24 de maio de 2018

A religião como fundamento de massacres sem fim em Myanmar


Quando se adensam os rumores que apontam Donald Trump como candidato a receber o Prémio Nobel da Paz, é difícil dissociar as decisões do Comité Nobel Norueguês do que está a acontecer em Myanmar e de Aung San Suu Ki.
Aung San Suu Ki, ela própria contemplada com o Prémio Nobel da Paz pela sua luta pela libertação de um povo massacrado por uma ditadura levada a cabo por uma junta militar assassina, assiste agora impotente a massacres constantes no país que supostamente estaria liberto destas situações horrendas.
Mais uma vez, como tantas outras na História, a religião, que devia ser sinónimo de paz, é pretexto para alguns dos mais horrorosos massacres que ocorrem actualmente no Planeta.
As forças armadas de Myanmar, um país maioritariamente budista, levam a cabo uma limpeza étnica que tem como alvo a minoria rhoingya, maioritariamente muçulmana, no Estado de Rahkine, obrigando à fuga em massa dos que têm a sorte de sobreviver para o vizinho Bangladesh.
Rhoingyas (Exército de Salvação Rhoingya de Arakan) que agora são acusados de terem massacrado centenas de hindus no mesmo Estado (Rahkine) onde têm sido eles próprios massacrados.
De massacre em massacre, com o beneplácito ou perante a impotência das forças governamentais de Myanmar, e da Nobel da Paz, Aung San Suu Ki, aquela que presumivelmente ficaria com as rédeas do poder em Myanmar, ainda que na sombra, o Mundo assiste a mais momentos de pura limpeza étnica e intolerância religiosa.
Que as Nações Unidas repetidamente denunciam, condenam, mas não conseguem como sempre solucionar.
Religião devia ser sinónimo de paz, de tolerância, de amor ao próximo.
É isso que supostamente a Divindade de todas as religiões representa.
Infelizmente, e ao longo da História, com todas as religiões, tem sido sinónimo de ódio, intolerância, fundamento de barbárie.
Precisamente o que está a acontecer actualmente em Myanmar.

Intemporais (119)

23 de maio de 2018

Gostar de animais e ser idiota e mal educado são coisas muito diferentes


Em Portugal, como foi amplamente noticiado, passa a ser permitida a entrada e permanência de animais de estimação em espaços de restauração.
Gosto de animais, sempre gostei, e comungo da opinião de pessoa amiga acerca dos animais nossos amigos – “dão tanto e pedem tão pouco em troca”.
Sendo verdade, e sendo o gostar de animais e tratá-los com carinho uma qualidade (pelo menos no meu ponto de vista), coisa bem diferente é o exagero.
Que pode sempre acontecer quando as regras não estão bem definidas e os donos dos animais são idiotas e mal educados (já vão perceber que até estou a ser simpático).
No domingo, antes de irmos ver a récita da Dóçi Papiaçam di Macau no Centro Cultural de Macau, fui jantar com a minha mulher ao restaurante Akasaka que existe ali junto ao parque de estacionamento do Hotel Grand Lapa.
Para meu espanto, entrou uma senhora com um cão, um animal pequenino e até algo assustado, no restaurante.
Não estou habituado a ver coisa semelhante em Macau e fiquei a pensar que talvez tenha aqui sido adoptada a nova legislação portuguesa que permite a entrada e permanência de animais de estimação em espaços de restauração sem que eu tivesse percebido isso.
O espanto rapidamente deu lugar à estupefacção quando vi a dona do animal tirar uma taça de plástico, comida de cão, e pousar tudo sobre a mesa onde o animal ficou a comer entre as duas convivas (a dona e uma amiga).
Gostar de animais, repito, é uma qualidade.
Fazer uma figura destas é ser idiota e mal educado.
Para não utilizar adjectivos um bocadinho mais duros e quiçá mais apropriados à situação.

Estátuas loucas



































18 de maio de 2018

O Papagaio Clarividente


Num prédio havia um morador que tinha um papagaio.
Nesse mesmo prédio saía uma Senhora todos os dias para o trabalho.
O papagaio via a Senhora a sair e dizia-lhe:
- Toda bem vestida, toda bem pintada ... vai para a vida airada!
À noite, quando a Senhora regressava, o papagaio lá estava e dizia-lhe:
- Toda bem vestida, toda bem pintada ... vem da vida airada!
Passados alguns dias, a vizinha, muito chateada, resolve fazer queixa ao marido.
- Vê tu, que o papagaio do vizinho, todos os dias, quando saio, diz-me que vou para a vida airada, quando venho para casa, diz-me que venho da vida airada.
Só pode ser o vizinho que lhe ensina.
- Deixa lá mulher, no próximo Sábado emprestas-me a tua roupa e compras-me uma cabeleira da cor do teu cabelo, que eu trato do resto.
Assim fez!
Quando o papagaio o viu, disse-lhe:
- Olha quem vem lá... todo lampeiro!
Durante a semana é corno ... e ao fim de semana é paneleiro!


BOM FIM-DE-SEMANA

17 de maio de 2018

Beitar “Trump” Jerusalem


O clube de futebol que agrupa os radicais da direita israelita (Beitar Jerusalem) pretende homenagear Donald Trump por ter tido a “coragem”(sic) de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.
Qualquer pessoa com um mínimo de sensatez ficaria preocupada com uma homenagem destas.
Trump, vaidoso, insensato, tonto, deverá estar muito feliz.
Uma palavra vale por mil imagens, já todos ouvimos dizer.
Um gesto também.
Se houvesse alguma dúvida acerca da perigosidade e do radicalismo da medida unilateral tomada por Donald Trump ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel, os extremistas, violentos, racistas (os adeptos do Beitar têm um cântico onde se intitulam os adeptos mais racistas do Mundo), do Beitar Jerusalem teriam dissipado essa dúvida por completo.
Mas é de gente desta que Trump gosta de se rodear – bajuladores, por maior escória humana que possam ser.
A intenção está exposta, o processo de alteração de nome do clube tem trâmites legais a cumprir para tal se tornar realidade.
E é até bem provável que isso nunca venha efectivamente a acontecer.
Mas só a intenção é suficiente para assustar e para perceber quem rodeia e apoia Trump em mais uma das suas tresloucadas aventuras.
Já há mais umas dezenas de vítimas de um conflito que, para além de se eternizar, agora tem tudo para se agravar.
Com o beneplácito de um Presidente dos Estados Unidos que não tem um pingo de sensibilidade nem de cultura política.

Intemporais (118)

16 de maio de 2018

Não será tempo de parar para reflectir?


No próximo domingo, com a disputa da final da Taça de Portugal no Estádio Nacional, encerra oficialmente a época futebolística 2017/2018.
Não será chegado o momento de reflectir, dialogar, repensar atitudes, e reformular por completo o cenário de guerrilha permanente que invadiu o futebol português?
O que aconteceu ontem na Academia de Alcochete, com técnicos, jogadores, pessoal de apoio, do Sporting Clube de Portugal a serem agredidos de forma  brutal e cobarde por umas dezenas de rufias criminosos devia funcionar como um grito de alerta para todos.
Estamos perigosamente a caminhar para uma tragédia num domínio da vida que devia ser festa, sã competição, alegria.
Uma tragédia que se anuncia e que é fomentada todos os dias por declarações inflamadas, faltas de respeito, ausência de bom senso, de desportivismo.
Uma tragédia que não conhece inocentes, cores e simpatias clubísticas.
Que é fomentada dentro e à volta dos campos, nas televisões, nas rádios, nos jornais.
E que chega às estruturas federativas, às associações, a quem devia ser responsável por evitar estes extremismos.
Ontem aconteceu o que não podia ter acontecido em Alcochete.
Amanhã poderá ser no Seixal, em Gaia, noutro qualquer local onde as equipas se preparam para jogar um jogo de futebol.
Alcochete pode e deve ser o final desta atmosfera de guerrilha insuportável que invadiu o futebol português.
Porque a tragédia está cada vez mais próxima e não podemos ficar impávidos e serenos à espera que (não) aconteça.

ÁFRICA - Fotos a preto e branco soberbas (Nick Brandt)