7 de abril de 2016

Cabala, dizem eles


Um pouco por todo o Mundo haverá motivos para escrever acerca dos já famosos Panama Papers.
Seja para elogiar a iniciativa e a transparência que a operação pode permitir, seja para criticar o sentido que a mesma toma, só a indiferença não se afigura neste momento possível.
À medida que mais pormenores vão sendo conhecidos, e mais figuras vão sendo envolvidas, maiores e mais variadas se tornam essas reacções.
No rol das mais recentes deve incluir-se a do jornal Global Times, um jornal em língua inglesa do grupo Diário do Povo, claramente engajado com o regime político chinês.
O jornal que qualifica o escândalo Panama Papers como uma cabala, uma perfídia com alvos políticos, tendo no comando interesses norte-americanos.
Norte-americanos que não são citados em momento algum desta mega operação, refere o jornal.
Sendo verdade que, até ao momento (mais para a frente estamos para ver...), não são referidos interesses norte-americanos, dando de barato que este escândalo poderá realmente servir outros fins para além da transparência e do conhecimento dos circuitos de lavagem de dinheiro e fuga ao fisco, também não será muito surpreendente esta reacção do Global Times quando já se sabe que a Mossack Fonseca tem mais escritórios na China do que em qualquer outro país, que elementos ligados ao poder político chinês estão envolvidos neste imbróglio, que o escritório da Mossack Fonseca em Hong Kong era o que atendia um maior número de clientes, que a maior fatia de donos de offshores registados na Mossack Fonseca são provenientes da China, logo seguida de Hong Kong, Região Administrativa Especial da República Popular da China.
Ensina-nos a sabedoria popular que quem não se sente não é filho de boa gente.
Ensina-nos a sabedoria futebolística que a melhor defesa é o ataque.
Apetece comentar que fica a ideia que as autoridades chinesas conhecem e dominam bem ambas.  

18 comentários:

  1. Esta é uma daquelas que foi investigada e veio a lume mas quantas outras Mossack Fonseca haverá????
    Um abraço e boa Quinta-Feira.

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    1. Muitas, Francisco, muitas.
      O que é curioso é esta reacção das autoridades chinesas.
      Não é por dizerem que o vizinho também se porta mal que ficam bem no retrato.
      Aquele abraço, boa quinta-feira

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  2. Pedro, já parece aquele tipo que governou a RAM, durante quase 40 anos, que tinha a "teoria da cabala".

    Aquele abraço, meu caro.

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    1. Um terço das empresas até agora mencionadas são empresas chinesas, Ricardo.
      Do interior da China e de Hong Kong.
      Contra factos....
      Aquele abraço

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  3. Será Mossack Fonseca a ponta do icebergue, Pedro?
    Abraço

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    1. Essa é a pergunta do milhão de euros, António
      Aquele abraço

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  4. Eu estava a achar estranho Hong Kong ter ido meter o belho no meu Blog , Pedro.

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    1. O escritório da Mossack Fonseca em Hong Kong passa por ser o mais movimentado dos muitos que a sociedade tem um pouco por toda a parte, Karocha

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  5. Num escândalo deste nível é natural que apareçam críticas e opiniões de ambos os lados !
    Ou seja : daqueles a quem interessa empolar a situação e daqueles a quem interessa abafá-la ou reduzir o impacto !
    Para quem está por fora torna-se difícil avaliar quem estará certo ! (???)
    ... e certamente que já estão a surgir e irão aparecer muitas outras a quem uma das duas posições interesse mais !

    Abraço, Pedro !

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    1. Uma típica situação de tentativa de desviar as atenções, Rui.
      A China é perita nisso.
      Porque é que não assumem aquilo que já todos sabemos??
      Se querem, ou não, lidar com a situação, é outra questão.
      Aquele abraço

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  6. Vamos ver se todo este alarido, não será mais um processo que irá morrer na praia, Pedro!
    Há gente, governos e empresas muito importantes envolvidas no esquema.
    Mas quem sou eu para falar de um assunto tão complexo?

    Beijinhos

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    1. Não sei se terá tantas consequências quantas as que se esperam, Janita.
      Mas vai ter algumas de certeza.
      Aliás, já está a ter.
      O islandês que o diga.
      Beijinhos

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  7. Tantas perguntas sem resposta...
    Este mundo está muito inquietante!
    beijinhos

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  8. Eu devo estar numa fase muito, muito descrente da minha vida porque não me interessou nem me chocou mais que as habituais notícias do género...

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    1. Vamos ver o que vem a seguir, Maria do Mundo.
      Esta postura de tentar desviar atenções, típica da China, é que me dá vontade de rir.

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  9. Londres, Hong-Kong... Luxemburgo, Holanda... explicam de forma soberba vidas, atitudes e políticas. Basta pensar um bocadinho. Um mundo carregado de comissionistas, procuradores, trapaceiros, agiotas, gananciosos e ilusionistas.
    Tudo será ultrapassado para que continue tudo na mesma: basta fazer um up-grade da malandrice.
    Há 20 anos que se fala no assunto. O proveito imediato tem sido da informação.
    Abraço, Pedro.

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    1. O que é mais curioso é verificar que ainda há quem insista em tapar o sol com a peneira num mundo globalizado, Agostinho.
      Um terço das empresas referidas nos Panama Papers são da China e de Hong Kong.
      Contra factos não há argumentos.
      Faltam empresas e pessoas norte-americanos?
      Esperamos que também se lá chegue.

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