31 de março de 2015

Um mordomo com as condições de um escravo


As deputadas Song Pek Kei e Wong Kit Cheng vieram bater (uma vez mais...) as teclas da regulamentação do acesso de trabalhadores não-residentes ao mercado de trabalho e da necessidade de revisão da legislação que enquadra o sector no sentido de restringir o acesso de não-residentes ao mercado de trabalho de Macau.
Desta vez com um alvo muito específico - as empregadas domésticas.
Teimosamente autistas (não quero ser indelicado e utilizar outra adjectivação...), as duas deputadas esquecem os problemas tremendos que as empregadas domésticas enfrentam (recentemente tive conhecimento do caso de uma empregada doméstica de nacionalidade filipina que teve de abandonar Macau vergada ao peso da fome porque lhe eram entregues 100 patacas diárias para a alimentação, almoço e jantar, de uma família de quatro pessoas e da sua própria alimentação), para se concentrarem nos "fenómenos estranhos surgidos recentemente" (um caso de furto e outro de maus tratos envolvendo empregadas domésticas).
Mais, as duas deputadas insurgem-se com as poucas habilitações que as empregadas domésticas possuem.
A atitude xenófoba, ignorante, das deputadas Song Pek Kei e Wong Kit Cheng está longe de ser novidade, muito longe de ser exemplo isolado.
Bem pelo contrário, estas declarações apenas traduzem o que tantas vezes, com tantos protagonistas, se vai ouvindo frequentemente em Macau e que se pode simplesmente qualificar como vontade de ter ao serviço um mordomo britânico oferecendo-lhe como contrapartida as condições de um escravo.

Homenagem ao barítono português José de Oliveira Lopes


Para quem passar por Coimbra por estes dias fica aqui uma sugestão - o concerto com homenagem ao grande barítono português falecido há 2 anos José de Oliveira Lopes, que irá decorrer no Conservatório de Música de Coimbra dia 6 de Abril pelas 21:30h  integrado no Ciclo de Concertos Primavera, a decorrer entre  de 6 de Abril a 17 de Junho.
Neste concerto, o Tenor José de Eça, filho de José de Oliveira Lopes, prestará homenagem ao pai juntamente com Carla Bernardino, soprano e Tiago Nunes, piano.  
Será um concerto dedicado a obras para piano e canto preferidas do grandioso e prestigiado barítono português José de Oliveira Lopes.

30 de março de 2015

Imposto do Pénis


Ouvi dizer que o governo fez contas no Magalhães e, para ajudar a superar a crise, vai criar o Imposto do Pénis.
Até agora o pénis tinha escapado ao IRS. As razões eram estar 99% do tempo pendurado sem emprego, 0,2% do tempo trabalhar às mijinhas, 0,5% do tempo ter trabalho duro e 0,3% do tempo estar metido num buraco.
Além disso, não ajuda nada ter dois dependentes que não arranjam trabalho em lado algum e não têm onde se meter.
A taxa do imposto variará conforme o tamanho, com os escalões seguintes:
25 a 30 cm - imposto sobre bens de luxo...........€ 30.00
20 a 24 cm - imposto sobre postes..................... € 25.00
14 a 19 cm - imposto sobre a classe média.........€ 15.00
10 a 13 cm - imposto sobre a maçada.................. € 3.00
Machos que excedam os 30 cm terão que declarar mais-valias de capital.
Qualquer macho abaixo dos 10 cm tem direito a um crédito de imposto.
É obrigatório pagar dentro do prazo. Não serão concedidos prolongamentos!
PDP (Perguntas Do Pénis):
- Haverá multas para levantamentos antecipados?
- O que acontece quando um pénis trabalha por conta própria?
- Quem tiver vários(as) parceiros(as) conta como sociedade?
- As despesas com preservativos são dedutíveis como roupa de trabalho?
- Haverá um agravamento da taxa de imposto para quem não for circuncidado.
Direcção de Serviços do IRS

BOA SEMANA!

A fé que nos salva


 D. Beatriz, senhora alentejana, 80 anos, solteira, organista numa igreja da Diocese de Beja.
É admirada por todos pela sua simpatia e doçura.
Uma tarde, convidou o novo padre da igreja para ir lanchar a sua casa e ele ficou sentado no sofá, enquanto ela foi preparar um chá.
Olhando para cima do órgão, o jovem padre reparou numa jarra de vidro com água e, lá dentro, boiava um preservativo.
Quando a D. Beatriz voltou com o chá e as torradas, o padre não resistiu e perguntou-lhe o porquê de tal decoração em cima do órgão.
E responde ela apontando para a jarra:
 "Ah! refere-se a isto? Maravilhoso, não é? Há uns meses atrás, ia eu a passear pelo parque, quando encontrei um pacotinho no chão. As indicações diziam para colocar no órgão, manter húmido e que, assim, ficava prevenida contra todas as doenças. E sabe uma coisa? Este Inverno ainda não me constipei".

A EMPREGADA AFRICANA



A empregada africana, chorando convulsivamente, chega à sala de estar com a mala de viagem na mão e despede-se da patroa que, muito intrigada lhe perguntou:

- Carmélia, que se passa …? Para onde vai?

- Prá junto di minha família, Dona Fror, prá mórrér junto di meus !...

- Mas … o que aconteceu, querida?

- Óh Dona Fro, a sinhora fala sémpre qui seu marido é issilente médico e nunca errou uns dignóstico ná vida ...

- Pois é … É verdade … Normalmente, ele nunca se engana no diagnóstico ... Mas, o que tem isso a ver com a sua saída de casa?

- Então Dona Fror, é qui o Dr. hoje pela manhã, antes di ir embora, apértou a minha bunda com as duas mão e dissi-mi no ouvido:

- DESTA NOITI NUM PASSAS !!!

27 de março de 2015

Kamasutra - Posição de Rodeo


Na cama, há uma nova posição a experimentar! 
Chama-se "Posição de RODEO"
1º) Coloque a sua esposa de barriga para baixo 
na cama.
2º) Penetre-a delicadamente.
3º) Tome nas mãos os seus dois seios.
4º) Diga em voz bem alta: 
"São iguaizinhos aos da minha 
colega de trabalho."
5º) A partir daí é preciso aguentar-se 
no mínimo 8 segundos sem ir ao chão.
BOA SORTE !

BOM FIM-DE-SEMANA!
(Tudo em ordem por Goa??)

Loja de animais exóticos



Uma loura entra numa loja de animais exóticos a fim de escolher um animal para levar para casa.
Após percorrer demoradamente toda a loja encontra-se completamente indecisa acerca do animal a escolher.
Subitamente repara numa caixa com vários sapos e rãs com um cartaz a dizer: "SAPOS DE SEXO - somente 20€, cada um, vêm com as instruções para utilização".
A mulher, já excitada, olha em redor, verificando se alguém a está a ver ou ouvir e com voz sumida diz ao dono da loja: Quero um sapo!
O homem coloca o sapo dentro duma caixa e diz que só terá que ler as instruções para utilizar correctamente o animal.
A mulher paga e sai disparada para casa.
Chegada a casa abre freneticamente a caixa, lê cuidadosamente as instruções e segue-as escrupulosamente:
1. Tome um banho relaxante.
2.Use um perfume requintado. 
3.Vista uma lingerie muito sexy. 
4. Deite-se na cama na companhia do sapo e deixe que ele actue como entender.
A mulher deita-se na cama com o sapo e ........NADA.
Espera mais alguns minutos e não sucede .......NADA:
Volta a ler as instruções e no último parágrafo repara no seguinte aviso: "Se tiver algum problema ou pergunta que queira colocar não hesite em telefonar para a loja". 
Assim faz e o dono da loja assegura-lhe: "Estarei aí dentro de minutos". 
Poucos minutos passados e estavam a tocar à campainha. A mulher recebe o dono da loja e diz-lhe mal humorada: "Vê? Segui as instruções e o maldito sapo continua ali sentado sem fazer nada". 
O homem, com ar muito zangado, agarra o sapo e olhando-o nos olhos diz-lhe com a voz muito alta: 
ESCUTA-ME BEM!! 
ESTA É A ULTIMA VEZ QUE TE VOU MOSTRAR COMO SE DEVE FAZER!!!

O amante


O céu estava a ficar a abarrotar, então São Pedro resolveu fazer um decreto:
Para entrar no céu a pessoa deveria ter passado por um dia terrível no dia da sua morte.
O decreto entrou em vigor imediatamente.

Então, quando a 1ª pessoa chegou, São Pedro perguntou:
- Como foi o seu dia, como é que você morreu?
- Já há muito tempo que eu andava desconfiado que a minha mulher me traía.
Então, resolvi voltar para casa mais cedo e apanhá-la em flagrante. 
Quando cheguei ao meu apartamento, que fica no 25º andar, minha mulher estava enrolada numa toalha, muito nervosa, e agindo de uma forma suspeita.
Comecei a procurar em todos os cantos da casa debaixo da cama, dentro do guarda-roupa, etc. mas não encontrei ninguém.
Eu já estava para desistir de procurar, quando olhei para a varanda e vi um artista pendurado no corrimão.
Transtornado, peguei na vassoura e comecei a bater nas mão dele, até que ele se soltou e caiu do 25º andar.
Mas por infelicidade minha, ele caiu sobre um toldo que amorteceu a queda e não morreu. 
Fiquei com tanta raiva que peguei no que tinha de mais pesado dentro de casa, que era o frigorífico, e atirei-o para cima dele. 
Só que eu emocionei-me tanto que tive um ataque do coração e morri. 
-Realmente o seu dia foi terrível! disse São Pedro: pode entrar!

Cinco minutos depois chegou o 2º candidato à entrada ao céu. E São Pedro perguntou:
- Como foi o seu dia, como é que você morreu?
- Bem, eu estava a fazer os meus exercícios diários na varanda do meu apartamento, no 26º andar, quando escorreguei e caí.
Por sorte, consegui segurar-me ao corrimão do apartamento abaixo do meu (25º andar). 
Já estava quase a conseguir levantar-me, quando apareceu uma mulher enrolada numa toalha e um maluco começou a bater nas minhas mãos com um cabo de vassoura, então cai. 
Mas como um toldo amorteceu a minha queda, não morri.
E lá estava eu todo dorido tentando levantar-me, quando o mesmo maluco atirou um frigorífico em cima de mim.
São Pedro começou a rir e disse:
- Já entendi tudo. Pode entrar!

Depois de mais cinco minutos, chegou o 3º candidato. 
E como de costume, São Pedro perguntou-lhe:
- Como foi o seu dia, como é que você morreu?
E o rapaz meio tonto respondeu:
- Olhe, o senhor nem vai acreditar... eu estava todo nu dentro de um frigorífico, e até agora não percebi o que me aconteceu.

26 de março de 2015

Um PODEMOS de direita?


Com a entrega de 8500 assinaturas no Tribunal Constitucional terá sido criado um novo partido político em Portugal.
O "Nós, Cidadãos" é o resultado de um período de reflexão no seio do Instituto da Democracia Portuguesa e agrega várias personalidades tradicionalmente ligadas à direita em Portugal, insatisfeitas com o actual cenário político português.
Nomes como Garcia Leandro, António Capucho, Pedro Quartin Graça, Mendo Henriques (porta-voz do movimento) , José Cid, procuram apresentar aos portugueses uma alternativa fora do tradicional quadro político - partidário.
Uma alternativa que se insere nos movimentos de cidadãos insatisfeitos com o actual espectro político que se vão vendo um pouco por toda a Europa e que terá como melhor exemplo a força política PODEMOS em Espanha e o êxito por esta alcançado.
O "Nós, Cidadãos", que pretende apresentar-se a sufrágio nas próximas eleições legislativas em Portugal, procura testar a viabilidade de uma nova força partidária no espectro político português.
Ao contrário do que aconteceu com a experiência PRD, fulanizada na figura de Ramalho Eanes, o novo partido não se apresenta centrado na figura de uma qualquer personalidade, antes se propõe apresentar um programa político alternativo ao do chamado "centrão".
Mas não se estará perante uma nova experiência no campo da chamada "terceira via" porque, ao contrário desta, não se pretende fazer uma aproximação entre a direita e a esquerda em Portugal.
As personalidades que se reúnem no movimento "Nós, Cidadãos" são clara e assumidamente pessoas de direita e é assim que se apresentam ao eleitorado.
Enquanto tal, e se se quiser fazer algum paralelismo, talvez se possa dizer que estará em formação um PODEMOS de direita em Portugal.

Humor dinamarquês usando gráficos

Danish writer Mikael Wulff and cartoon artist Anders Morgenthaler – the creative duo known as Wumo – has created a brilliant series of graphs that illustrate some of the basic painful truths of everyday life in the Western world.

Their graphs and diagrams are snarky and sarcastic but, for the most part, true. This, coupled with their simple and official-looking design, makes them a delight to look at. 
Their rise to success started in 2001, when they entered and won a cartoon competition. When they won, they received a one-month run of their comic strip in Politiken, a national Danish newspaper. Their popularity soared with the new exposure, and they soon found more and more publishers, including several blogs and newspapers throughout Scandinavia and Germany.
Their most recent accomplishment was becoming a regular cartoon strip in the New York Times.































25 de março de 2015

Traído pela Universidade de Macau


Sinto-me traído pela Universidade de Macau.
Depois da licenciatura em Coimbra, já lá vão uns bons anitos, apareceu a oportunidade do mestrado em Macau.
Um curso em língua inglesa (European Union Law), bem estruturado, com grandes mestres vindos de todo o Mundo, a possibilidade de conhecer o Direito Europeu que era um estranho para mim (e ter mais contacto com o tronco comum do curso que abrangia International Law e Comparative Law), o desafio de melhorar o meu currículo académico e completar um mestrado em língua inglesa.
Tudo isto complementado com o reconhecimento automático das habilitações em Portugal e, por via do mesmo, o reconhecimento dessas mesmas habilitações no espaço da União Europeia.
O desafio era demasiado aliciante para poder ser recusado.
Concluído o mestrado há já alguns anos, sou agora confrontado com a alteração das regras do jogo.
O reconhecimento automático das habilitações deixa de ser uma realidade porque a Universidade resolveu fazer umas mexidas nos currículos dos cursos ministrados na Faculdade de Direito.
Mexidas feitas quase em segredo, de forma leviana e irresponsável, que afectam todos os que alimentavam legítimas expectativas de ver as suas habilitações reconhecidas para além das exíguas fronteiras de Macau.
Sinto-me traído pela Universidade de Macau.
A mesma que há muito vem tendo uma atitude de permanente ataque ao Direito de matriz portuguesa que vigora em Macau, que é suposto aqui vigorar pelo menos até 2049, que o académico Mi Jian, Professor da Universidade de Ciência Política e Direito da China, já em 1996 afirmava ser uma referência para o sistema jurídico chinês num caminho de evolução sob uma pluralidade de sistemas (o Direito que vigora no Continente, os sistemas jurídicos das duas Regiões Administrativas Especiais).
A atitude dos actuais responsáveis na Universidade de Macau revela uma perigosa sobranceria, acompanhada de uma preocupante ignorância,  que devia ter conduzido ao seu afastamento há já muito tempo.
Para que eu, outros como eu, os planos que Pequim tinha para Macau na área jurídica, não sejamos traídos pela incapacidade e falta de visão de quem transitoriamente dirige a Universidade.

Humor brasileiro



'Preguiçoso é o dono da sauna, que vive do suor dos outros' 
(Roberto Justus) 

'Não me considere o chefe, considere-me apenas um colega de trabalho que sempre tem razão' 
(Galvão Bueno) 

'Malandro é o pato, que já nasce com os dedos colados para não usar aliança' 
(Zeca Pagodinho) 

'Mulher gorda é que nem Ferrari: quando sobe na balança vai de zero a cem em um segundo' 
(Reginaldo Leme) 

'Os psiquiatras dizem que uma em cada quatro pessoas tem alguma deficiência mental.
Fique de olho em três dos seus amigos. Se eles parecerem normais, retardado é você' 
(Antônio Palocci) 

'Se homossexualismo fosse normal, Deus teria criado Adão e Ivo' 
(Gilberto Braga) 

'Todo mundo tem cliente. Só traficante e analista de sistemas é que tem usuário' 
(Bill Gates) 

'Casamento começa em motel e termina em pensão' 
(Romário) 

'Seja legal com seus filhos. São eles que vão escolher seu asilo' 
(Itamar Franco) 

' Antigamente, o homossexualismo era proibido no Brasil. 
Depois, passou a ser tolerado. 
Hoje é aceito como coisa normal... 
Eu vou-me embora antes que se torne obrigatório!' 
(Arnaldo Jabor) 

'Passar a mulher pra trás é fácil. O difícil é passar adiante' 
(Eduardo Suplicy) 

'O Brasil está igual a carro velho: para subir não tem força, para descer não tem freio' 
(Dilma Roussef) 

E a melhor de todas... 

'Se o horário oficial é o de Brasília, por que a gente tem que trabalhar na segunda e na sexta?' 
(Dorival Caymi)

24 de março de 2015

Órgãos municipais sem poder político


Um discurso algo sensaborão, com poucas novidades, a deixar espaço para os Secretários brilharem.
Pode resumir-se assim a prestação do Chefe do Executivo ontem na Assembleia Legislativa ao apresentar as Linhas de Acção Governativa para o ano de 2016.
Depois do aperitivo servido em Novembro, em boa verdade não se esperava por lauta refeição a ser servida ontem.
O Chefe do Executivo foi uma vez mais conservador, previsível, deixou sem soluções os temas que mais preocupam os residentes de Macau, aqueles de que todos falam, para os quais todos apresentam propostas de solução, mas que o Chefe do Executivo continua teimosamente a tornear. 
No meio do tal discurso conservador, previsível, sensaborão, repita-se, o Chefe do Executivo foi aos artigos 95º e 96º da Lei Básica buscar uma novidade - a possibilidade de reintroduzir órgãos municipais em Macau, extintas que foram as duas Câmaras no ano de 2001, mas agora sem poder político, em conformidade com o previsto no supracitado artigo 95º da Lei Básica.
O conceito abstracto "sem poder político" tem sido discutido há já muitos anos (já o era antes de 1999).
Será novamente agora que o Chefe do Executivo deixa no ar a possibilidade de serem reintroduzidos órgãos municipais em Macau.
Como densificar esse conceito?
Diria que recorrendo ao cenário autárquico português e aos District Councils de Hong Kong para procurar semelhanças e diferenças.
Se não se levantam dúvidas acerca da intenção de colocar a decisão de temas que têm a ver directamente com o dia-a-dia das populações mais perto das mesmas (salubridade, ambiente, actividades recreativas, problemas que afectam directamente os bairros), sempre sob orientação do Executivo (atentar bem no que dispõe o artigo 96º da Lei Básica e na margem limitada de autonomia que deixa aos órgãos municipais), também não se pode questionar que há um aspecto que é fundamental, que dá o acento tónico à ausência de poder político desses órgãos municipais a constituir e que mais os afasta quer do cenário autárquico português quer dos District Councils de Hong Kong - a ausência de eleições directas que levem à composição dos mesmos.
Esta é a questão fundamental quando se fala de ausência de poder político dos órgãos municipais no contexto da RAEM.
Porque na organização política da RAEM não há espaço para a existência de dois órgãos eleitos directamente pela população, ainda que com condicionantes que afastam essas eleições do conceito ocidental de sufrágio directo e universal - a Assembleia Legislativa e os órgãos municipais.
O contrário é que seria efectivamente uma grande surpresa.

Agradeço o convite mas declino (Visão, Quinta, 19 Mar, Ricardo Araújo Pereira)


De acordo com a Constituição, "são elegíveis para a Presidência da República os cidadãos eleitores, portugueses de origem, maiores de 35 anos". 
No entanto, de acordo com Cavaco Silva, o próximo Presidente deve ser uma pessoa com experiência em política externa. 
Esta revisão constitucional feita informalmente por Cavaco reduz bastante o leque de possíveis candidatos, e acaba por cingir a corrida a apenas três nomes: Durão Barroso, António Guterres e eu. 
O currículo dos candidatos impressiona: Barroso foi presidente da comissão europeia entre 2004 e 2014; Guterres é, desde 2005, alto comissário das Nações Unidas para os refugiados; e eu negociei, em Badajoz, na primavera de 2009, o preço de um saco de caramelos que, embora tivesse uma etiqueta indicando o preço de 90 cêntimos, assinalava na caixa o valor de um euro e meio. As negociações foram duras, mas eu soube defender os interesses de Portugal no quadro das regras definidas pelo direito internacional: mantendo presente que a carta das Nações Unidas proíbe a agressão armada excepto em caso de legítima defesa, usei de meios pacíficos para obter o acordo que melhor servisse o nosso país, e orgulho-me de poder hoje dizer que acabei por trazer o saco por apenas um euro e 20. 
Quem conhece a fundo o trabalho de Barroso e Guterres, só por má vontade deixará de reconhecer que nenhum deles trouxe para o nosso país, no âmbito da actividade internacional que desenvolveram, lucros que possam sequer aproximar-se do valor de um saco de caramelos.
Pelo que acabei de referir, concordo com a perspectiva de Cavaco Silva acerca do seu sucessor, mas creio que o Presidente podia ter ido mais longe. 
Além de definir o perfil do próximo Presidente, Cavaco devia ter aproveitado para definir o perfil dos cidadãos que vão elegê-lo. Não serve de nada apontar um caminho e depois deixar nas mãos de gente sem sensibilidade política uma escolha tão importante. Creio que os eleitores do próximo Presidente da República também deviam ser pessoas com alguma experiência em política externa. 
Pessoas sem experiência em política externa tendem a não compreender todo o alcance do trabalho realizado pelos especialistas em política externa, e por isso deviam ser impedidas de votar. 
Uma vez que não quero alimentar tabus, e apesar do que ficou exposto acima, devo dizer que, apesar da indigitação discreta de Cavaco Silva, não serei candidato às próximas eleições presidenciais. 
Tal como Cavaco, eu também desdenho do valor do salário auferido pelo Presidente da República, e não tenho ainda reformas que me permitam ocupar o cargo com a dignidade que tanto eu como Portugal merecemos. 
E além disso já tenho coisas combinadas para 2016.

23 de março de 2015

Diário de um Médico



Diário de um médico

Histórias verdadeiras

Dado que o médico que registou estas frases exercia a profissão no Porto, é suposto que a clientela seja nortenha e use o seu riquíssimo vernáculo sem problemas.
Portanto, não se escandalizem com alguns termos, porque são pérolas do vernáculo (ou bernáculo??)
nortenho... que é muito mais simpático que o famigerado “acordo ortográfico”!
O médico do IPO-Porto já se aposentou. 
Carlos Barreira da Costa , médico Otorrinolaringologista da mui nobre e Invicta cidade do Porto, decidiu compilar no seu livro "A Medicina na Voz do Povo", com o inestimável contributo de muitos colegas de profissão, trinta anos de histórias, crenças e dizeres ouvidos durante o exercício desta peculiar forma de apostolado que é a prática da medicina.
 E dele vão verdadeiras jóias deste tão pouco conhecido léxico. 

Os aparelhos genital e urinário são objecto de queixas sui generis:

"Venho aqui mostrar a parreca".

"A minha pardalona está a mudar de cor".

"Às vezes prega-se-me umas comichões nas barbatanas".

"Tenho esta comichão na perseguida porque o meu marido tem uma infecção na ponta da natureza".

"Fazem aqui o Papa Micau ( Papanicolau )?"

"Quantos filhos teve?" - pergunta o médico. "Para a retrete foram quatro, senhor doutor, e à pia baptismal levei três".

"Apareceu-me uma ferida, não sei se de infecção se de uma ... mal dada".

"Tenho de ser operado ao stick . Já fui operado aos estículos". "Quando estou de pau feito, a p.... verga".

"O Médico mandou-me lavar a montadeira logo de manhã".

O diálogo com um paciente com patologia da boca, olhos, ouvidos,nariz e garganta é sempre um desafio para o clínico:

"Quando me assoo dou um traque pelo ouvido, e enquanto não puxar pelo corpo, suar, o nariz não se destapa".

"Não sei se isto que tenho no ouvido é cera ou caruncho".

"Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico.Um mês depois fui ao Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido".

"Ouço mal, vejo mal, tenho a mente descaída".

"Fui ao Ftalmologista, meteu-me uns parafusinhos nos olhos a ver se as lágrimas saiam".

"Tenho a língua cheia de Áfricas".

"Gostava que as papilas gustativas se manifestassem a meu favor".

"O dente arrecolhia pus e na altura em que arrecolhia às imidulas infeccionava-as".

"A garganta traqueia-me, dá-me aqueles estalinhos e depois fica melhor".

As perturbações da fala impacientam o doente:

"Na voz sinto aquilo tudo embuzinado".

"Não tenho dores, a voz é que está muito fosforenta".

"Tenho humidade gordurosa nas cordas vocais".

"O meu pai morreu de tísica na laringe".

Os "problemas da cabeça" são muito frequentes:

"Há dias fiz um exame ao capacete no Hospital de S. João". "Andei num Neurologista que disse que parti o penedo, o rochedo ou lá o que é...".

"Fui a um desses médicos que não consultam a gente, só falam pra nós".

"Vem-me muitos palpites ruins, assim de baixo para cima...".

"A minha cabecinha começa assim a ferver e fico com ela húmida, assim aos tombos, a trabalhar".

"Ou caiu da burra ou foi um ataque cardeal".

As dores da coluna e do aparelho muscular e esquelético são difíceis de suportar:

"Metade das minhas doenças é desfalsificação dos ossos e intendência para a tensão alta".

"O pouco cálcio que tenho acumula-se na fractura".

"Já tenho os ossos desclassificados".

"Alem das itroses tenho classificação ossal".

"O meu reumatismo é climático".

"É uma dor insepulcrável".

"Tenho artroses remodeladas e de densidade forte".

"Estou desconfiado que tenho uma hérnia de escala".

O português bebe e fuma muito e desculpa-se com frequência:

"Tomo um vinho que não me assobe à cabeça".

"Eu abuso um pouco da água do Luso".

"Não era ébrio nato mas abusava um pouco do álcool"

"Fujo dos antibióticos por causa do estômago. Prefiro remédios caseiros, a aguardente queimada faz-me muito bem".

"Eu sou um fumador invertebrado".

O aparelho digestivo origina sempre muitas queixas:

"Fui operado ao panquecas".

"Tive três úlceras: uma macho, uma fêmea e uma de gastrina".

"Ando com o fígado elevado. Já o tive a 40, mas agora está mais baixo".

"Eu era muito encharcado a essa coisa da azia".

"Senhor Doutor a minha mulher tem umas almorródias que com a sua licença nem dá um peido".

"Tenho pedra na basílica".

"O meu marido está internado porque sangra pela via da frente e pinga pela via de trás".

"Fizeram-me um exame que era uma televisão a trabalhar e eu a comer papa".

"Fiz uma mamografia ao intestino".

"O meu filho foi operado ao pence (apêndice) mas não lhe puseram os trenos (drenos), encheu o pipo e teve que pôr o soma (sonda)".

Os medicamentos e os seus efeitos prestam-se às maiores confusões:

"Ando a tomar o EspermaCanulado"- Espasmo Canulase

"Tenho cataratas na vista e ando a tomar o Simião" –Sermion

"Andei a tomar umas injecções de Esferovite" - Parenterovit

"Era um antibiótico perlim pim pim mas não me fez nada" - Piprilim "Agora estou melhor, tomo o Bate Certo" - Betaserc

"Tomo o Sigerom e o Chico Bem" - Stugeron e Gincoben

"Ando a tomar o Castro Leão" - Castilium

"Tomei Sexovir" - Isovir

"Tomo uma cábulas à noite".

"Tomei uns comprimidos "jaunes", assim amarelados".

"Tomo uns comprimidos a modos de umas aboborinhas".

"Receitou-me uns comprimidos que me põem um pouco tonha".

"Estava a ficar com os abéticos no sangue".

"Diz lá no papel que o medicamento podia dar muitas complicações e alienações".

"Quando acordo mais descaída tomo comprimidos de alta potência e fico logo melhor".

"Ó Sra. Enfermeira, ele tem o cu como um véu. O líquido entra e nem actua".

"Na minha opinião sinto-me com melhores sintomas".

O que os doentes pensam do médico:

"Também desculpe, aquela médica não tinha modinhos nenhuns". "Especialista, médico, mas entendido!".

"Não sou muito afluente de vir aos médicos". "Quando eu estou mal, os senhores são Deus, mas se me vejo de saúde acho-vos uns estapores".

"Gosto do Senhor Doutor! Diz logo o que tem a dizer, não anda a engasular ninguém".

"Não há melhor doente que eu! Faço tudo o que me mandam, com aquela coisa de não morrer"

BOA SEMANA!

(E vai mais um abraço especial para Goa)