5 de fevereiro de 2013

Vozes de burro



De quando em vez surgem em Macau umas luminárias a ressuscitar o fantasma do colonialismo, da era colonial.
Gente claramente complexada, ressabiada, afectada por um pseudo patriotismo serôdio.
Quando estamos à beira de comemorar cinco séculos de presença portuguesa em Macau, quando a Assembleia Legislativa da RAEM discute a Lei do Património, ouvem-se algumas vozes, felizmente isoladas, a procurar negar, apagar e reescrever  a História.
Nem que seja tentando apagar vestígios arquitectónicos da presença portuguesa em Macau.
A casamata em Coloane era um Forte Militar?
Então, não só não deve ser protegido, como deve ser demolido.
O maniqueísmo que move estas mentes leva-as a considerar este raciocínio simplista como normal e patriota.
Já que estamos munidos de picareta e martelo, porquê parar na casamata?
Camartelo no Clube Militar, dinamite-se o Forte da Guia, faça-se implodir o Palácio da Praia Grande, arrasem-se as Ruínas de São Paulo.
Porque não?
E, sobretudo,  reescreva-se a História.
Escolha-se uma data e dê-se então início à estória de Macau.
Que a História não interessa, é passado.
Revolta-me e enfurece-me perceber que ainda existe em Macau gente capaz de tal pequenez.
Simultaneamente, sinto-me tranquilo.
Porque tenho a certeza que, como ensina a sabedoria popular, vozes de burro não chegam ao céu.
De Pequim, nestes casos.

24 comentários:

  1. Pois, pois Pedro... a mim o que me preocupa não são essas mentes mas sim o facto da coisa vir a público, mesmo sendo disfarçada de publicidade paga, no órgão oficial que é o Ou Mun... como se sabe o que ali sai tem o aval de Pequim e das forças da capital, mesmo sendo publicidade, se sai a público é porque colhe apoios...
    Tenho dito desde há algum tempo... esperemos para ver...mas espero estar enganado para bem de todos os que aqui ficam

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    1. Não quero acreditar que Pequim esteja preocupada em ver todas as notícias do Ou Mun.
      Acredito piamente que, dentro do Ou Mun, e nas forças que gravitam ali em volta, há muita gente que pensa desta maneira.
      E é por isso mesmo que, vai que não volta, vem um puxão de orelhas de Pequim.
      Suave, sem grande alarido, como é norma tratar estas situações mais complexas.
      Mas bem direccionado e audível.

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  2. Estimado Amigo Pedro Coimbra,
    Ao longo da minha estada em Macau e já lá vão quase 50 anos, vi tanta coisa, no tempo da governação portuguesa, tasl como a demolição do Bairro Albano de Oliveira e outras mais, que já não me admiro do que possa vir a acontecer com estes novos senhores que pretende reformar a história de Macau, tal japonenses em que em sua história não figura a segunda grande guerra mundial, enfim!... como muito bem descreveu, vozes de burro não chegam ao céu.
    Quanto à imprensa em Macau, 99 % dela, quer seja chinesa ou portuguesa, não passa de engraxar os governantes....
    Abraço amigo, saudações saudosistas

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    1. Mas aqui estão em causa valores dos quais nós não podemos abdicar, Amigo Cambeta.
      A História não é o que alguns palermas querem que ela seja.
      Por mais que a tentem alterar, não conseguirão.
      Vozes de burro, sem dúvida nenhuma.
      Aquele abraço

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  3. Todos os monumentos devem ser preservados. Fazem parte de um passado que nem sempre foi bom para todos.
    Aquilo que deve ser mudado são as mentalidades retrogradas e bafientas. Em todas as épocas existiram os que fizeram história pela mudança positiva e formação moral e humana. Outros destroem o passado sem construir nada melhor...

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    1. Amigo Luís,
      Isto é mesmo gentinha complexada, racista, reles.
      Não tem eco em Pequim, valha-nos isso.
      Grande abraço!

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  4. Pedro eu gostaria de ter essa certeza mas confesso que não a tenho...

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    1. Até 2049 não acredito que Pequim queira aqui chatices, Hugo.
      Já chegam as que aconteceram com o antigo secretário e as que vêm do outro lado do Delta do Rio Das Pérolas.
      Que é outra coisa que estes palermas não percebem.
      Ou fingem que não percebem.

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  5. Vou ver se consigo descobrir a casamata para a visitar. Parte do património já está em muito mau estado. Qualquer dia a Unesco retira-nos da lista de património da humanidade.
    Boa semana

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    1. mor,
      Se continuamos neste caminho a UNESCO, com toda a razão, manda-nos à m$%^&*.
      Será que Pequim vai gostar de um desfecho desses?
      Boa semana!!

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  6. Próprio do novo-riquismo que parece grassar para esses lados, Pedro, tenho a certeza que Pequim não aprova o comportamento desses idiotas!

    Aquele abraço, Pedro, um abraço muito lusitano que atravessa toda a Diáspora portuguesa!

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    1. Ricardo,
      Lembra-se do Solnado?
      Se a estupidez pagasse imposto havia pessoas que andavam todas carimbadas?
      Olhe aqui um exemplo tão concreto dessa realidade.
      Grande abraço lusitano!

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  7. Tentar reescrever a história à luz dos nossos dias, tentando passar esponjas nas páginas dos livros ou munindo-se de escopro e martelo para destruir todos os vestígios, nem é mesquinhez, é burrice pura e simples...

    E contra gente burra (coitados dos burros, que não têm culpa nenhuma da designação!), não há nada a fazer! Ignorar e mainada... :)

    Beijocas

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    1. Não se pode ignorar, Tete
      Se ignoramos S burros fazem mesmo o que querem
      Depois, e demasiado tarde para voltar atras.
      Lembra-se de Charlton Heston em Planeta dos Macacos?
      Lembro-o sempre nestes momentos.
      Tem que reagir logo!!
      Beijocas

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    1. Mentalidade de Revolução Cultural, Firehead.
      Parte-se tudo e a História apaga-se.
      Estes e que deviam ir parar a campos de reeducação!

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    2. A terra é deles, por muito que isso nos custe. Já a minha avó, que era mesmo han, dizia que nos chineses não se pode confiar.

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    3. Jogo de sombras, Firehead.
      O objectivo e muito claro u muito concreto.
      E as ruínas do forte estão a atrapalhar esse objectivo.
      Uma cortina de fumo vem mesmo a calhar.

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  9. Só mesmo alguém intelectualmente "deficiente" para pensar e/ou dizer isso. A pecepção que eu tive qd ai fui de visita é que: o que destingue Macau dos restantes destinos chines ... não sã os casinos ...para isso há sempre las vegas... mas sim a arquitectura portuguesa. Se eles não perceberem isso ..... não sei não.

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    1. Tekanelas,
      O seu comentário e excelente.
      E mesmo essa mistura, esse convívio cultural que faz de Macau algo único.
      Estes cretinos não percebem que, sem essa cultura, essa arquitectura, essa culinária, Macau era só mais uma cidadezinha na imensa China.
      Com umas porras de uns casinos, alguns dos quais igualzinhos ao que há no Nevada.
      Os estúpidos são assim - não percebem, nem vêem o que esta a frente dos olhos, os tristes.

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  10. Até me custa acreditar que haja pessoas capazes de tal, mas de facto há pessoas capazes de tudo, deve ser a tal falta de oxigenação no cérebro provocada pela poluição em Pequim. Como é que é possível que em algumas coisas se consigam destacar de um modo tão positivo e exuberante e em relação a outras... é isto...

    Enfim, vamos acreditar que tudo não passou de um devaneio lunático.

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    1. Não foi não, Poppy.
      Eu percebo o que se quer com isto.
      Esta a atrapalhar planos de algumas pessoas.

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