22 de agosto de 2017

Mais manifestações em Hong Kong


Milhares de pessoas saíram à rua em Hong Kong para protestar contra a detenção de três dos principais rostos do Occupy Central.
Depois de terem sido condenados, em primeira instância, a cumprir penas de serviço cívico e de prisão (seis semanas, com pena suspensa para Nathan Law), os três activistas (Joshua Wong Chi-fung, Nathan Law Kwun-chung e Alex Chow Yong-kang) viram as suas penas agravadas em sede de recurso e vão agora cumprir penas de prisão entre seis e oito meses.
Numa sociedade fracturada, onde os movimentos pró - Pequim e pró - independentistas se digladiam quase diariamente, um acontecimento como estes assume proporções muito mais alarmantes que noutro  qualquer local.
De um lado os que defendem que os activistas agora detidos violaram a lei (e violaram, é inquestionável e eles próprios o admitem falando em desobediência civil) e devem por isso ser punidos; do outro os que acham que as penas aplicadas são excessivas e têm a impressão digital de Pequim (a desconfiança em relação a Pequim é constante e parece agravar-se a cada acontecimento semelhante ao que agora presenciámos).
Não vou aqui avaliar as penas aplicadas, a sua adequação à lei vigente em Hong Kong, pura e simplesmente porque não disponho de elementos que mo permitam fazer com o mínimo de rigor.
O que me interessa saber, e é isso que está verdadeiramente em causa, é se houve interferência do executivo no judicial ou não.
Se houve, e não quero acreditar que tenha havido, estamos perante um caso gravíssimo e a trilhar um caminho que não sabemos onde nos levará.
Se não houve, e repito que quero acreditar que não tenha havido, o que se pode discutir é a adequação das penas aplicadas aos factos, não o seu enquadramento político.
O ideal seria procurar-se fazer esta averiguação com calma, com ponderação, com isenção, com independência.
Algo que receio ser muito difícil, talvez virtualmente impossível, conseguir no meio de tanto ruído e tanto extremismo.

18 comentários:

  1. Faço minhas as tuas palavras e que deveriam ser aplicadas em todas as situações graves que ocorrem no planeta mas que muitos não querem e como já dizia o outro..."a pressa é inimiga da perfeição".

    As tuas palavras:O ideal seria procurar-se fazer esta averiguação com calma, com ponderação, com isenção, com independência.

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    1. Hong Kong corre cada vez mais sérios riscos de se tornar ingovernável, Fatyly.
      E isso será mau para todos.
      Mais a mais quando um entendimento entre as partes desavindas se afigurando virtualmente impossível.

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  2. Estou a ver que está a tingir proporções difíceis de gerir e contornar..
    Beijinhos

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    1. Cada vez mais extremadas as posições dos dois lados, Chic'Ana.
      Beijinhos

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  3. it seems that situations throughout of the world is getting worse and credit goes to dirty politics

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    1. The clash between Hong Kong and Beijing comes from the colonial era, baili.
      But It's getting worse and worse.

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  4. Num mundo que ameaça tornar-se num incêndio de grandes proporções, um foco de incêndio em HK pode provocar projecções a grande distância...

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    1. É isso mesmo que a China quer evitar, Carlos.
      Mas também sem grande jeito.
      Um bocadinho com a delicadeza de um elefante numa loja de cristais.

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  5. Relações conturbadas sem vislumbre de fim à vista...
    Beijinhos
    ~~~~

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    1. Não só não têm fim à vista com parece terem tendência para se deteriorar, Majo.
      Beijinhos

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  6. Num presente caso, sob diversos pontos de vista, distante de mim e por si só deste "jardim" aqui "à beira-mar plantado"; mas que no entanto mesmo dito caso contendo factores suficientemente transversais à humanidade no seu todo, senão em efectivo pelo menos em potencia, independentemente do espaço, do tempo, do contexto sociocultural, político e existencial de cada qual; apesar de e/ou até por tudo, no seu global conjunto só me resta concluir dizendo que quem dera toda ou a maioria da humanidade tivesse a sensatez, a capacidade de análise, de raciocínio e de síntese do caro Pedro Coimbra.
    Bem haja
    Abraço

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    1. Um braço de ferro em que nenhum dos lados quer perder face, essa característica tão chinesa, Victor Barão.
      E em que há muitos interesses envolvidos.
      Aquele abraço

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  7. Bom dia, Pedro.
    Está tudo consigo e a família?
    Um abraço.

    http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/macau-tres-mortos-e-dois-desaparecidos-devido-ao-tufao-hato

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    1. Foi um inferno, Maria Araújo.
      Estamos todos bem mas apanhámos um valente susto e ficámos com alguns danos em casa.
      O pior tufão a atingir Macau desde que há registos.
      Um abraço

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  8. Ouvi na rádio e li.
    O que importa é todos estejam bem.
    Quanto ao que li neste post, sinceramente, o que é que está bem neste mundo?
    Um beijinho

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    1. Em 22 anos de Macau nunca tinha tido medo de um tufão.
      Desta vez tive.
      E não foi pouco.
      Agora, no estado em que ficou a cidade, vamos ver quando é que nos arranjam as coisas.

      Em Hong Kong as posições estão extremadas.
      Mas pelo menos não apanharam este inferno.
      Porque souberam prever as coisas e avisar as pessoas.

      Beijinhos

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  9. Difícil escolha. Divisão de filosofia. Sérios riscos. O essencial está na segurança de cada um. Ainda estão bem!Aquele abraçO

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    1. A cidade hoje está um caos, Nidja Andrade.
      Assustador!
      Um abraço

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