6 de setembro de 2012

RTP - Privatização - Estrela Serrano



Estrela Serrano explica:

"A estratégia é conhecida por “balão de ensaio” e tem vários níveis de sofisticação. É delineada nas altas esferas e é geralmente aplicada
através de “fugas” de informação dirigidas a certos jornais “próximos” por intermédio de  jornalistas “de confiança”.

Esta estratégia, tudo o indica,  foi agora utilizada pelo Governo, a propósito da RTP, com algum grau de sofisticação. Mas há sempre alguma coisa que escapa ao controle e ajuda a perceber  mais do que aquilo que se diz.

Neste caso, importa analisar todos os pormenores do que veio a público e do que é possível perceber do que não veio,  porque eles fornecem sinais sobre o que verdadeiramente se prepara para a RTP. Vejamos:

- A notícia sobre a “hipótese em cima da mesa”, de concessão do serviço público a um privado e encerramento da RTP2, foi dada em
primeira mão ao jornal Sol que a anunciou na sua edição electrónica ao fim do dia de ontem, antes de ser divulgada pela TVI no Jornal das 8 e hoje pela edição papel do jornal.

- O Sol é  detido em 96,96% pela Newshold, grupo angolano cuja estrutura accionista é constituída por Pineview Overseas, S.A.
(Sociedade Anónima sedeada na República do Panamá) e em 5% pela TWK – SGPS, Lda. (Sociedade por Quotas).

- A Newshold, dona do SOL, segundo notícias vindas a público  está a preparar a sua candidatura à privatização de uma frequência da RTP,
tendo para isso criado uma nova empresa e começado a contratar colaboradores para a elaboração do projecto.

- A notícia do SOL é assinada exclusivamente pelo vogal do conselho de administração do jornal, José António Lima, e não por  jornalistas que geralmente cobrem os temas televisão e media, o que sugere ter o assunto sido tratado apenas ao mais alto nível no seio do jornal por
alguém em posição de deter e poder controlar a divulgação da informação conveniente.

- Do lado do Governo, o escolhido para a execução da estratégia não foi, desta vez, um assessor ou um dos comentadores televisivos a quem o Governo costuma dar “cachas”- Marcelo ou Marques Mendes. O governo subiu a parada e entregou o serviço ao seu conselheiro e
ministro-sombra com o pelouro das privatizações, António Borges, que nada tem a perder e tudo tem a ganhar em fazer o papel do “balão” que não se importa de ser desmentido se o “ensaio” não der o resultado esperado.

- E é aqui que entra a TVI. Seria coincidência a mais que a TVI se lembrasse de entrevistar António Borges no dia em que a notícia do dia
 era o buraco orçamental. Mas era preciso que António Borges – o escolhido pelo Governo para dar a cara - fosse a uma televisão fazer o
spin, prevenindo a eventualidade de a notícia do Sol não corresponder ao que o Governo queria que fosse dito. A RTP estava fora de questão, a SIC ainda mais pelos motivos conhecidos: Balsemão é frontalmente contra a estratégia do Governo para a RTP. Então, quem melhor do que Judite de Sousa para conseguir entrevistar  em cima da hora uma figura de proa ligada ao Governo como António Borges?

E assim o “balão de ensaio” fez o seu caminho…

Veremos se o serviço público de televisão acaba concessionado a uma entidade de seu nome Pineview Overseas, S.A., com sede na cidade do Panamá, República do Panamá… de cujos “testas de ferro” não foi até hoje possível conhecer os nomes."

8 comentários:

  1. Caro Pedro
    Está tudo mais que explicado, no que respeita a intenções.
    Vamos ver se se pode meter um "pauzinho na engrenagem".
    Abraço
    Rodrigo

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  2. Rodrigo,
    Aníbal é um nome que vem logo à ideia como capaz de colocar um pauzinho na engrenagem.
    É só ele querer.
    Aquele abraço

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  3. Coincidências, meu caro, coincidências!!! :(((

    Abraço

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  4. Muitas coincidências, não é, Ricardo?
    Como o Ricardo eu também fico assim :((
    Aquele abraço

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  5. Mas agora é Pinto Balsemão e a Media Capital a fazerem de governo, a ditarem leis?
    Não tenho pachorra.

    Abraço

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  6. Já não se percebe quem, efectivamente, conduz o processo.
    Quem é que serve quem.
    E isto com um canal público de televisão.
    Uma rebaldaria pegada.
    E com gente perigosa ali metida.
    Abraço

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  7. Eu acredito que existem coincidências, mas quando começam a ser muitas remeto-me para o outro lado da questão, "não acredito em bruxas mas que as há, há!"

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  8. Demasiadas coincidências, Catarina, demasiadas coincidências.
    Quando é assim, cheira a esturro.
    Muito!!

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