22 de maio de 2019

Imprensa livre



O artigo 27º da Lei Básica, inserido no capítulo dos direitos e deveres fundamentais dos residentes, consagra como direitos fundamentais, entre outros, a liberdade de expressão, de imprensa e de edição.
Uma imprensa livre é um pilar essencial das sociedades modernas, do Estado de direito.
Um facto que a Lei nº 7/90/M expressamente reconhece e que nunca pode ser perdido de vista ou deixado ao acaso.
Andou assim muito bem a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau ao exprimir publicamente as suas reservas relativamente ao conteúdo da proposta de lei de bases da segurança interna quando na mesma se prevê a criminalização de condutas com base em conceitos abertos, vagos, indeterminados.
Ensina a legística que a criminalização de condutas deve ser feita com o maior cuidado, a maior precisão, deixando pouco ou nenhum espaço para dúvidas acerca do que se pretende combater e de como se pretende efectuar esse combate.
Combate permanente, sem quartel, é o que tem que ser travado em nome de uma imprensa livre, sem restrições que não sejam as estritamente necessárias a assegurar que a liberdade tenha como contraponto a responsabilidade.
Responsabilidade que não passa, nem de perto nem de longe, pela subserviência, pelas "boas notícias" que alguns responsáveis políticos não se coíbem de publicamente solicitar aos órgãos de comunicação social.
Numa época em que a expressão fake news se tornou um  tristemente célebre chavão repetido à exaustão, todos os cuidados são poucos para que se possa preservar esse valor essencial, consagrado como direito fundamental, que é uma imprensa livre e responsável.

Embalagens de dentífricos

21 de maio de 2019

Balanço da Liga NOS 2018/2109


A Liga NOS 2018/2019 chegou ao fim e é chegado o momento de, com cabeça fria, fazer o balanço da época destacando a figura, o momento e o mais negativo.

A Figura.

Sem sombra de dúvida, Bruno Lage.
Uma lufada de ar fresco no ambiente bafiento do futebol português, o treinador do Benfica foi uma surpresa em toda a linha.
Muito competente, muito trabalhador e dedicado, Bruno Lage provou que é possível ser bem educado, ter um comportamento cívico próximo do exemplar (o momento das celebrações da vitória fica nos livros), e ganhar, estar próximo da perfeição a nível competitivo.
Bruno Lage pegou na equipa do Benfica num momento delicado, deu tranquilidade a todo o plantel, injectou confiança nos jogadores e adeptos, ao mesmo tempo que ia promovendo jovens talentos que tão bem conhecia.
Se na vertente desportiva Bruno Lage conseguiu feitos difíceis de igualar (número de golos marcados, número de vitórias consecutivas, número de pontos conquistados), na vertente da cidadania, do respeito pelos adversários, da pacificação do ambiente à volta do futebol, aí verdadeiramente Bruno Lage goleou.

O Momento.

O momento da Liga NOS é a vitória do Benfica no Estádio do Dragão.
Mais que quaisquer erros, que todos cometeram e vão voltar a cometer, o momento da Liga NOS é a vitória do Benfica no Dragão.
Porque representou a alteração na liderança, porque evitou que o Porto cavasse uma distância difícil de alcançar para o Benfica, porque injectou confiança no Benfica enquanto lançava a dúvida no Porto.
Ao contrário do que muitas vezes se repete, a Liga ficou este ano decidida no confronto directo entre os dois clubes que até ao fim disputaram o primeiro lugar (duas vitórias do Benfica e duas derrotas do Porto).

O Mais Negativo.

O mais negativo voltou a ser o ambiente de acusações mútuas, a sombra de suspeição, a violência gratuita, o desrespeito entre adversários.
Um ambiente em tudo alimentado por polémicas artificias tantas vezes criadas para vender jornais e conseguir audiências televisivas.
Mais uma vez, como tem acontecido em tantas outras épocas, nestas vertentes a Liga NOS 2018/2019 não deixa saudades.

Papa Francisco em Marrocos

Durante a estadia do Papa em Marrocos um concerto em que um cantor muçulmano canta uma oração em árabe, uma cantora judia canta em hebraico, e uma cantora católica canta a Ave Maria. 
Impressionante!

20 de maio de 2019

Terrivelmente parvas



Qual a cor preferida das tomadas?
O rosa choque. 

O que diz uma banana suicida?
Macacos me mordam. 

Como se chama um cão sem patas?
Não se chama, vai-se buscar. 

Como é que se apanha um coelho?
Imita-se o som de uma cenoura. 

Porque é que a manteiga não entrou na discoteca?
Porque foi barrada. 

Como se chama a neta do Mário?
Marioneta. 

Qual é o animal que anda com as patas?
É o pato. 

Como se chama uma pessoa cega?
Pelo nome, ela é cega não surda. 

Na delegacia:
– Seu delegado meu marido saiu de casa ontem a noite, disse que ia comprar arroz e até agora não voltou. 
O que eu faço doutor? 
– Sei lá, faz macarrão!! 

De onde vem a lã virgem?
– Das ovelhas feias. 

Um homem sentou-se ao meu lado e me mostrou no celular uma foto da esposa dele e perguntou:
– Ela é bonita, não é? 
Eu respondi: 
– Se você acha que ela é bonita, deveria ver a minha namorada então. 
O homem questionou: 
– A sua namorada é tão bonita assim? 
E eu respondi: 
– Não, ela é oftalmologista. 

BOA SEMANA!

17 de maio de 2019

DESORDEM NO TRIBUNAL (reedição)



Estas são piadas retiradas do livro 'Desordem no tribunal'. São coisas que as pessoas realmente disseram, e que foram transcritas textualmente pelos taquígrafos, que tiveram que permanecer calmos enquanto estes diálogos realmente aconteciam à sua frente.


Advogado : Qual é a data do seu aniversário?
Testemunha: 15 de Julho.
Advogado : Que ano?
Testemunha: Todos os anos.


Advogado : Essa doença, a miastenia gravis, afecta a sua memória?
Testemunha: Sim.
Advogado : E de que modo ela afecta a sua memória?
Testemunha: Eu esqueço-me das coisas.
Advogado : Esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido?


Advogado : Que idade tem o seu filho?
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.
Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?
Testemunha: Há 45 anos.


Advogado : Qual foi a primeira coisa que o seu marido disse quando acordou aquela manhã?
Testemunha: Ele disse, 'Onde estou, Berta?'
Advogado : E por que é que se aborreceu?
Testemunha: O meu nome é Célia.


Advogado : Diga-me, doutor... não é verdade que, ao morrer no sono, a pessoa só saberá que morreu na manhã seguinte?


Advogado : O seu filho mais novo, o de 20 anos...
Testemunha: Sim.
Advogado : Que idade é que ele tem?


Advogado : Sobre esta foto sua...o senhor estava presente quando ela foi tirada?


Advogado : Então, a data de concepção do seu bebé foi 8 de Agosto?
Testemunha: Sim, foi.
Advogado : E o que é que estava a fazer nesse dia?


Advogado : Ela tinha 3 filhos, certo?
Testemunha: Certo.
Advogado : Quantos meninos?
Testemunha: Nenhum.
Advogado : E quantas eram meninas?


Advogado : Sr. Marcos, por que acabou o seu primeiro casamento?
Testemunha: Por morte do cônjuge.
Advogado : E por morte de que cônjuge ele acabou?


Advogado : Poderia descrever o suspeito?
Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba.
Advogado : E era um homem ou uma mulher?


Advogado : Doutor, quantas autópsias já realizou em pessoas mortas?
Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas...


Advogado : Aqui no tribunal, para cada pergunta que eu lhe fizer, a sua resposta deve ser oral, está bem? 
Que escola frequenta?
Testemunha: Oral.


Advogado : Doutor, o senhor lembra-se da hora em que começou a examinar o corpo da vítima?
Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30 h.
Advogado : E o sr. Décio já estava morto a essa hora?
Testemunha: Não... Ele estava sentado na maca, questionando-se por que razão eu estava a fazer-lhe aquela autópsia.


Advogado : O senhor está qualificado para nos fornecer uma amostra de urina? 

BOM FIM-DE-SEMANA

16 de maio de 2019

A conversa da escassez de talentos começa a dar muito jeito a muita gente


Macau é terra de slogans, de frases que colam e se colam.
Um bom exemplo é a escassez de talentos locais.
Que tão depressa dá para importar mão-de-obra barata como dá para multiplicar cargos nos diversos domínios e organismos da vida pública.
Macau, terra de dicotomias também, tem escassez de talentos e abundância génios, portanto.
Os génios com preparação verdadeiramente enciclopédica, os mesmos que, citando Herman José a respeito de Nuno Rogeiro, “sabem tudo desde pastéis de nata até mísseis Pershing”.
E assim assistimos diariamente à acumulação de cargos por parte de figurões, tantas vezes verdadeiros patos-bravos, e a exemplos de despudorado nepotismo, de família e amigos, gato e periquito, todos a comer da mesma gamela de dinheiros públicos.
Os anos passam, o cabelo escasseia e branqueia, a boa-fé vai sofrendo mais e mais erosão.
E cresce a sensação que a conversa da escassez de talentos, por muito que tenha de objectiva, vai dando muito jeito a muita gente.

Intemporais (165)

15 de maio de 2019

Passadeiras LGBTI


Lisboa (Campolide) já tem passadeiras LGBTI, ou seja, pintadas com as cores do arco-íris normalmente associadas ao movimento LGBTI.
Depois de a sugestão do CDS (quem diria?!) ter caído por terra por supostamente ser ilegal (as cores das passadeiras são o preto e branco, as zebras), o autarca de Campolide avançou porque defende que não há aqui espaço para qualquer ilegalidade.
Seja como for, não consigo deixar de pensar que há uma grande patetice.
Há muito defendo que a opção sexual de cada um é uma escolha que deve ser livre e pessoal.
Sem necessitar de ostentação e foguetório.
Se as paradas LGBTI já me pareciam perfeitamente idiotas (será necessária uma parada heterossexual? Então porque é necessária a LGBTI?), agora são as passadeiras nas ruas a aumentar a idiotice.
Não se busca a igualdade, a liberdade de decidir com toda a naturalidade?
Então deixemos de lado a idiotice e encaremos a sexualidade com a naturalidade que merece, ponto final.

Novas torres



























14 de maio de 2019

Erros grosseiros


Quem me conhece minimamente sabe que sou adepto do Futebol Clube do Porto e sabe que sou jurista de formação e profissão.
E que procuro ser uma pessoa razoável e equilibrada.
Mas também justa.
E são estas minhas características que me levam a considerar que a Liga NOS 2018/2019, que está prestes a terminar, não vai deixar boas memórias em muitos dos seus momentos.
Se houve grande esforço e profissionalismo por parte de muitos dos intervenientes, boas surpresas em termos de profissionais jovens, muito competentes, com grande presente e a quem se augura grande futuro, a Liga NOS fica manchada por erros grosseiros que custam compreender e aceitar.
Erro grosseiro que a doutrina e a jurisprudência nos ensinam ser o que "(...)ocorre com negligência extrema, imperícia ou imprudência extrema que só uma pessoa muito imperita ou imprudente comete (...)".
Um erro que uma pessoa com o mínimo de razoabilidade poderia evitar, o erro crasso.  
Não estou a apontar o dedo a nenhuma equipa em concreto, estou a constatar uma realidade que num momento ou outro a todos afectou.
Se os erros dos atletas existem e têm consequências (o atleta é afastado da equipa), os erros dos árbitros e do VAR continuam a passar impunes.
Numa actividade que movimenta rios de dinheiro, altamente profissional, erros grosseiros têm que ter consequências graves.
Consequências que têm que ir muito para além de discussões bizantinas na comunicação social e nos fóruns de opinião na Internet. 
Sob pena de o esforço e competência de uns se verem para sempre manchados pela incompetência e irresponsabilidade de outros.

Papa Francisco, herético? (Anselmo Borges)



1. Numa longa carta aberta de 20 páginas, publicada no LifeSiteNews em tempo de Páscoa, mais concretamente no dia 30 de Abril passado, um grupo de académicos, teólogos e padres católicos dirige-se ao colégio dos bispos da Igreja Católica invocando duas razões: acusar o Papa Francisco do "delito canónico de heresia" e requerer que os bispos façam o que é preciso para que ele renuncie publicamente a essas heresias ou se lhe aplique o estabelecido canonicamente, incluindo a remoção do cargo papal. E os bispos têm o dever de agir porque "a acumulação de danos causados pelas palavras e actos do Papa Francisco ao longo de anos foi causa de uma das piores crises da história da Igreja Católica."
2. Quais são essas heresias por palavras e actos?
Em síntese, Francisco é acusado de aceitar que católicos divorciados e recasados civilmente possam ser admitidos, em certas circunstâncias, à comunhão; acusado de não se opor de forma mais contundente ao aborto; acusado de, no diálogo ecuménico com os luteranos, manifestar acordo com Lutero em alguns pontos; acusado de acolher os LGBT; acusado de afirmar que a diversidade de religiões não só é permitida por Deus, mas querida; acusado de ter dado cobertura e mesmo ter promovido personalidades que também dão cobertura a estas heresias, aceitam a moralidade de actos homossexuais e/ou praticaram ou encobriram abusos sexuais de menores...
Como exemplo de quem, em vez de ser condenado, foi promovido aparece o arcebispo José Tolentino de Mendonça. Com estas palavras: "Em 2013, Mendonça louvou a teologia da irmã Teresa Forcades, que defende a moralidade de actos homossexuais, declara que o aborto é um direito e que afirmou que 'Jesus de Nazaré não codificou nem estabeleceu regras'. Francisco fê-lo arcebispo e chefe dos Arquivos Secretos do Vaticano. E também o escolheu para pregar o retiro quaresmal a ele e à Cúria em 2018."
Outro exemplo: O cardeal Maradiaga, para lá de outras heresias, afirmou que "dentro do Povo de Deus, não há uma classificação dual dos cristãos - laicado e clero, essencialmente diferentes - e que, para se falar correctamente, não se deveria falar de clero e laicado, mas de comunidade e ministérios (serviços)."
3. Embora não seja possível aprofundar os problemas convenientemente, examinemos as "heresias", que de modo nenhum o são, ao contrário do que pretendem esta e outras minorias no seio da Igreja, aguerridas contra o Papa Francisco. Pela ordem acima enunciada.
3.1. Quanto aos recasados. Francisco não abre as portas indiscriminadamente a todos. Diz que há casos e casos e cada caso deve ser examinado na sua concreção, com aconselhamento de um padre, com discernimento e atenção à consciência. Os cristãos não podem ser tratados infantilmente como menores. Aliás, em 1972, o próprio professor Joseph Ratzinger, mais tarde Bento XVI, escreveu: o casamento é indissolúvel. Mas quando "um primeiro casamento se rompeu há já algum tempo" e de modo irreparável, e quando "um segundo enlace se vem manifestando como uma realidade moral e está presidido pela fé, especialmente no que concerne à educação dos filhos (de tal modo que a destruição deste segundo casamento acabaria por destroçar uma realidade moral e provocaria danos morais irreparáveis), neste caso - mediante uma via extrajudicial -, contando com o parecer do pároco e dos membros da comunidade, dever-se-ia consentir a aproximação da comunhão aos que assim vivem". Penso que se deverá acrescentar uma outra condição: se se esclareceram as obrigações do primeiro casamento.
Porventura é heresia apelar para a gradualidade da verdade nestes casos? Quem estudou hermenêutica sabe que, evidentemente, na lógica, na matemática, nas ciências empírico-matemáticas, não há gradualidade, porque há o critério da verificabilidade experimental, e por isso não há uma ciência para homens, outra para mulheres, uma para budistas, outra para católicos ou ateus... Mas, na verdade pastoral, há essa gradualidade, pois é necessário atender a cada pessoa, às suas circunstâncias, à sua situação, à sua história...
Sim, Francisco disse que "muitos casais que coabitam têm a graça do matrimónio". Ele apela para a importância do tempo e dos processos... Eu próprio tenho realizado o casamento de jovens casais que já coabitavam e que, num processo de maturação, concluíram que queriam realizar o seu casamento na Igreja. A realidade humana é histórica, processual...
3.2. Alguém de boa-fé pode negar que Francisco se tem oposto permanente e veementemente ao aborto? Simplesmente, é necessário atender às pessoas e aos seus dramas. E a Igreja deve acolher e não excluir nem oprimir quem já sofre de mais. Por isso, Francisco concedeu a todos os padres o que antes estava reservado aos bispos: na confissão, o poder de absolver também esse pecado.
3.3. Quanto a Francisco e a Lutero. Claro que não é heresia afirmar que "as intenções de Martinho Lutero não estavam erradas. Era um reformador. Talvez alguns métodos não tenham sido correctos... E hoje luteranos e católicos, protestantes, todos nós concordamos com a doutrina da justificação. Neste ponto, que é muito importante, não errou".
Quem anda minimamente atento sabe que o acordo oficial quanto à questão da justificação vem de antes do pontificado de Francisco. Realmente não é Deus que tem sempre a iniciativa? As nossas boas obras não são por graça de Deus? E quem pode negar que devemos estar gratos pelos "dons espirituais e teológicos recebidos através da Reforma"?
É sabido que Lutero não queria entrar em ruptura com a Igreja. Foi Roma que não entendeu nem quis superar a corrupção em que vivia. Os autores da carta querem continuar a vender indulgências?
3.4. Francisco é acusado de receber homossexuais e dizer que quem os "descarta" não tem espírito cristão.
É evidente que os homossexuais não podem ser discriminados. Hoje, é sabido que 8% da população tem orientação homossexual. Há quem os acuse de deboche, disto e daquilo. Pergunto: e entre os heterossexuais só há santos? O que o Papa não quer e eu também não é o lóbi gay nem outros lóbis...
Quanto aos transexuais, seja-me permitido apresentar um caso concreto. Fui procurado por uma pessoa nessa situação. Fiquei bem ciente de quanto se pode sofrer... e da complexidade que esta situação deverá implicar - biológica, psicológica, social e cultural -, exigindo um enorme rigor e seriedade na sua compreensão.
É urgente que também na Igreja se avance no conhecimento da ciência, da biologia, etc.
Aproveito para deixar uma palavra sobre uma questão hoje muito acesa e sobre a qual me pronuncio criticamente e Francisco também. Estou a falar da "ideologia do género". Sim, conheço e aprovo a distinção entre sexo e género, no contexto dos chamados gender studies e do seu contributo. Oponho-me é à ideologia do género, quando se pretende que a identidade sexual é pura construção social; não é verdade, o biológico também intervém; assim, hoje, pela imagiologia cerebral, até sabemos que a configuração do cérebro masculino e feminino é diferente, com todas as consequências.
Francisco também se pronunciou sobre o tema na obra Politique et Société, resultado de 12 encontros com Dominique Wolton, intelectual francês, laico, director de investigação no Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS), especialista em comunicação. Nestes termos, Wolton: "A ideologia do género não é o mesmo problema. É um desvio sociológico. Consiste em dizer que os sexos são indiferenciados e que é unicamente a sociedade que distribui o papel masculino ou o papel feminino. Terrível este determinismo. Não há nem natureza, nem cultura, nem destino, nem liberdade, resta apenas a determinação social. E, se és contra estes determinismos, chamam-te reaccionário. Dizem-te que adoptas as posições da Igreja. A deriva ideológica fez-se em vinte anos." Francisco: "Isto é uma confusão crítica, neste momento. Disse-o um dia publicamente na Praça de São Pedro, ao falar sobre o casamento: há ideias novas e eu pergunto-me se estas novas ideias, como a ideologia do género, não assentam em última análise no medo das diferenças." Wolton: "Uma negação das múltiplas formas da alteridade e da diferença?" Francisco: "Disse-o em forma de pergunta. E encorajo os investigadores a debruçarem-se sobre o assunto." Wolton: "A ideologia do género é o risco de uma negação da diferença. Ora, a diferença não é só social. É muito mais complicado. Trata-se de uma forma de determinismo ao contrário: ao dizer-se que não há homens, que não há mulheres, que tudo depende da sociedade, na realidade cria-se uma forma de determinismo social." Francisco: "Não quereria que se confundisse a minha posição sobre a atitude para com as pessoas homossexuais com a questão da teoria do género."
Neste domínio, quero referir também a grande polémica por causa de acções sobre igualdade de género em escolas. Aqui, estou com Henrique Monteiro, quando escreve que é necessário distinguir: "Se as acções são apenas contra a discriminação de qualquer género e orientação, tudo bem. Mas, se acaso são para propagar a ideologia de género, que diz que nascemos sem ele e que o sexo biológico reprime a essência do nosso ser etc... e tal... é caso para prudencialmente acabar com tal programa. Nem provas científicas nem razões substanciais existem. Apenas uma teimosia ideológica desnecessária."
3.5. Francisco é acusado por ter assinado, juntamente com o grande imã da mesquita Al-Azhar, em Abu Dhabi, o "Documento sobre a Fraternidade Humana". Acusam-no concretamente por causa desta afirmação: "A liberdade é um direito de cada pessoa: cada indivíduo goza da liberdade de crença, pensamento, expressão e acção. O pluralismo e a diversidade de religiões, cor, sexo, raça e língua são queridos por Deus na sua Sabedoria."
O que é que os autores da carta querem? Que não haja liberdade religiosa? Querem o uniformismo? Não será a unidade na variedade a riqueza da vida também no domínio religioso? Estou convicto de que Deus se revelou de modo definitivo e inultrapassável em Jesus. No entanto, o Jesus que disse: "Eu e o Pai somos um" também disse: "O Pai é maior do que eu." O que é que isto quer dizer? Evidentemente, as religiões não são todas iguais, mas elas todas, na medida em que não sejam contra o Humanum, pelo contrário, o promovam, são caminhos para Deus, que está para lá de todas elas. Não se pode esquecer que as religiões não existem para elas mesmas, pois estão ao serviço de Deus e da humanidade. E o Papa esforça-se no combate a favor da paz, concretamente com o islão moderado, a favor do diálogo inter-religioso. Sem afastar nem postergar a identidade cristã, evidentemente.
3.6. Quanto aos abusos sexuais, os críticos deviam ter vergonha. Houve porventura alguém que tenha feito mais do que o Papa Francisco para que se ponha termo a esse escândalo execrável na Igreja? Acaba, aliás, de publicar o motu proprio (decreto papal) "Vos estis lux mundi" (Vós sois a luz do mundo) que, na sequência da cimeira de Fevereiro passado em Roma sobre a pedofilia na Igreja, ratifica com normas concretas para a Igreja universal a luta contra os abusos de menores e os seus encobridores. Será o tema da minha próxima crónica aqui.
3.7. Criticam o Papa também por causa do que disse o cardeal Maradiaga: que, na realidade, é melhor falar de comunidade e ministérios na Igreja do que de clero e laicado. Os críticos ainda não viram que enquanto baptizados, na Igreja, há uma real igualdade na dignidade, pois o padre, o bispo e o próprio Papa não são mais do que o leigo, todos são igualmente cristãos, embora com ministérios, serviços diferentes. Não há diferença essencial, ontológica, entre eles.
Julgo sinceramente que tudo se joga essencialmente logo no endereço da carta dirigida aos bispos nestes termos: Your Eminence, Your Beatitude, Your Excelence, ignorando que Jesus não se fez tratar por Sua Eminência Reverendíssima, Sua Excelência Reverendíssima... Jesus disse: "Eu não vim para ser servido, mas para servir" e: "Sois todos irmãos."

10 de maio de 2019

Boleia a anão


Dois amigos conversam: 

- Hoje vi um anão numa paragem de autocarro e acabei por lhe oferecer boleia até casa. 

- E ele aceitou? 

- Não. 

- Um pouco ingrato. E tu? O que fizeste? 

- Olha, fechei a mochila e continuei o caminho.

BOM FIM-DE-SEMANA 
(prolongado em Macau porque segunda-feira há tolerância de ponto)

9 de maio de 2019

Ainda há quem ache piada aos tweets de Donald Trump?


Enquanto a América bruta rejubilava com a eleição de Donald Trump e o slogan America First, o resto do Mundo assistia com espanto ao que parecia impossível acontecer.
A vedeta de reality show, o cabotino, até foi encarado com uma certa bonomia, um toque de exotismo e humor num mar de cinzentismo.
Este era o líder que negava as alterações climáticas, o aquecimento global (ainda no final da semana um dos seus seguidores me dizia que a prova que não há mesmo aquecimento global é que está frio em Macau em Maio...), que governava no Twitter.
Fui ensinado a não brincar com coisas sérias.
E se há algo de muito sério é a liderança da ainda maior potência económica e militar a nível mundial.
Por enquanto o que os Estados Unidos fazem tem reflexos um pouco por todo o Planeta.
Algo que o irresponsável líder norte-americano parece ainda não ter percebido.
Sentado na sua cama, rodeado dos famosos cheeseburgers, Donald Trump resolveu aumentar exponencialmente as tarifas que incidem sobre produtos chineses.
E com isso fez tremer os mercados mundiais, fez entrar em pânico os agricultores norte-americanos, os tais que supostamente iria proteger.
Tentar adivinhar o que se seguirá a estas ondas de choque provocadas por mais um tweet, formal ou informal, é isso mesmo, um exercício puramente divinatório.
A esperança do Planeta está outra vez depositada na sensatez e no poder de negociação da liderança chinesa para podermos voltar a viver num clima de alguma normalidade política e económica.
Até ao próximo tweet, pelo menos…
Ainda há quem ache piada aos tweets de Donald Trump?

Intemporais(164)