27 de maio de 2016

Albert Einstein


Nobel de Física em 1921, gozava de uma rapidez mental própria de um humorista genial.

*1*

Um jornalista perguntou a Einstein:
- "O senhor poderia me explicar a Lei da Relatividade?"
E Einstein lhe respondeu:
- "O senhor pode me explicar como se frita um ovo?"
O jornalista o olhou intrigado e respondeu:
- "Claro que sim, posso."
Ao que Einstein replicou:
- "Bem, então o faça, mas imaginando que eu não saiba o que é um ovo, nem uma frigideira, nem o óleo, nem o fogo"..

*2*
Durante o nazismo, Einstein, por ser judeu, teve que suportar uma guerra contra si a fim de desprestigiar suas investigações.
Uma dessas tentativas se deu, quando reuniram as opiniões de 100 cientistas, que contradiziam as de Einstein, editadas num livro chamado "Cem autores contradizem Einstein".
A isto Einstein respondeu:
- "Por que cem? Se eu estivesse errado, bastaria somente um.

*3*
Em uma conferência que Einstein fez num Colégio da França, o escritor francês Paul Valery lhe perguntou:
- "Professor Einstein, quando tem uma ideia original, o que faz? A anota num caderno ou em uma folha solta?"
Ao que Einstein respondeu:
- "Quando tenho uma ideia original, não a esqueço."

*4*
Einstein teve três nacionalidades: alemã, suíça e norte-americana.
Ao final de sua vida, um jornalista lhe perguntou que possíveis repercussões estas mudanças tiveram sobre sua fama.
Einstein respondeu:
- "Se minhas teorias tivessem se tornado falsas, os americanos diriam que eu era um físico suíço, os suíços que eu era um cientista alemão, e os alemães que eu era um astrônomo judeu".

*5*
Conta-se que em uma reunião social, Einstein encontrou com o ator Charles Chaplin. No transcurso da conversa, Einstein disse a Chaplin:
- "O que sempre admirei em si é que sua arte é universal, todo mundo o compreende e o admira".
Ao que Chaplin respondeu:
- "A sua é muito mais digna de respeito: todo mundo o admira e praticamente ninguém o compreende".

*6*
E por último, uma das brincadeiras favoritas, que Einstein contava em reuniões com políticos e cientistas.
Conta-se que, nos anos vinte, quando Albert Einstein começava a ser conhecido por sua Teoria da Relatividade, era com frequência solicitado pelas Universidades a dar conferências. Como não gostava de dirigir, mas o automóvel era muito mais cômodo para seus deslocamentos, contratou os serviços de um motorista. Depois de vários dias de viagem, Einstein comentou com o motorista, como era aborrecido repetir a mesma coisa todas as vezes.
- "Se quiser - disse-lhe o motorista - posso substituí-lo por uma noite. Ouvi sua conferência tantas vezes que a posso recitar, palavra por palavra."
Einstein concordou e, antes de chegar ao lugar seguinte, trocaram suas roupas e Einstein tomou a direção.
Chegaram à sala onde se ia celebrar a conferência e, como nenhum dos acadêmicos presentes conhecia Einstein, não se descobriu a farsa.
O motorista expôs a conferência, que havia ouvido tantas vezes Einstein repetir.
Ao final, um professor na audiência lhe fez uma pergunta.
O motorista não tinha nem ideia de qual poderia ser a resposta, mas teve uma fagulha de inspiração e lhe respondeu:
- A pergunta que o senhor me faz é tão simples, que deixarei que a pessoa que está ao fundo da sala, e é meu motorista, a responda.


BOM FIM-DE-SEMANA!

26 de maio de 2016

De menino rebelde a aluno exemplar


O Eurogrupo, após longas negociações (mais de um ano), aprovou um novo pacote de auxílio à Grécia.
Com o FMI a defender um alívio da dívida grega, vingou a posição do Eurogrupo e o pacote de 10,3 biliões de euros será disponibilizado faseadamente  desde que se mostrem cumpridas todas as premissas exigidas pelos credores ao Executivo grego.
Credores que deixaram de olhar para a Grécia e o Syriza como meninos rebeldes e os passaram a ver como alunos exemplares.
Esta mudança radical de opinião está directamente relacionada com o que tem sido o comportamento das autoridades gregas, com corolário na aprovação de um novo pacote de medidas de austeridade por parte do Parlamento grego no passado domingo.
Um novo programa de privatizações, uma forte subida de impostos (a Grécia passa a ter o IVA mais alto da União Europeia), um caderno de encargos em tudo oposto ao programa que Alexis Tsipras e o Syriza tinham apresentado aos eleitores gregos e com base no qual foram eleitos.
Tsipras aceitou o braço-de-ferro com as autoridades europeias sem certamente ter lido Sun  Tzu e acolhido os seus ensinamentos.
Se o tivesse feito, Tsipras teria aprendido que se o inimigo é seguro é necessário estar preparado para ele.
Se esse inimigo for mais forte, deve ser evitado, fingir-se fraco e deixar o inimigo tornar-se arrogante para então sim o atacar.
Tsipras fez o oposto.
Foi arrogante perante um "inimigo" mais forte e enfrentou-o e afrontou-o com essa postura.
Erro crasso!
O "inimigo", mais forte, impôs todas as suas condições e ganhou todas as batalhas,  porque teve tempo, força e paciência para isso.
Lá para 2018, quando está programada nova avaliação da dívida grega e um possível alívio das condições impostas para considerar a mesma viável, é bem provável que Tsipras já tenha percebido que tem que se apresentar perante os credores com uma nova atitude, uma nova postura.
Resta saber o que representará essa nova atitude, essa nova postura, em termos de perda de popularidade a nível interno...

Intemporais (31)

25 de maio de 2016

Eleições na Áustria decididas no photo finish


Alexander van der Bellen, o candidato oriundo da esquerda austríaca (Verdes), derrotou o temido Norbert Hofer, o nacionalista do Partido da Liberdade (FPÖ), nas eleições presidenciais naquele país.
A Europa suspira de alívio, rejubila porque Norbert Hofer, o eurocéptico que centrou o seu discurso político no combate à imigração, foi derrotado pelo europeísta Alexander van der Bellen.
E mais uma vez essa mesma Europa parece festejar sem que tenha grandes motivos para isso.
Se é verdade que Norbert Hofer, e as ideias que defende, foram derrotados, é preciso perceber que só o foram por uma margem mínima, que só no photo finish (votos enviados pelo correio) se conseguiu apurar essa diferença ínfima que permitiu a Alexander van der Bellen vencer as eleições presidenciais.
Mais do que festejar esta vitória, a Europa tem que procurar de uma vez por todas perceber que crescem no seu seio ideias nacionalistas, xenófobas, um pouco por todos os países.
Percebendo isso, a mesma Europa terá que perceber o porquê desse crescimento para poder combater o fenómeno e impedir este movimento constante.
Se a mobilização que se verificou agora na Áustria (70% de votantes) não acontecer noutras eleições e noutros países, o risco de ver ideias nacionalistas vencer eleições, e corroer a pouco e pouco o ideal europeu , cresce exponencialmente.
É nisto que a Europa se deve concentrar deixando os festejos para outras ocasiões em que se mostrem mais justificados.

ACORDO ORTOGRÁFICO - JOSÉ MANUEL FERNANDES


Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam.
Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.
É um fato que não se pronunciam.
Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se?
O que estão lá a fazer?
Aliás, o qe estão lá a fazer?
Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe "assunção" se escreve com "ç" "ascensão" se escreve com "s"?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome.
Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o "ç".
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o "ç" e o substitua por um simples "s" o qual passaria a ter um único som.
Como consequência, também os "ss" deixariam de ser nesesários já qe um "s" se pasará a ler sempre e apenas "s".
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas,designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar.
Claro, "uzar", é isso mesmo, se o "s" pasar a ter sempre o som de "s" o som "z" pasará a ser sempre reprezentado por um "z".
Simples não é? se o som é "s", escreve-se sempre com s. Se o som é "z" escreve-se sempre com "z".
Quanto ao "c" (que se diz "cê" mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de "q") pode, com vantagem, ser substituído pelo "q". Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras.
Nada de "k".Ponha um q.
Não pensem qe me esqesi do som "ch".
O som "ch" será reprezentado pela letra "x".
Alguém dix "csix" para dezinar o "x"? Ninguém, pois não?
O "x" xama-se "xis".
Poix é iso mexmo qe fiqa.
Qomo podem ver, já eliminámox o "c", o "h", o "p" e o "u" inúteix, a tripla leitura da letra "s" e também a tripla leitura da letra "x".
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex.
Não, não leiam "simpléqs", leiam simplex.
O som "qs" pasa a ser exqrito "qs" u qe é muito maix qonforme à leitura natural.
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.
Vejamox o qaso do som "j".
Umax vezex excrevemox exte som qom "j" outrax vezex qom "g"- ixtu é lójiqu?
Para qê qomplicar? !?
Se uzarmox sempre o "j" para o som "j" não presizamox do "u" a segir à letra "g" poix exta terá, sempre, o som "g" e nunqa o som "j".
Serto?
Maix uma letra mud a qe eliminamox.
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem !
Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex?
Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?
Outro problema é o dox asentox.
Ox asentox só qompliqam !
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.
A qextão a qoloqar é: á alternativa?
Se não ouver alternativa, pasiênsia.
É o qazo da letra "a".
Umax vezex lê-se "á", aberto, outrax vezex lê-se "â", fexado.
Nada a fazer.
Max, em outrox qazos, á alternativax.
Vejamox o "o": umax vezex lê-se "ó", outrax lê-se "u" e outrax, lê-se "ô".
Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso !
qe é qe temux o "u"?
Se u som "u" pasar a ser sempre reprezentado pela letra "u" fiqa tudo tão maix fásil !
Pur seu lado, u "o" pasa a suar sempre "ó", turnandu até dexnesesáriu u asentu.
Já nu qazu da letra "e", também pudemux fazer alguma qoiza : quandu soa "é", abertu, pudemux usar u "e".
U mexmu para u som "ê".
Max quandu u "e" se lê "i", deverá ser subxtituídu pelu "i".
I naqelex qazux em qe u "e" se lê "â" deve ser subxtituidu pelu "a".
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u "til"
subxtituindu, nus ditongux, "ão" pur "aum", "ães" - ou melhor "ãix" - pur
"ainx" i "õix" pur "oinx".
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de
arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a
simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu
mundu.
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?...
I porqe naum?...

EM TEMPO:
Esclarecimento do leitor JPG a quem muito agradeço:

O texto não é de JMF. É um original de Maria Clara Assunção publicado em 14 de Agosto de 2009:

http://abibliotecadejacinto.blogspot.pt/2009/08/o-acordo-ortografico-e-o-futuro-da.html

24 de maio de 2016

Uma revolução no Futebol Clube do Porto?


A disputa da Taça de Portugal pôs um ponto final na época futebolística 2015/2016.
Uma época, mais uma!!, de grande frustração para os adeptos do Futebol Clube do Porto (FCP).
Já são muitos anos sem ganhar nenhum troféu, já são muitos anos sem rumo, com uma política errática a nível directivo, com acumulação de erros, falta de classe e carácter a nível desportivo.
É fácil perceber quando, e como, o Porto caminhou de um clube de sucesso para o desastre que tem sido nestes últimos anos.
Tudo aconteceu quando o clube que baseava o seu sucesso na detecção de talentos que eram potencializados, tantas vezes com a colocação e amadurecimento em clubes de confiança, o clube que procurava jogadores identificados com o futebol português, que integravam o plantel e ajudavam à integração dos que vinham de fora, se transformou num entreposto de jogadores.
Ganhou-se muito dinheiro, gastou-se muito dinheiro, não se ganhou nada a nível desportivo.
Depois do que aconteceu nesta penosa época, com o devido  e simbólico epílogo nos patéticos golos sofridos na final da Taça de Portugal, há que repensar e reformular tudo.
Será correr um grande risco, o FCP pode ficar mais uns anos sem ganhar nada, mas têm que ser lançadas as bases para que se possam disputar todas as provas com dignidade e para que possa haver sucesso nem que seja só no futuro.
Como uma direcção recentemente reeleita não poderá haver grandes alterações a este nível.
Ainda assim seria de todo saudável que houvesse algumas...
Onde terá que haver profundas alterações é na vertente desportiva.
O actual plantel do FCP não tem qualidade, não tem raça, não tem comando.
E tudo terá que começar por aqui - um novo comando, um novo treinador.
Não faço ideia de quem poderá ser esse treinador.
Mas sei que terá de ser um treinador capaz de tomar decisões difíceis, um treinador corajoso, audaz, competente.
Tudo o que José Peseiro não é.
Um treinador que seja capaz de, na época de 2016/2017, promover a "limpeza de balneário" que Artur Jorge soube fazer na sua segunda passagem pelo FCP.
Na minha qualidade de adepto, e de "treinador de bancada", fica a sugestão do que e de quem dever "limpo":
Dos guarda-redes actualmente existentes no plantel, será apenas aconselhável manter os jovens (José Sá e Raul Gudiño).
Ambos, ou apenas um, dependendo de quem for contratado.
Porque pelo menos um grande guarda-redes, um guarda-redes que ganhe pontos, um guarda-redes que tendo só de fazer duas ou três defesas num jogo não falhe nenhuma, terá que ser contratado.
Helton poderá perfeitamente fazer parte da nova equipa técnica, Casillas deverá procurar outros destinos depois do Europeu, a única razão para o espanhol ter vindo representar o Porto, e com resultados decepcionantes.
No sector defensivo poderão ser mantidos dois laterais, Maxi e Layun (se saírem também não será catastrófico).
Todos os centrais actualmente ao serviço do Porto, mais Maicon e Diego Reyes, não deverão ser mantidos.
Não têm qualidade, não têm estatura e estrutura para jogar no FCP, ainda para mais num sector que foi sempre referência no clube.
No meio-campo estará muito do que será o futuro mais próximo do FCP.
O novo FCP terá de ser construído à volta de jogadores como Ruben Neves, André André, Danilo, Sérgio Oliveira, este último com algumas reticências.
E com o único avançado que julgo ser de manter - André Silva.
Os restantes, incluindo Brahimi, cujo comportamento não se enquadra nada no que sempre foi e deve ser o Porto, deverão sair.
Há muitos jogadores emprestados, há muitos jogadores de talento na equipa B, terão de ser feitas contratações.
Sem espaço para erros nos jogadores e no treinador a contratar.
Uma revolução?
Sem dúvida!
Mas, depois de ter batido no fundo, só com uma revolução o FCP ganhador pode ser ressuscitado.

Uma sociedade ameaçada (Anselmo Borges)


1 A actual sociedade europeia de que fazemos parte tem, na expressão do filósofo E. Husserl, uma nova "forma de vida", isto é, um horizonte novo de vivência, sentido e autocompreensão, a partir de três princípios fundamentais.

Trata-se de uma sociedade à qual foi possibilitado imenso bem-estar, derivando daí novas possibilidades de auto-realização e também um feroz individualismo, que apenas reivindica direitos ignorando deveres.

Por outro lado, as novas tecnologias têm um impacto decisivo nas sociedades, e não só no plano socioeconómico: mudam as mentalidades. Por exemplo, estar ligado à rede, navegando, afecta a vivência de si e do mundo. A concepção de espaço é outra, muda sobretudo a vivência do tempo. Tudo é rápido, vertiginoso. Tem-se a sensação de estar ao mesmo tempo em toda a parte, mas num tempo fragmentado, que não faz tecido. No bombardeamento simultâneo de notícias e opiniões - toda a gente se pronuncia sobre tudo, sem hesitações nem perplexidades -, o que acontece é a dispersão labiríntica, que dificulta a construção de uma identidade narrativa consistente. Paradoxalmente, a ligação global produz solidões penosas. Há um sentimento de quase omnipotência, seguindo-se daí que tudo o que é tecnicamente possível se deve realizar, sem perguntas de outro foro, ético, humanista. A satisfação imediata e o facilitismo são outras características de uma sociedade líquida e mole, cujo deus é o dinheiro.

Desta forma de vida faz parte ainda a crítica religiosa, no sentido de um laicismo agressivo.

2 Julgo que é no horizonte desta nova forma de vida que se percebe melhor a fúria legislativa da actual Assembleia da República quanto às chamadas questões fracturantes e não só. Assim:

2.1 Entre as primeiras medidas, acabou-se com a taxa moderadora no aborto, o que é incompreensível se se pensar nas mulheres doentes que pagam.

2.2 Acaba de ser aprovada a lei que permite a gestação de substituição, vulgarmente conhecida por barrigas de aluguer. Pensou-se no que isso significa, por exemplo, que a criança que vai nascer é fruto da genética e da epigenética, portanto, que não é indiferente ser gestada neste ou naquele ventre? Há um contrato, e isso é humanizante? E se a gestante quiser a criança, pois, afinal, é seu filho, a quem está tão intimamente vinculada? E se no processo de gestação surge uma deficiência grave e ninguém a quer? As técnicas de procriação medicamente assistida passaram a ser acessíveis a todas as mulheres, mesmo sem problemas de infertilidade. Pergunta--se: uma criança é um simples bem disponível? Quem é o centro: o direito da mulher ou a criança?

2.3 Sobre a eutanásia, já aqui manifestei as minhas perplexidades. Existe a autonomia, e a vida é um bem, um direito, e não um fardo que pode tornar-se insuportável. Mas legislar, sem pensar, apressadamente, como parece agora ser regra - porquê? -, pode pôr em causa conquistas essenciais da humanidade. Veja-se o que aconteceu há pouco tempo na Holanda com uma jovem de 20 anos, a quem foi autorizada a eutanásia por causa do seu sofrimento na sequência de abusos sexuais. Quem não compreende o sofrimento atroz? Mas, afinal, estamos cá para facilitar a morte ou para ajudar a viver? E quem aplica a eutanásia, isto é, sem eufemismos, quem mata? De qualquer modo, eutanásia e suicídio assistido são realidades diferentes. Há um direito à eutanásia? Quem o satisfaz?

2.4 E os animais? Sim, quem trata mal os animais - mesmo na animalidade, é preciso distinguir, pois não é a mesma realidade uma pulga ou uma mosca e um cão ou um chimpanzé - agride a humanidade em si próprio e o seu dever de considerar o valor do animal. Mas há uma distinção essencial, qualitativa, e não meramente de grau, entre o ser humano, que é pessoa, e o animal, que não é coisa mas não é pessoa. Afinal, são as pessoas que colocam a questão da humanidade e da animalidade.

2.5 Esta sociedade não sabe conviver com as dificuldades, as frustrações normais, a finitude. Foi neste enquadramento que o Ministério da Educação acabou com os exames. Um erro!

2.6 Tudo o que aí fica é independente da religião. A ética é autónoma. A política também. Mas não há dúvida de que há hoje uma tentativa de "exculturação social da religião por parte de certa esquerda europeia". Quem o diz é J. Elzo, na sequência de um livro importante de um homem de esquerda, Jean Birnbaum: Un Silence Religieux - La Gauche face au Djihadisme, que conclui, continua J. Elzo, citando grandes pensadores, como W. Benjamin, J. Derrida, J. Habermas, R. Debray, Luc Ferry, Comte-Sponville, todos de esquerda e não crentes: "Nenhum deles considerou que o exercício da política moderna tinha como condição a superação e a relegação do religioso. Todos tinham consciência de que, para bem distinguir estes dois âmbitos, o melhor é dar espaço tanto a um como ao outro." Para evitar "o conflito social, tarde ou cedo", "muito sangrento".

in DN 21 DE MAIO DE 2016

23 de maio de 2016

OMO lava 2 (duas) vezes mais branco


Quando o ginecologista lhe revela que está grávida, uma jovem mulher passa-se: 
- Doutor, é uma catástrofe! De acordo com as datas, o pai não é o meu marido, mas o meu amante... E ele é preto!... Imagina o escândalo se eu der ao mundo um bebé preto? Prefiro abortar.
- Há talvez uma outra solução, minha senhora: vai tomar todas as manhãs um banho de assento em água morna, adicionando 3 colheres de sopa de OMO. 
-E pensa que terei um bebé branco? 
-Tenho a certeza.
-Efectivamente, 8 meses mais tarde, a dama dá à luz um soberbo bebé de pelezinha cor de leite.
Passa um ano e a mulher encontra-se de novo no ginecologista: 
- Doutor, fui passar alguns dias com o meu amante preto e esqueci-me de tomar a pílula. Estou outra vez grávida…
Muito bem, minha senhora, vai repetir o tratamento que tão bem resultou: banho de assento em água morna adicionada com 3 colheres de OMO.
E ela dá à luz uma rapariguinha de pele perfeitamente branca.
«Dezoito meses passam e a mulher, incorrigível sem dúvida, encontra-se de novo grávida do seu amante preto. «É inútil ir falar com o ginecologista – diz ela – agora eu já conheço a receita»
E pontualmente, cada manhã, toma um banho de assento em água morna adicionada com 3 colheres de OMO
Oito meses mais tarde… escândalo! Ela dá à luz um adorável bebé preto!!
Não compreendo, diz ela ao médico, pois todos os dias tomei o banho de assento que o senhor doutor me tinha receitado das outras vezes… 
-Minha senhora, deveria ter vindo falar comigo! A senhora cometeu um erro fatal: OMO lava 2 (duas) vezes mais branco, e não três!

BOA SEMANA!!

Dois amigos


O cara encontra o amigo no bar e pergunta:
_ Escuta, cara! Você gosta de mulher de peito caído?
_ Eu, não!
_ Você gosta de mulher cheia de celulite, barriguda e...
_ Sai prá lá, meu!
_ Você gosta de mulher que tem mau hálito e que vive reclamando que a vida é uma merda?
_ É claro que não! Você tá maluco?
_ Então, porque é que você não pára de cantar a minha mulher?

Gays


Estava um homem muito descansado num parque de estacionamento entre dois carros a verter águas, até que lhe aparece outro que fica a olhar para ele. 
Depois de olhar durante um bocado pergunta ao outro com uma voz muito meiga :
- Posso fazer-lhe uma festinha ?
- Ai só me faltava cá mais esta agora ... Vai-te embora.
- Ande lá, só uma festinha, vai ver que se calhar até gosta.
- Tás aqui tás a levar, vê lá mas é se desapareces antes que eu te dê uns murros.
- Deixe-me fazer só uma festinha e eu depois vou embora, prometo que não o chateio mais....
- Pronto está bem, faz lá a festa mas depois desapareces !
Então ele com muito cuidado lá pega no pirilau do homem e de repente começa a apertar, a torcer e a puxar e desata aos berros :
- Isto é ... para tu ...aprenderes ... a nunca mais ... mijares para cima ... dos pneus ...do ... meu ... carro!!

19 de maio de 2016

Policiamento comunitário e agent provocateur


As forças policiais em Macau deram a conhecer a intenção de introduzirem na sua acção de combate ao crime as figuras do policiamento comunitário e do agent provocateur.
Policiamento comunitário direccionado para o combate  aos crimes relacionados com o tráfico e o consumo de estupefacientes, o agent provocateur direccionado à criminalidade na  área dos jogos de fortuna e azar.
Acredito que estas opções tenham sido muito bem ponderadas e venham a ser objecto de regulamentação muito cuidada e rigorosa.
Sobretudo no intuito de evitar que o polícia-cidadão não se venha a revelar afinal um simples bufo, muito menos um justiceiro.
E que o agent provocateur, como alertou Jorge Neto Valente, não resvale para um instigador, deixe de ser um mero observador para passar a ser parte activa no crime que venha a ser cometido.
Podem ser boas ideias mas confesso que me causam algum incómodo.
Incómodo que só será ultrapassado se a regulamentação legal das respectivas actividades não deixar lugar à menor réstia de dúvida acerca do que se espera de cada uma destas figuras e das práticas admissíveis para se alcançarem os resultados pretendidos.

Intemporais (30)