9 de julho de 2013

O jogo das cadeiras



Houve, na dança de cadeiras, que é a lógica do poder, mudanças. Uns ficaram de pé, outros com o banco mais largo.
Para muitos, o jogo emocionou muito, como nas festas de aniversários de ingénuos adolescentes em que às cadeiras se jogava e se batiam muitas palmas com gritinhos de aflição.
O que interessa, o que verdadeiramente conta em termos do País onde isto tudo se passou, muito poucos parecem querer saber.
Ficou a confiança reforçada em que nos governa? Não ficou, porque a todo o momento, viu-se, um só pode deitar tudo a perder.
Ficou a solidez da equipa governativa clarificada? Não ficou, porque os ressentimentos contam, e mais contam os desapontamentos das cedências.
Ficou afastada a possibilidade de uma nova crise? Não ficou, porque a ministra das Finanças, esvaziada que esteja de poderes, vai continuar a ser um dos elos fracos da cadeia, e o demais é igual ao que já era.
Ficámos mais credíveis junto dos nossos credores? Não ficámos, porque para esses o que conta é a suspeita de que um dia, à conta da nova gerência, o devedor se exima ao pagamento.
A política é um jogo de poder. Esta dita democracia é uma agremiação de gente que quer o poder. A ambição é o aliciante da partida. Depois há as promessas, os programas e até as eleições. Como no verdade ou consequência, os cinco cantinhos, ou um pim-pam-pum! Ora pum!

in A Revolta das Palavras, 07 de Julho de 2013

22 comentários:

  1. Muito bem. E como é que surgiu a democracia em Portugal? E porque é que ela surgiu? Portugal está de facto melhor desde que se tornou democrático? Os portugueses estão agora melhor em democracia? Não, não estão. Muito pelo contrário até, pelos vistos.

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    1. "Os portugueses estão agora melhor em democracia?"
      Tem dúvidas?
      Sabe porquê?
      Porque você não viveu em Portugal nos tempos da ditadura.
      Nem passou pelos problemas horríveis que outros passaram.
      Com todos os defeitos, com todos os exageros, com todos os problemas, nem há comparação.
      Antes de mais, sem essa democracia que você refere, nós não estávamos aqui a ter esta troca de ideias.
      Nem pensar!!
      Você, com a idade que tem, estava de arma na mão no meio do mato.

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  2. Não vivi eu mas viveram muitos que eu conheci. Sim, também há os que têm saudades daqueles tempos.
    Problemas horríveis sempre houve, ou será que agora já não os há? Não há miséria agora na mesma? Não há fome agora na mesma? Muitos dos casos são silenciados porque há muita vergonha. Até há quem diga que nem antigamente se passava tão mal como agora.
    O Portugal de Salazar tinha muito analfabetismo e miséria, de acordo. E antes de Salazar pôr a mão em Portugal como estava o país? Na bancarrota, certo? Isso quer dizer que havia menos ou mais miséria? Menos ou mais analfabetismo? Com Salazar Portugal crescia ou não crescia? Antes do Salazar Portugal crescia? E agora, volvidos todos estes anos depois do 25 de Abril, Portugal cresce ou não cresce? O país tem futuro assim?
    O meu pai nunca teve problemas em dizer o que quisesse durante a ditadura. E ele até já foi adepto de ideias esquerdistas (afinal de contas viveu o Maio de 68). De certeza que não se podia mesmo trocar ideias? Ou não se podia estar contra o regime, que é uma coisa completamente diferente?
    Diga o que disser, este Portugal actual está uma porcaria e a culpa disto é do 25 de Abril. Não adianta virmos com desculpas porque os factos falam por si. Há gente que festejou a revolução abrilesca e que agora está pior que dantes. Irónico, não? É que nem todos têm a sorte de emigrar e conseguir uma vida melhor. E também na questão da emigração parece que Portugal está a bater um recorde nunca dantes visto. Significa isto que se vive mesmo melhor agora em democracia? Como escrevi, são factos e contra factos não há argumentos.
    Quanto a isso de andar com uma arma na mão, pode ser que mais daqui a uns anos seja necessário em Portugal atendendo ao aumento galopante da taxa da criminalidade, muita dela cometida por gente parida pela revolução de Abril mais a desastrada colonização e consequente invasão terceiro-mundista da qual o país é vítima. Nos tempos doutra senhora de certeza que se respiraria melhor em qualquer parte do país...
    Vale a pena termos essa tal "liberdade" e "democracia" para agora termos o país no estado em que se encontra ou seria preferível "sacrificarmo-nos" a bem da Nação? É por estas e por outras que cada vez sou menos democrático... mas também que se lixe, que a minha vida agora é aqui, na minha terra.

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    1. Boa malha, Firehead.
      Ficamos por aqui.

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    2. Amigo, já os antigos romanos, quando viam que a democracia falhava, nomeavam um ditador para colocar ordem nas coisas. :)

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    3. Lembra-se que dizia o Astérix, FireHead?
      Estes romanos são loucos!! :)))

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    4. Tiveram um grande império apenas. :)

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    5. Coisinha de somenos importância, FireHead :)))

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  3. Eu sempre gostei de ver o jogo da dança das cadeiras.

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    1. Este não estou a gostar, Mariposa Colorida :(

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    1. E que pum, Ricardo.
      Até aqui cheirou!!
      Aquele abraço

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  5. E como se tudo isso não bastasse, temos um PR a fingir que está em reflexão e ainda manda alguma coisa, quando na realidade o novo governo tomou ontem posse em Bruxelas

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    1. Ele também tem um papel a representar nesta peça, Carlos.
      É menor, é fraquinho, apagadinho, mas existe

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  6. Pedro,
    Bem a propósito.
    O último acto dos nossos governantes levam-nos à tristeza pela falta de políticos com garra.
    Beijinho. :)

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    1. Políticos, ana.
      É isso que temos.
      Precisávamos de Estadistas :(
      Beijinho

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  7. Uma grande palhaçada, mas sem a mínima piada... :P

    Beijocas!

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  8. Costumava ser um jogo divertido, este nem por isso :/

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