5 de maio de 2015

Um encontro, muitos significados


Xi Jinping, Presidente da República Popular da China (RPC), e Eric Chu, o líder do Kuomintang (KMT), reuniram-se em Pequim para conversações amigáveis acerca das relações entre os dois lados do Estreito.
Xi Jinping falou em consultas ao mesmo nível mas, em simultâneo, impôs a condição de as mesmas se realizarem ao abrigo do princípio de uma só China.
A RPC, maior destino das exportações de Taiwan, mostra que está disposta a fortalecer os laços económicos com Taiwan através da relação privilegiada com o KMT.
A diplomacia económica uma vez mais a servir de pretexto para o aprofundamento do relacionamento político.
Confrontado com o movimento de oposição ao aprofundamento de relações entre os dois lados do Estreito que se constata nos movimentos pró-independentistas em Taiwan, atento ao declínio na popularidade do KMT, o Executivo de Pequim procura empurrar Eric Chu para a presidência da Ilha (Eric Chu estará renitente nessa candidatura) e apoiar uma candidatura do KMT personalizada no mesmo Eric Chu, o candidato que ainda não o é oficialmente, e que a China quer apresentar como o único com quem é possível dialogar em pé de igualdade.
Observar o encontro de Xi Jinping e Eric Chu implica perceber que se está perante algo muito mais importante que um mero encontro bilateral entre o líder da RPC e o líder do KMT.
Implica sobretudo perceber que Pequim entrou oficialmente na campanha eleitoral para a presidência da Ilha.

18 comentários:

  1. Anda tudo em campanhas eleitorais, um carnaval onde se gastam milhões que daria para tanta coisa com mais utilidade...mas enfim!

    Beijocas

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    1. Chineses dos dois lados do estreito, Fatyly.
      Muito diferentes na maneira de ser e de pensar mas estruturalmente chineses.
      Que sabem como ninguém que "uma longa caminhada se inicia com um pequeno passo".
      Com pequenos passos, com cautelas, com tempo (algo muito próprio dos chineses também, o conceito de tempo), vão-se aproximando os dois lados.
      Beijocas

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  2. Sinais de abertura e paz precisam-se, Pedro, e o que digo é válido para as duas partes e não só para a RPC.

    Aquele abraço e cumprimentos ao Lopes. ;)

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    1. Devagarinho, com passos seguros, como é típico entre chineses, a aproximação é inevitável diria eu.
      Deixe lá o Lopes em paz que ele já tem muita sarna para se coçar :))
      Aquele abraço

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  3. A China popular sempre quis «convidar» Taiwan a aderir ao modelo: «Um país dois sistemas». É certo que esse modelo tem funcionado relativamente bem em Hong Kong e em Macau. Pode haver esta ou aquela aproximação meramente tacticista, mas não creio que que a China consiga «vender» esse modelo a Taiwan.

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    1. Não esteja tão convencido disso, Paulo Lisboa.
      Eu vivo aqui e não estou.
      Vai demorar muito tempo.
      Mas a China e Taiwan vão aproximar-se.
      E o sentido será o da aproximação da China a Taiwan e não o oposto.

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  4. Pelo que li no Expresso de 2/5/2015, não é para já. Segundo os chineses continentais, nunca será antes de 2049. Para nós ocidentais pode ser uma eternidade, talvez para um chinês não o seja.

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    1. 2049 é a data dos tais 50 anos após a transferência de poderes de Macau para a China, Paulo Lisboa.
      Percebo a ideia - depois de recuperar Hong Kong (1997) e Macau (1999), e de se ter aproximado às duas Regiões Administrativas Especiais, a China estaria em condições de mostrar o sucesso da fórmula a Taiwan e integrar a "província renegada".
      Até 2049 muito irá acontecer.
      E confirmo que, para os chineses, é um tempo ínfimo.
      Pelo que vou vendo não creio que o cenário seja assim tão favorável às pretensões da China.
      Há muita desconfiança em Taiwan relativamente às boas intenções chinesas.

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  5. Um assunto a seguir atentamente.

    Tal como a aproximação da China à Rússia.

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    1. A China vai acentuando, com pezinhos de lã, a sua intenção de se tornar na primeira potência mundial no século XXI, São.
      Tudo começa e acaba no poderio económico.

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  6. serão ciclos Pedro? há aproximação, depois exploração de uns pelos outros, luta pela separação, etc...
    abraços
    Angela

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    1. Aqui há um movimento deliberado de aproximação da China a Taiwan, Angela.
      Abraços

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  7. Ah, e Pequim pode entrar na campanha eleitoral de Taiwan?!? Quer dizer, tenta mexer os seus pauzinhos, né? :)

    Beijocas

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    1. A China nunca deixa nada ao acaso, Teté.
      Nesse aspecto temos muito a aprender com os chineses
      Beijocas

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  8. Que seja para bem de todos!

    Beijinho Pedro boa semana.

    P.S. Desculpe a minha ausência :(

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    1. Não peça desculpa, Adélia.
      Quando há tempo, disponibilidade e disposição.
      Tão simples como isso.
      Beijinhos, boa semana

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  9. Uma sucursal da RPC.
    O que interessa neste mundo não sâo bandeiras são negócios .

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    1. É esse precisamente o lema da China, Agostinho.

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