18 de dezembro de 2012

Fracturar por aí?


Em Macau, por regra, as novidades no panorama político variam entre o pouco e o nada.
Quando aparece um novo tema no discurso político, ainda para mais num ano que antecede as eleições para a Assembleia Legislativa, seguindo o discurso de Deng Xiaoping, "pela janela entretanto aberta, juntamente com o ar fresco, é possível que entrem as moscas".
Quando se perfila como cada vez mais provável uma nova lista saída do que se convencionou designar por campo pan -democrata (os sufragistas, insisto) é curioso verificar que, muito provavelmente fruto da influência de Bill Chou, Jason Chao apareça agora a introduzir no discurso político em Macau os chamados temas fracturantes.
Por agora, a exigência de se estender a revisão legislativa em curso, referente aos casos de violência doméstica, às uniões homossexuais.
Um discurso inovador, corajoso, arriscado.
Tanto mais quanto se sabe que a sociedade de Macau continua a ser caracterizada por um profundo conservadorismo.
A janela aberta deixa entrar o ar fresco.
Mas também deixou entrar as moscas.
Bill Chou, o possível ideólogo, com o comportamento patético que teve na Marcha da Caridade, ficou irremediavelmente chamuscado na sua imagem pública (propositadamente, para obrigar Jason Chao a encabeçar a nova lista que se anuncia?).
Resta a curiosidade de ver se essa lista se torna uma realidade, se aposta nestes temas fracturantes, num novo discurso, ainda que não se afastando dos temas mais gratos ao campo pan - democrata (sufrágio directo e universal, habitação pública, protecção do emprego dos locais).
E se, apostando nesse discurso, terá algum sucesso eleitoral.
Finalmente, e sempre partindo do princípio que essa lista se tornará uma realidade, perceber como irá o campo pan - democrata gerir a dispersão de votos por três listas para conseguir o "quatro em três" - quatro deputados eleitos em três listas diferentes.

8 comentários:

  1. A política, aí como cá, anda a provocar algumas fracturas expostas. Hoje, o Filipe Anacoreta Correia veio confirmar aquilo que eu já suspeitava. Afinal, o CDS não existe mesmo, é uma construção portista ( de Portas, claro...)

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  2. Completo o meu comentário de hoje lá no Rochedo, Carlos.
    Este governo cairá quando o Portas, efectivamente nao e o CDS, quiser.

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  3. "A janela aberta deixa entrar o ar fresco.
    Mas também deixou entrar as moscas."

    Uma óptima observação!!

    Pedro, desejo-te um Feliz Natal a ti e à tua familia, repleto de alegria e cumplicidades.

    Beijinho

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  4. S.o.l.
    Esse era um conhecido pensamento de Deng Xiaoping.
    E que nos devíamos seguir sempre na nossa vida - deixar entrar ar fresco, mesmo que também entrem moscas.
    Votos de um Santo Natal!
    Beijinho

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  5. Já se fala dessas coisas em Macau? Demorou...

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  6. Minina nã fala politica,mas deixa o beijinho dela e uma flor.

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  7. Bom, da política de Macau não sei rigorosamente nada, mas apesar de tudo gostei do pensamento de Deng Xiaoping... :)

    De qualquer forma, nem sempre é mau a política variar pouco ou nada. Cá tem variado muito e não é para melhor! Além de termos de ouvir um blablablá da treta, sempre das mesmas caras! :P

    Beijocas!

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  8. Mas o tema está a ser introduzido no debate político, FireHead.
    Confesso a minha surpresa também.


    Adélia,
    E eu fico contente com o beijinho :)

    Teté,
    O pensamento do Deng Xiaoping é excelente.
    A adoptar, sem dúvida.
    A modorra da vida política em Macau é algo que custa a acreditar e a descrver.
    Beijocas!

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