28 de Novembro de 2014

Consultório sexual


Programa "Conselhos da Dra. Lúcia" na Rádio​

Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Meu nome é Júlia. É verdade que a
gente pode engravidar em um banheiro público?

Dra. Lúcia: - Sim! Acho melhor você parar de trepar lá! Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Eu sou a Vera e queria saber porque os homens vão embora logo depois de transar com a gente no primeiro
encontro?

Dra. Lúcia: - Por que o encontro acabou. Caso contrário, seria casamento!
Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Me chamo Arlete e eu tenho um amigo que quer fazer sexo comigo, mas ele tem um pénis de 20 cm. Acho que vai ser doloroso, o que faço?

Dra. Lúcia: - Manda ele pra cá que eu testo pra você!! Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Eu sou a Rosa e eu queria um conselho! Como faço para seduzir o rapaz que eu amo?
Dra. Lúcia: - Tire a roupa! Se ele não te agarrar, caia fora que é gay!
Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Terminei com meu ex porque ele é muito galinha e agora estou com outro. Mas ainda gosto do ex e as vezes ainda fico com ele! O que devo fazer?

Dra. Lúcia: - Quem é mesmo a galinha nesta história? Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Aqui é a Rose e eu queria saber porque os homens se masturbam mesmo quando são casados?

Dra. Lúcia: - Minha amiga...jogo é jogo...treino é treino! Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Quero saber se a primeira vez dói.Tenho 21 anos e ainda não transei por que tenho medo de doer e não aguentar...
Dra. Lúcia: - Dói tanto que você vai ficar em coma e nunca mais vai levantar!... Deixa de ser fresca e dê de uma vez... oh Cinderela! Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Aqui é a Bruna! Eu queria saber se posso tomar anticoncepcional com diarreia...

Dra. Lúcia: - Olha...eu tomo com água, mas a opção é sua! Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Me chamo Jefferson e eu gostaria de saber como faço pra minha esposa gritar por uma hora depois do sexo!!!

Dra. Lúcia: - Limpe o pinto na cortina! Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Sou virgem e rolou pela primeira vez um lance de fazer sexo oral. Terminei engolindo o negócio e quero saber se corro o risco de ficar grávida. Estou desesperada!
Dra. Lúcia: - Claro que corre o risco de ficar grávida! E a criança, neste caso, vai sair pelo seu ouvido! Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Aqui é o Sílvio e eu gostaria de saber porque esses furacões recebem o nome de mulheres?

Dra. Lúcia: - Por que quando eles chegam são selvagens e molhados e, quando se vão, levam sua casa e seu carro junto com eles! Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra Lúcia! Aqui é o Fred! Me tire uma dúvida... O que são aquelas saliências ao redor dos mamilos das mulheres?

Dra. Lúcia: - É Braille e significa "chupe aqui"... Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Quero saber como enlouquecer meu namorado, só nos preliminares.

Dra. Lúcia: - Diga no ouvidinho dele..."minha menstruação está atrasada"! Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Sou feia e pobre. O que devo fazer para alguém gostar de mim?

Dra. Lúcia: - Ficar bonita e rica! Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Aqui é a Jaqueline! É o seguinte... O cara com quem estou saindo é muito legal, mas está dando sinais de ser alcoólatra. O que eu faço?

Dra. Lúcia: - Não deixe ele dirigir! Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Aqui é o Gabriel, me diga, porque não se pode confiar nas mulheres?

Dra. Lúcia: - Como alguém pode confiar em algo que sangra por cinco dias e não morre? Próxima!
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Ouvinte: - Bom dia Dra. Lúcia! Aqui é a Leta a, me diga, porque as mulheres esfregam os olhos de manhã, quando acordam?

Dra. Lúcia: - Por que elas não têm tomates para coçar!

[Todas recebidas de um tal FerreirAmigo, que parece que lançou um livro (oxalá não tenha acertado na cabeça de ninguém...) que tem o título Crónicas das minhas teclas (das teclas dele, está bem de ver)]

BOM FIM-DE-SEMANA!!

ESTOU REFORMADA


As pessoas que ainda trabalham, perguntam-me muitas vezes, o que é que eu faço todos os dias, agora que estou reformada .
Bem, por exemplo, outro dia eu fui tratar de um assunto no meu banco, não demorei muito, foi uma questão de cinco minutos.
Quando saí, um Polícia estava preenchendo uma multa por mau estacionamento.
Rapidamente aproximei-me dele e disse:
- Vá lá, senhor guarda, eu não demorei mais que cinco minutos! Deus irá recompensá-lo se tiver um gesto simpático para com uma reformada...
Ele ignorou-me completamente e continuou a preencher a multa.
Aí eu passei-me, e disse-lhe que só tinha demorado 1 minuto, blá blá blá...
Ele olhou-me friamente e começou a preencher outra infracção alegando que também não tinha a vinheta comprovativa do seguro.
Então levantei a voz para lhe dizer que já tinha percebido que estava a lidar com um polícia idiota e mal formado, e que nem compreendia como é que ele tinha sido admitido na polícia de trânsito...etc, etc
Ele terminou de autuar pela segunda infracção, colocando-a no para-brisas, e começou com um terceiro preenchimento.
Eu já o estava a chatear há mais de 20 minutos, chamando-o de tudo.
Ele, a cada "mimo", respondia com uma nova infracção e consequente preenchimento da respectiva multa acompanhada de um sorriso que reflectia uma satisfação de vingança.
Depois da décima violação... eu disse-lhe:
- Tenho pena senhor guarda, mas tenho que me ir embora... vem ali o meu Autocarro!
Desde que me reformei, aproveito todas as oportunidades para me divertir!
TENHO TEMPO...

BORRACHINHA


Na fila do autocarro estavam uma senhora e todos seus 10 filhos. 
Junto deles estava um senhor de meia idade, com uma das pernas de pau. 
O autocarro chegou, a criançada entrou primeiro e ocupou todos os bancos vazios. 
O senhor e a senhora entraram e ficaram de pé. 
Na arrancada do autocarro o senhor da perna de pau, com visível dificuldade, desequilibrou-se para trás, e o barulho foi inconfundível: 
TOC... TOC... TOC... TOC... 
Quando o autocarro travou, a mesma coisa aconteceu, agora para frente: 
TOC... TOC... TOC... TOC... 
No arranque, novamente: 
TOC... TOC... TOC... TOC... 
E assim foi, por várias vezes. 
Num determinado momento, já incomodada com o barulho e, ao mesmo tempo, tentando ser gentil, a mãe das 10 crianças disse ao perneta: 
- Perdão, mas eu gostaria de fazer uma sugestão ao senhor... Por que o senhor não coloca uma borrachinha na ponta do pau? Com certeza vai diminuir o barulho e incomodar menos a todos. 
Imediatamente, o perneta respondeu: 
- Agradeço a sugestão, mas se a senhora também tivesse colocado uma borrachinha na ponta do pau, há alguns anos atrás, estaríamos todos sentados, numa boa!! 

MINISTERIO DA SAÚDE ADVERTE: 
"USE SEMPRE BORRACHINHA NA PONTA DO PAU"

27 de Novembro de 2014

O princípio do fim do Occupy Central


Dois meses depois do seu início estamos a assistir ao que parece ser o princípio do fim do movimento Occupy Central.
Estruturas a serem removidas, confrontos entre manifestantes e polícia, detenções dos dois lados, sinais que chegam de Pequim no sentido de haver disponibilidade das autoridades centrais para discutir uma reformulação das estruturas de nomeação, e uma opinião pública que se mostra cansada e crescentemente desfavorável aos protestos (fala-se numa taxa de desaprovação de cerca de 80% da população), parecem constituir os ingredientes de um cocktail que ameaça  fazer transbordar o copo da paciência das autoridades centrais e de Hong Kong a qualquer momento.
Dois meses de protestos, de permanência nas ruas, com algumas das artérias principais de Hong Kong bloqueadas, resultaram até agora num jogo de paciência e de nervos com poucos avanços da parte de qualquer um dos envolvidos.
Mas também com poucos recuos.
Este impasse, que poucas autoridades públicas no mundo tolerariam, teria que ser resolvido.
Desde o início dos protestos, foi fácil intuir que Pequim não iria alterar substancialmente a sua posição.
Ou haveria um recuo dos manifestantes, coisa que não aconteceu, numa demonstração de resiliência e força de convicções impressionante, ou Pequim teria que dar algo de concreto a quem estava nas ruas para que se pudesse chegar a um entendimento.
Esse algo, do ponto de vista de Pequim, terá sido a supracitada disponibilidade para discutir a composição dos órgãos de nomeação.
Ainda que não seja suficiente, do ponto de vista dos manifestantes, os sinais que se podem recolher nestes dias apontam no sentido de ser a última oferta de Pequim.
Que chega ao mesmo tempo que um sonoro grito - basta!
As estruturas estão a ser desmontadas, a polícia está mobilizada, o Occupy Central está a chegar ao fim.
Para passar à História como case study.

HAWKING E FRANCISCO (Por Anselmo Borges in Diário de Notícias 8NOV2014)


1. Que disse o cientista inglês Stephen Hawking? "Antes de termos entendido a ciência, o lógico era crer que Deus criou o universo, mas agora a ciência oferece uma explicação mais convincente. Não há Deus. Sou ateu. A religião crê nos milagres, mas estes não são compatíveis com a ciência."
Pensa que o homem acabará por entender a origem e a estrutura do universo. "De facto, já estamos perto de conseguir este objectivo. Na minha opinião, não há nenhum aspecto da realidade fora do alcance da mente humana." Por isso, julga que a exploração espacial deve continuar e os grandes avanços científicos e tecnológicos neste domínio poderão "evitar o desaparecimento da Humanidade, graças à colonização de outros planetas".
2. O Papa Francisco veio afirmar que o Big Bang "não contradiz a intervenção criadora divina; pelo contrário, exige-a", desacreditando assim completamente os "criacionistas" e a sua leitura literal da Bíblia.
Duas declarações fundamentais. Por um lado, não há incompatibilidade entre o Big Bang e a fé no Deus criador, a evolução da natureza não contradiz a ideia de criação. Por outro lado, Francisco desfez a ideia infantil de um Deus mágico ou feiticeiro. Deus, que dá o ser a todos os seres, respeita a autonomia das criaturas, nomeadamente a autonomia do ser humano.
Textualmente: "Quando lemos no livro do Génesis o relato da criação, julgamos imaginar que Deus é um mago que com uma varinha mágica fez todas as coisas. Mas não é assim. Ele criou os seres e deixou-os desenvolver-se segundo as leis internas que deu a cada um, para que alcançassem o seu próprio desenvolvimento. Deu a autonomia aos seres do universo ao mesmo tempo que lhes assegurava a sua presença contínua, dando o ser a toda a realidade. E assim a criação prosseguiu a sua marcha por séculos e séculos, milénios e milénios, até transformar-se no que hoje conhecemos; precisamente porque Deus não é um mago mas o Criador que dá o ser a todas as coisas. O início do mundo não é obra do caos que deve a outro a sua origem, mas deriva directamente de um Princípio supremo que cria por amor. O Big Bang, que hoje se situa na origem do mundo, não contradiz a intervenção de um Criador divino; pelo contrário, exige-a. A evolução da natureza não se opõe à noção de criação, porque a evolução pressupõe a criação dos seres que evoluem".
O ser humano, que constitui na história da evolução "uma mudança e uma novidade", tem "uma autonomia diferente da da natureza": chama-se liberdade. Participando do poder de Deus, é sua missão investigar a natureza e as suas potencialidades, colocá-las com responsabilidade ao serviço da humanidade, salvaguardar a criação e "construir um mundo humano para todos os seres humanos e não para um grupo ou classe de pessoas privilegiadas".
3. Aí estão duas tomadas de posição frente ao enigma do universo, mais concretamente, do enigma da existência humana. Elas contrapõem-se, mas nem uma nem outra assenta na ciência. De facto, com argumentos científicos, não se chega a Deus, mas também não se demonstra o ateísmo. Deus não é objecto de saber científico. A ciência não sabe se Deus existe ou não existe. Quem afirma que Deus existe fá-lo baseado na fé, com razões. Quem afirma que Deus não existe fá- -lo também num acto de crença, com razões. Há razões para acreditar em Deus e razões para não acreditar.
Segundo as exigências do seu próprio método, a ciência não pode pronunciar-se sobre as grandes questões metafísicas. Mas, na presente situação do conhecimento científico, são os próprios resultados da ciência que desembocam num universo enigmático, aberto a um fundo último, misterioso, deixando o ser humano numa profunda incerteza metafísica, como escreve o neuró- logo e filósofo Javier Monserrat. Quando se pergunta pelo fundamento último, o homem fica aberto a duas hipóteses metafísicas, não sabendo com certeza se se trata de um puro mundo sem Deus ou se o universo se fundamenta em Deus.
A imagem que a ciência segundo o modelo-padrão nos dá é a de um universo que se produz a partir do Big Bang e terminará numa morte energética, portanto, um universo finito e, assim, "um universo que nasce a partir de um 'fundo' desconhecido no qual ficará reabsorvido". A pergunta que então se coloca é como entender esse fundo ou "mar de energia", essa espécie de meta-realidade a que o universo está referido. O ateísmo poderia ser uma conjectura metafísica filosoficamente possível: "O metafísico seria uma realidade impessoal na qual se produziria de modo cego o nosso universo." Mas o teísmo é uma conjectura metafísica igualmente possível: "O metafísico poderia ser uma Inteligência Pessoal capaz de criar o universo."

26 de Novembro de 2014

Arrumar a casa, fechar as portas e dar lugar a novos inquilinos


O Executivo de Macau está nitidamente em fase de arrumações de fim de ciclo para temporariamente fechar as portas e dar lugar a novos inquilinos.
Ver, nos tempos mais recentes, os detentores de altos cargos políticos e administrativos esquivar-se a responder a questões mais complexas, e delegar essa tarefa em funcionários sem capacidade nem talento para tal, tem sido absolutamente penoso.
Esta fase de indefinição, de um Executivo que se prepara para sair em bloco para dar lugar a um outro novinho em folha, está a arrastar-se há demasiado tempo.
Ou há muito trabalho nos bastidores, e os actuais secretários estão a pôr os seus sucessores ao corrente de todos os dossiers, ou se anda a perder precioso tempo em montagens de uma ópera bufa de péssima qualidade.
Mas, ainda que haja esse trabalho de bastidores, fica por explicar a utilidade de constantes interpelações que invariavelmente não merecem resposta minimamente esclarecedora.
O novo Executivo tomará posse dentro de menos de um mês (20 de Dezembro).
Até lá, não será preferível parar para reflexão e arrumações em vez de fingir que se está a trabalhar?

Discurso do Papa Francisco durante a visita ao Parlamento Europeu



Tradução oficial

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Vice-Presidentes, Ilustres Eurodeputados,
Pessoas que a vários títulos trabalhais neste hemiciclo, Queridos amigos!

Agradeço-vos o convite para falar perante esta instituição fundamental da vida da União Europeia e a oportunidade que me proporcionais de me dirigir, por vosso intermédio, a mais de quinhentos milhões de cidadãos por vós representados nos vinte e oito Estados membros. Desejo exprimir a minha gratidão de modo particular a Vossa Excelência, Senhor Presidente do Parlamento, pelas cordiais palavras de boas-vindas que me dirigiu em nome de todos os componentes da Assembleia.

A minha visita tem lugar passado mais de um quarto de século da realizada peloPapa João Paulo II. Desde aqueles dias, muita coisa mudou na Europa e no mundo inteiro.Já não existem os blocos contrapostos que, então, dividiam em dois o Continente e, lentamente, está a realizar-se o desejo de que «a Europa, ao dotar-se soberanamente de instituições livres, possa um dia desenvolver-se em dimensões que lhe foram dadas pela geografia e, mais ainda, pela história.

A par duma União Europeia mais ampla, há também um mundo mais complexo e em intensa movimentação: um mundo cada vez mais interligado e global e, consequentemente, sempre menos «eurocêntrico» . A uma União mais alargada, mais influente, parece contrapor-se a imagem duma Europa um pouco envelhecida e empachada, que tende a sentir-se menos protagonista num contexto que frequentemente a olha com indiferença, desconfiança e, por vezes, com suspeita.

Hoje, falando-vos a partir da minha vocação de pastor, desejo dirigir a todos os cidadãos europeus uma mensagem de esperança e encorajamento.

Uma mensagem de esperança assente na confiança de que as dificuldades podem revelar-se, fortemente, promotoras de unidade, para vencer todos os medos que a Europa – juntamente com o mundo inteiro – está a atravessar. Esperança no Senhor que transforma o mal em bem e a morte em vida.

Encorajamento a voltar à firme convicção dos Pais fundadores da União Europeia, que desejavam um futuro assente na capacidade de trabalhar juntos para superar asdivisões e promover a paz e a comunhão entre todos os povos do Continente.

No centro deste ambicioso projecto político, estava a confiança no homem, não tanto como cidadão ou como sujeito económico, mas no homem como pessoa dotada de uma dignidade transcendente.

Sinto obrigação, antes de mais nada, de sublinhar a ligação estreita que existe entre estas duas palavras: «dignidade» e «transcendente».

«Dignidade» é a palavra-chave que caracterizou a recuperação após a Segunda GuerrraMundial. A nossa história recente caracteriza-se pela inegável centralidade da promoção da dignidade humana contra as múltiplas violências e discriminações que não faltaram, ao longo dos séculos, nem mesmo na Europa. A percepção da importância dos direitos humanos nasce precisamente como resultado de um longo caminho, feito também de muitos sofrimentos e sacrifícios, que contribuiu para formar a consciência da preciosidade, unicidade e irrepetibilidade de cada pessoa humana. Esta tomada de consciência cultural tem o seu fundamento não só nos acontecimentos da história, mas sobretudo no pensamento europeu, caracterizado por um rico encontro cujas numerosas e distantes fontes provêm da Grécia e de Roma, de substratos celtas, germânicos e eslavos, e do cristianismo que os plasmou profundamente, dando origem precisamente ao conceito de "pessoa".

Hoje, a promoção dos direitos humanos ocupa um papel central no empenho da União Europeia que visa promover a dignidade da pessoa, tanto no âmbito interno como nas relações com os outros países. Trata-se de um compromisso importante e admirável, porque persistem ainda muitas situações onde os seres humanos são tratados como objectos, dos quais se pode programar a concepção, a configuração e a utilidade, podendo depois ser jogados fora quando já não servem porque se tornaram frágeis, doentes ou velhos.

Realmente que dignidade existe quando falta a possibilidade de exprimir livremente o pensamento próprio ou professar sem coerção a própria fé religiosa? Que dignidade é possível sem um quadro jurídico claro, que limite o domínio da força e faça prevalecer a lei sobre a tirania do poder? Que dignidade poderá ter um homem ou uma mulher tornados objecto de todo o género de discriminação? Que dignidade poderáencontrar uma pessoa que não tem o alimento ou o mínimo essencial para viver e, pior ainda, o trabalho que o unge de dignidade?

Promover a dignidade da pessoa significa reconhecer que ela possui direitos inalienáveis, de que não pode ser privada por arbítrio de ninguém e, muito menos, para benefício de interesses económicos.

É preciso, porém, ter cuidado para não cair em alguns equívocos que podem surgir de um errado conceito de direitos humanos e de um abuso paradoxal dos mesmos. De facto, há hoje a tendência para uma reivindicação crescente de direitos individuais, que esconde uma concepção de pessoa humana separada de todo o contexto social e antropológico, quase como uma «mónada» (μονάς) cada vez mais insensível às outras «mónadas» ao seu redor. Ao conceito de direito já não se associa o conceito igualmente essencial e complementar de dever, acabando por afirmar-se os direitos do indivíduo sem ter em conta que cada ser humano está unido a um contexto social, onde os seus direitos e deveres estão ligados aos dos outros e ao bem comum da própria sociedade.

Por isso, considero que seja mais vital hoje do que nunca aprofundar uma cultura dos direitos humanos que possa sapientemente ligar a dimensão individual, ou melhor pessoal, à do bem comum, àquele «nós-todos» formado por indivíduos, famílias e grupos intermédios que se unem em comunidade social. Na realidade, se o direito de cada um não está harmoniosamente ordenado para o bem maior, acaba por conceber-se sem limitações e, por conseguinte, tornar-se fonte de conflitos e violências.

Assim, falar da dignidade transcendente do homem significa apelar para a sua natureza, a sua capacidade inata de distinguir o bem do mal, para aquela «bússola»inscrita nos nossos corações e que Deus imprimiu no universo criado; sobretudo significa olhar para o homem, não como um absoluto, mas como um ser relacional. Uma das doenças que, hoje, vejo mais difusa na Europa é a solidão, típica de quem está privado de vínculos. Vemo-la particularmente nos idosos, muitas vezes abandonados à sua sorte, bem como nos jovens privados de pontos de referência e de oportunidades para o futuro; vemo-la nos numerosos pobres que povoam as nossas cidades; vemo-la no olhar perdido dos imigrantes que vieram para cá à procura de um futuro melhor.

Uma tal solidão foi, depois, agravada pela crise económica, cujos efeitos persistem ainda com consequências dramáticas do ponto de vista social. Pode-se também constatar que, no decurso dos últimos anos, a par do processo de alargamento da União Europeia, tem vindo a crescer a desconfiança dos cidadãos relativamente às instituições consideradas distantes, ocupadas a estabelecer regras vistas como distantes da sensibilidade dos diversos povos, se não mesmo prejudiciais. De vários lados se colhe uma impressão geral de cansaço e envelhecimento, de uma Europa avó que já não é fecunda nem vivaz. Daí que os grandes ideais que inspiraram a Europa pareçam ter perdido a sua força de atracção, em favor do tecnicismo burocrático das suas instituições.

A isto vêm juntar-se alguns estilos de vida um pouco egoístas, caracterizados por uma opulência actualmente insustentável e muitas vezes indiferente ao mundo circundante, sobretudo dos mais pobres. No centro do debate político, constata-se lamentavelmente a preponderância das questões técnicas e económicas em detrimento de uma autêntica orientação antropológica. O ser humano corre o risco de ser reduzido a mera engrenagem dum mecanismo que o trata como se fosse um bem de consumo a ser utilizado, de modo que a vida – como vemos, infelizmente, com muita frequência –,quando deixa de ser funcional para esse mecanismo, é descartada sem muitas delongas, como no caso dos doentes terminais, dos idosos abandonados e sem cuidados, ou das crianças mortas antes de nascer.

É o grande equívoco que se verifica «quando prevalece a absolutização da técnica», acabando por gerar «uma confusão entre fins e meios», que é o resultado inevitável da«cultura do descarte» e do «consumismo exacerbado». Pelo contrário, afirmar a dignidade da pessoa significa reconhecer a preciosidade da vida humana, que nos é dada gratuitamente não podendo, por conseguinte, ser objecto de troca ou de comércio. Na vossa vocação de parlamentares, sois chamados também a uma grande missão, ainda que possa parecer não lucrativa: cuidar da fragilidade dos povos e das pessoas. Cuidar da fragilidade quer dizer força e ternura, luta e fecundidade no meio dum modelo funcionalista e individualista que conduz inexoravelmente à «cultura do descarte». Cuidar da fragilidade das pessoas e dos povos significa guardar a memória e a esperança; significa assumir o presente na sua situação mais marginal e angustiante e ser capaz de ungi-lo de dignidade.

Mas, então, como fazer para se devolver esperança ao futuro, de modo que, a partir das jovens gerações, se reencontre a confiança para perseguir o grande ideal de uma Europa unida e em paz, criativa e empreendedora, respeitadora dos direitos e consciente dos próprios deveres?

Para responder a esta pergunta, permiti-me lançar mão de uma imagem. Um dos mais famosos frescos de Rafael que se encontram no Vaticano representa a chamada Escola de Atenas. No centro, estão Platão e Aristóteles. O primeiro com o dedo apontando para o alto, para o mundo das ideias, poderíamos dizer para o céu; o segundo estende a mão para a frente, para o espectador, para a terra, a realidade concreta.Parece-me uma imagem que descreve bem a Europa e a sua história, feita de encontro permanente entre céu e terra, onde o céu indica a abertura ao transcendente, a Deus, que desde sempre caracterizou o homem europeu, e a terra representa a sua capacidade prática e concreta de enfrentar as situações e os problemas.

O futuro da Europa depende da redescoberta do nexo vital e inseparável entre estes dois elementos. Uma Europa que já não seja capaz de se abrir à dimensão transcendente da vida é uma Europa que lentamente corre o risco de perder a sua própria alma e também aquele «espírito humanista» que naturalmente ama e defende.

É precisamente a partir da necessidade de uma abertura ao transcendente que pretendo afirmar a centralidade da pessoa humana; caso contrário, fica à mercê das modas e dos poderes do momento. Neste sentido, considero fundamental não apenas o património que o cristianismo deixou no passado para a formação sociocultural do Continente, mas também e sobretudo a contribuição que pretende dar hoje e no futuro para o seu crescimento. Esta contribuição não constitui um perigo para a laicidade dos Estados e para a independência das instituições da União, mas um enriquecimento. Assim no-lo indicam os ideais que a formaram desde o início, tais como a paz, a subsidiariedade e a solidariedade mútua, um humanismo centrado no respeito pela dignidade da pessoa.

Por isso, desejo renovar a disponibilidade da Santa Sé e da Igreja Católica, através da Comissão das Conferências Episcopais da Europa (COMECE), a manter um diálogo profícuo, aberto e transparente com as instituições da União Europeia. De igual modo, estou convencido de que uma Europa que seja capaz de conservar as suas raízes religiosas, sabendo apreender a sua riqueza e potencialidades, pode mais facilmente também permanecer imune a tantos extremismos que campeiam no mundo actual – o que se fica a dever também ao grande vazio de ideais a que assistimos no chamado Ocidente –, pois «o que gera a violência não é a glorificação de Deus, mas o seu esquecimento».

Não podemos deixar de recordar aqui as numerosas injustiças e perseguições que se abatem diariamente sobre as minorias religiosas, especialmente cristãs, em várias partes do mundo. Comunidades e pessoas estão a ser objecto de bárbaras violências: expulsas de suas casas e pátrias; vendidas como escravas; mortas, decapitadas, crucificadas e queimadas vivas, sob o silêncio vergonhoso e cúmplice de muitos.

O lema da União Europeia é Unidade na diversidade, mas a unidade não significa uniformidade política, económica, cultural ou de pensamento. Na realidade, toda a unidade autêntica vive da riqueza das diversidades que a compõem: como uma família, que é tanto mais unida quanto mais cada um dos seus componentes pode ser ele próprio profundamente e sem medo. Neste sentido, considero que a Europa seja uma família de povos, os quais poderão sentir próximas as instituições da União se estas souberem conjugar sapientemente o ideal da unidade, por que se anseia, com a diversidade própria de cada um, valorizando as tradições individuais; tomando consciência da sua história e das suas raízes; libertando-se de tantas manipulações e fobias. Colocar no centro a pessoa humana significa, antes de mais nada, deixar que a mesma exprima livremente o próprio rosto e a própria criatividade tanto de indivíduo como de povo.

Por outro lado, as peculiaridades de cada um constituem uma autêntica riqueza na medida em que são colocadas ao serviço de todos. É preciso ter sempre em mente a arquitectura própria da União Europeia, assente sobre os princípios de solidariedade e subsidiariedade, de tal modo que prevaleça a ajuda recíproca e seja possível caminhar animados por mútua confiança.

Nesta dinâmica de unidade-particularidade, coloca-se também diante de vós, Senhores e Senhoras Eurodeputados, a exigência de cuidardes de manter viva a democracia dos povos da Europa. Não escapa a ninguém que uma concepção homologante da globalidade afecta a vitalidade do sistema democrático, depauperando do que tem de fecundo e construtivo o rico contraste das organizações e dos partidos políticos entre si. Deste modo, corre-se o risco de viver no reino da ideia, da mera palavra, da imagem, do sofisma... acabando por confundir a realidade da democracia com um novo nominalismo político. Manter viva a democracia na Europa exige que se evitem muitas «maneiras globalizantes» de diluir a realidade: os purismos angélicos, os totalitarismos do relativo, os fundamentalismos a-históricos, os eticismos sem bondade, os intelectualismos sem sabedoria.

Manter viva a realidade das democracias é um desafio deste momento histórico, evitando que a sua força real – força política expressiva dos povos – seja removida face à pressão de interesses multinacionais não universais, que as enfraquecem e transformam em sistemas uniformizadores de poder financeiro ao serviço de impérios desconhecidos.Este é um desafio que hoje vos coloca a história.

Dar esperança à Europa não significa apenas reconhecer a centralidade da pessoa humana, mas implica também promover os seus dotes. Trata-se, portanto, de investir nela e nos âmbitos onde os seus talentos são formados e dão fruto. O primeiro âmbito é seguramente o da educação, a começar pela família, célula fundamental e elemento precioso de toda a sociedade. A família unida, fecunda e indissolúvel traz consigo os elementos fundamentais para dar esperança ao futuro. Sem uma tal solidez, acaba-se por construir sobre a areia, com graves consequências sociais. Aliás, sublinhar a importância da família não só ajuda a dar perspectivas e esperança às novas gerações, mas também a muitos idosos, frequentemente constrangidos a viver em condições de solidão e abandono, porque já não há o calor dum lar doméstico capaz de os acompanhar e apoiar.

Ao lado da família, temos as instituições educativas: escolas e universidades. A educação não se pode limitar a fornecer um conjunto de conhecimentos técnicos, mas deve favorecer o processo mais complexo do crescimento da pessoa humana na sua totalidade. Os jovens de hoje pedem para ter uma formação adequada e completa, a fim de olharem o futuro com esperança e não com desilusão. Aliás são numerosas as potencialidades criativas da Europa em vários campos da pesquisa científica, alguns dos quais ainda não totalmente explorados. Basta pensar, por exemplo, nas fontes alternativas de energia, cujo desenvolvimento muito beneficiaria a defesa do meio ambiente.

A Europa sempre esteve na vanguarda dum louvável empenho a favor da ecologia.De facto, esta nossa terra tem necessidade de cuidados e atenções contínuos e é responsabilidade de cada um preservar a criação, dom precioso que Deus colocou nas mãos dos homens. Isto significa, por um lado, que a natureza está à nossa disposição, podemos gozar e fazer bom uso dela; mas, por outro, significa que não somos os seus senhores. Guardiões, mas não senhores. Por isso, devemos amá-la e respeitá-la; mas, «ao contrário, somos frequentemente levados pela soberba do domínio, da posse, da manipulação, da exploração; não a “guardamos”, não a respeitamos, não a consideramos como um dom gratuito do qual cuidar». Mas, respeitar o ambiente não significa apenas limitar-se a evitar deturpá-lo, mas também utilizá-lo para o bem. Penso sobretudo no sector agrícola, chamado a dar apoio e alimento ao homem. Não se pode tolerar que milhões de pessoas no mundo morram de fome, enquanto toneladas de produtos alimentares são descartadas diariamente das nossas mesas. Além disso, respeitar a natureza lembra-nos que o próprio homem é parte fundamental dela. Por isso, a par duma ecologia ambiental, é preciso a ecologia humana, feita daquele respeito pela pessoa que hoje vos pretendi recordar com as minhas palavras.

O segundo âmbito em que florescem os talentos da pessoa humana é o trabalho. É tempo de promover as políticas de emprego, mas acima de tudo é necessário devolver dignidade ao trabalho, garantindo também condições adequadas para a sua realização.Isto implica, por um lado, encontrar novas maneiras para combinar a flexibilidade do mercado com as necessidades de estabilidade e certeza das perspectivas de emprego, indispensáveis para o desenvolvimento humano dos trabalhadores; por outro, significa fomentar um contexto social adequado, que não vise explorar as pessoas, mas garantir, através do trabalho, a possibilidade de construir uma família e educar os filhos.

De igual forma, é necessário enfrentar juntos a questão migratória. Não se pode tolerar que o Mar Mediterrâneo se torne um grande cemitério! Nos barcos que chegam diariamente às costas europeias, há homens e mulheres que precisam de acolhimento e ajuda. A falta de um apoio mútuo no seio da União Europeia arrisca-se a incentivar soluções particularistas para o problema, que não têm em conta a dignidade humana dos migrantes, promovendo o trabalho servil e contínuas tensões sociais. A Europa será capaz de enfrentar as problemáticas relacionadas com a imigração, se souber propor com clareza a sua identidade cultural e implementar legislações adequadas capazes de tutelar os direitos dos cidadãos europeus e, ao mesmo tempo, garantir o acolhimento dos imigrantes; se souber adoptar políticas justas, corajosas e concretas que ajudem os seus países de origem no desenvolvimento sociopolítico e na superação dos conflitos internos –a principal causa deste fenómeno – em vez das políticas interesseiras que aumentam e nutrem tais conflitos. É necessário agir sobre as causas e não apenas sobre os efeitos.

Senhor Presidente, Excelências, Senhoras e Senhores Deputados!

A consciência da própria identidade é necessária também para dialogar de forma propositiva com os Estados que se candidataram à adesão à União Europeia no futuro.Penso sobretudo nos Estados da área balcânica, para os quais a entrada na União Europeia poderá dar resposta ao ideal da paz numa região que tem sofrido enormemente por causa dos conflitos do passado. Por fim, a consciência da própria identidade é indispensável nas relações com os outros países vizinhos, particularmente os que assomam ao Mediterrâneo, muitos dos quais sofrem por causa de conflitos internos e pela pressão do fundamentalismo religioso e do terrorismo internacional.

A vós, legisladores, compete a tarefa de preservar e fazer crescer a identidade europeia, para que os cidadãos reencontrem confiança nas instituições da União e no projecto de paz e amizade que é o seu fundamento. Sabendo que, «quanto mais aumenta o poder dos homens, tanto mais cresce a sua responsabilidade, pessoal e comunitária», exorto-vos a trabalhar para que a Europa redescubra a sua alma boa.

Um autor anónimo do século II escreveu que «os cristãos são no mundo o que a alma é para o corpo». A tarefa da alma é sustentar o corpo, ser a sua consciência e memória histórica. E uma história bimilenária liga a Europa e o cristianismo. Uma história não livre de conflitos e erros, mas sempre animada pelo desejo de construir o bem. Vemo-lo na beleza das nossas cidades e, mais ainda, na beleza das múltiplas obras de caridade e de construção comum que constelam o Continente. Esta história ainda está, em grande parte, por escrever. Ela é o nosso presente e também o nosso futuro. É a nossa identidade. E a Europa tem uma necessidade imensa de redescobrir o seu rosto para crescer, segundo o espírito dos seus Pais fundadores, na paz e na concórdia, já que ela mesma não está ainda isenta dos conflitos.
  
Queridos Eurodeputados, chegou a hora de construir juntos a Europa que gira, não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente. Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa temerosa e fechada sobre si mesma para suscitar e promover a Europa protagonista, portadora de ciência, de arte, de música, de valores humanos e também de fé. A Europa que contempla o céu e persegue ideais; a Europa que assiste, defende e tutela o homem; a Europa que caminha na terra segura e firme, precioso ponto de referência para toda a humanidade!

Obrigado!

25 de Novembro de 2014

José Sócrates em prisão preventiva


"Platão considerou que Sócrates foi condenado por questões evidentemente políticas. Por seu lado, Xenofonte atribuiu a acusação a Sócrates a um facto de ordem pessoal, pelo desejo de vingança. O propósito não era a morte de Sócrates mas sim afastá-lo de Atenas e se isso não ocorreu deveu-se à teimosia de Sócrates." (Jornal Nordeste, A Morte de Sócrates, por José António Ferreira, Arquivo, Edição de 29-03-2011, Secção Opinião).
Sócrates, o filósofo, que era teimoso e graças a essa teimosia criou inimizades, acabou por ser julgado, guardado por 30 dias sob custódia de onze magistrados encarregues da polícia e da administração penitenciária em Atenas, até beber o veneno (cicuta) que o mataria antes de ser executado pelos atenienses.
José Sócrates, o político, profundamente teimoso como o seu homónimo, ficou ontem a conhecer as medidas de coacção que lhe foram aplicadas pelo Tribunal Central de Instrução Criminal - prisão preventiva (guardado por funcionários encarregues da polícia e da administração penitenciária em Portugal) por lhe ser imputada a prática dos crimes de fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.
À semelhança do filósofo grego, será este também um processo político?
É muito arriscado fazer este tipo de afirmações.
Principalmente no quadro de um processo que tem seguido todos os trâmites legalmente previstos.
Que terá uma conotação e consequências políticas, disso não tenhamos dúvidas.
Motivação política?
Com tanta poeira no ar, com uma constante actividade de (des)informação e bufaria (José Sócrates só confirma a regra, não é excepção), mais afirmações bombásticas destituídas de uma sólida base factual são de todo de evitar.
Sócrates, o filósofo, ouviu da voz de Meleto a acusação de ser culpado do crime de não reconhecer os deuses reconhecidos pelo Estado e de introduzir divindades novas e de corromper a juventude. 
José Sócrates ouviu da voz do juiz Carlos Alexandre acusações muito concretas.
Que devem basear-se em factos e na sua gravidade para que a Justiça não sofra mais um golpe profundo.
Todos nós que como os atenienses assistimos ao julgamento devemos adoptar a filosofia e o método socrático e perceber que a nossa sabedoria é limitada pela nossa própria ignorância.
A partir do momento em que tomei conhecimento da detenção de José Sócrates, e até que sejam tornados públicos os factos que hipoteticamente sustentam essa detenção e as medidas de coacção agora decretadas, seguirei escrupulosamente Sócrates, o filósofo  - "só sei que nada sei".

Há pessoas a quem o fim-de-semana faz mal


24 de Novembro de 2014

O Gago


Uma estação de rádio estava selecionando um novo locutor e eis que o primeiro candidato é chamado: 
- Qual o seu nome, por favor?
    Com uma bela voz ele responde.
- Papapaulo dadada Sisisilva.
- Porra, mas como é que eu vou contratar um gago para ser locutor?
- Gago era meu pai. E o funcionário do cartório era um filho da puta!

(Pois, todas do inesgotável filão FerreirAmigo)

BOA SEMANA!!

Conversa entre duas cinquentonas



 Olá!
Conta-me...Como correu o teu encontro na outra noite?
Horrível! Não sei o que se passou!
Porquê?... Não te deu nem um beijo? 
 Sim!!!...Beijou-me  tão forte! E mordeu-me os lábios com tanta força que pensei que me ia saltar o implante de colagénio!... Depois começou a acariciar-me o cabelo e soltaram-se algumas extensões que tinha.
 Não me digas que terminou aí?
Nãooo...!! Depois agarrou-me a cara entre as mãos, até que tive que lhe pedir para parar porque estava a espalhar o botox! Além disso, as minhas pestanas postiças ficaram coladas no seu nariz. 
 E não tentou mais nada?
Sim...começou a fazer-me festas nas pernas. Tive que o travar porque me lembrei que não tinha tido tempo de fazer a depilação, e ao tentar pará-lo, saltaram-me duas unhas postiças. Depois deu-lhe um ataque de luxúria arrebatador e abraçou-me com tanta força que quase mudou a forma dos meus implantes de silicone. 
 E depois o que aconteceu? 
 Pôs-se a beber champanhe do meu sapato!
 Ai...que romântico!!!
 Romântico?...quase que morre ali mesmo!
 Porquê?
 Porque engoliu o corrector de joanetes e quase que sufocou! 
 E depois, o que aconteceu?
 Acreditas que se foi embora???
 Cá para mim, era maricas!

Piada de telemóvel



Uma óptima ideia para calar quem vive agarrado ao telemóvel e que fala sem parar à frente de todos!

Depois de um longo e agitado dia de trabalho, um homem sentou-se no comboio, recostou-se e fechou os olhos.
Quando o comboio saía da estação, a mulher que se sentara a seu lado, pegou no telemóvel e começou a falar bem alto:
-"Olá meu amor, aqui é a Susi, já estou no comboio... sim, eu sei, é o das seis e meia... não apanhei o das quatro e meia porque estive numa reunião que nunca mais acabava...
Nãooooo, não foi com o Leandro dos Recursos Humanos, foi com o meu chefe...
Nãooooo amor, és o único da minha vida, tu sabes... sim meu amor, amo-te tanto, bla, bla, bla, bla, bla..."
Passados 15 minutos, a mulher continuava a falar, a falar, a falar, e sempre alto...
O homem, já cansado de a ouvir, aproximou-se dela, e com voz clara, disse quase encostado ao telemóvel:
- "Susi, desliga o telemóvel e volta para a cama!!!"

(Consta que Susi nunca mais usou o telemóvel na via pública...)

21 de Novembro de 2014

PAPAGAIOS CATÓLICOS


Uma moça diz ao padre:
- Padre, tenho um problema!
- Diz-me minha filha, o que te apoquenta?
- Tenho dois papagaios fêmea, muito bonitas, mas a única coisa que sabem dizer é "Olá, somos putas. Querem divertir-se um bocado?"
Diz o padre:
- Oh minha filha, isso está muito mal, realmente. Mas acho que tenho a solução para o teu problema. Também eu tenho dois papagaios machos aos quais ensinei a ler a Bíblia e a rezar. Vais trazer os teus animais que juntamos na mesma gaiola com os meus. Aprenderão a rezar, a ler a Bíblia e decerto deixarão de dizer asneiras e disparates.
No dia seguinte a senhora chega com os pássaros e repara que os do padre estão concentradíssimos a rezar o terço. Quando colocam as fêmeas na gaiola estas não esperam e como de costume:
- "Olá, somos putas. Querem divertir-se um bocado?"
Um dos papagaios do padre pára de rezar e diz para o outro:
- Irmão, guarda o terço, Deus ouviu as nossas orações! Chegaram as gajas!!

(Todas do inesgotável cancioneiro do FerreirAmigo)

BOM FIM-DE-SEMANA!!

Vaselina


Certo dia o Felisberto resolveu comprar uma moto.
Só havia um problema: Os cromados.
O vendedor aconselhou-o a usar vaselina para os proteger sempre que chovesse, e assim foi: o Felisberto sempre que via chuva, lá ia ele besuntar a moto com vaselina.
 Um dia conheceu uma rapariga e começaram a namorar.
 Certo dia, ela resolve convidá-lo a ir jantar lá a casa e conhecer os seus pais.
 E assim foi.
 Chegada a hora da refeição, o pai diz:
 - Cá em casa temos uma regra: Como ninguém gosta de lavar a louça, quem falar primeiro depois de acabar a refeição, lava a louça.
 Felisberto achou tudo muito estranho, mas assim fez. No final da refeição resolveu experimentar para ver se ninguém falava mesmo, e começa a beijar a namorada à descarada.
 Grande marmelada à mesa e ninguém se pronunciava.
 Resolveu ir mais longe e pegou na namorada, pô-la em cima da mesa e.... pimba.
 E tudo continuava calado.
 Não contente, pega na futura sogra e.... pimba.
 E ninguém dizia nada.
 Nisto começa a chover.
 Felisberto dirige-se ao seu blusão e saca da embalagem de vaselina.
O pai olha assustado para a vaselina e diz muito rapidamente:
-OK, OK, eu lavo a louça !!!!!...

Judeu a conversar com Deus


Judeu: Deus? 
Deus: Sim! 
Judeu: Posso-lhe fazer uma pergunta? 
Deus: Claro, meu filho ! 
Judeu: O que é um milhão de anos para si?
Deus: Um segundo. 
Judeu: E um milhão de dólares? 
Deus: Um centavo. 
Judeu: Deus, pode-me dar um centavo? 
Deus: Sim, espere só um segundo.