5 de março de 2013

Há, ou não, excesso de visitantes em Macau?


Esta é a pergunta recorrentemente formulada nos últimos dias.
Especialmente depois do caos que se observou nalguns locais da cidade, e nos postos fronteiriços, na época do Novo Ano Lunar.
As entidades governamentais, de Macau e da China, insistem que ainda não está esgotada a capacidade do território para receber visitantes.
O discurso passou até a centrar-se num hipotético despeito e desrespeito que existiriam da parte dos habitantes de Macau para com aqueles que os visitam.
Especialmente os vindos do interior da China, a esmagadora maioria dos visitantes, como sabemos.
Salvo melhor opinião em contrário, é precisamente o oposto o que os cidadãos residentes de Macau pretendem.
Para si e para os que visitam o território.
Qual é a melhor publicidade, a mais eficaz e a mais barata, acerca de um qualquer local como destino turístico?
Obviamente, a opinião que é transmitida a terceiros pelos que visitam esse local.
Com as questões que todos conhecemos, que são recorrentes (grande concentração de pessoas; filas enormes;programas de visitas pré-definidos, à lupa e ao cronómetro, tantas vezes à revelia dos visitantes; queda da qualidade dos serviços prestados; preços proibitivos)  qual é a imagem que os visitantes  transmitem de Macau quando abandonam o território?
No meio de tantos estudos que se fazem, por tudo e por nada, não seria despiciendo se se percebesse exactamente o que pensam de Macau aqueles que nos visitam.
Isso sim é que é respeitá-los.
Respeito que também têm que merecer aqueles que aqui vivem e trabalham todos os dias.
Os que, tantas vezes, são esquecidos, ou deixados em segundo plano, nos discursos oficiais.

20 comentários:

  1. Estimado Amigo Pedro Coimbra,
    É óbvio que existe excesso de visitantes vindos da China, mas essa opinião não tinha o ex-director do turismo, mas muitos intresses estão por detrás de tudo isto, principlamente os casinos.
    O resto quem manda se está marimbando para os residentes de Macau, é assim já.
    Hong Kong tem as suas regras, mas não tem casinos.
    Abraço amigo

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    1. Amigo Cambeta,
      Macau precisa de visitantes (não lhes chamo turistas porque quem aqui fica pouco mais que um dia, em média, não é turista) porque não tem mais nada.
      Hong Kong tem um porto de águas profundas, um aeroporto dos mais movimentados do Mundo, um mercado financeiro fortíssimo.
      Macau tem o Jogo.
      Que não é nenhum mal em si mesmo.
      Era o que me faltava era ser pago com o dinheiro dos impostos que são cobrados aos casinos e criticar a actividade.
      O que não quer dizer que não haja regras, limites.
      E é isso que parece que não se quer perceber.
      É mau para todos.
      Mesmo para quem nos visita.
      Quem é que gosta de andar, em correria, num local cheio de gente, de confusão, de poluição?
      Aquele abraço!!

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  2. Infelizmente o governo da RAEM tem dado provas de se estar a "marimbar" para os interesses dos locais (os interesses financeiros de alguns poderosos fala mais alto)! Fazer mal ou fazer bem, neste contexto, pouco importa... o que importa é fazer (porcaria), e fazer muito!

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    1. Anónimo,
      Mas até esse raciocínio é errado.
      Se as pessoas não gostarem da experiência, acha que vão voltar?
      E vão aconselhar outros a vir cá?
      Claro que não.
      Já o disse várias vezes, repito-o agora - estamos a matar a galinha dos ovos de ouro para fazer canja.
      Mau para quem aqui vive, mau para quem visita.
      E há todas as condições para ser bom para todos.

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    2. Estava a ser irónico na última frase. :)
      Estou 100% de acordo consigo! O que pergunto é se o governo da RAEM está ciente disso ou será que não querem saber (por motivos pouco transparentes).

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    3. Eu espero bem que o governo da RAEM não venda a cidade, não venda a alma, pelo menos, Anónimo.
      Eu gosto muito de Macau.
      E é por isso que me preocupo, que critico.
      Aliás, estou convencido que a esmagadora maioria das pessoas que critica é exactamente porque gosta, porque se preocupa.
      O que nos é indiferente não motiva sequer a crítica.
      Cumprimentos e, por favor, volte sempre.

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  3. Não conheço Macau. O que sei é através de amigos que lá viveram ou o que vejo na televisão. Mas tenho uma curiosidade enorme em visitar. Há dias passou na Sic Notícias um programa sobre os casinos de Macau e eu fiquei intrigada. Não fazia ideia que tanta gente ìa a Macau para jogar!

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    1. Cerca de trinta milhões (como 30 Kms 2 de território!!) no ano passado, Mariposa Colorida.
      Uma loucura!!
      E com sucessivos recordes.
      Parece que não há limites.

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  4. Pedro basta andar na rua no dia-a-dia para perceber que sim. Mas obviamente que esses senhores que vivem isolados nos seus condomínios de luxo estão-se a marimbar para isso.
    Abraço

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    1. Hugo,
      Um dos grandes problemas deste governo é exactamente o não sair à rua.
      Não é sair nas suas viaturas oficiais, com motorista e batedores.
      É mesmo sair à rua, passear nas ruas, ser cidadão de Macau, Ou Mun Ian.

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  5. Ainda hoje, Pedro, ouvi no carro uma publicidade para visitar Macau e, confesso, fiquei(mos) com o bichinho!

    Abraço, amigo!

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    1. Mas visitantes como o Ricardo, e a sua família, nós queremos cá muitos mais.
      Famílias, como a vossa, há poucas.
      Venham mais!!!!!
      Aquele abraço

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  6. A minha terra continua a ser a cidade com a maior densidade populacional do mundo?

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  7. Não conhecendo Macau, também considero que a melhor solução era saber junto dos visitantes a sua opinião e daí tirar ilações para melhorar o que está mal e manter o que verdadeiramente interessa, quer para os visitantes, quer para os residentes. Vendo bem, isso podia ser uma vantagem para todos os destinos turísticos... :)

    Beijocas!

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    1. Teté,
      Fazem aqui estudos por tudo e por nada, para discutir coisas sem pés nem cabeça.
      E, para estas questões, elas sim importantes, navega-se à vista.
      Beijocas!

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  8. A última vez que estive aí também fiquei impressionado com isso, Pedro.
    Saudades do Macau do meu tempo!

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    1. Está pior, Carlos.
      Cheguei em 95.
      Comparar a Macau pacata, de vida sem stress, com bom nível de vida, boa qualidade do ar que se respirava, com a actual, é impossível :(

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  9. Acho que antes de tudo se devia ouvir as pessoas que residem porque são muitas vezes quem poderá levar por tabela por possíveis efeitos prejudiciais de um excesso de visitantes, e depois sem dúvida a opinião das pessoas que visitam. É só uma opinião :)

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    1. E eu concordo inteiramente com essa opinião, Poppy.

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