1 de setembro de 2015

Seis anos de blogue


E já passaram seis anos de Devaneios!
A contabilidade é muito simpática - 311 seguidores, mais de 805 000 visualizações de página, mais de seis mil mensagens publicadas, cerca de  45 000 comentários.
E esta é a parte mais importante - a interactividade, o convívio, a troca de ideias, de opiniões.
Julgo que sempre com respeito, com elevação.
Estou a gostar muito desta experiência.
Definitivamente é para continuar.
A todos vós, que todos os dias têm a bondade de por aqui passar, comentando ou não, um grande obrigado.
Do fundo do coração.

Sobre as eleições (por ANSELMO BORGES DN 20 AGO 2015)


Não costumo meter-me por estas bandas. Faço-o hoje, pouco sistemático, talvez um pouco desconexo. São desabafos.
1. Vivemos num mundo conturbado e perigoso. A globalização surge num quadro caótico, sem parâmetros de orientação básica. Por isso, grandes sociólogos, como U. Beck, Z. Bauman, E. Morin, apresentam como características próprias deste tempo a insegurança, a incerteza, o risco, a vulnerabilidade, a inquietação.
Participando da situação, a Europa também não está bem. Espiritualmente esvaziada, não acredita nela própria, nas suas raízes e valores. Quando num mundo globalizado se impunha uma Europa cada vez mais unida politicamente, o que se vê são fracturas crescentes. Veja-se a incapacidade de lidar juntamente com os fluxos migratórios imparáveis.
Neste quadro, a política não está para entretenimento de medíocres nem comentários sofistas.
2. Quando se olha para a inversão da pirâmide das idades e no que isso significa para a economia, para todo o processo produtivo, para a Segurança Social, é impossível adormecer na indiferença. O tsunami demográfico é hoje um problema fundamental, estando em risco a própria sobrevivência do país. Sobre ele e outros problemas, como a educação, o emprego - é preciso começar a pensar que o trabalho é um bem escasso e deve aprender-se a distribuí-lo, com todas as consequências; ficará mais tempo para a cultura, por exemplo -, a justiça no seu duplo sentido, a saúde, a Segurança Social, a política internacional, deveria haver uma base mínima de entendimento a médio prazo.
Neste contexto, e à maneira de parêntesis, permita-se-me manifestar o meu acordo com a lei aprovada no Parlamento quanto ao aconselhamento e à taxa moderadora para quem aborta. Estou à vontade, porque, aquando do referendo, num texto muito citado por adeptos da despenalização, no qual, distinguindo claramente entre o plano jurídico-penal e o moral, perguntava se, no seu drama, em lugar de uma punição penal, do que a mulher precisa não é sobretudo de solidariedade, também lembrei - e o primeiro-ministro de então afirmou que se atenderia às boas práticas de outros países - o que se passa na Alemanha: para poder abortar legalmente, a mulher, sem prejuízo da sua autonomia, terá de apresentar um comprovativo de que passou por um centro de aconselhamento (Beratungsstelle). Esses centros devem ser plurais e reconhecidos. Por outro lado, como justificar a isenção de taxa moderadora?
3. Cá está! Fundamental: que os políticos cumpram o que prometem, sem subterfúgios; não vendam ilusões, não prometam o que sabem que não podem nem vão cumprir. Pergunto-me pelas razões que levam a maioria dos jovens ao desinteresse pela política e a população à desconfiança em relação aos políticos. Será porque pensam nas suas mentiras e nos conluios e cumplicidades entre a política e os negócios? É preciso ir ao essencial, em debates sérios - as arruadas são secundárias -, sem rasteiras nem intrigas e amuos, e apresentando contas com rigor e fiáveis e sem inveja nem necessidade de deitar abaixo, quando os adversários fizeram o melhor para o país e tiveram êxito. Fundamental é também a equidade nos impostos e a consequente atenção às assimetrias sociais. É imoral fugir ao trabalho, mas também o é aproveitar a crise para explorar os mais fracos. E não se abandone os mais velhos...
4. Sobretudo quando se pensa no alastrar da corrupção, vê-se claramente que isto não vai lá sem uma conversão ética, moral (uso os termos como idênticos, sem as distinções que tecnicamente se imporiam).
Precisamos de política? Claro. Mas, em última análise, como já aqui escrevi e estou a citar-me, precisamos da política no sentido estrito, que implica o Estado enquanto organização política da sociedade, detendo ele o monopólio da violência, porque não somos todos éticos. Se todos fossem éticos, no quadro do fazer-se bem moralmente a si próprio, não seria necessária a política, que ficava reduzida à administração das coisas. Só porque somos egoístas, interesseiros, corruptos e corruptores é que temos necessidade do Estado para regular e gerir de modo não violento os conflitos. Como escreve o filósofo A. Comte-Sponville, se a moral reinasse, não teríamos necessidade de polícia, de tribunais, de forças armadas, de prisões.
Urgência maior é a formação ética, moral, para os valores, que não são redutíveis ao valor do dinheiro. Sem valores éticos assumidos, remetemos constantemente para a política, para as leis, para a regulação, para os tribunais... Mas então só fica a lei e a sua sanção. Ora, não é possível legislar sobre tudo e, sobretudo, acabaria por ser necessário pôr um polícia junto de cada cidadão para que cumpra a lei; como os polícias também são humanos, seria preciso pôr um polícia junto de cada polícia. Juvenal viu bem: Custos custodit nos. Quis custodiet ipsos custodes? (A guarda guarda-nos. Quem guardará a própria guarda?).

31 de agosto de 2015

Hoje é só compadres


O que é que os Alentejanos chamam aos caracóis?
Animais irrequietos.

O que é que os Alentejanos esperam depois da seca?
Que as vacas dêem leite em pó.

Por que é que os Alentejanos leêm os jornais nas esquinas?
É para o vento lhes mudar as folhas.

O que fazem 17 Alentejanos à porta do cinema?
Estão à espera de mais um, porque o filme é para M/18.

Qual a melhor Universidade do mundo?
A de Évora porque entram Alentejanos e saem Engenheiros.

Um dia um Alentejano diz pra mulher:
- Maria põe a mesa no quintal que hoje vamos jantar fora.

Por que é que os Alentejanos treinam futebol na piscina?
Para poderem treinar lances em profundidade.

Por que é que os Alentejanos semeiam alhos nas bermas das estradas?
Porque o alho faz bem à circulação.

Na prisão estão dois Alentejanos. Diz um para o outro:
- Olha lá é meio-dia ou meia-noite?
Responde o outro:
- Nã sei o mê relógio tá parado.

Por que é que os Alentejanos plantam 3 laranjeiras juntas?
Para sair directamente Trinaranjus.

1º Lema do Alentejano:
Mais vale uma mão inchada do que uma enxada na mão.

2º Lema do Alentejano:
Mais vale morrer de frio do que trabalhar para aquecer.

Qual é a peça da mota que os Alentejanos gostam mais?
É o descanso.

Um Alentejano vai à praia para se bronzear. Deita-se na areia, adormece e quando acorda vê um preto ao lado dele a apanhar sol.
- Ó compadre, há quanto tempo é que está cá?
- Dois dias.
- Porra e eu que era para ficar quinze dias!!!

O que é que os Alentejanos fazem no fim de um dia de trabalho?
Tiram as mãos dos bolsos.

Por que é que os Alentejanos costumam dormir com o relógio debaixo deles?
É para acordarem em cima da hora.

Como é que os Alentejanos fazem o controlo da natalidade?
Atiram pedras às cegonhas.

Por que é que os Alentejanos quando andam de mota levam um machado à frente?
É para cortarem o vento.

Onde é que os Alentejanos costumam guardar o dinheiro?
Debaixo da enxada. Ninguém lá toca!!

Por que é que no Alentejo é proibido vender carros com limpa-vidros na rectaguarda?
Porque foram apanhados uma série de Alentejanos a conduzir ao contrário.

Estavam dois Alentejanos a brincar à apanhada. Vai um deles e diz assim:
- Já estou farto de correr atrás de ti. A partir de agora corres tu à minha frente.
Vai o outro e diz:
- Tá bem, por mim tanto faz.

Uma brigada de trânsito estava a fazer um relatório de um acidente de viação e perguntou a um pastor Alentejano como tinha sido o acidente. Resposta do pastor:
- Os senhores guardas vêem ali aquela estrada? Vêem aquela curva? Vêem aquele chaparro? Olhe eles não viram.

Por que é que os Alentejanos se levantam de madrugada?
É para estarem mais tempo sem fazerem nada.

Por que é que os Alentejanos não bebem leite frio?
Porque não conseguem meter a vaca no frigorífico.

Por que é que os bolsos das calças dos Alentejanos são de plástico?
É para meterem o salário líquido.

Como é que os Alentejanos arranjam dinheiro para comprarem um video?
Vendem a televisão.

Estavam dois velhos Alentejanos falando sobre o mar quando a páginas tantas diz um pro outro:
- Oh home, cala-te que n’a percebes nada de mar.
Resposta pronta do outro:
- Pra tua informação, o mar morto, que é o mar morto já eu o conhecia antes dele estar doente.

Estão dois alentejanos encostados a um chaparro à beira da estrada, quando passa um automóvel a grande velocidade e deixa voar uma nota de 100 euros que vai cair no outro lado da estrada. Passados cinco minutos, diz um alentejano para o outro:
- Compadre, se o vento muda temos o dia ganho.

A futura sogra alentejana para o futuro genro, também alentejano:
- Ouve lá. Tu queres a minha filha para casar ou pra quê ?
- Pra quê....

Sabem porque é que os alentejanos preferem apanhar azeitonas em vez de caracóis?
- Porque as azeitonas estão paradas.

Conversa entre alentejanos:
- Compadre, porque é que você arrancou dois dentes no mesmo dia?
- Porque o dentista não tinha troco de 100 euros.

Um turista chega a beira de um alentejano e pergunta-lhe:
- Já nasceu aqui algum grande homem?
- Na senhori. Aqui só nascem crianças!

Um alentejano para o outro:
- oh compadre, vai chover!
- Ora essa, vá você...

Um Alentejano de Serpa andava a aprender Inglês num curso de adultos, a professora passou-lhe um trabalho para casa sobre as cores, o que o Alentejano evidentemente não fez. 
No dia seguinte, a professora pergunta pelo trabalho, vai o Alentejano e diz:
- Ontem quando cheguei a casa, ouvi o telefone GREEN!!!, atendi e disse YELLOW!!!, ouvi do outro lado: “
- Vai bardamerda”  
- E eu PINK!!!

Por que é que mandaram 10000 Alentejanos para o GOLFO quando houve conflitos?
Foi para acalmarem a situação.

BOA SEMANA!

28 de agosto de 2015

ARGENTINOS E O PAPA FRANCISCO



1) - Do jornal Corrieri de la Sierra:

- "Em um surto inédito de humildade um Argentino aceitou um cargo abaixo de Deus."

2) - De um brasileiro anónimo:

- "Eu sempre sonhei em ver um Argentino beijar o solo brasileiro."

3) - Os Argentinos desejam que os primeiros actos do Papa Argentino sejam:

- Canonização de Evita Perón;
- Excomunhão de todos os cardeais e bispos norte-americanos;
- Rompimento com o governo italiano;
- Rompimento com o governo inglês (novamente);
- Criação da Diocese das Malvinas, localizada em Puerto Madero;
- Mudança da sede do Vaticano para Bariloche;
- Criação da moeda própria do Vaticano: o “Peso Santo” ou “Santo Peso”; 
- Substituição da hóstia por Alfajor;
- E, last but not least, a mudança do nome da Capela Sistina para Capela CRISTINA.

Comenta-se que quem dominou o conclave foram os Cardeais dos EUA.
Como eles sabiam que o Cardeal Brasileiro era o mais cotado, escolheram o Cardeal de Buenos Aires, por ser a capital do Brasil.

Vingança Histórica:- a Inglaterra fica com as Ilhas Malvinas e a Argentina fica com o Vaticano.

O Papa Libera o bife de chorizo na sexta feira santa.

Dizem que o novo Papa é o homem mais importante do mundo e um dos mais importantes da Argentina.

Antes de escolher o nome "Francisco", os cardeais tiveram um enorme trabalho para convencer Dom Bergoglio de que "Jesus II" não ia pegar bem.

Comentário que está se espalhando nos corredores do Vaticano:
- "Não havia um Argentino tão perto de Cristo desde Judas".

O Papa vai autorizar o uso da Hóstia em pó, para que o Maradona possa comungar.

E para terminar:
O PAPA FRANCISCO JÁ CONSEGUIU O PRIMEIRO MILAGRE, FAZER COM QUE O MUNDO GOSTASSE DE UM ARGENTINO.

(Ainda e sempre da parceria com o FerreirAmigo)

BOM FIM-DE-SEMANA!

27 de agosto de 2015

No domingo vou estar indisposto e irritado


A culpa da minha indisposição e irritação é da Associação Geral das Mulheres e da União dos Empregadores dos Serviços Domésticos de Macau, duas das muitíssimas associações que enxameiam e descredibilizam a actividade associativa em Macau.
Estas duas associações são as promotoras e organizadoras de um protesto público, manifestação, ou coisa que o valha, que pretende chamar a atenção para o comportamento inaceitável das empregadas domésticas em Macau e exigir a promulgação de legislação mais rigorosa para prevenir e punir os desmandos destas profissionais.
Tudo porque UMA empregada doméstica TERÁ maltratado uma criança, uma bebé que deveria tratar e proteger.
A provarem-se os maus-tratos (até lá convém não esquecer que a cidadã acusada é inocente) a atitude DAQUELA empregada doméstica é inaceitável e incompreensível.
O aproveitamento dessa atitude individual para fazer daí a extrapolação para uma tendência generalizada de mau comportamento das empregadas domésticas em Macau é falso, envergonha a sociedade tolerante que Macau supostamente é.
Sabendo à partida que é impossível perceber com um mínimo de exactidão quantos dos manifestantes maltratam e exploram as profissionais que empregam nas suas casas, adoraria poder de algum modo ter acesso a esses números.
Talvez muitos do que vão estar presentes em tão desenvergonhado protesto ficassem com as faces ruborizadas, ou, pior ainda, perdessem face totalmente.
No domingo já sei que vou estar indisposto e irritado.
A sensação de desconforto, o formigueiro, já duram há alguns dias.
Precisamente desde o dia em que tive conhecimento desta aviltante iniciativa. 

O Terreiro do Paço antes do terramoto de 1755

Momento de História:  um vídeo (duração de 3:50min, muito boa definição) com um interessante conjunto de imagens do Terreiro do Paço antes de 1 de Novembro de 1755, do maremoto ocorrido nesse fatídico dia e também algumas imagens da sua reconstrução e alterações até à actualidade, com acompanhamento de música barroca.
Nele podemos apreciar também a importância da vida social e da sociedade de então, que fervilhava à volta do centro do Poder.

26 de agosto de 2015

Demissão no presente a pensar em ganhos futuros


25 de Janeiro de 2015 - o Syriza vencia as eleições legislativas gregas e anunciava um novo modo de fazer política, coragem para enfrentar o monstro da dívida, dos mercados e dos credores que vinham assombrando o Sul da Europa.
Uma onda de simpatia e entusiasmo invade alguns sectores da sociedade europeia e a postura descontraída e fresca de Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis rapidamente conquista adeptos e seguidores.
Sete meses depois este élan inicial deu lugar a alguma desilusão, a convulsões internas na Grécia, a fracturas no seio do Syriza e na sociedade grega.
Tsipras recuou perante a intransigência dos credores, aceitou mesmo entregar a cabeça de Varoufakis, muito mais radical nas suas posições que Tsipras e figura muito menos grata aos credores.
A Grécia conseguiu algum alívio financeiro mas as feridas abertas no partido e na sociedade grega obrigaram Tsipras a demitir-se para clarificar a situação política interna.
Dimitris Rapidis, analista do think-tank Bridging Europe (Atenas), fala numa estratégia que aposta na instabilidade a curto prazo no intuito de garantir a estabilidade a médio prazo.
Uma estratégia que, sublinhe-se, colhe simpatia e até entusiasmo em Bruxelas.
Tsipras foi glorificado por alguns sectores políticos europeus ao ter apresentado a demissão do cargo de primeiro-ministro grego supostamente por ter traído as expectativas dos gregos e o programa eleitoral do Syriza.
Não terá sido esta a principal motivação de Tsipras para tomar a decisão (arrojada) que tomou.
Tsipras quer verificar qual é afinal a exacta medida da sua popularidade junto dos gregos e, em simultâneo, verificar o quanto valem os dissidentes do Syriza nas urnas.
Se a sua estratégia e as suas expectativas se revelarem certas, com o apoio que recolhe em Bruxelas, Tsipras, fortalecido no seu mandato, legitimado por mais uma vitória nas urnas, poderá então governar com os credores e não contra os credores.

As mulheres nas religiões (por ANSELMO BORGES DN 22AGO2015)


O Papa João Paulo I disse que Deus tanto é Pai como Mãe e, estando para lá do sexo, também poderia ser representado como mulher. 
O Vaticano não gostou. 
Mas é neste contexto do feminino e Deus que se conta uma estória.
 Ao contrário do que se lê e diz, Deus criou primeiro Eva e não Adão. 
Eva aborrecia-se, sentia-se só e pediu a Deus alguém semelhante a ela, com quem pudesse conviver e partilhar.
Deus criou então Adão, mas com uma condição: para não ferir a sua susceptibilidade, Eva nunca lhe diria que foi criada antes dele. 
"Isso fica um segredo entre nós..., entre mulheres!"
As primeiras figurações da divindade foram femininas, por causa da fertilidade e maternidade. 
Depois, explica o filósofo F. Lenoir, com a sedentarização segundo um modelo maioritariamente patriarcal, aconteceu com as religiões o mesmo que com as aldeias e as cidades: "Os homens tomaram o seu controlo, relegando a mulher para um papel secundário ou até para uma ausência de papel, a não ser no seio do lar e sob a tutela do marido. As justificações teológicas vieram posteriormente."
 E o que é facto é que a maior parte das religiões têm "uma forte tendência para a misoginia". 
O taoísmo é significativamente diferente, porque é essencial nos seus ensinamentos a fusão do yin e do yan, do feminino e do masculino, como "penhor de acesso à imortalidade".
A mulher foi considerada tentadora, devendo os homens acautelar-se.
 Foram-lhe retirados os poderes rituais, por causa da impureza. 
Lê-se, na Bíblia, no livro do Levítico: 
"Quando uma mulher tiver o fluxo de sangue que corre do seu corpo, permanecerá durante sete dias na sua impureza. Quem a tocar ficará impuro até à tarde. Todo o objecto sobre o qual ela se deitar ficará impuro; tudo aquilo sobre que ela se sentar ficará impuro. Quem tocar no seu leito, deverá lavar as vestes, banhar-se-à em água, e ficará impuro até à tarde. Se um homem coabitar com ela e a sua impureza o atingir, ficará impuro durante sete dias e todo o leito em que se deitar ficará impuro". Segundo F. Lenoir, outra das razões da misoginia é o prazer feminino, "essa grande intriga para o homem": 
"O ciúme em relação ao gozo feminino (jouisance), porque ele é infinito enquanto o do homem é finito. Há uma espécie de abismo do gozo sexual da mulher que mete medo ao homem e o contraria."
Concretizando e seguindo F. Lenoir na obra Dieu. 
Afinal, o hinduísmo e o budismo não são menos misóginos. 
Na tradição hindu, há um código legislativo redigido entre o século II antes da nossa era e o século II da nossa era, fundado sobre textos sagrados, tacitamente ainda hoje aplicado, em que se lê sobre o estatuto das mulheres: "Uma jovem, uma mulher jovem, uma mulher avançada em idade nunca devem fazer algo segundo a sua própria vontade, mesmo na sua casa", pois a mulher está dependente do pai, do marido, dos filhos, e é inferior a eles. 
Também não tem direito à iniciação religiosa: "A sua iniciação é o casamento."
 Em ordem à libertação do ciclo das reencarnações, deve esperar até ao renascimento como homem.
 E há o drama das satis: as esposas que se imolam vivas quando o marido morre.
Segundo uma tradição, Buda aceitou, a pedido da tia, fundar uma ordem de monjas, mas com condições: o monge mais jovem manteria sempre a proeminência sobre a monja mais velha, mesmo que centenária, e nenhuma poderia admoestar um monge, embora o contrário estivesse autorizado. 
"Ainda hoje é assim." 
Um antigo texto budista lembra que "a filha deve obedecer ao pai; a esposa, ao marido; por morte deste, a mãe deve obediência ao filho."
 E para o Despertar búdico deve renascer como homem.
A oração da manhã dos judeus ortodoxos inclui: "Dou-te graças, meu Deus, por não me teres feito mulher". 
As mulheres devem ocultar o cabelo e o corpo e, nesta corrente, só os homens têm direito a estudar Teologia. 
"Felizmente, não é o caso na maioria dos judeus."
Jesus tratou bem as mulheres: rodeado por elas, que também podiam ser discípulas, foram-lhe fiéis até à morte, ao contrário dos discípulos homens, que fugiram. 
Mas as Igrejas católica e ortodoxas discriminam-nas, impedindo-as, por exemplo, de aceder aos ministérios ordenados. 
Já não é o caso entre as Igrejas protestantes, mais próximas do texto evangélico.
No Alcorão, há passos que declaram a igualdade. 
Por exemplo, sura 9, 71: "Os crentes e as crentes são amigos uns dos outros. Ordenam o bem e proíbem o mal. Fazem a oração, dão a esmola, obedecem a Alá e ao seu Enviado."
Mas também há suras nas quais se permite desposar duas, três ou quatro mulheres; a herança do filho será igual à de duas filhas; pode bater-se nelas: "Os homens têm autoridade sobre as mulheres em virtude da preferência que Deus deu a uns sobre outros. Admoestai as que temeis que se rebelem, deixai-as sós no leito e batei-lhes."(4, 34).
Que caminho longo a percorrer até à dignidade na igualdade e à igualdade na dignidade!

25 de agosto de 2015

Mal-estar crescente no relacionamento entre a China e o Japão


As disputas territoriais que continuam a marcar o dia-a-dia no sudeste asiático, legado da História e de uma paz negociada algo apressadamente, são apenas um dos sintomas do mal-estar que subsiste entre vizinhos desavindos que nunca fizeram verdadeiramente as pazes.
A relação sino-japonesa, nas suas múltiplas vertentes, será o melhor exemplo desse facto.
Sintomáticos dessa realidade, o convite com o seu quê de provocatório da parte da China para que o primeiro-ministro japonês estivesse presente nas cerimónias comemorativas do septuagésimo aniversário da capitulação do Japão na II Guerra Mundial, e a desculpa esfarrapada dada por este para não estar presente em Pequim - agenda muito preenchida.
Curiosamente, e continuando no campo das alfinetadas mútuas, uma agenda que contempla uma possível alteração da política militar japonesa e que não permite a Shinzo Abe assistir à demonstração do poderio militar chinês preparado com toda a pompa para ser exibido na Praça da Paz Celestial.
Da mais fina ironia dos dois lados e, mais que uma demonstração de paz podre, uma clara evidência do que é a política de relacionamento comum the asian way.
Muito mais que uma frente comum de resistência ao crescente poderio militar chinês, juntamente com americanos e europeus ocidentais, como defendem alguns analistas, a atitude de Shinzo Abe demonstra claramente um mal-estar crescente no relacionamento bilateral entre os dois gigantes asiáticos.
Mal-estar que não parece ter um fim à vista, como se pode depreender da preocupação mútua de introduzir nos manuais escolares uma versão própria acerca dos acontecimentos que os levaram à guerra e do que nesta aconteceu.
Tenha a designação de  educação patriótica, ou outra qualquer, não augura nada de bom em termos de desanuviamento das relações a nível bilateral.
No presente e no futuro.

Voz político-moral global (ANSELMO BORGES - DN 08AGO2015 e DN 15AGO2015)



"A descrição do Papa como um super-homem, como uma estrela, é ofensiva para mim. O Papa é um homem que ri, chora, dorme tranquilamente, e tem amigos, como as outras pessoas." 
Quem isto diz é o Papa Francisco, dessacralizando o papado, citado por R. Draper num artigo na National Geographic
deste mês, com o título provocador: "O Papa vai mudar o Vaticano? Ou o Vaticano vai mudar o Papa?" 
À partida, digo que estou convicto de que é o Papa que vai mudar o Vaticano. Seria péssimo para a Igreja e para o mundo se fosse ao contrário. Ele sabe que ninguém é perfeito: "Existimos apenas nós, pecadores." Mas também sabe que "Deus não tem medo de coisas novas! É por isso que nos surpreende continuamente, abrindo-nos o coração e guiando-nos por caminhos inesperados."
Logo a seguir à eleição, disse a alguns amigos: "Preciso de começar a fazer mudanças imediatamente." 
E o que é facto é que elas estão aí. 
Concretamente, para a reforma urgente da Cúria, rodeou-se de nove cardeais de todo o mundo. Para a pedofilia, tolerância zero. As finanças do Vaticano devem ser presididas pela transparência. A sua simplicidade é por todos enaltecida. A sua bondade, inexcedível. Os seus gestos - o automóvel utilitário, o sorriso franco, os abraços ternos, os seus inesperados telefonemas a este e àquela, a visita a prisões e lavar os pés a mulheres, incluindo uma muçulmana, fornecer duche, barbeiro e um kit de higiene aos sem-abrigo, a nomeação da maioria de cardeais de fora da Europa, visitas certeiras ao estrangeiro, a anteposição da graça e da misericórdia à lei e à doutrina - querem que se torne claro que o centro da Igreja é o ser humano, sempre frágil e necessitado de compreensão e ternura, e o Evangelho enquanto notícia boa e felicitante.
E outras reformas podem estar a caminho. Evidentemente, não mudará o essencial da doutrina. "Irá, isso sim", diz o padre franciscano, seu amigo argentino, R. de la Serna, "reconduzir a Igreja à sua verdadeira doutrina, a que ficou esquecida, a que repõe o ser humano no centro. Ao devolver a posição central ao ser humano que sofre, bem como à sua relação com Deus, as atitudes de aspereza face à homossexualidade, ao divórcio e outros temas assim começarão a mudar". 
Quanto ao fim da proibição da comunhão aos católicos divorciados e recasados, Juan Carlos Scannone, o amigo jesuíta, seu antigo professor, refere: "Ele disse-me: "Quero ouvir toda a gente." Ele vai esperar pelo Sínodo de Outubro e vai ouvir toda a gente, mas está definitivamente aberto a uma mudança." 
O pastor e professor universitário N. Saracco falou com Francisco sobre a lei do celibato obrigatório dos padres. "Se ele conseguir sobreviver às pressões da Igreja hoje e aos resultados do Sínodo sobre a família, acho que estará em condições para falar sobre o celibato", afirma. Perguntado pelo jornalista se se trata apenas de uma intuição, Saracco tem "um sorriso maroto" e diz: "É mais do que intuição."
Já como estudante, Francisco revelou, nas palavras de Scannone, um "elevado discernimento espiritual e capacidade política". Agora, quer operar uma revolução na Igreja, sabendo ao mesmo tempo que tem responsabilidades mundiais, e, de facto, tornou-se uma voz político-moral global. Hoje e no próximo Sábado, darei exemplos significativos dessa influência mundial.

1. Fez questão de a sua primeira visita ser a Lampedusa. 
E aí ficou um apelo dramático, repetido no Parlamento Europeu: o Mediterrâneo não pode converter-se num "cemitério", com tragédias que se sucedem quase diariamente.
Neste momento, o medo maior dos europeus tem a ver com as migrações. Para lá da condenação da insensatez das guerras no Iraque e na Líbia e do apelo ao humanismo e à solidariedade, pergunta essencial é se a Europa não tem obrigação de contribuir urgentemente para o desenvolvimento da África, estancando a tragédia na sua raiz. 
Mas, por outro lado, também se pergunta se os africanos não têm de ouvir os apelos que nomeadamente Obama lhes deixou na sua recente visita ao seu continente. Denunciou "o cancro da corrupção", com desvios de milhares de milhões de dólares, que deviam ser usados para o desenvolvimento dos povos. Apelou à democracia e ao fim de conflitos violentos intermináveis. "Ninguém devia ser presidente para a vida": "Não percebo porque é que as pessoas querem ficar tanto tempo no poder, especialmente quando têm muito dinheiro." Atirou contra a homofobia e a opressão da mulher: "África são as belas e talentosas filhas, tão capazes como os filhos de África."

2. Neste contexto, Francisco conhece o poder de Putin e quer boas relações. 
Aliás, um dos seus sonhos é visitar Moscovo. O seu "ministro" dos Negócios Estrangeiros, arcebispo R. Gallagher, declarou há dias: "A Federação Russa pode ter um papel na estabilização do Mediterrâneo, igual ao que teve na obtenção de um acordo sobre o programa nuclear iraniano."

O Papa Francisco tem consigo a missão decisiva de pôr ordem e renovar a Igreja. Mas sobre ele pesam igualmente responsabilidades históricas para com a humanidade toda, e também aqui o seu desempenho tem despertado, como disse Raúl Castro, "admiração mundial". Aliás, ele é um grande diplomata, afirmando o embaixador britânico junto da Santa Sé, Nagel Baker: "Nunca tivemos tanto trabalho. Todos os governos nos pedem continuamente in-formações sobre os movimentos do Papa Francisco."

Na continuação do texto de Sábado passado, apresento outros sinais da sua influência global.

3. Se um desejo maior de Francisco é visitar Moscovo, outro é ir a Pequim.
 O presidente Xi Jinping e Francisco trocaram mensagens de cortesia nas suas respectivas eleições em 2013 e a Igreja chinesa ordenou nos princípios deste mês o primeiro bispo fiel a Roma nos últimos três anos e ordenará em breve o segundo com a aprovação de Francisco. 
Sinais de abertura do governo chinês, que trabalha com o Vaticano para restabelecer relações diplomáticas. 
Hoje, com uns 12 milhões de católicos e mais de 70 milhões de cristãos, a China poderá ser em 2030 o país do mundo com maior número de cristãos, estando Francisco convencido de que o futuro do cristianismo se joga em grande parte na Ásia.

4. Na Europa, que países visitou Francisco? 
Significativamente três, de maioria muçulmana: Albânia, Bósnia e Turquia, com razoável convivência inter-religiosa. 
Francisco sabe que um problema maior no mundo e na Europa é e será a relação entre cristãos e muçulmanos. As duas religiões juntas são metade da humanidade, o que significa que a paz entre elas tem importância decisiva para o futuro.
Mas Francisco não se cansa de apelar à comunidade internacional para não abandonar as minorias cristãs e outras, perseguidas e esmagadas no Médio Oriente. O seu secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, lembrou mesmo, na ONU, que, para deter as agressões terroristas, "é lícito e urgente" o recurso "à acção multilateral e a um uso proporcionado da força".
Neste contexto, o vaticanista Sandro Magister sublinha a importância do acordo entre a Santa Sé e o Estado da Palestina, assinado em 26 de Junho no Vaticano. 
A novidade não estaria tanto na fórmula "Estado da Palestina", mas sobretudo no reconhecimento explícito da liberdade de religião e de consciência, bem como da liberdade da Igreja não só nos lugares de culto mas também nas actividades caritativas e sociais, no ensino, nos meios de comunicação social. 
"Trata-se de um reconhecimento sem precedentes por parte de um país muçulmano e poderia abrir o caminho para algo semelhante noutros países. Não é mero acaso o cardeal Parolin ter viajado recentemente até Abu Dhabi para inaugurar uma nova igreja com as mais altas autoridades dos Emiratos Árabes Unidos: uma mensagem eloquente para a vizinha Arábia Saudita, onde a simples posse de uma Bíblia continua a ser um delito gravíssimo" e a conversão a outra religião, sujeita à pena capital.

5. A encíclica Laudato si" ficará na história como a Magna Carta da ecologia integral, afirmando o teólogo X. Pikaza que "talvez não haja um documento da Igreja Católica que vá ter mais influência que esta encíclica".
Francisco acaba de designar o dia 1 de Setembro como Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. 
A encíclica foi louvada pelo secretário-geral da ONU, a FAO declarou que "nunca um papa falou tão directamente sobre o meio ambiente e com tanta credibilidade moral". Obama, que acaba de tomar medidas ecológicas históricas, citou o Papa, assegurando que a luta contra as mudanças climáticas "é uma obrigação moral". Neste contexto, a quatro meses da conferência sobre o clima que reunirá em Paris, em Dezembro, sob a égide da ONU, os seus 195 membros, na qual Francisco deposita grande esperança, François Hollande, num encontro em Paris de 40 personalidades políticas, religiosas e morais do mundo inteiro, declarou que é preciso chegar a acordo: "Não é uma questão de chefes de Estado ou de governo, mas de todos os habitantes do planeta." Prémios Nobel, reunidos em Constança, Alemanha, advertiram para as mudanças climáticas: se nada for feito, caminhamos para "uma ampla tragédia humana".

6. Por causa das suas posições a favor dos pobres e contra um sistema económico e financeiro que mata, conservadores americanos há que acusam Francisco de esquerdista, com concepções marxistas. 
O que ele não é. 
Neste contexto, The Washington Post, 1 de Agosto, escreveu que "não se pode entender o Papa sem Perón e Evita".
 Influenciado pelo peronismo na juventude, Francisco rejeita tanto o marxismo como o capitalismo selvagem, sem regras. 
O jornal cita o jesuíta Juan C. Scannone, seu antigo professor: é a favor de uma "teologia do povo", "não critica a economia de mercado, mas a fetichização do dinheiro e do livre mercado. Uma coisa é a economia de mercado e outra a hegemonia do capital sobre o povo".

24 de agosto de 2015

Académicos


Oral da cadeira de Anatomia do curso de medicina

Prof: Descreva o fígado.
Aluno: Os fígados...
Prof: Os fígados??!! Quantos são?
Aluno: Dois. Direito e esquerdo!

Oral da cadeira de psicologia do curso de medicina

- Onde se localiza o centro de inteligência?(área do córtex cerebral)
- Nos Estados Unidos da América.

Curso de Segurança Social, numa universidade privada lisboeta.

- Diga-me lá porque é que a taxa de natalidade é menor nos países desenvolvidos.
- Porque se trabalha mais do que nos países subdesenvolvidos.
- Ai sim?
- E tem-se menos tempo.
- Menos tempo para quê?
- (o aluno, hesitante e já embaraçado)
Menos tempo para fazer amor.

Oral na Faculdade de Medicina de Coimbra

- Minha senhora, diga-me, por favor, qual é o órgão do corpo humano que dilata até sete vezes o seu tamanho normal. 
A aluna retorce-se, transpira, cora indecentemente. Decide mesmo recusar-se a responder à pergunta.
 Numa sucessão de respostas infelizes a outras questões, acaba por chumbar.
 Na oral imediatamente seguinte, o professor resolve insistir na pergunta.
- Minha senhora, qual é o órgão do corpo humano que dilata até sete vezes o seu tamanho normal?
- (a aluna, respondendo prontamente) É a íris, senhor professor.
- (O examinador, com um sorriso largo) Por favor, diga à sua colega que vai ter muitas desilusões ao longo da vida.

Exame numa universidade privada, em Lisboa

- Dê-me um exemplo de um mito religioso.
- Um mito religioso?
Sancho Pança.
(estupefacto, o professor pede ao aluno para este escrever o que acabou de dizer.
O aluno escreve no papel: "S. Xupanssa").

Prova oral da cadeira de Direito Constitucional, numa Universidade privada de Lisboa.

- O que aconteceu no 25 de Abril foi o início do regime autoritário salazarista. Mas quem subiu ao poder foi o presidente do então PSD, Álvaro Cunhal, que viria a falecer em circunstâncias misteriosas no acidente de Camarate.

- Quais são as batalhas mais importantes da história portuguesa?

- Antes de mais, senhor doutor, a batalha de Alves Barrota.
O exame terminou aqui.

Num instituto superior da capital, 1º ano de Relações Internacionais.

A cadeira é Ciência Política.
O professor é um distinto deputado à Assembleia da República.
A aluna, com rara convicção, explica ao examinador tudo o que se passou no 25 de Abril de 1974:
"A revolução de 74 significou a queda de um regime militar dominado pelo almirante Américo Tomás e pelo marechal Marcelo Caetano, que governava o país depois de deposto o último rei de Portugal, Oliveira Salazar.
O 25 de Abril foi uma guerra entre dois marechais: o marechal Spínola e o marechal Caetano".
Obviamente, chumbou.

Outra versão, ainda mais criativa, desta vez numa Universidade privada de Lisboa, no 3ºano de Relações Internacionais.

- Descreva-me brevemente o que foi o 25 de Abril de 1974.
- Foi um golpe levado a cabo pelos militares, liderados por Salazar, contra Marcelino Caetano.
- (o professor, já disposto a divertir-se) E como enquadra o processo de descolonização nesse contexto?
- Bem, a guerra em África acabou quando Sá Carneiro, que, entretanto subiu ao poder, assinou a paz com os líderes negros moderados.
Foi por causa disso que ele e esses líderes morreram todos em Camarate.
- Já agora, pode dizer-me quem era o presidente da República Portuguesa antes de 1974?
- Samora Machel.
Conta quem assistiu à oral que o professor quase agrediu a aluna.

Uma professora de Direito Constitucional numa universidade privada do Porto questiona o aluno sobre a Constituição de 1933. Esta consagra a impossibilidade de os descendentes da casa de Bragança se candidatarem à presidência da República.

- "Diga-me lá porque é que D. Duarte, segundo a Constituição portuguesa de 1933, não poderia candidatar-se à presidência da república?".
- "Porque ele é actualmente o presidente português".

Noutra resposta à mesma pergunta, que esta professora recebeu:
- "Porque vivemos num sistema monárquico".

Numa outra prova oral de Direito Constitucional, o examinador pergunta ao aluno:

- Quem substitui o presidente Jorge Sampaio em caso de impossibilidade temporária deste?
- A mulher dele, a Maria José Ritta.

Uma universidade privada em Lisboa, 1997. A correcção manda que se diga que "as leis são emanadas pela Assembleia da República".
Discorrendo sobre o processo legislativo, um aluno responde que
"as leis vêm em manadas da Assembleia da República".

1º e 2º ano do curso de Relações Internacionais, numa universidade privada de Lisboa. 1988/1996. Algumas preciosidades:
- Quem é o actual presidente dos Estados Unidos?
- O Perez Troika.

- Paris é a capital de que país?
- Bruxelas.

- Quando foi a Revolução Liberal em Portugal?
- Em 1640.

- Diga-me, por favor, o que é a Nato.
- É a Organização do Tratado do Atlântico Norte.
- E a OTAN?
- (o examinado, depois de pensar demoradamente)
Bem, aí a doutrina divide-se.

- Então diga-me lá qual era o nome próprio de Hitler?
- Heil.

- Minha senhora, em que época histórica situa Adolfo Hitler?
- No século XVIII, senhor professor.
- Tem a certeza?
- Não! Desculpe.
No século XVII.

- Quem foi o grande impulsionador do nazismo?
- (o aluno, rápido e incisivo)
O Fura João Hitler.
- O "Fura".
- Sim.
É a designação hierárquica de Hitler.

Numa outra oral. Cadeira de História das Ideias Políticas e Sociais.

- Qual é a obra de fundo de Adolfo Hitler?
- É a Bíblia alemã.

- Pode dizer-me o que é um genocídio?
- É a morte dos genes.
- Como?
- É a morte dos genes e dos fetos.

Cadeira de Direito Internacional Público, uma universidade privada do Porto.

O professor, desesperado com a vacuidade das respostas de certo aluno em orais da especialidade, resolve tentar ajudar, recorrendo à geografia.
Questionado sobre a localização da Escandinávia, o aluno responde que fica algures na Ásia.
O examinador, rendido, brinca agora.
- Podemos então passar a chamar-lhe Escandinásia.
- Se calhar, senhor doutor.
- Não sabe que a Escandinávia fica na Europa?
- Pois é, tem razão!
- E fica a Norte ou a Sul?
- A sul.
- E sabe apontar-me alguma característica dos escandinavos?
- (o aluno, depois de longa pausa)
  Bem, eu acho que eles não são pretos.


(Todas da parceria com o FerreirAmigo)

BOA SEMANA!!