15 de agosto de 2014

Bocage e os patos



Conta-se que Bocage, ao chegar a casa um certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do quintal. 
Chegando lá, constatou que um ladrão tentava levar os seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar saltar o muro com os seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não te interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando os meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo… mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada. 
E o ladrão, confuso, diz: 
- Doutor, afinal levo ou deixo os patos?

10 comentários:

  1. Um pouco confuso para o fulano... de facto!!

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    1. Que se lixem os patos!
      Acho que seria isso que eu diria :)))

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  2. ~
    ~ ~ Muito divertida e cómica.

    ~ ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~ ~

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  3. Realmente...tão elevada prosopopeia deixaria qualquer um, mesmo não sendo bucéfalo anácrono, completamente desorientado!!
    Só mesmo do Bocage...:))

    Beijinhos!

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  4. O ladrão era como o chicharro, não percebia latim.

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    1. Uma prosa destas é algo complexa, Agostinho :)))

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  5. Pelo menos, o Bocage deve-se ter visto livre dele definitivamente...

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    1. E os patos, o que é que aconteceu aos patos, Carlos?? :)))

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