24 de janeiro de 2020

Bipolar


- Papá, o que é um bipolar ?

- É uma pessoa que muda da noite para o dia, sem qualquer motivo aparente !

- Como o tio João ?

- Não filho, o tio João é travesti !!

(Prenda do Ricardo Santos)

KUNG HEI FAT CHOI
(Nos próximos dias não haverá blogue. Festeja-se a chegada do Ano do Rato e é tempo de pausa e convívio familiar)

23 de janeiro de 2020

Lei da oferta e da procura, máscaras cirúrgicas e leite em pó


A lei da oferta e da procura ensina que, num mercado de concorrência perfeita, o preço dos produtos é determinado pelo equilíbrio entre a quantidade procurada e a quantidade oferecida.
Sempre que um dos factores varia o preço altera-se sem que seja necessária a intervenção de qualquer regulador.
O mercado perfeito é uma utopia, como todos sabemos, e há sempre intervenção de factores externos a condicionar o preço dos produtos.
Na Bolsa de Macau, a tal que ainda não existe mas é possível que venha a existir, seria óptimo investir imediatamente nos produtos mais procurados e em maior escassez de oferta – máscaras cirúrgicas e leite em pó.
Passámos anos a ouvir dizer que o bem mais escasso em Macau era a terra, os solos.
Nada que os aterros não pudessem resolver.
Rouba-se mar e alarga-se o solo, problema resolvido.
Como o mercado é volátil e imprevisível, e sofre de  uma esquizofrenia muito peculiar em Macau, esqueçam o solo, a terra, invistam em máscaras cirúrgicas e leite em pó.

Intemporais (194)

22 de janeiro de 2020

O Leal Senado não era mesmo preciso para nada



Muito se falou, antes e após a transferência de administração em Macau, do futuro dos municípios.
O Leal Senado, o percursor do municipalismo a Oriente, iria mesmo desaparecer?
O mesmo destino para o município das Ilhas, que tanto e tão bom trabalho tinha desenvolvido?
A decisão política estava há muito pensada e tomada.
Os municípios, pelo menos com a autonomia de decisão que os caracterizava, iriam desaparecer.
E não foi preciso muito tempo para se perceber porquê.
Não era tanto a existência de duas instâncias de poder, o executivo e o municipal, que perturbava a mente oriental como tantas vezes ouvimos (erradamente) dizer.
O raciocínio era muito mais linear e prosaico – os municípios seriam desnecessários porque muitas das atribuições dos mesmos passavam na prática a ser exercidas pelo que deveria ser a sede do poder legislativo.
Se é verdade que ainda há órgãos administrativos de contacto próximo com a população e com os seus problemas diários, a realidade é que essas questões, que eram antes de âmbito municipal, passaram a ser tema de acesas intervenções e debates na Assembleia Legislativa, sobretudo no período antes da ordem do dia.
Afinal o Leal Senado não era mesmo preciso para nada.

Casamento no Alentejo


21 de janeiro de 2020

Informação a conta-gotas


O escorpião mata a rã, mesmo sabendo que também vai morrer, porque não consegue resistir.
É genético, é viciante, não conhece barreiras nem limites.
A fábula de Esopo mantém toda a actualidade.
E manifesta-se quando e como menos se espera.
A China não aprendeu nada com a SARS.
Nem mesmo as tragédias podem ensinar quem não está disposto a aprender.
O que muitos temiam está a confirmar-se.
E, como aconteceu com a SARS, a confirmar-se a conta-gotas.
A pneumonia viral com origem em Wuhan será muito mais grave do que foi admitido inicialmente, já estará muito mais disseminada do que foi sendo admitido ao longo de todo este tempo.
E crescem os receios com o manto de secretismo que rodeia situações que exigiriam toda a transparência, toda a colaboração, toda a informação.
Muito mais quando se aproxima o período do Ano Novo Lunar, da maior migração interna a nível mundial, com a consequente possibilidade de contágio a crescer exponencialmente.
Será que alguma vez as autoridades chinesas vão perceber que em casos de saúde pública não há “assuntos internos”?

DESPOLUIR A NATUREZA E A IGREJA (Frei Bento Domingues, O.P.)



Sem o sentido do sagrado, do mistério, sem sabedoria e ética, consentimos, dia a dia, em degradar a natureza que nos degrada a todos.

1. O poema bíblico da criação, ao celebrar a vitória sobre o caos e ao exaltar a harmonia humana e divina do universo, é fundamental para não desesperarmos dos trabalhos que exige a sua urgente recriação.
O desequilíbrio ecológico tem muitas causas. Mas as crenças que exaltam o individualismo, o progresso ilimitado, a concorrência irracional, o consumismo, o mercado sem regras movido apenas pela ganância, tendem a ignorar que não vale tudo. Esquecem que não dispomos de outro universo suplente como alguma imaginação delirante supõe.
Sem o sentido do sagrado, do mistério, sem sabedoria e ética, consentimos, dia a dia, em degradar a natureza que nos degrada a todos. Dispomos, no entanto, de recursos científicos e técnicos para poder dizer que, hoje, pode ser mais harmonioso do que ontem.
As televisões encheram-se de imagens do fogo que, em Portugal no longo verão de 2017, dizimou a floresta em grande escala associada à tragédia da morte de dezenas de pessoas. A destruição em curso da Amazónia, pulmão da humanidade, foi ridicularizada pelo próprio presidente do Brasil. A Austrália em chamas tornou-se irreconhecível. Como se tornou hábito repetir, sem grande convicção, a crise climática tornou-se a questão incontornável. O próprio Papa a propôs na Encíclica Laudato Si’ que explicita contributos fundamentais sobre a educação ambiental e a conversão ecológica. Lamentavelmente, ainda não penetrou na pastoral constante das paróquias e dos movimentos da Igreja Católica.
O contributo dos cientistas e a mobilização da opinião pública são indispensáveis para se criar um ambiente social e cultural que leve os decisores políticos a tomar medidas colectivas de âmbito mundial, pois a crise afecta o futuro de todos os povos. A revista Time elegeu, em 2019, a jovem Greta Thunberg Personalidade do Ano pela coragem interpelante da sua intervenção. Goste-se ou não do estilo, mostrou grande eficácia entre os jovens.
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em Madrid (02-15.12.2019) mostrou sobretudo o caminho que falta percorrer para vencer a cegueira dos países com maiores responsabilidades mundiais. A urgência era clara: em 2019 teria de haver um compromisso efectivo que reforçasse os objectivos decididos no Acordo de Paris de 2015, quanto às políticas para limitar o aquecimento global. Foi impossível chegar a esse compromisso.
 A geopolítica de Madrid revelou que, do lado dos que diziam "não" ao compromisso, estavam os EUA, o Brasil, a Índia e a China; do lado oposto, estava uma coligação de pequenos Estados insulares – os mais afectados pelos efeitos das alterações climáticas, como a subida do nível das águas – e a União Europeia.
2. Não é saudável ficar no reino poluído das lamúrias. Importa por isso destacar que, no passado dia 11, Lisboa recebeu o “testemunho” de Oslo, o prémio de Capital Verde Europeia 2020. Não é de admirar que na cerimónia oficial de abertura estivessem presentes: Marcelo Rebelo de Sousa, António Guterres, António Costa e o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.
Este galardão parecia um privilégio das cidades do Norte, pois é a primeira vez que é reconhecido a uma cidade do Sul. Mas este reconhecimento dos passos já dados e dos projectos em vias de execução são, para Lisboa, sobretudo um encargo acerca do que falta fazer em espaços verdes, transportes públicos, ciclovias, alterações climáticas, eficiência energética, uso da água, lixo e reciclagem.
É algo explicitamente assumido pela autarquia, mas que será impossível realizar sem o empenhamento voluntário e militante dos cidadãos.
Isto é possível. Por exemplo, se o objectivo da autarquia é ter mais 100 mil árvores na cidade até 2021, em relação às 800 mil existentes actualmente, no passado Domingo, mais de 4500 pessoas plantaram 20 mil árvores em 4 locais de Lisboa, como arranque da cidade Capital Verde Europeia 2020. O Programa, ao longo do ano, para sensibilizar a opinião pública, prevê um conjunto de conferências, iniciativas com escolas e universidades, espectáculos, exposições e festivais sobre o tema da sustentabilidade ambiental. Estes eventos devem ser um incentivo para que não seja apenas um acontecimento local, mas inspirador do que é possível fazer em todo o país.

17 de janeiro de 2020

16 de janeiro de 2020

E que tal a União Europeia adaptar o conceito “um país, dois sistemas”?



Quando se aproxima a data de consumação oficial do divórcio do Reino Unido e da União Europeia, e quando crescem as dúvidas acerca do pós-Brexit na Europa, e das virtualidades do princípio “um país, dois sistemas” na China, que tal combinar ambos?
A ideia seria procurar manter alguns laços entre o Reino Unido e a União Europeia em matérias muito específicas, e em moldes acordados entre ambos, ainda que seja apenas recorrendo à fórmula do menor denominador comum, de concordar em discordar.
Construir pontes em vez de muros seria a tarefa a empreender no século XXI.
Com a Europa a encabeçar esse combate, agora que os Estados Unidos parece não conseguirem uma coisa nem outra, e a China constrói pontes e reforça muralhas em simultâneo.
O sonho de Deng Xiaoping poderia ser exportado e adaptado e o processo Brexit poderia ser um óptimo tubo de ensaio para fazer esse teste.

Intemporais (193)

15 de janeiro de 2020

Jogos de guerra em ano de eleições


Trump mandou assassinar Soleimani e em retaliação o Irão atacou bases americanas no Iraque.
Justiça salomónica, olho por olho dente por dente, ninguém perdeu face e o Mundo estaria livre de mais um terrorista de Estado.
Um terrorista de Estado que por acaso até foi aliado dos norte-americanos em algumas intervenções militares no Médio Oriente, para reforçar todo o carácter de profunda hipocrisia e encenação que envolve estes jogos de guerra.
Jogos de guerra que têm na sombra um traço comum que terá passado despercebido a muita gente - 2020 é ano de eleições no Irão (legislativas) e nos Estados Unidos (presidenciais).
O assassinato de Soleimani não terá dado um jeitão aos radicais islâmicos no Irão e aos apoiantes de Trump nos Estados Unidos?
Todos os jogos envolvem uma forte componente de risco.
Neste jogo esse risco resultou para já na chacina de centenas de pessoas cujo “crime“ foi sobrevoarem uma zona onde os nervos estão à flor da pele.

Pedreiras de luz

Estas antigas pedreiras abandonadas de calcário amarelado, situadas em LES BAUX DE PROVENCE, no sul da França, foram transformadas numa sala de projecção de obras de arte.
Há mais de 3 décadas oferecem um novo mundo de imagens e de música com o auxílio de projectores.
Vários artistas já foram homenageados como Klimt, Michelangelo, Cezánne, Bosch, Brueguel, Van Gogh, Chagall.






























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14 de janeiro de 2020

Hong Kong ajudou os nacionalistas em Taiwan


A estrondosa vitória dos nacionalistas na eleição presidencial em Taiwan tem uma óbvia e indesmentível ligação a tudo o que se tem passado em Hong Kong nos últimos meses.
A grande bandeira eleitoral de Tsai Ing-wen foi o hipotético falhanço do princípio “um país, dois sistemas” em Hong Kong.
Uma tecla batida até à exaustão na campanha eleitoral, em conjunto com a política musculada da China no consulado Xi Jinping, que o eleitorado da Ilha abraçou e sufragou.
O sonho de unificação da grande nação chinesa, que Deng Xiaoping sonhou e que esteve na base da fórmula “um país, dois sistemas”, parece cada vez mais longínquo de Taiwan com a forte intervenção de Pequim que Xi Jinping preconiza.
Pequim tarda a perceber que, para seduzir Hong Kong e  sobretudo Taiwan, tem forçosamente que seguir uma política de abertura diametralmente oposta à que tem vindo a seguir até aqui.
Mesmo contra toda as evidências, a última das quais o resultado eleitoral em Taiwan, não acredito que o Governo Central venha a inflectir uma política que só tem afastado quem pretende acolher.

Roubando o Sol