21 de janeiro de 2019

'Mor já volto



Reza a história que um casal de recém casados, com apenas 2 semanas de casamento, o marido que apesar de feliz, já estava com uma vontade reprimida de sair com a malta para fazer a festa. 
Assim ele diz à sua queridinha:
- 'Mor já volto! 
- Onde vais meu docinho? ( com expressão de recém casados)
- Ao barzinho, beber uma geladinha.
A mulher põe a mão na cintura e responde-lhe:
- Queres uma cervejinha, meu amor???
E nesse momento abre a porta do frigorifico mostra-lhe 25 marcas diferentes de cervejas de 12 países: alemãs, holandesas, japonesas, americanas, mexicanas, etc. 
O marido sem saber o que fazer, responde-lhe:
- Meu docinho de coco... mas no bar... sabes...o copo é gelado.
O marido não tinha acabado de falar, quando a esposa interrompe a sua conversa e diz:
- Queres um copo gelado, 'mor?
Nesse momento a esposa tira do congelador um copo bem gelado, branco, branco, que até tremia de frio. 
Então o marido responde:
-Mas meu céu, no bar tenho aqueles salgadinhos óptimos...Já volto ok?
- Queres salgadinhos meu amor???
A mulher abre o forno e tira 15 pratos de diferentes salgadinhos: bolinhos de bacalhau, rissois, pipocas,amendoins,pasteis de carne,empadinhas...
- Mas minha bonequinha... lá no bar... sabes... as piadas, os palavrões,tudo aquilo...
- Queres palavrões meu amor?
ENTÃO VAI PRO C......., MAS DAQUI TU NÃO SAIS, MEU F.... DA P.....!!!


BOA SEMANA!

18 de janeiro de 2019

Sinais de envelhecimento (escrito por uma senhora confiante)


Depois de uma reunião, eu saí da igreja e procurei as chaves do meu carro. 
Elas não estavam na bolsa.
Uma busca rápida na sala de reunião, e não estava lá também.

De repente, percebi que devia tê-las deixado no carro.

Meu marido já havia brigado muitas vezes por deixar as chaves na ignição.

Minha teoria é que a ignição é o melhor lugar para não perdê-las .......
A teoria dele é que o carro será roubado se a chave for deixada na ignição!

Imediatamente, eu corri para o estacionamento e cheguei a uma conclusão terrível ...
A teoria do meu marido estava certa. 
O carro não estava no estacionamento .

Eu imediatamente chamei a polícia. Dei-lhes a minha localização, a descrição do carro, o lugar onde estacionei, etc. Confessei igualmente que deixara as chaves no carro e que o carro tinha sido roubado.

Então fiz a chamada mais difícil de todas, para meu marido,
"Fofo (eu gaguejei; sempre o chamo de "fofo" em momentos como esse), deixei minhas chaves no carro ... e foi roubado."

Houve um grande silêncio. 
Achei que a ligação havia sido interrompida, mas então ouvi sua voz.
Ele gritou: "Eu deixei você na igreja!"

Agora era a minha hora de ficar em silêncio. 
Envergonhada e feliz também, eu disse: 
"Bem, então por favor venha me buscar".

Ele gritou novamente: 
"Eu vou assim que convencer esse policial que não roubei seu carro!"


BOM FIM-DE-SEMANA!

17 de janeiro de 2019

Pot calling the kettle black


Quem conhece a expressão “pot calling the kettle black”?
E quem conhece a expressão “diz o roto ao nu – porque não te vestes tu”?
Pois, são equivalentes.
Mas convenhamos que o toque anglófono enriquece sempre qualquer texto.
Ao ouvir Nicolás Maduro achincalhar publicamente Jair Bolsonaro é inevitável a associação mental a estas expressões.
Maduro está furioso com o seu homólogo brasileiro porque este não só não enviou nenhum representante à tomada de posse do fantoche venezuelano como ainda teve a desfaçatez de reconhecer o seu maior adversário como legítimo vencedor das eleições.
Consequentemente, como verdadeiro líder do país por ter sido livremente escolhido pelo povo.
Maduro, retaliando no seu habitual tom exaltado, resolveu insultar Bolsonaro apelidando-o de Hitler moderno.
Quem assiste a esta ópera bufa não evita o sorriso e a imediata associação a uma das expressões supracitadas.
Maduro a insultar Bolsonaro?
Vamos deixar os floreados e vamos pensar na sabedoria popular portuguesa – “venha o diabo e escolha”.

Intemporais (149)

16 de janeiro de 2019

Should I Stay or Should I Go


Como já se previa, Theresa May e o acordo para o Brexit que apresentou ao Parlamento, sofreram uma estrondosa derrota.
Um resultado que só surpreende pela dimensão da derrota sofrida, não pela derrota enquanto tal.
E um resultado que deixa Theresa May, que resolveu assumir o Brexit como um desígnio próprio, sem condições para continuar à frente do executivo britânico.
A moção de censura que Jeremy Corbyn se apressou a apresentar, como de resto prometera, e que será votada hoje, muito provavelmente só irá confirmar o inevitável - o fim político de Theresa May.
Se esse resultado se verificar fica o Reino Unido mergulhado numa crise política muito complicada e a União Europeia à espera para ver o que se segue.
A provável aprovação da moção de censura terá como consequência imediata a queda do executivo liderado por Theresa May e a convocação de eleições antecipadas.
Só depois dessas eleições, e da formação de um novo executivo, se poderá de alguma forma perceber o que acontecerá com o processo do Brexit.
Neste momento, e em teoria, todas a hipóteses estão em aberto.
Inclusivamente uma marcha atrás no processo de saída da Grã-Bretanha da União Europeia, novas negociações, inclusivamente um novo referendo na Grã-Bretanha.
A mesma Grã-Bretanha que, ao som dos Clash, se vira agora para a União Europeia e questiona Should I Stay or Should I Go.

Lição do passado que vale a pena conhecer


D. Pedro ll do Brasil (reinou de 1840 a 1889) 

Quando D. Pedro II do Brasil subiu ao trono, em 1840, 92% da população brasileira era analfabeta. Em seu último ano de reinado, em 1889, essa percentagem era de 56%, devido ao seu grande incentivo a educação, a construção de faculdades e, principalmente, de inúmeras escolas que tinham como modelo o excelente Colégio Pedro II.

A Imperatriz Teresa Cristina cozinhava as próprias refeições diárias da família imperial apenas com a ajuda de uma empregada (paga com o salário de Pedro II).

(1880) O Brasil era a 4º economia do Mundo e o 9º maior Império da história.

(1860-1889) A média do crescimento econômico foi de 8,81% ao ano.

(1880) Eram 14 impostos, atualmente são 98.

(1850-1889) A média da inflação foi de 1,08% ao ano.

(1880) A moeda brasileira tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina.

(1880) O Brasil tinha a segunda maior e melhor marinha do Mundo, perdendo apenas para a da Inglaterra.

(1860-1889) O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

(1880) O Brasil foi o maior construtor de estradas de ferro do Mundo, com mais de 26 mil km.

A imprensa era livre tanto para pregar o ideal republicano quanto para falar mal do nosso Imperador.

"Diplomatas europeus e outros observadores estranhavam a liberdade dos jornais brasileiros" conta o historiador José Murilo de Carvalho. Mesmo diante desses ataques, D. Pedro II se colocava contra a censura. "Imprensa se combate com imprensa", dizia.

O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de “O Guarani” foi sustentado por Pedro II até atingir grande sucesso mundial.

Pedro II mandou acabar com a guarda chamada Dragões da Independência por achar desperdício de dinheiro público. Com a república a guarda voltou a existir.

Em 1887, Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge.

D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que 17 era fluente.

A primeira tradução do clássico árabe “Mil e uma noites” foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.

D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes.

Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.

A mídia ridicularizava a figura de Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total liberdade de expressão e nenhuma censura.

D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exílio sempre com um saco de veludo ao bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele.

15 de janeiro de 2019

Quo vadis PSD?


O PSD é um dos grandes Partidos do espectro político em Portugal.
Em número de militantes, de simpatizantes, de deputados, de mandatos autárquicos.
Mas nos últimos tempos tem andado absolutamente perdido e progressivamente a perder as suas bases de apoio.
Quando se esperava do PSD uma oposição responsável e construtiva, uma alternativa à governação da “geringonça”, eis que o ausente PSD resolve dizer presente.
Mas resolve dizer presente da pior maneira possível.
Não com novos projectos, novas ideias, novas caras, antes com uma luta de barões pelo poder dentro das estruturas do Partido.
Não há estratégia de governação, de oposição, de poder.
Há uma discussão dentro do Partido sobre quem pode/deve ocupar o(s) poleiro(s).
O descrédito cresce à medida que as intenções de voto minguam.
A ausência de uma liderança forte, carismática, é demasiado visível e conduz a estas disputas com o seu quê de patético, para citar Francisco Pinto Balsemão.
E, consequentemente, uma maioria absoluta do PS ganha força a cada dia que passa e o descontrolo do PSD se torna mais evidente.
Quo vadis PSD?

A esperança digna de espanto (P. José Tolentino Mendonça)


NÃO PODEMOS VIVER SEM ESPERANÇA, MAS ESTA NÃO É UMA TAREFA ESTÁVEL E FÁCIL. MUITO PELO CONTRÁRIO

Os gregos descreviam a experiência humana partindo de três dimensões. Trata-se de uma visão ancestral, mas que podemos acompanhar ainda. A primeira dimensão seria a da memória (mnemis), que fornece a base primária daquele conhecimento que torna viável a vida. Sem a memória teríamos de reaprender tudo, a cada instante. É por ela, por exemplo, que dormimos e, no dia seguinte, somos capazes de andar, capazes de comer, de reconhecer o mundo a nosso lado, de saber quem somos. Se a todo o momento tivéssemos de perguntar, “como se caminha?”, “como se fala?”, “como se ama?”, a vida emergiria lentíssima e, certamente, muito diversa. Outra dimensão fundamental para os gregos seria a aesthesis, isto é, a perceção sensível do presente. A nossa experiência concretiza-se numa prática sensorial: podemos ver, ouvir, cheirar, tocar, sentir. A vida é tátil, é isto de que nos podemos aproximar, é o que trazemos entre mãos. Mas atenção: a vida não se resume apenas à memória e ao presente que apreendemos com os sentidos. Os antigos nomeavam uma ulterior e necessária dimensão, que chamavam esperança (elpis), explicada como a consciência de que havia um além, um amanhã. A ideia de um futuro foi sempre tida também como determinante, mesmo se para os gregos a esperança era uma coisa na qual não se podia propriamente confiar. Píndaro explicita-o bem quando relata que, no princípio, os deuses colocaram todas as coisas boas para o homem dentro de um vaso e lhe puseram uma tampa, com a proibição de removê-la. Mas o homem avizinhou-se do vaso e destapou-o. Quando fez isso, todas as coisas saíram de repente e o único bem que ficou dentro foi a esperança, a esperança daquelas coisas perdidas.

Creio que daqui se extrai uma dupla conclusão: não podemos viver sem esperança, mas esta não é uma tarefa estável e fácil. Muito pelo contrário. No extraordinário poema que lhe dedicou Charles Péguy (e que Armando Silva Carvalho traduziu magnificamente para a nossa língua) garante-se que a única realidade que deixa o próprio Deus espantado, em relação ao homem, é a esperança: “Não é a fé que me espanta.../ A caridade, diz também Deus, essa não me espanta.../ Mas a esperança, diz Deus, essa sim causa-me espanto./ Essa sim, é digna de espanto./ Que essas pobres crianças vejam como tudo acontece/ E acreditem que amanhã será melhor./ Que elas vejam o que se passa hoje e acreditem/ que amanhã de manhã será melhor./ Isso é espantoso e essa é a maior maravilha da nossa graça./ E isso a mim mesmo me espanta.”

A ideia de um futuro foi sempre tida também como determinante, mesmo se, para os gregos, a esperança era uma coisa na qual não se podia propriamente confiar

A esperança não é um lenitivo que adormece a dor até que ganhemos coragem para tratar a sério da vida, mas uma força que já hoje nos motiva para a transformação da história. A esperança não é um adiamento, mas um compromisso. Não é uma abstração idealizada, mas um dinamismo concreto, uma laboriosidade, um fazer. Precisamos de uma educação para a esperança.

Sobre o seu significado profundo, e de como se pratica, há aquela história do velho monge que se propunha alcançar o cimo de uma montanha e que, numa das etapas iniciais do caminho, pernoita numa estalagem. O estalajadeiro repara na sua fragilidade e tenta dissuadi-lo, enumerando os perigos que o espreitam, e que certamente acabarão por vencê-lo. O monge, porém, respondeu: “Tenho a certeza de que chegarei lá.” “E como é que um homem fraco como tu pode ter semelhante certeza? Para mais, vem aí um inverno duro.” O ancião retorquiu: “Coloquei lá em cima o meu coração e por isso sei que, mesmo assim inseguros, os meus passos hão de chegar lá.”
in Expresso, 12.01.2019

14 de janeiro de 2019

O poeta e o alentejano


Em noite de feroz inspiração, um poeta foi passear pelo campo e, topando com um alentejano que contemplava o luar, disse-lhe:
- És um amante do belo! Acaso já viste também os róseos-dourados dedos da aurora tecendo uma fímbria de luz pelo nascente, ou as sulfurosas ilhotas de sanguíneo vermelho pairando sobre um lago de fogo a esbrasear-se no poente, ou as nuvens como farrapos de brancura obumbrando a lua, que flutua esquiva, sobre um céu soturno?
- Ultimamente, não!... - respondeu o alentejano, pasmado - Há mais de um ano que não me meto nos copos!



BOA SEMANA!

11 de janeiro de 2019

Há que ter cuidado com os espiões


Nos tempos da Guerra Fria, um espião escapou do KGB russo.

Prestes a ser capturado, na fuga colide com uma freira a quem pede que o esconda debaixo do hábito.

Quando os agentes do KGB se cruzam com a freira, perguntam-lhe se tinha visto um homem suspeito em fuga.

A religiosa informa-os de que não tinha visto nada, e os agentes seguem o seu caminho.

Depois do perigo passado, o espião sai debaixo do hábito da freira e diz:

- Obrigado, irmã, por ter-me salvado de ser capturado pelo KGB.

- Fi-lo com muito gosto - responde a freira.

- Se mo permitir, tenho que dizer-lhe, irmã, que você tem umas pernas muito formosas. Não notou o leve beijo que lhe dei nos tornozelos?

- É claro que sim.

- E não sentiu, pouco depois, os meus beijos fogosos nos seus joelhos?

- Evidentemente.

- Imagino que também notou quando fui subindo e lhe passei a língua nas coxas?

- Sem dúvida que o notei, claro.

- E o que poderia ter sucedido, irmã, se eu tivesse continuado a subir e a subir?

- Aí penso que me terias lambido os tomates.
Ou achas que és o único espião que anda por aqui?


BOM FIM-DE-SEMANA!

10 de janeiro de 2019

Donald Trump e Joe Wong


Continuam paralisados os serviços públicos nos Estados Unidos da América.
O famoso shutdown que tem preenchido os espaços noticiosos e que resulta de um jogo de teimosia e paciência entre Donald Trump e um Congresso que não lhe faz as vontades.
Mimado, birrento, Donald Trump insiste em ver aprovadas as verbas que lhe permitam finalmente construir o muro que prometeu construir e que é para ele uma espécie de brinquedo novo que lhe é negado.
Uma realidade que Trump desconhece e que o deixa sem chão.
Seja de betão, de aço, mesmo que não seja o México a pagar, estejam os serviços públicos paralisados ad eternum, Donald Trump tem que ter o seu muro.
Daqui, desta Região Administrativa Especial de Macau, que felizmente não conhece muros, incentivo Donald Trump e os seus fiéis a ouvirem o fantástico stand up comedian de origem chinesa Joe Wong, no Late Show de Stephen Colbert, a explicar a inutilidade dos muros.
Não afastam os perigos, não impedem a entrada de indesejados, e só séculos mais tarde ganham utilidade como atracções turísticas.
Eu sei que não é a Fox News mas espero que Donald Trump faça um esforço e tente ver e ouvir Joe Wong.
Afinal não se diz habitualmente, e Joe Wong relembra, que rir é o melhor remédio?
Pode ser que resulte.

Intemporais (148)

9 de janeiro de 2019

Respeito e tolerância têm limites


Considero-me uma pessoa respeitadora de pontos de vista diferentes e tolerante em relação a ideias claramente opostas às minhas.
Como em tudo na vida, há limites para o respeito e a tolerância.
Não me merece qualquer respeito, não consigo tolerar, quem advoga a interdição da entrada de mulheres “impuras” (sic) em templos onde apenas queiram expressar a sua crença na divindade ali representada.
Em pleno século XXI considerar impura uma mulher em idade fértil é simplesmente estúpido e ofensivo.
Mulheres entre os 10 e os 50 anos, que só porque uma condição natural do corpo feminino (a menstruação) as distingue dos restantes seres humanos são ostracizadas, é algo que não me merece qualquer respeito, não me suscita qualquer tolerância.
Apenas me revolta e me enoja.
Cada vez mais as religiões, todas as religiões, se afastam da mais simples lógica, da mais básica inteligência.
E, com esse afastamento, chegam a um total desfasamento com a realidade à medida que vão perdendo fieis e ganhando radicais.
O que aconteceu em Kerala devia ser natural, é a lei da vida e é a consagração prática da lei positiva tal como foi interpretada pelo Supremo Tribunal do país. 
Impuro, em boa verdade, é quem pensa de forma diferente desta.

8 de janeiro de 2019

Samba de uma nota só


Tom Jobim estaria muito longe de pensar que a sua famosa balada podia ser utilizada para fazer referência a Bolsonaro e ao seu governo.
Mas, vendo os ministros escolhidos, e ouvindo os seus discursos, realmente somos forçados a pensar num samba de uma nota só.
Uma nota muito triste, deprimente, assustadora.
Ouvir a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, falar numa “nova era” no Brasil, para em seguida afirmar que meninas passam a vestir cor de rosa e meninos azul, é efectivamente triste, deprimente, assustador.
Recuamos aos tempos em que a igualdade dos sexos era uma miragem, a homossexualidade uma doença?
Quando ouvimos a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, sublinhe-se a pasta, ouvir dizer com visível agrado estas alarvidades, temos todas as razões para temer que assim seja.
Muito mais depois de a mesma ministra ter afirmado que a menina passava a ser princesa e o menino príncipe.
Não é um mundo de contos infantis, de Barbie e Ken, é o Brasil que Bolsonaro e os seus fiéis seguidores sonham.
Um Brasil homofóbico, intolerante, culturalmente castrado e subordinado à ditadura de um samba de uma nota só.

PAI NOSSO PARA 2019 (Frei Bento Domingues, O.P.)



1. Dizem-me que ando distraído das estatísticas das religiões que, na Europa, manifestam um inquietante declínio. O cristianismo não revela qualquer estratégia adequada para inverter essa situação. A laicidade do Estado, mal entendida, teria conduzido a sociedade para os braços do maior adversário da fé cristã: a indiferença.
O Islão aposta nesse vazio. Estaria, ao que parece, cada vez mais dominado pelas correntes e organizações islamitas, que, a bem ou a mal, pretendem ser a religião europeia do futuro.
Por outro lado, invocar o nome de Deus em vão era considerado um pecado grave. Acaba de sagrar a tomada de posse do Presidente do Brasil. As chamadas “igrejas evangélicas” têm abundantes passagens do Antigo Testamento para apoiar a sua retórica banhada de propósitos guerreiros.
À primeira vista, violência e religião nunca deveriam poder andar associadas. A história mostrou e mostra que, por diversas loucuras, andaram e andam muito juntas.
 A religião é, por natureza, a dilatação transcendente do ser humano. Mas também pode ser entendida como um mecanismo de autoprotecção. Um indivíduo ou um grupo sentem-se mais seguros se alguém superior – uma divindade, por exemplo – os proteger em todas as dimensões da vida: espirituais e materiais. Nesse sentido, defender a sua religião é defender todos os seus interesses. Quem a puser em causa ameaça toda a sua vida. Daí nasce o elo entre violência e religião: defender-se do inimigo. A melhor defesa é destruí-lo. Procura, por esse caminho, salvar a própria identidade. É uma explicação simples para a história da violência ligada ao fenómeno religioso e às suas expressões. Nessa perspectiva, a salvação de uns é a perda dos outros.
Não é inevitável que assim seja. A tolerância não é um desprezo pelas convicções de cada pessoa ou grupo. É a atitude de quem reconhece que não é dono da verdade, mas apenas um seu peregrino. Para erradicar as ligações entre religião e violência, o melhor é a promoção da liberdade religiosa para todos, menos para aquelas actividades que a procuram destruir.
Quem deseja a liberdade religiosa não é um apóstolo da indiferença perante os valores. Reconhecer o direito a ser ou não ser religioso é um apelo à seriedade na busca livre do sentido da vida.
Procurar a verdade e testemunhar essa busca não tem nada a ver com a violência. Testemunha algo que é essencial à vida: nunca se acomodar aos passos já dados. O infinito não tem limites.
2. A oração é uma atitude comum a todas as religiões. A qualidade da oração diz muito acerca da natureza de uma determinada religião. Se à crença numa divindade está ligado o prémio e o castigo, tem de negociar com ela. Tem de evitar a sua ofensa e pedir perdão pelo pecado cometido. É uma transposição para o sagrado do que se passa nas relações humanas de inferior para superior. Em caso de muita incerteza, importa contar com bons intermediários. Como se diz, quem tem amigos não morre na cadeia.
Não vou apresentar uma tipologia de todas as formas de oração nas diferentes religiões ou das atitudes espontâneas de cada pessoa perante o mistério da história pessoal e do mundo.
No plano cristão, a oração mais prestigiada e mais comentada é o Pai-Nosso. Costuma dizer-se que é a própria síntese do Evangelho de Cristo. Até está escrito que foi Ele que pediu para se rezar assim.
Recomendo a consulta da tradução e das notas de Frederico Lourenço aos textos de Mateus e Lucas.
O Papa Francisco, na 2ª catequese sobre o Pai Nosso, no seu inconfundível estilo, diz o mais importante: «Jesus põe nos lábios dos seus discípulos uma prece breve, audaz, formada por sete pedidos, um número que na Bíblia não é casual, indica plenitude. Digo audaz, porque se Cristo não a tivesse sugerido, provavelmente nenhum de nós — aliás, nenhum dos teólogos mais famosos — ousaria rezar a Deus desta maneira.
«Com efeito, Jesus convida os seus discípulos a aproximarem-se de Deus e a confidenciar-lhe alguns pedidos: antes de tudo em relação a Ele e depois em relação a nós. Não há prefácios no Pai Nosso. Jesus não ensina fórmulas para adular o Senhor, aliás, convida a pedir-lhe abatendo as barreiras da reverência e do medo. Não diz para se dirigir a Deus chamando-lhe Omnipotente, Altíssimo, Tu, que estás tão distante de nós, eu sou miserável: não, não diz assim, mas simplesmente Pai, com toda a simplicidade, como as crianças se dirigem ao pai. E esta palavra Pai, expressa a confidência e a confiança filial».
3. O que talvez se esqueça, nos comentários ao Pai Nosso, é a raiz do contencioso de Jesus com a sua família de Nazaré, com a família dos discípulos e com o facto de ele nunca ter constituído uma família pessoal. Procurou fazer família com quem não era da família. Daí o escândalo que provocou.
O Pai Nosso exprime o mundo por que lutou e a missão que deixou aos discípulos, a missão que nos cabe. Nada acontece de forma mágica. É uma forma de viver e de intervir em relação ao que ainda falta, ao advento do Reino de Deus no mundo.
Dizer o Pai Nosso e julgar que as pessoas passam, automaticamente, a considerarem-se como irmãs não seria milagre, mas um exercício ilusionista.
O Pai-Nosso é um programa de missão para a Igreja e para todos os que trabalham por uma humanidade una, com os mesmos direitos. Por não se encarnar o Pai-Nosso como uma missão do dia-a-dia, semana-a-semana, ano-a-ano, uma ousadia pode tornar-se banalidade verbal.
Foi o que o Papa Francisco afirmou na quarta-feira passada: "Quantas vezes vemos o escândalo dessas pessoas que passam o dia na igreja, ou que lá vão todos os dias, e depois vivem a odiar ou a falar mal dos outros". Nesse caso, “o melhor é nem ir à igreja”. "Se vais à igreja, então vive como filho, como irmão, dá um verdadeiro exemplo". Os hipócritas rezam "para serem vistos pelas pessoas". "Os pagãos acreditam que se reza a falar, a falar, a falar. Eu penso em muitos cristãos que acreditam que rezar é falar com Deus, salvo seja, como um papagaio. Não! Rezar faz-se com o coração, a partir do interior".
Começamos um novo ano. Os interesses dos cristãos de todo o mundo, para além do que as ciências, as técnicas, a economia, as políticas e as criações artísticas prometem, não podem esquecer a alma de tudo espelhada na oração que o Senhor nos deixou. Um programa de vida a inventar como o pão nosso de cada dia.
in Público, 06. 01. 2019