7 de julho de 2017

FÉRIAS


Até finais de Julho não há blogue.
Citando o Raul Solnado, "façam-me o favor de ser felizes". 

6 de julho de 2017

Jean-Claude Juncker falou curto e grosso


Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, classificou o Parlamento Europeu como “ridículo”.
Este comentário, e a revolta do presidente da Comissão Europeia, merecerão por certo a concordância de muita gente, do mais anónimo ao mais mediático cidadão europeu.
Em causa o facto de Jean-Claude Juncker ser confrontado com um número irrisório de deputados (30 num universo de 751) numa sessão plenária destinada a conhecer e avaliar o resultado dos seis meses de presidência maltesa do Conselho Europeu.
Um órgão tantas vezes criticado, e por tão diferentes razões (distanciamento entre eleitos e eleitores, mordomias que são atribuídas aos parlamentares sem qualquer controlo por parte do cidadão contribuinte, total desresponsabilização dos eleitos,…), que procura a todo o custo maior legitimidade e importância, não pode dar de si próprio esta imagem de laxismo absolutamente inadmissível.
Para além de laxismo, de enorme desrespeito perante países de menor dimensão face aos habituais big five como são comummente conhecidos.
Jean-Claude Juncker soube chamar este facto à colação afirmando, muito justamente diga-se de passagem, que se fossem Merkel ou Macron a estar ali presentes muitos mais parlamentares se apresentariam numa sessão plenária, que de plenária só teve mesmo o qualificativo.
António Tajani, presidente do Parlamento Europeu, mostrou-se indignado com as declarações do presidente da Comissão Europeia e não se coibiu de o repreender publicamente.
Melhor teria ido se repreendesse publicamente as centenas de deputados que pura e simplesmente ignoraram os seus deveres, a mais básica educação e cortesia.
Porque enquanto a indignação for dirigida a quem fala curto e grosso, e diz as verdades, por mais dolorosas que sejam, o Parlamento Europeu não descolará da imagem de organização pesada, burocrática, ineficaz, cara, muito cara!, e sim, como bem afirmou Jean-Claude Juncker, ridícula.

Intemporais (80)

5 de julho de 2017

Paciência a esgotar-se?


Kim Jong-un testou um novo míssil.
Desta vez um míssil intercontinental que terá caído no Mar do Japão.
Este novo teste, esta nova diatribe, está a assustar e enfurecer os vizinhos do desvairado norte-coreano e os Estados Unidos.
Passo a passo, de teste em teste, o regime norte-coreano vai-se aproximando do seu objectivo último – possuir tecnologia que lhe permita atingir território norte-americano (este míssil agora testado poderá eventualmente atingir o Alasca). 
A reacção de Donald Trump (por falar em desvairados…) é reveladora de um limite de paciência que se está a esgotar. 
A interrogação “este homem não terá nada de melhor para fazer?”, a par com o desabafo público “difícil acreditar que a Coreia do Sul e o Japão vão aguentar isto por muito mais tempo”, revelam não só uma crescente irritação de Washington, mas também um recado velado com muitos destinatários. 
A China que, do ponto de vista norte-americano, está a fazer muito pouco para obrigar o tirano a ter juízo, e que, em comunicado conjunto com a Rússia, apela à calma, ao mesmo tempo que reconhece a possibilidade de se estar à beira de uma guerra; a Coreia do Sul e o Japão, fazendo saber a ambos que terão em Trump um aliado para o venham a decidir fazer para parar Kim Jong-un na sua corrida armamentista; o próprio Kim Jong-un, cego, surdo e mudo, para ver se de uma vez por todas percebe que todas as hipóteses estão em aberto se não se começa a comportar convenientemente. 
Quando se sabe que está já convocada mais uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para estudar novas sanções a impor ao regime norte-coreano, recorro à proverbial eloquência das letras das divertidas composições dos Trabalhadores do Comércio para afirmar que não acredito que Kim Jong-un fique quietinho e que estou convencido que tem mesmo que levar no focinho.

Água comestível

4 de julho de 2017

A Declaração Conjunta é o quê?


Que Xi Jinping viria a Hong Kong deixar uma série de recados já todos sabíamos.
Se estes recados, estes avisos, não foram surpresa, também o não foi o puxão de orelhas aos residentes de Hong Kong e a referência à linha vermelha que andam a pisar há muito tempo.
Menos surpreendentes ainda os elogios públicos a Macau.
O bom filho que à casa tornou em contraponto com o rebelde que teima em não tomar juízo.
Já todos sabemos que é assim que Pequim pensa, já todos percebemos que Pequim está farta dos problemas que Hong Kong lhe tem causado.
Surpresa, bem desagradável por sinal, o desfile militar, a demonstração de força, a ameaça implícita de que novas pisadelas na tal linha vermelha poderão ter sérias consequências.
Mais desagradável ainda a declaração do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
A Declaração Conjunta Sino - Britânica é só um documento histórico sem grande importância (a Sino - Portuguesa deve ser igual)?
Esta é a posição oficial de Pequim?
Se o é estamos perante um facto gravíssimo, um ataque frontal a um instrumento de Direito Internacional depositado junto das Nações Unidas, uma porta aberta para a violação do princípio “um país, dois sistemas” e todo o postulado do mesmo.
Seria muito bom que Pequim esclarecesse esta questão o quanto antes, que o Governo Central se demarcasse publicamente destas declarações.
Para que não restem dúvidas que o período de transição nas duas Regiões Administrativas Especiais será rigorosa e escrupulosamente cumprido, e que não haverá durante o mesmo quaisquer interferências no alto grau de autonomia que ficou acordado entre Estados soberanos.

Coimbra de outros tempos