16 de novembro de 2018

O parto da prostituta


As palavras existem para serem ditas... em qualquer contexto. Culpa é de quem as interpreta fora do contexto...

Senão vejam:
O Parto da Prostituta.

O tipo está preso na esquadra, todo partido...
O advogado comparece para libertá-lo, e pergunta o que havia acontecido.
O cliente começa a explicar:
- Bem, eu estava a passar na rua e, de repente, vi um monte de gente a correr.
Estavam a ajudar uma prostituta, que acabava de dar à luz um lindo menino em plena rua.
Solidário, comprei um pacote de fraldas para presentear a prostituta.
Ao aproximar-me, um polícia com 2 metros de altura e 3 de largura, viu o pacote de fraldas nas minhas mãos e perguntou:
- Para onde vai isso?
E eu respondi:
- Vai pra p - - - que pariu.
Depois disso não me lembro de mais nada, mas já consigo abrir um olho.


BOM FIM-DE-SEMANA!

15 de novembro de 2018

Exército europeu – um passo à frente na política de defesa comum


Emmanuel Macron e Angela Merkel coincidem na proposta de criação de um exército europeu.
Uma proposta que irritou o irascível Donald Trump.
Que percebeu que é ele um dos principais responsáveis por a questão ser levantada neste momento.
O inconstante Trump não é confiável, é ignorante e é perigoso.
Algo que Merkel deixou mais ou menos claro ao discursar perante o Parlamento Europeu.
Um Parlamento Europeu onde se sentam cada vez mais eurocépticos, nacionalistas, populistas.
Se lhes juntarmos Trump nos Estados Unidos, Putin na Rússia, Xi Jinping na China, não custa muito perceber porque é que a proposta de criação de um exército europeu ganha especial acuidade.
Um exército que, como bem sublinharam Macron e Merkel, não se iria opor ou sobrepor à NATO, antes iria complementar aquela estrutura ao com ela cooperar.
A proposta faz todo o sentido até por representar um passo à frente na política de defesa comum da União Europeia, um pilar do desenvolvimento da União que está pouco mais que paralisado.
Mas uma proposta que, para ser concretizada, terá que vencer imensos obstáculos.
A começar pela desconfiança e os nacionalismos populistas que pretende combater, e a acabar na oposição americana que vê a sua posição militar hegemónica, e os seus ganhos económicos com a venda de armamento e tecnologia militar, bastante ameaçados.

Intemporais (141)


14 de novembro de 2018

Ano siguinte tudo genti tem aumento


Já passaram uns anos desde que o grande dinamizador da Dóci Papiaçam di Macau, o meu amigo Miguel de Senna-Fernandes, tornou a expressão "ano siguinte tudo genti tem aumento" famosa.
Foi num jantar com o anterior Chefe do Executivo, Edmund Ho, que o Miguel com esta expressão o “entalou” na promessa de aumentar os salários em Macau.
Deu risota, foi bem aceite, e foi uma promessa involuntária(?) mas cumprida.
O actual Chefe do Executivo deve ter-se lembrado deste episódio ao preparar as Linhas de Acção Governativa que vai apresentar já esta quinta-feira na Assembleia Legislativa.
Aquelas curtas palavras em Pequim, e aquele sorriso maroto, são facilmente descodificáveis – ano siguinte tudo genti tem aumento.
No último ano de governação, Chui Sai On vai “partilhar os frutos do desenvolvimento económico com a população” (sic).
Ano siguinte tudo genti tem aumento.
Os funcionários públicos vão ser aumentados (os tais 3.5% que são segredo), haverá aumento dos subsídios, das devoluções de impostos, reduções de outros impostos, aumento do valor pecuniário dos cheques anuais.
Não se esperam grandes novidades destas que serão as ultimas Linhas de Acção Governativa apresentadas por Chui Sai On.
Mas haverá de certeza muita$ novidade$.
Ano siguinte tudo genti tem aumento!

TESTE DO PÉ DIREITO


Que esperto é seu pé direito?
Tente, só leva 2 segundos.
1. Sentado numa cadeira em frente ao seu computador, erga o seu pé direito do chão e gire-o em círculos no sentido horário.
2. Agora, enquanto faz esse movimento, desenhe o número '6' no ar com a sua mão direita.
O seu pé mudará de direcção.
Eu avisei! 
E não há nada que você possa fazer sobre isso!



13 de novembro de 2018

Formação em línguas e boas maneiras?


O sector dos táxis, que insiste em manter-se à margem da lei, apresentou agora nova proposta que só pode ser encarada com mais uma prova da desfaçatez de quem acha que tudo pode porque tudo lhe é permitido.
Multas mais pesadas é uma má ideia, dizem os representantes destes meliantes.
E eu até concordo, não é com multas mais pesadas que se resolvem os problemas.
Até se podem agravar.
Porque essas multas se podem repercutir em mais casos de cobranças excessivas para fazer face aos “prejuízos” decorrentes dos encargos com a liquidação dessas multas.
O que já é o cúmulo da pouca vergonha é sugerir que os infractores vejam a licença de taxista suspensa, no máximo pelo período de um mês, para poderem receber formação em línguas e boas maneiras.
Formação? Em línguas e boas maneiras? Mas não era suposto que tivessem algum conhecimento de línguas e tivessem boas maneiras? E, a existir essa formação, seria custeada por quem?
Enquanto não houver coragem política para começar a cancelar licenças de táxis e taxistas, que os próprios donos das licenças dos táxis reconhecem ter muitas "ovelhas negras"(sic), não se resolve problema nenhum.
Até lá, todas estas manobras de diversão, bizarras, sem vergonha, não passam de papas e bolos.
Para enganar tolos.
Quando é que vamos de uma vez por todas deixar de ser tolos, e tratados como tolos, por gente que não merece o mínimo de respeito?

O Natal ficou sem Menino Jesus e tornou-se a festa do cone iluminado , por HELENA MATOS



De repente no meio da rua lá está aquela tranquitana metalico-luminosa a que chamamos árvore de Natal. E foi perante aquele cone iluminado, artefacto que nos sobrou devidamente expurgado de tudo o que possa identificar aquilo que somos, o que sentimos, o donde vimos, que me dei conta de como em nome da segurança, da tolerância, da saúde e de sei lá mais o quê estamos a criar um mundo faz de conta. Um mundo em que:
  • O bolo rei já não tem brinde.
  • O iogurte ficou sem lactose.
  • As natas perderam a gordura.
  • O leite vem da soja e não das vacas.
  • Os doces ficaram sem açúcar.
  • Os bolos não têm farinha.
  • O café perdeu a cafeína.
  • A manteiga ficou magra.
  • O pão não tem glúten.
  • O circo ficou sem leões, depois sem elefantes e agora sem animais.
  • A humanidade ficou sem sexos e dizem que está perder o interesse pelo sexo.
  • O namoro ficou sem palavras por causa do assédio.
  • A Bela Adormecida ficou sem beijo porque o príncipe foi acusado de abuso.
  • A Capuchinho Vermelho já não é salva pelo caçador que também deixou de caçar e o lobo ficou vegetariano.
  • Os maridos e as mulheres passaram a cônjuges.
  • Os parques infantis ficaram sem escorregas de verdade. E alguns sem baloiços.
  • Chama-se a televisão em vez da polícia.
  • Os brinquedos ficaram sem graça mas estão cheios de didatismo.
  • As crianças não têm tempo para não fazer nada.
  • A má educação tornou-sebullying.
  • Os pátios das escolas já não têm árvores nem terra.
  • As gaiolas ficaram sem grilos.
  • Os filhos não têm pai nem mãe mas sim progenitores.
  • As feiras não têm graça.
  • O atirei o pau ao gato ficou sem letra.
  • A mentira tornou-se inverdade.
  • A culpa é alegada.
  • A verdade inconveniente.
  • O artesanato é certificado.
  • A fruta não tem bicho.
  • Brincar é uma actividade devidamente monitorizada.
  • Os filmes não contam histórias, ilustram teses.
  • As universidades tornaram-se uma liga de costumes.
  • As coisas deixaram de ser o que são para se tornarem num dado a avaliar consoante o seu enquadramento numa perspectiva condicionada por diversas valências.
  • Tudo é relativo.
O Natal ficou sem Menino Jesus e tornou-se a festa do cone iluminado.

12 de novembro de 2018

E-mail para uma amiga


Novidades...

Conforme prometi, estou enviando um e-mail contando as novidades da minha primeira semana depois de ser transferida pela firma para o Rio de Janeiro. 
Terminei hoje de arrumar as coisas no meu novo apartamento. Ficou uma gracinha, mas estou exausta.

Segunda-Feira: 

Cheguei à firma e já adorei. 
Entrei no elevador e quase no mesmo instante que o homem mais lindo desse planeta. 
Ele é loiro, tem olhos verdes e o corpo musculoso parece querer arrebentar o terno.
 Lindo!
Estou apaixonada. 
Olhei disfarçadamente a hora no meu relógio e fiz uma promessa de estar parada defronte ao elevador todos os dias a essa mesma hora. 
Ele desceu no andar da engenharia. 
Conheci o pessoal do setor, todos foram atenciosos comigo. 
Até o meu chefe foi muito delicado.
Cheguei à minha casa e comi comida enlatada. Amanhã vou a um mercado comprar alguma coisa.

Terça-Feira: 

Amiga! Precisava contar. 
Sabe aquele homem de que falei? 
 Ele olhou para mim e sorriu quando entramos no elevador. Fiquei sem ação e baixei a cabeça.
 Como sou burra! Passei o dia no trabalho pensando que preciso fazer um regime. 
Olhei-me no espelho hoje de manhã e estou com uma barriguinha indiscreta. 
Fui ao mercado e só comprei coisinhas leves: biscoitos, legumes e chás. 
Resolvido! Estou de dieta.

Quarta-Feira: 

Acordei com dor de cabeça. 
Acho que foi a folha de alface ou o biscoito do jantar.
 Preciso manter-me firme na dieta. 
Quero emagrecer dois quilos até o fim-de-semana. 
Ah! O nome dele é Marcelo. 
Ouvi um amigo dele falando com ele no elevador. 
E ainda tem mais: ele desmanchou o noivado há dois meses e esta sozinho. 
Consegui sorrir para ele quando entrou no elevador e me cumprimentou. 
Estou progredindo, não? 
 Como faço para me insinuar sem parecer vulgar?
 Comprei um vestido dois números menores que o meu. 
Será a minha meta.

Quinta-Feira: 

O Marcelo me cumprimentou ao entrar no elevador, seu sorriso iluminou tudo!
 Ele me perguntou se eu era a arquiteta que viera transferida de Brasília e eu só fiz: "U-hum"... 
Ele me perguntou se eu estava gostando do Rio e eu disse: "U-hum". 
 Aí ele perguntou se eu já havia estado antes aqui e eu disse: "U-hum". 
Então ele perguntou se eu só sabia falar "U-hum" e eu respondi: "sim". 
Será que fui muito evasiva? 
 Será que eu deveria ter falado um pouco mais? 
Ai, amiga! Estou tão apaixonada!
Estou resolvida! Amanhã vou perguntar se ele não gostaria de me mostrar o Rio de Janeiro no final de semana. 
Quanto ao resto, bem... 
Ando com muita enxaqueca. 
Acho que vou quebrar meu regime hoje. 
 Estou fazendo uma sopa de legumes. 
Espero que não me engorde demais.

Sexta-Feira: 

Amiga! Estou arruinada!
 Ontem à noite não resisti e me empanturrei. 
Coloquei bastante batata-doce na sopa, além de couve, repolho e beterraba. 
 Menina! Sai de casa que parecia um caminhão de lixo. 
Soltava pum um atrás do outro! 
 (Nossa! Você não imagina a minha vergonha de contar isto, mas se eu não desabafar vou me jogar pela janela!).
 No metrô, durante o trajeto para o trabalho, bastava um solavanco para eu soltar um futum que nem eu mesma suportava. 
 Teve um momento em que alguém dentro do trem gritou:
"Fazer pum até pode, mas jogar merda em pó dentro do vagão é muita sacanagem!" 
Uma senhora gorda foi responsabilizada. 
Todo mundo olhava para ela, tadinha.
Ela ficou vermelha, ficou amarela, e eu aproveitava cada mudança de cor para soltar outro. 
O meu maior medo era prender e sair um barulhento.
 Eu estava morta de vergonha. 
 Desci na estação e parei atrás de uma moça com um bebê no colo, enquanto aguardava minha vez de sair pela roleta.
Aproveitei e soltei mais um. 
O senhor que estava na frente da mulher com o bebê virou-se para ela e disse: 
"Dona! E melhor a senhora jogar esse bebê fora porque ele esta estragado!". 
Na entrada do prédio onde trabalho tem uma senhora que vende bolinhos, café, queijo, essas coisas de camelô. 
 Pois eu ia passando e um freguês começou a cheirar um pastel, justo na hora em que o futum se espalhou. 
 O sujeito jogou o pastel no lixo e reclamou: 
"Poh, dona Maria! Esse pastel tá bichado!"
 Entrei no prédio resolvida a subir os dezasseis andares pela escada.
Meu azar foi que o Marcelo ficou segurando a porta, esperando que eu entrasse. 
Como não me decidia, ele me puxou pelo braço e apertou o botão do meu andar.
Já no terceiro andar ficamos sozinhos. 
Cheguei a me sentir aliviada, pois assim a viagem terminaria mais rápido. 
Pensei rápido demais.
O elevador deu um solavanco e as luzes se apagaram. Quase instantaneamente a iluminação de emergência acendeu. Marcelo sorriu (ai, aquele sorriso...) e disse que era a bruxa da sexta-feira.
 Era assim mesmo, logo a luz voltaria, não precisava se preocupar. 
 Mal sabia ele que eu estava mesmo preocupada.
Amiga, juro que tentei prender. 
 Mas antes que saísse com estrondo, deixei escapar. 
 Abaixei e fiquei respirando rápido, tentando aspirar ao máximo possível, como se estivesse me sentindo mal, com falta de ar. 
Já se imaginou numa situação dessas? 
 Fazer um pum e ficar tentando aspirar ao pum para que o homem mais lindo do mundo não perceba que foi você?
 Ele ficou muito preocupado comigo e, se percebeu o mau cheiro, não o demonstrou. 
Quando achei que a catinga havia passado, voltei a respirar normal. 
Disse para ele que eu era claustrofobia.
 Mal ele me ajudou a levantar, eu não consegui prender o segundo, que saiu ainda pior que o anterior.
 O coitado dessa vez ficou meio azulado, mas ainda não disse nada.
Abaixei novamente e fiquei respirando rápido de novo, como uma mulher em estado de parto. 
Dessa vez Marcelo ficou afastado, no canto mais distante de mim no elevador. 
Na ânsia de disfarçar, fiquei olhando para a sola dos meus sapatos, como se estivesse buscando a origem daquele fedor horroroso. 
Ele ficou no canto, impávido.
Nem bem o cheiro se esvaiu e veio outro. 
Ele se desesperou e começou a apertar a campainha de emergência. 
 Coitado! Ele esmurrou a porta, gritou, esperneou, e eu lá, na respiração cachorrinho.
Quando a catinga dissipou, ele se acalmou. 
 As lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos. 
 Ele me viu chorando, enxugou meus olhos e disse:
"Meus olhos também estão ardendo" Eu juro que pensei que ele fosse dizer algo bonito. 
Aquilo me magoou profundamente. 
Pensei: "Ah, é assim? Então acabou a respiração de cachorrinho”.
Depois disso, no primeiro ele cobriu o rosto com o paletó. 
 No segundo, enrolou a cabeça. 
 No terceiro, prendeu a respiração, no quarto, ele ficou roxo. 
 No quinto, me sacudiu pelos braços e berrou: 
"Mulher! Para de cagar!" 
Depois disso ele só chorava. 
 Chorou como um bebê até sermos resgatados, quatro horas depois. 
 Entrei no escritório e pedi minha transferência para outro lugar, de preferência outro País.

Apague este e-mail quando terminar de ler.

Sua amiga de sempre! 

Barriga das dores!


BOA SEMANA!

9 de novembro de 2018

Eu... na minha inocência...


Uma moça recorreu à justiça, acusando o namorado de a ter violado:
- Diga-me lá menina o que lhe aconteceu.
- Então o meu namorado convidou-me para dar um passeio no seu carocha...
- E a menina foi?
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência, fui!...
- E conte lá, depois...
- Depois parou o carro numa mata...
- E a menina não disse nada?
- Ó senhor juiz, eu na minha inocência, pensei...
- Sim, mas conte lá...
- Depois começou a fazer-me umas festinhas...
- E a menina não reagiu?
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência...
- E depois, que lhe fez ele mais?
- Tirou-me as cuequinhas e...
- E a menina deixou?...
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência deixei...
- Então e a seguir?
- A seguir mandou-me ir para o banco de trás...
- E a menina foi?
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência fui!
- Foi e depois?
- Depois abriu-me as pernas...
- E a menina não estranhou?
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência...
- Abriu as pernas e?...
- Disse-me para as estender e enfiou-me cada um dos pés naquelas pegas que estão por cima das portas.
- E a menina não resistiu?
- Ó senhor doutor juiz, eu na minha inocência ...
- Ó menina vá-se embora que inocente sou eu que tenho carro há 20 anos e não tinha percebido para que servem as pegas!


BOM FIM-DE-SEMANA!

8 de novembro de 2018

Same same but different


Nem azul, nem vermelho, ficou tudo em meias-tintas nas eleições intercalares nos Estados Unidos.
Os dois lados clamam vitória sabendo perfeitamente que nenhum deles verdadeiramente ganhou.
Mas também nenhum claramente perdeu.
Os Democratas recuperaram o controlo da Câmara dos Representantes e podem com isso complicar a governação de Donald Trump.
Mas apenas parcialmente.
Porque, com a maioria reforçada no Senado, os Republicanos poderão ter sempre a última palavra.
E, mais importante, continuarão a controlar as importantes nomeações para o Supremo Tribunal, que permanecerão muito para além da governação Trump.
Goste-se ou não, se estas eleições eram encaradas como um teste à popularidade do controverso Presidente norte-americano, Trump tem razões para sorrir.
Um sorriso contido, algo embaraçado, porque a derrota na Câmara dos Representantes, a eleição de elementos ligados a minorias que Trump claramente ostraciza, não deixam espaço para grandes celebrações.
Os resultados das eleições devem ter deixado Democratas e Republicanos com aquela sensação de quem degusta comida sem tempero.
E acentuaram a convicção de profunda divisão social e política que se sentia nos Estados Unidos depois da eleição de Trump.
O que, se pode ser um problema, não deixa de obrigar a que haja negociações e entendimentos políticos para garantir a governabilidade do país e assim impedir uma excessiva concentração de poderes em qualquer dos Partidos.
Bipartidirismo reforçado num país profundamente dividido, o que significa que poucas alterações significativas resultaram destas eleições intercalares nos Estados Unidos.
O célebre same same but different.

Intemporais (140)

7 de novembro de 2018

E os oitavos ali tão perto


Vitória, goleada, dez pontos, dois jogos para jogar, um ponto para garantir os oitavos-de-final nesta edição da Liga dos Campeões.
É este o balanço do Futebol Clube do Porto (Porto) depois do jogo de ontem com o Lokomotiv de Moscovo.
O apuramento ainda não está matematicamente garantido, os dez pontos já deixaram fora da competição o Porto e outros clubes, mas o panorama é muito favorável.
Garantida está a continuidade nas provas europeias, seja na Liga dos Campeões ou na Liga Europa.
E a certeza que no Dragão mora uma equipa que respira confiança, que apresenta várias alternativas de qualidade, sobretudo na zona central do campo.
E que está em perfeita comunhão com a equipa técnica e os adeptos.
Um momento que permite ultrapassar a ausência de Aboubakar e de Soares e ainda assim vencer, convencer e marcar muitos golos.
Sérgio Conceição tem sabido retirar o máximo dos jogadores que tem ao seu dispor.
Sente-se que há uma cumplicidade entre o treinador e os jogadores, uma resposta destes à exigência daquele, que só beneficia a equipa.
Personificações dessa realidade, um fantástico Óliver Torres, um Herrera que esquece as discussões à volta da renovação do seu contrato para se concentrar no jogo, um Otávio que salta do banco motivado para jogar e marcar.
Na próxima jornada o Porto recebe o Shalke, o segundo classificado do grupo, e poderá não só assegurar o apuramento  mas também o primeiro lugar no grupo.
Confiança para tanto parece não faltar.

Galileu Galilei


6 de novembro de 2018

Garcia Leandro e Tancos


De visita a Macau, o general Garcia Leandro, primeiro Governador de Macau pós-25 de Abril, quando inquirido acerca dos acontecimento em Tancos, mostrou mais uma vez a sua sensatez e sentido de responsabilidade.
Perguntado como é que poderia ter ocorrido semelhante trapalhada, Garcia Leandro respondeu com um simples, directo e óbvio – não podia.
Para acrescentar que não se queria alongar muito na análise do tema porque tinha vergonha de tudo o que aconteceu.
O general Garcia Leandro resumiu aquilo que qualquer português mediano sente.
Independentemente de qualquer juízo de natureza castrense, o que se sente perante este episódio rocambolesco de armas que desaparecem, reaparecem, a mais, a menos, é incredulidade e vergonha.
O que é que aconteceu exactamente em Tancos?
Quem é que foi concretamente responsável, autor material, que disputas de poder estão envolvidas, quem sabia o quê, quem ocultou o quê?
Tudo perguntas que ainda não têm resposta, que não sabemos se alguma vez terão.
E é essa incerteza que acentua os sentimentos de incredulidade e vergonha.
Tancos não podia ter acontecido.
Mas aconteceu.
Uma vez que aconteceu, doa a quem doer, queremos todos saber tudo e ver punidos exemplarmente todos os responsáveis.
Porque a demissão de um ministro não é suficiente nem responde a nada.

Supermercado do futuro