitam as regras do jogo, como estimulam a perversidade dos homens, entregando-se a estas supostas brincadeiras com leviandade. Universitárias e universitários deste calibre são um verdadeiro retrocesso civilizacional. Não é preciso ser feminista para sofrer por ver uma rapariga vender-se por um copo ou dois de cerveja.

Nestas e noutras tendas parece que nunca faltou freguesia e o alcool jorrou até nascer o dia. Os rapazes e as raparigas beberam torrencialmente shots atrás de shots (tão baratos, afinal, pois bastava “mostrar as mamas” e deixar o soutien pendurado na tenda para ganharem mais bebidas de borla!), tudo à custa da exposição barata da intimidade do seu corpo. Ou à custa da exibição de beijos entre mulheres, escandalosos beijos pagos a dobrar, pois faziam-se rodas e as bebidas duplicavam se as raparigas beijassem à esquerda e depois à direita, trocando de pares para gáudio dos voyeurs.

Ver rapazes e raparigas embriagados, aos bordos, a dizerem e fazerem coisas estúpidas é degradante. Vê-los em multidão, a pedirem e a consentirem comportamentos bizarros, é alarmante. Sabemos que certas praxes académicas vão ainda mais longe e são muito mais humilhantes do que isto, por não deixarem margem ao livre consentimento e funcionarem em modo submissão, mas não deixa de ser chocante ver estudantes universitários divertirem-se comprando-se e vendendo-se uns aos outros de formas mais ou menos obscenas. E fazerem tudo isto de livre vontade, sem serem obrigados a nada. Só porque sim e porque assim não pagam bebidas.

O efeito manada é perverso e estupidificante. Aliás, só assim se compreende que apesar de individualmente alguns destes alunos de cursos superiores condenarem comportamentos abusivos e serem capazes de participar em manifestações pelos direitos humanos ou assinarem petições públicas contra violações colectivas na Índia, para dar um exemplo recente, possam em noites de muitos copos perder a cabeça e a noção dos limites.

Podem argumentar que a promiscuidade neste tipo de festas é um clássico universitário e só lá vai quem quer, ou quem não se importa de participar, mas não tenho a certeza de que lá estejam só rapazes e raparigas hiper conscientes da sua própria inclinação à devassa. Muito pelo contrário. Nestas Queimas há bilhetes para famílias e estudantes do secundário. Ou seja, podem lá ir pais com filhos e também podem ir adolescentes sozinhos, pois supostamente as Queimas são festas abertas às cidades onde decorrem. Há concertos e acontecimentos culturais, vêm músicos e artistas de outros pontos do país, e tudo isto revela que as Queimas não são festas só para adultos. Muito menos são consideradas festas pornográficas ou orgias colectivas, que também as há por aí, mas para gente que sabe exactamente ao que vai.

Durante e depois da semana da Queima houve queixas e levantaram-se processos. A Polícia Judiciária está a investigar o caso do alegado abuso sexual de uma jovem num autocarro, mais uma situação que envolveu vários estudantes e foi filmada com o mesmo propósito de divulgar nas redes sociais. Este caso já fez correr muita tinta nos jornais, mas ainda ninguém sabe como vai terminar. No meio de tudo isto, ficamos a saber muitas coisas sobre sites e grupos secretos que operam no facebook e foram criados para partilhar conteúdos sexualmente explícitos. As notícias são inquietantes, os vídeos tornam-se virais e todas as raparigas e rapazes que se vêem nos vídeos ficam para sempre reféns destas mesmas imagens. Não há volta a dar. Ninguém saberá nunca a que mãos é que estas imagens vão parar. Nem quando é que vão parar de circular.

Perante esta realidade é impossível não olhar com perplexidade para o cúmulo de excessos, mas também é impossível não nos interrogarmos. Algumas perguntas têm que ficar a fazer eco e a incomodar-nos. Questões sobre quem organiza tudo isto, naturalmente, mas também sobre as relações entre pais e filhos, alunos e professores, amigos e amigas. As famílias já não são o que eram e, por isso, ninguém sabe até que ponto uma rapariga ou um rapaz têm condições para entender o impacto daquilo que estão a viver. Muito menos para fazerem a sua catarse pós-ressaca, no caso de terem consciência do que viveram durante a bebedeira.

Estes rapazes e estas raparigas são jovens e têm um futuro pela frente. Muitos deles virão a ser pais, terão os seus filhos e as suas filhas, e uma das grandes interrogações também passa por saber como agiriam se soubessem que as suas próprias filhas se vendem por um par de shots ou de cervejas. Neste tempo, em que são filhos, entram no jogo e estabelecem os seus valores e preços, mas será que gostariam que a sua filha se prostituísse e fosse filmada enquanto se prostituia? E será que não se angustiariam com o facto de essas imagens ficarem para sempre na net?

13 de junho de 2017

Coreia do Norte experimenta o garrote chinês


Kim Jong-un conseguiu irritar o seu único aliado, o grande sustentáculo político e financeiro do regime norte-coreano.
A suspensão das importações de carvão norte-coreano por parte da China deixaram as exportações norte-coreanas grandemente abaladas.
Desde Abril Kim Jong-un viu as sua exportações de carvão para a China virtualmente reduzidas a zero, um cenário que se deverá manter pelo menos até final do ano.
As sucessivas diatribes do tiranete norte-coreano, a pressão política e diplomática a que estava sujeita a China, levaram Pequim a abandonar o apoio ao regime norte-coreano.
Isolado, fechado, abandonado, o regime norte-coreano ou muda completamente a sua atitude ou pode começar a conhecer o princípio do fim.
Kim Jong-un nunca acreditou que fosse a China a aplicar um garrote ao regime norte-coreano.
Um garrote que não tem fins terapêuticos, que não estanca uma qualquer hemorragia.
Este é um garrote que pode, à semelhança dos instrumentos de tortura e suplício utilizados em tempos idos em Portugal e Espanha, estrangular a vítima e fazê-la sucumbir depois de grande dor e sofrimento.
Infelizmente uma dor e sofrimento que por certo afectará sobretudo o já muito sacrificado povo norte-coreano.
O princípio do fim da dinastia Kim e do execrável regime político norte-coreano?
Lá mais para o final do ano já poderemos ficar com uma ideia mais precisa acerca desta possibilidade.

Quino

A genialidade deste artista produziu uma das melhores críticas sobre a educação dos filhos nos tempos actuais









12 de junho de 2017

Loira francesa


Em Paris, um menino chegou a casa a chorar, depois de sair da escola.
A mãe, uma bonita e loira francesa, incomodada, perguntou-lhe:
- O que é que você tem, meu filho ? 
- Tive zero a geografia, mamã.
- Zero ? Mas zero porquê ?
- Não soube dizer onde fica Portugal .
- Portugal? Você não sabe? Que tolo, passe-me aí o mapa da França.
E a mãe, loura, francesa, e bonita, mas fula, procurou, procurou...
- Oh! Meu Deus, este mapa não é suficientemente pormenorizado; passe-me o mapa da região.
E a mãe, uma loura, francesa, e " muito boa ", procurou, procurou...
- Também nada neste mapa, passe-me o mapa do departamento.
E a mãe, loura, francesa, e boa até dizer chega, procurou, procurou...
- Merde!! Portugal não pode ficar muito longe. 
A empregada é portuguesa e vem trabalhar todos os dias de bicicleta ! ! !

BOA SEMANA!!

O Génio! (GENTE DO PORTO)


Um Benfiquista, um Sportinguista e um Portista encontraram um Génio, que lhes diz:
- Cada um de vós atira ao mar um objecto qualquer. Se eu o encontrar morre, se não o encontrar será homem mais feliz do mundo.
O Benfiquista atira um palito ao largo de Cascais, o Génio encontra-o, o Benfiquista morre.
O Sportinguista atira um prego ao largo da Parede, o Génio encontra-o, o Sportinguista morre.
O Portista atira qualquer coisa ao largo de Matosinhos. 
O Génio procura, procura, procura, procura, procura e procura, cansado, quase esgotado, o Génio pergunta-lhe:
- O que é que deitaste ao mar?
O Portista, com o ar malandro das gentes da Ribeira, responde-lhe:
- Olha, foi só um cumprimide Everbescente! Carago !!!!

Homem cansado da vida de casado


Um dia, um homem cansado da vida de casado, disse que ia comprar cigarros e desapareceu.
Não é força de expressão ou sentido figurado, ele disse exactamente isto:
- Vou ali à esquina comprar cigarros e já volto....
Ficou dez anos desaparecido.
Há algum tempo, reapareceu. 
Bateu à porta de mansinho, a mulher foi abrir e, lá estava ele: dez anos mais velho, magro, cabisbaixo, quieto, sem dizer uma palavra.
A mulher, quando o viu, despejou toda a revolta para cima dele:
- Seu isto! Seu aquilo! Então dizes que vais à esquina comprar cigarros e desapareces? Abandonas-me, abandonas as crianças, ficas dez anos sem dar notícias, fazes-me criar os putos sozinha e ainda tens o desplante, a pouca vergonha, a coragem de reaparecer deste jeito?
Pois vais pagar-me. Fica sabendo que vais ouvir poucas e boas. Eu nunca te vou perdoar. Estás a ouvir? Nunca! 
Entra, mas prepara-te para... 
Nisto, o homem dá uma palmada na testa e diz:
- Eh, pá! Esqueci-me dos fósforos... volto já!

9 de junho de 2017

Porque chumbamos nos exames?


Um ano tem 365 dias para podermos estudar.
Depois de tirar 52 domingos, só nos restam 313 dias.
No Verão há 50 dias durante os quais faz demasiado calor para poder estudar. 
Assim restam-nos 263 dias.
Dormimos 8 horas por dia, por ano isso são 122 dias. 
Agora temos 141 dias.
Se nos derem 1 hora por dia para fazer o que nos apetecer, 15 dias desaparecem, assim restam-nos 126 dias.
Gastamos 2 horas por dia a comer, assim usamos desta maneira 30 dias e sobram-nos apenas 96 dias no nosso ano.
Gastamos 1 hora por dia a falar com amigos e familiares, o que nos tira 15 dias, mas e então restam-nos 81.
Exames e testes ocupam no mínimo 35 dias do nosso ano, portanto só nos restam 46.
Tirando aproximadamente 40 dias de férias e feriados, ficamos apenas 6 dias.
Digamos que no mínimo estás 3 dias doente, e estás então com apenas 3 dias para poder estudar!
Digamos também que só sais 2 dias! 
Só resta 1 dia!!!! 
Porém, esse único dia.....é o teu aniversário!
Portanto...

BOM FIM-DE-SEMANA!

8 de junho de 2017

Adult/Mature Content??

限制訊息Blocked Message

瀏覽此網頁己被澳門電訊互聯網服務的「過濾網絡」服務限制. 
Access to this web page is restricted by CyberCTM Filtering Service.

Reason:此網頁內容屬於被禁止類別。
The webpage in category Adult/Mature Content is filtered.
URL:http://devaneiosaoriente.blogspot.com/

Options:按 "Go Back" 或瀏覽器的 "上一頁" 按鈕返回之前的網頁.
Click or use the browser's Back button to return to the previous page.

Inquiry:服務第一熱線 Number One Hotline: 1000
電郵查詢 E-mail: helpdesk@macau.ctm.net
網頁查詢 Homepage: 技術支援網頁Technical Support Page


A mensagem que estão a ver em cabeçalho aparece-me há já algum tempo sempre que tento aceder ao meu blogue.
E sei que, para meu grande desgosto e vergonha, aparece também a outras pessoas.
Confesso que não percebo o que é que se passa, já perguntei várias vezes à inenarrável CTM que raio é isto, o que é que significa, e a resposta é invariavelmente que se trata de "random surveillance" (esta malta adora anglicanismos).
Por outras palavras, fazem vigilância a vários sítios na Internet e, ao contrário de outras situações em que não tenho sorte nenhuma, parece que sou um sortudo nesta vigilância.
Todos os dias, mais que uma vez por dia, sou "sorteado". 
Se fosse no Euromilhões até era interessante, assim é só irritante.
Não tenho a mania da perseguição, não quero acreditar no célebre Big Brother is Watching You.
Mas, se o meu blogue tem Adult/Mature Content, agradecia que me dissessem exactamente onde se encontram esses conteúdos porque até podem ser interessantes e merecer uma visita.

Intemporais (76)

7 de junho de 2017

A ponte é uma miragem?


O movimento musical em Portugal nos anos 80 do século passado foi muito dinâmico e criativo.
Nesses anos, que alguns apelidam de ouro, do chamado rock português, os nortenhos Jafumega cantavam a música Ribeira, cujo poema incluía o famoso refrão “a ponte é uma miragem”.
Saltemos uns bons anos, e muitos quilómetros, para ver uma obra icónica, um brutal feito da engenharia chinesa, serem assaltados pela sombra da dúvida.
A ponte Hong Kong/Macau/Zhuhai, a ligação por via rodoviária entre as três cidades do Delta do Rio das Pérolas, uma das maiores pontes suspensas do Universo, vê-se de repente envolta em escândalo.
Escândalo que gera dúvidas, dúvidas que ensombram o que devia ser um instrumento de progresso técnico e económico e o transformam numa forte dor de cabeça ainda antes da inauguração.
Betão falsificado, pessoas detidas, testes de carga em todas as estruturas da ponte e do seu apoio, deixam os futuros utilizadores com sérias dúvidas acerca da segurança da mega estrutura.
A ganância de alguns, cegos com os muitos biliões de dólares que um projecto desta envergadura necessariamente envolve, faz pairar a sombra da dúvida, da incerteza, sobre a estrutura.
E incomoda os que a idealizaram, os que a vão utilizar.
Uma sombra que é muito fácil de criar, muito difícil de fazer desaparecer.
Esperemos que haja engenho e arte para dar conforto e certezas a todos os que olham para a ponte e não querem ver nesta a miragem que cantavam os Jafumega.

A EQUAÇÃO DE AL KHAWARIZMI


É considerado o fundador da Álgebra, mas é também talvez o que melhor definiu em poucas palavras o ser humano

Perguntaram ao matemático árabe
" Al Khawarizmi " sobre o ser humano
e ele respondeu :

- Se tiver Ética, ele é 1;

- Se também for Inteligente, acrescente 0 e será 10;

- Se também for Rico, acrescente mais um 0
e será 100;

- Se também for Belo, acrescente mais um 0 e será 1000;

Mas, se perder o 1, que corresponde à Ética, então perderá todo o seu valor e restarão apenas os zeros.

6 de junho de 2017

Make America Dumb Again


Donald Trump foi eleito com um discurso muito centrado no slogan “Make America Great Again”.
A tão falada e discutida América profunda, a América dos isolacionistas, dos profundamente ignorantes que julgam estar no centro do Mundo, correu atrás deste discurso e votou massivamente em Donald Trump.
Donald Trump ele próprio um símbolo (há piores, custa a crer mas ainda há piores...) da ignorância e do isolacionismo, defeitos que mistura com a profunda arrogância e a teimosia cega, está a conduzir a América por um caminho de profunda divisão interna, de cada vez maior irrelevância a nível internacional.
A decisão unilateral de retirar o país do Acordo de Paris é só o mais visível exemplo da nova realidade americana.
Se é verdade que se pode argumentar que Trump só está a cumprir o que prometeu em campanha, seria de esperar do líder da maior potência do Planeta, a nível económico, político, militar, uma atitude mais ponderada, mais sensata, mais inteligente.
Mas é de Donald Trump que falamos, da eterna vedeta de reality show, de alguém que julga que o seu umbigo é o centro do Universo.
A cada decisão desastrosa e reveladora da mais absoluta ignorância, Donald Trump vai rapidamente desgastando a sua imagem, a nível interno e internacional, e arrastando consigo a América, que iria ser great again, para uma posição que se arrisca ser de total menoridade no cotejo das nações desenvolvidas.
Depois do pesadelo que tinha sido George W. Bush parecia muito complicado alguém fazer igual, muito menos conseguir um desempenho ainda pior.
Aí está Donald Trump a provar que a estupidez humana é capaz de chegar a limites impensáveis e a dar razão a Albert Einstein quando este afirmava “só duas coisas são infinitas – o Universo e a estupidez humana. E não estou totalmente convencido acerca do primeiro”.
Brevemente chegará o momento de mudar o slogan e substituir “Make America Great Again” por um novo slogan que já começa a ser incessantemente repetido - Make America Dumb Again.

A resistência a Francisco (Pe. Anselmo Borges)


1. Algo mudou quanto à possibilidade da comunhão para os divorciados recasados? De regresso de Lesbos, Francisco foi claro: "Eu posso dizer: sim. Ponto." Quem tivesse dúvidas quanto a mudanças nesta e noutras questões teria, na oposição de muitos da alta hierarquia, a prova de que elas são reais.

De modo frontal, o cardeal G. L. Müller, prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé, veio corrigir Francisco, dizendo que os divorciados recasados não podem, em caso algum, aproximar-se da comunhão e o máximo a que podem aspirar, depois da confissão, é viverem "em castidade total, como irmãos". Uma vez que o famoso teólogo Hans Küng tinha revelado, num artigo, que o Papa se lhe dirigira pessoalmente como "lieber Mitbruder" (querido irmão), manifestando abertura a um debate livre na Igreja sobre o dogma da infalibilidade, Müller assegurou que é um herege, que "não crê na divindade de Cristo nem na Trindade". Numa entrevista ao Achener Zeitung, o cardeal W. Kasper, que está com Francisco e que foi quem o convenceu a receber o Prémio Carlos Magno, atribuído por "ser a voz da consciência de Europa", declarou que "a enorme maioria das pessoas até para lá da Igreja Católica está fascinada com este Papa. Na Cúria, também há oposição resistente". Porquê? "Ele dá uma reviravolta a muitas coisas. Está sobretudo empenhado na mentalidade. Só se esta mudar é que virão as reformas nas estruturas. Isso precisa de tempo. Francisco trabalha nisso. A Cúria é uma instituição antiga, onde se cultiva carreiras e hábitos."

O teólogo A. Torres Queiruga, depois de descrever o "carácter democrático e o coração evangélico" e "a honestidade do quase impossível equilíbrio" da Exortação A Alegria do Amor, reconhece que "nunca um Papa teve tão aberta oposição na história dos pontificados". Como escreveu outro teólogo, Xabier Pikaza, "estamos a assistir a um assalto orquestrado por cardeais da Cúria e outras vozes que começaram a dizer coisas como estas: que este Papa não sabe teologia (sabe o Evangelho!), que está a romper com a Lei Natural (a que eles crêem da sua natureza!), que está a destruir a Igreja, de modo que há que esperar que morra... Este é um assalto que provém da lei do medo, própria daqueles que não acreditam de verdade no evangelho da conversão, da forma nova de pensar e agir de Jesus. Um assalto dos que têm medo da sua própria liberdade, da sua responsabilidade pessoal. Para libertar-se do seu medo (sem conseguir), impõem duras obrigações legais aos outros, cargas que eles próprios são incapazes de carregar. Temendo eles, os "controladores da Igreja", perder a sua função, ficando na rua, procuram a lei do "curral" fechado, controlado, pois temem que os cristãos sejam livres e "explorem de verdade a vida segundo o Evangelho".

2.Francisco acaba de declarar que instituirá uma comissão para estudar a possibilidade de ordenar mulheres como diaconisas. O cardeal W. Kasper já veio prevenir que muitos se oporão: "Creio que agora se abrirá uma discussão feroz. Sobre este tema a Igreja está dividida entre os que pensam que o diaconado permanente feminino é um regresso à Igreja primitiva e os que crêem que é um primeiro passo para as mulheres sacerdotes e que, por isso, não pode ser possível."

Quem se opõe deveria, porém, conhecer, por exemplo, a tese de Karl Rahner, talvez o maior teólogo católico do século XX: "Sou católico romano e, se a Igreja me disser que não ordena mulheres, aceito-o por fidelidade. Mas, se me der cinco razões e todas elas são falsas, face à exegese e à teologia, tenho de protestar. Penso que o Magistério que apela para essas razões falsas não acredita no que diz ou não sabe ou mente ou estas coisas todas juntas. Além disso, a Igreja é infalível em questões de fé e moral, e o tema da ordenação das mulheres não é de fé nem de costumes, mas de administração."

Nesta questão, penso que há um argumento decisivo: Deus não pode ser contra os direitos humanos, opondo-se à igualdade das mulheres.

3. Disse, com razão, o teólogo checo Tomás Halík, um dos mais influentes na actualidade, que fala da fé como "a coragem para entrar na nuvem do Mistério": "Estou profundamente convencido de que o Papa Francisco inicia um novo capítulo na história do cristianismo. Teve a coragem de dizer que as tentativas para reduzir o cristianismo à moralidade sexual, à criminalização do aborto e à demonização dos gays e dos preservativos foram uma obsessão neurótica. Todos sabemos que a defesa dos que estão por nascer e da família tradicional é importante, mas esta agenda não deve ofuscar valores ainda mais importantes como o amor misericordioso, o perdão, a justiça social, a solidariedade com os pobres, a responsabilidade ambiental, a paz e o diálogo amigável entre pessoas de culturas, nações, raças e religiões diferentes. O Papa é uma personalidade profundamente espiritual com uma mensagem profética que ultrapassa as fronteiras entre Igrejas e religiões, cristãos e humanistas."

in DN 04.06.2017

5 de junho de 2017

Anedota irlandesa


Um médico, em Dublin, queria descansar e ir pescar.
Então, aproximou-se do seu assistente e disse-lhe:
- Murphy, amanhã vou pescar e não quero fechar a clínica. Acha que consegue cuidar dela e de todos os pacientes?
- Sim, senhor! - Respondeu Murphy.
O médico foi pescar e voltou no dia seguinte.
- Então, Murphy, como correu o dia?
- Cuidei de três pacientes. 
O primeiro tinha uma dor de cabeça e, então, eu dei-lhe paracetamol.
- Bravo, meu rapaz!... E o segundo? - perguntou o médico.
- O segundo teve indigestão e eu dei-lhe Guronsan - informou Murphy.
- Bravo, bravo! Você é bom nisso... E o terceiro? - perguntou o médico.
- Bom, doutor, eu estava sentado aqui e, de repente, abriu-se a porta e entrou uma linda mulher. 
Ela arrancou a roupa,despiu tudo, incluindo o sutiã e as cuequinhas. 
Depois deitou-se sobre a marquesa e gritou:
- «AJUDE-ME, pelo amor de Deus! Há cinco anos que eu não vejo um homem!''.
- Nossa Senhora, Murphy, o que é que você fez? - perguntou o médico.
- Eu pus-lhe gotas nos olhos, doutor!

BOA SEMANA!

Joana Vasconcelos



Declaração de IRS