28 de agosto de 2017

It was the best of times, it was the worst of times


Charles Dickens escreveu, em A Tale of Two Cities, as palavras imortais em título - "It was the best of times, it was the worst of times".
Palavras que relembrei várias vezes nestes últimos dias em Macau.
Porque nestes dias, se não teremos visto the best of times, the worst of times, certamente vimos the best of people, the worst of people. 
A catástrofe que afectou Macau a meio da semana, logo seguida de outra de menor dimensão no final da semana, mostrou mesmo o melhor e o pior da cidade e das pessoas que a habitam. 
Bombeiros e polícias a trabalhar sem repouso, o Exército de Libertação Popular a auxiliar, milhares de voluntários a limpar as ruas, a distribuir água e alimentos (particulares e empresas), a prestar serviços essenciais aos mais necessitados sem por isso pedir qualquer retribuição (estou a pensar por exemplo nos taxistas que não são todos gente de coração empedernido), gente a reparar os milhares de casas que ficaram danificadas, profissionais de saúde, gente anónima, sem rosto, toda uma cidade, que continua a ser do Santo Nome de Deus, a ter um coração e uma alma enormes.
The best of times, the best of people.
Gente que não merecia a atitude de uma série de dejectos humanos capazes de aproveitar o trabalho de milhares para emporcalhar as ruas com as tralhas que tinham acumuladas em casa, para roubar os mais necessitados praticando assaltos à mão desarmada (hotéis, restaurantes, lojas, taxistas,...).
Escória humana que envergonha Macau.
A Macau, Cidade do Santo Nome de Deus, que mostrou uma vez mais que, no meio de muita confusão e muito amadorismo, citando o poeta, "tudo vale a pena quando a alma não é pequena".

50 comentários:

  1. Só soube hoje do Tufão, espero que rapidamente tudo volte a estar bem

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A pouco e pouco estamos a recuperar, Gábi.
      O maior susto da minha vida.
      Beijinhos, boa semana

      Eliminar
  2. A humanidade é composta pelos bons e pelos maus. Sempre foi assim. A perda de uns é o ganho de outros.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mas há uma escumalha que não parece humana, Catarina.
      Não é gente, são detritos.
      Boa semana

      Eliminar
  3. Infelizmente há sempre quem se aproveite e cometa abusos que destoam da ajuda de tantos, felizmente estes são a maioria.
    Aconteceu o mesmo nos terríveis incêndios que assolaram Portugal.
    Boa semana

    Beijos Pedro

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A tal escória, Manu.
      Vamos concentrar-nos nos outros, a maioria, e esquecer este montes de esterco ambulantes.
      Beijos, boa semana

      Eliminar
  4. Infelizmente em situações idênticas há quem se aproveite da confusão para extorquir, enganar e por vezes maltratar quem mais precisa. O lado perverso de alguns humanos mas tiro o meu chapéu a quem ajuda dando tudo por tudo em prol do seu semelhante.

    Desejo que continues em frente e que te ergas do tremendo susto. O mesmo para a tua família.

    Beijocas e um bom dia

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ajudar muitas vezes pode ser simplesmente não atrapalhar, Fatyly.
      Quem anda nas ruas há dias, sem descanso, debaixo de imenso calor, de cheiros nauseabundos, não merece outra coisa que não seja o nosso profundo agradecimento, o nosso auxílio em tudo o que pudermos.
      Beijocas, boa semana

      Eliminar
  5. such hard times show the REAL faces of people and may this is why it happens

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. This times show the real faces of people, baili.
      And sometimes is very, very hugly.

      Eliminar
  6. O ser humano é assim mesmo, capaz dos melhores e piores atos.
    Alegro-me por saber que o Pedro está bem.
    Boa semana.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Em bom português, capaz do maior altruísmo e das maiores cachorradas, Elisabete.
      Boa semana

      Eliminar
  7. A MANU e a FATYLY já escreveram e definiram essa escória humana, Pedro.

    Grande abraço e para a frente é que é o caminho !

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Até parece impossível que haja escumalha desta, João Menéres.
      A gozar literalmente com o esforço brutal de tanta gente boa.

      Eliminar
  8. Este seu post fez-me lembrar o que se passou aqui durante o incêndio de Pedrógão. Enquanto pessoas ajudavam como podiam e os bombeiros eram incansáveis, outras atravancavam a estrada com os seus automóveis porque "queriam ver o incêndio de perto" e outras ainda pilhavam os escassos haveres de quem tinha ficado sem nada. E, claro, também apareceram os oportunistas, disfarçados de técnicos da segurança social, ou agentes de seguros, que tentavam extorquir aos mais velhotes e analfabetos as suas economias.
    O ser humano pode ser o mais delicado, bondoso e solidário ser vivo à face da Terra mas, como o Pedro muito bem diz, também sabe ser o mais vil e abjecto.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu ainda acredito na justiça divina, Carlos.
      Estes trastes não podem ter bom fim.
      Como é que se pode descer tanto??

      Eliminar
  9. O ser humano é capaz de coisas maravilhosas mas também é capaz das mais horríveis atrocidades. Na História da humanidade há imensos exemplos disso mesmo.

    O que fazer? Se calhar é melhor concentrarmo-nos nas coisas boas e esquecermos as más, esquecer o que é mau e manter a esperança e a fé na raça humana. Caso contrário, fica muito penoso viver neste mundo.

    Beijos e abraços

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É nesses muitos muito bons que me quero concentrar.
      Os escarros humanos têm que me ser indiferentes, recuso perder tempo com essas coisas.
      Beijos e abraços também

      Eliminar
  10. infelizmente, sempre assim foi, aquando de catástrofes naturais. Há sempre uns tantos, que aproveitam a desgraça.

    O importante é que a sua Macau está a ser tratada e k o Pedro e família estão bem. lembrei-me imenso de vocês.

    Beijinhos para todos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estamos bem CÉU.
      Apanhámos um valente susto mas, Graças a Deus, não passou disso.
      E deu para ver que ainda há MUITA gente MUITO boa.
      Sabe o que ainda me deu mais esperança?
      Uma grande parte dessa gente eram jovens, as novas gerações que afinal não andam nada perdidas.
      Beijinhos

      Eliminar
  11. Realmente é impressionante estas diferenças existentes...Felizmente ainda existem boas pessoas..
    Beijinhos,
    http://chicana.blogs.sapo.pt/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E são muito mais as boas que as que não prestam, Ana.
      Isso é que dá força e alento.
      Beijinhos

      Eliminar
  12. Só agora me apercebi da dimensão dos efeitos do tufão...
    Tudo leva a crer que houve mais generosos do que gatunos,
    o que já é um dado positivo e animador...
    Que tudo se recomponha e Macau continue a brilhar...
    ~~~ Beijinhos comovidos ~~~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. MUITO mais, Majo.
      E continuam a trabalhar.
      Nas ruas, na assistência domiciliária a pessoas necessitadas, no que for preciso.
      Beijinhos

      Eliminar
  13. Custa a crer que, perante toda a destruição que pude observar pela televisão, ainda houvesse gente com 'estômago' para se aproveitar dessa situação calamitosa, Pedro! Pensava eu estarem todos os macaenses, naturais e residentes, unidos no mesmo propósito: a ajuda mútua e solidária, uma vez que todos foram atingidos. É como o Pedro diz: escória humana...E dessa, infelizmente, há-a em toda a parte do mundo.
    Espero que, aos poucos, tudo volte à normalidade. Para o Pedro e família, e todos os que sofreram com a fúria devastadora do furacão.

    Beijinhos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não sei se merecem o qualificativo de gente, Janita.
      Seres, não lhes consigo chamar mais que isso.
      E já estou a ser simpático e condescendente.
      Beijinhos

      Eliminar
  14. Caro Amigo Pedro Coimbra.
    Aqui somente foi noticiado o furação que assolou o estado do Texas.
    É realmente desalentador saber que em situações pós cataclismos pessoas abjetas agem - descaradamente - para levar vantagem e detrimento de outrem.
    Caloroso abraço. Saudações fortalecidas.
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver, sem véus, sem ranços, com muita imaginação, autenticidade e gozo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A minha mulher andou a ajudar no esforço de limpezas no sábado, Amigo João Paulo de Oliveira.
      E foi testemunha do que aqui descrevo.
      Ainda não tinham acabado de limpar uma área e já estava toda cagada por criaturas sem escrúpulos nem civismo.
      Aquele abraço

      Eliminar
    2. E julgo que foi isso mesmo, Amigo João Paulo de Oliveira - mais do que um tufão, um furacão.

      Eliminar
  15. Já vivi isso aqui em 2010, há de tudo, Pedro, infelizmente, há de tudo.

    Espero que esteja tudo bem consigo e família e desejo(amos) uma rápida recuperação dos danos.

    Aquele abraço e votos de excelente semana para si e suas princesas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Lembrei-me disso, Ricardo.
      Se a memória não me falha foi assim que nos conhecemos.
      Na sequência das terríveis cheias na Madeira.
      Aquele abraço, boa semana para si e as mais que tudo

      Eliminar
  16. Até nestes momentos se mostra o que de
    melhor e pior tem o ser humano.
    Infelizmente é assim.
    Desejo que tudo coniiga ser ultrapassado
    com o menor dos estragos possíveis e que
    a normalidade possa voltar, infelizmente
    para os que morreram é que tudo acabou mesmo.
    Um abraço amigo.
    Irene Alves

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estragos há muitos e demorarão algum tempo a reparar, Irene Alves.
      Até em minha casa.
      Mas serão reparados.
      O que não será reparado são as vidas humanas perdidas.
      Um abraço amigo também

      Eliminar
  17. Infelizmente, Pedro, em todo o lado há quem se aproveite da desgraça outros, quando ela toma as proporções e dimensões como esta dos tufões que abalaram Macau.
    Veja-se, também nos EUA, o tufão Harvey, e sobretudo no Texas, os anos que podem levar a reconstruir certas cidades.
    Um abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Macau está a recompor-se, Maria Araújo.
      Graças ao esforço incansável e sem sossego de muita gente.
      Gente que não dorme, não repousa, pouco come.
      Mas trabalha como se não houvesse amanhã.
      Um abraço

      Eliminar
  18. Quando vi e ouvi na TV alemã sobre o tufão em Macau, lembrei-me logo do Pedro e da sua família.

    Concordo com o seu texto sobre as duas caras do ser humano.

    Os meus melhores desejos vão principalmente para o Pedro e toda a família.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Uma cara linda e comovente, outra muito feia e profundamente irritante, Teresa.
      Felizmente não sofremos nada fisicamente.
      Já psicologicamente ficámos um bocado abalados.
      Foi o susto e foi ver a casa a partir sem poder fazer nada.

      Eliminar
  19. Infelizmente há sempre nestas situações uns quantos "vádios" que se aproveitam da desgraça alheia.
    Um abraço e boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    Livros-Autografados

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nem sei como classificar estas criaturas, Francisco.
      Como é que possível ser-se tão reles, tão baixo?? :(
      Aquele abraço, boa semana

      Eliminar
  20. Estou de volta.
    Lamentável. O ser humano é capaz das melhor coisas e das maiores atrocidades. Deve ter sido horrível o que aconteceu aí.
    Um abraço e boa semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu nem sei se esta gentalha pode ser classificada dentro do género humano, Elvira Carvalho.
      Seja bem regressada.
      Um abraço, boa semana

      Eliminar
  21. EStive uma semana sem ver televisão nem saber notícias, pelo que acabo de saber aqui que infelizmente uma tragédia se abateu sobre Macau ... e que , também infelizmente e como sempre criaturas existem sem se comportarem à altura.

    A minha solidariedade para quem sofre e um abraço caloroso para si e família, meu caro Pedro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O maior susto que apanhei na vida, São.
      Que depois se transformou em profunda admiração por muita gente.
      Em simultâneo com profunda irritação com muitas criaturas abjectas.
      Um abraço

      Eliminar
  22. Realmente! Bom de mais e... mau de mais! Mas de tudo isso se compõe a vida... Infelizmente. Espero que o pior tenha já passado.

    Beijinho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Embora se fale em mais dois tufões o pior já terá passado, Graça.
      O Hato foi de um violência nunca vista.
      Assustador!!
      Beijinhos

      Eliminar
  23. Sinto-me triste e envergonhada por haver pessoas capazes de tais atitudes, mas infelizmente não está ao nosso alcance transformar essa gentinha em seres humanos de verdade.

    Eu e o Rodrigo quando vimos as noticias na TV pensamos e falamos no Pedro.

    Boa semana meu amigo, um beijinho solidário.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. não é possível transformar estas criaturas em seres humanos, Adélia.
      São casos perdidos.
      Beijinhos, boa semana

      Eliminar
  24. Pedro Coimbra,

    teve pouco ou quase nenhuma repercusão no Brasil, esta triste calamidade que fere a vida de nossos irmãos em Macau.
    Você há de concordar que fora do eixo das "nações que dominam o mundo", o que acontece nos países chamados "periféricos" pouco importa (segundo eles) para a humanidade.
    Isto é tão vergonhoso quanto os saques de pessoas inescrupulosas aos já combalidos pelas catástrofe habitantes desta simpática e amada Macau.
    Um abração carioca.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Macau não é tão mediático como por exemplo os Estados Unidos, Paulo Tamburro.
      É essa a realidade e temos que saber viver com ela.
      Um abração macaense

      Eliminar