21 de Outubro de 2014

A revolução tranquila do Papa Francisco


Anselmo Borges faz referência a uma vitória subtil, eu prefiro a expressão revolução tranquila.
O que aconteceu no Sínodo Extraordinário, independentemente do que venham a ser os desenvolvimentos do processo no futuro, marcará um período revolucionário na vida da Igreja.
Como todas as revoluções no seio da Igreja Católica Apostólica Romana, uma revolução tranquila, gradual, que levará muito tempo até que  possa chegar a resultados tangíveis.
Num Sínodo que terminou propositada e simbolicamente com a beatificação de Paulo VI, o Papa que fica para sempre ligado à abertura da Igreja ao mundo, Francisco desafiou a Cúria a discutir o que parecia indiscutível, deu início a um processo de diálogo aberto e amplo, sem retorno, que parecia impossível há bem pouco tempo. 
Dogmas e tabus têm que ser questionados, têm que ser discutidos e colocados face a face com o desenvolvimento científico e a evolução das mentalidades.
O casamento, a noção de família, a sexualidade, a procriação, deixaram de ser dogmas intocáveis, imutáveis e indiscutíveis a partir da publicação do Instrumentum Laboris e do Sínodo Extraordinário que se lhe seguiu.
Até Outubro de 2015, quando se realizar novo Sínodo, a Igreja no seu todo, e não só a Cúria, num processo que se quer aberto e participado, vai debater a ciência teológica e a sua relação com outras ciências num processo de revolução tranquila que Francisco agora iniciou e que não se pode saber como e quando irá terminar.
Ao Sínodo Extraordinário, ao debate na Cúria, deve seguir-se o debate universal na Igreja e mesmo o debate da Igreja, do que será a Igreja no novo século.

A vitória subtil de Francisco por ANSELMO BORGES, Diário de Notícias, 18 de Outubro de 2014


Na sua loucura lúcida, Nietzsche escreveu que cristão só houve um, Jesus, mas morreu na cruz, e o Evangelho tornou-se um Disangelho. Evangelho é palavra grega que quer dizer notícia boa, feliz e felicitante. Essa foi a mensagem de Jesus, que arrastou multidões em busca de saúde, libertação, vida expandida, salvação. Depois, tornou-se, tantas vezes e para muitos, uma má notícia, uma notícia de desgraça, um Disangelho. Só quem anda distraído ou não pode ou não quer saber é que não sabe disso.
O Papa Francisco pugna pelo regresso ao Evangelho do Jesus da vida, como notícia felicitante, por palavras e obras. Também na família. Ele sabe que, no meio das transformações culturais profundas, a sociedade e a Igreja continuam a precisar de "famílias felizes". E o contributo da Igreja é fundamental.
Assim, quis que, no Sínodo, com bispos de todo o mundo, casais, peritos e observadores, se falasse com liberdade e sem tabus. No relatório-síntese da primeira semana, é já possível antever o essencial dos novos caminhos, que, apesar das oposições, estão na linha pastoral de Francisco, que é a do Evangelho da alegria, antepondo a pessoa e a misericórdia ao dogma e à lei.
Claro que o ideal de família enquanto "escola de humanidade" continua a ser a união de amor fiel entre um homem e uma mulher por toda a vida e aberta à procriação. Mas a vida é o que é. E a Igreja reconhece a "urgência de novas opções pastorais" para as "famílias feridas". Haverá, pois, uma nova atitude face aos divorciados que voltaram a casar-se civilmente. O cardeal W. Kasper acaba aliás de declarar que uma "maioria crescente" do Sínodo é favorável à sua proposta de poderem aceder à comunhão. Por outro lado, entre as consequências da separação e do divórcio, sublinha-se, com razão, a necessidade de pensar nos filhos, que devem crescer do modo mais humano possível, não podendo, portanto, ser transformados num "objeto de contenda".
Há a valorização do casamento civil e da coabitação: "Uma nova dimensão da pastoral familiar atual consiste em captar a realidade dos casamentos civis e, com as devidas diferenças, também da coabitação ou uniões de facto. Na realidade, quando a união alcança uma notável estabilidade através de um vínculo público, está marcada por um afeto profundo, pela responsabilidade em relação aos filhos, com a capacidade de resistir às provas, podem ser vistos como um gérmen para acompanhar o desenvolvimento para o sacramento do matrimónio." Aliás, numa das intervenções, o geral dos jesuítas, Adolfo Nicolás, afirmou que "pode haver mais amor cristão numa união canonicamente irregular do que num casal casado pela Igreja"; assim, "a nossa tarefa é aproximar as pessoas da graça e não rejeitá-las com preceitos". Já antes, o Papa Francisco, constatando que "a juventude não se casa; é uma cultura da época; muitíssimos jovens preferem coabitar sem se casar", tinha perguntado: "Que deve a Igreja fazer? Expulsá-los do seu seio?"
Põe-se, inevitavelmente, a questão da contraceção dita artificial. Afinal, o que é natural e o que é artificial? Não pode o ser humano intervir racional e razoavelmente na natureza, que não é estática nem fixa?
Também a linguagem em relação à homossexualidade muda. "As pessoas homossexuais têm dons e qualidades para oferecer à comunidade cristã. Estamos em condições de receber estas pessoas, garantindo-lhes um espaço de fraternidade nas nossas comunidades?" E continua o documento: "A questão homossexual interpela-nos para uma reflexão séria sobre como elaborar caminhos realistas de crescimento afetivo e de maturidade humana e evangélica integrando a dimensão sexual: portanto, apresenta-se como um importante desafio educativo." Mas, por outro lado, "a Igreja afirma que as uniões entre pessoas do mesmo sexo não podem ser equiparadas ao matrimónio entre um homem e uma mulher". Faço notar que, na terminologia eclesiástica, não se fala em casamento, que vem de casa, mas matrimónio, cujo étimo é matris, que é o genitivo de mater, mãe, o que quer dizer que, para a Igreja, o casamento está intimamente vinculado à possibilidade da procriação. No entanto, o texto refere que "a Igreja tem atenção especial para com as crianças que vivem com casais do mesmo sexo, reiterando que se deve pôr sempre em primeiro lugar as exigências e direitos dos mais pequenos".
Há ainda um longo caminho até à Exortação do Papa, com as decisões finais, em princípios de 2016. Entretanto, hoje ser-lhe-á entregue um relatório de trabalho desta assembleia, para o debate que continuará nas dioceses do mundo inteiro - outra vez W. Kasper: "Vivemos num mundo globalizado e não se pode governar tudo a partir da Cúria" -, até à nova assembleia sinodal, de 4 a 25 de outubro de 2015.

17 de Outubro de 2014

Pensamento do Dia


“A vida cor de rosa” ou como dizem os franceses,  “La vie en rose”, começa a partir dos cinquenta:

Cirrose
Osteoporose
Artrose
Nevrose
Arteriosclerose
Fibrose
etc

BOM FIM-DE-SEMANA!!
(para mim é prolongado porque na segunda-feira estou de férias)

Romantismo no século XXI



Humor negro

A senhora ficou muito chateada só porque eu lhe disse que tinha TRÊS filhas muito bonitas. Achava eu....

Qualquer pessoa pode ter um engano, não?!?



16 de Outubro de 2014

Rocha Vieira e Joseph Zen

Curiosas as entrevistas dadas por Rocha Vieira e Joseph Zen a duas agências noticiosas acerca da situação que se vive em Hong Kong.
Não porque encerrem em si alguma novidade, mas precisamente pelo contrário.
Rocha Vieira, o general, o militar de carreira, o homem que Soares enviou para Macau para tirar Macau das páginas dos jornais depois do caso Melancia (acerca de Macau só poderiam ver-se escritos os habituais chavões da tolerância mútua, da amizade secular e do encontro de culturas), apresenta a visão que todos esperariam que apresentasse (questão bem diferente é saber se a deveria ter apresentado).
A Xinhua, quando procurou Rocha Vieira, sabia perfeitamente que o último governador português de Macau iria defender a posição que defendeu, condenar a revolta estudantil em Hong Kong, a ocupação de espaços públicos, o caos e a desordem, o perigo para a tão propalada harmonia social e económica.
E foi isso mesmo que conseguiu.
O mesmo se pode dizer da Lusa quando procura o cardeal chinês Joseph Zen, conhecido pelas suas posições de constante desafio ao poder político de Hong Kong e da República Popular da China.
Joseph Zen, que desfilou ao lado dos manifestantes de Hong Kong, sem se esquecer de condenar a inflexibilidade da posição dos estudantes, atacou abertamente a forma como os governantes da Região Administrativa Especial têm lidado com os protestos, acusou-os de tacanhez e até de estupidez, declarou que tem receio que se assista a um banho de sangue em Hong Kong semelhante ao que aconteceu em Tiananmen.
Li as duas entrevistas e fiquei a pensar com os meus botões - qual a intenção de ouvir Rocha Vieira e Joseph Zen quando à partida se conhecem as respectivas posições?!

Baralhar e dar de novo (Teresa de Sousa)



« (…) Na sexta-feira, a ortodoxa Finlândia (o país que mais deu dores de cabeça a Bruxelas em matéria de contribuição para os resgates) viu o seu “triplo A” ser reduzido para um “duplo A” pela Standard & Poor’s. Já só restam a Alemanha e o Luxemburgo. Vale a pena lembrar o que disse em 2011 o actual primeiro-ministro finlandês, Alexander Stubb, agora às voltas com uma inevitável recessão, citado pela Reuters: “Os princípios darwinistas devem aplicar-se à zona euro e as economias mais fortes devem ter a decisão final sobre a maneira de dirigi-la”. Agora lembra que a crise na Ucrânia e o abrandamento da economia russa trocaram as voltas à economia finlandesa. (…)

2. Vale, aliás, a pena começar pela Alemanha, que esta semana andou nas bocas do mundo por duas razões mais ou menos inesperadas. A primeira, quase hilariante pelos seus contornos, foi o estado das suas Forças Armadas. A questão foi debatida no Bundestag a partir de um relatório a que os jornais tiveram acesso, que as descreve como um desastre. Meia dúzia de exemplos: só um dos seus quatro submarinos funciona; só 70 dos seus 180 tanques Boxer estão em condições operacionais; apenas sete da sua frota de 43 helicópteros da Marinha podem voar, etc. É irresistível reproduzir um título de um jornal alemão, citado pela Reuters: “Se os tanques Boxers se mantêm de pé é graças à laca da ministra da Defesa”. Úrsula von der Leyen é criticada por gostar mais de se deixar fotografar do que de tratar da Bundeswehr. Médica e mãe de sete filhos, quer ser a sucessora de Angela Merkel na CDU. Judy Dempsey, do Carnegie Europe, recordava há dias que a Alemanha está a ter dificuldades para trazer os seis soldados no Afeganistão de volta a casa porque os aviões estão avariados. Dos 56 há apenas 24 operacionais. A analista também lembra que a Alemanha viu-se obrigada informar a NATO de que não consegue arranjar os aviões pedidos para patrulhar a fronteira dos Bálticos. Os exemplos são infindáveis. Para um país a quem toda a gente pede que assuma maiores responsabilidades internacionais, não é o que se estava à espera. A redução do orçamento da Defesa para 1,3 % do PIB pode ser uma explicação. A falta de prioridades é outra. Talvez valesse a pena explicar aos alemães que as despesas com a defesa têm de aumentar num mundo cada vez mais caótico, incluindo à volta das fronteiras da Europa.

A segunda questão que irrompeu no debate alemão tem a ver com a economia. Marcel Fratzscher, director do DIW (Instituto Alemão para a Investigação Económica), conselheiro habitual do Governo, acaba de publicar um livro sobre “A Ilusão Alemã”, que aponta para as fragilidades de uma economia que se apresenta como o modelo a seguir. As infra-estruturas de transportes estão envelhecidas e ninguém as repara. O desemprego baixo deve-se aos “mini-jobs” mal pagos e em part-time. O investimento caiu para 17 por cento e cada vez mais as grandes empresas preferem investir fora da Alemanha, por exemplo nos EUA. A produtividade cresceu muito pouco nos últimos anos (entre 2007 e 2002, 0,3%, para 0,5 na Dinamarca, 0,7 na Áustria, 0,9 no Japão ou 1,5 nos EUA e 3,2 na Coreia). Os salários continuam a perder valor real. Só exportar, exportar, exportar torna a economia alemã particularmente vulnerável a cada desaceleração da economia europeia e mundial. O director do DIW lembra que a Alemanha está em condições de se financiar a custos baixíssimos e era o que devia fazer para estimular a economia. O último sinal de alarme foi a queda inesperada das encomendas à indústria de 5,7% no segundo trimestre. Como escreve o Telegraph, “a Alemanha apenas parece saudável porque as outras economias europeias estão moribundas.” 

15 de Outubro de 2014

Até ao lavar dos cestos...


Até ao lavar dos cestos é vindima, ensina o conhecido ditado popular.
E deve ter sido este o motto da Selecção Nacional ontem à noite na Dinamarca.
Colheita tardia, resultante de uma mistura de castas que nem sempre resultou bem, o produto final é saboroso mas necessita ainda de ser depurado de algumas impurezas.
Sabe-se que há ali uva de qualidade, uva já conhecida, alguma recuperada, à mistura com outras qualidades de fruto que estão agora a ser testadas.
O produto final agrada mais pelo sabor que fica depois de consumido do que pela experiência de degustação.
Alguns taninos doces e redondos num néctar que deixa um perfume e um sabor agradáveis mas a necessitar ainda de algum estágio em madeira para apurar a qualidade e o sabor.
A prova ficou completa com um produto dinamarquês muito encorpado mas que deixa na boca a sensação de fraca qualidade do fruto e do produto final dele resultante.
Taninos adstringentes que deixam na boca uma impressão de secura e aspereza.
Prova a confirmar, para ambos os néctares, lá mais para a frente.
Para já, fica a nota de um boa estreia do novo sommelier português.


Néctar de grande qualidade, com taninos doces e redondos, num produto novo mas muito bem estruturado, é o que foi ontem servido em Paços de Ferreira.
Irrequieto, electrizante, frenético, grande chocolate, com castas de grande qualidade e futuro prometedor, é um produto que ainda não conheceu a desilusão ao fim de 14 provas.
O sabor que fica é prolongado, alegre, típico de um produto jovem mas de grande qualidade e cheio de ilusões e potencial.
Com algum estágio em madeira de qualidade, servido no tempo e na temperatura certas, tratado por um sommelier de créditos firmados (o actual está a deixar a impressão que sabe da poda) pode ser um caso sério a muito breve trecho.
Por agora segue para a prova final, uma fase à qual já não chegava nas últimas três edições.
Brindemos às duas equipas representantes do futebol português ontem em acção.
Saúde!

Primeira Selecção Nacional de Futebol (1911)


Publico uma foto que talvez gostem: é a da primeira selecção Nacional de Futebol, foi tirada em 1911 (obviamente retocada), no CAMPO DA FEITEIRA, com a Igreja de Benfica em fundo. 
Camisolas ainda azuis e brancas, que foram as primeiras da Selecção, porque a bandeira teve essas cores até 1910. 
Para acabar de vez com a ideia de que as primeiras camisolas da Selecção Nacional eram pretas, vermelhas, roxas, verdes e encarnadas ou seja lá o que for. 
As primeiras camisolas da Selecção Nacional foram azuis e brancas, bipartidas. 
Antes disso, por falta de dinheiro, a Selecção jogou, em Huelva , com as camisolas do Sporting (verdes e brancas, bipartidas).
Em 1910 o único organismo representativo do Futebol Português era a Associação de Futebol de Lisboa (a Federação fora, provisoriamente apenas, suspensa nesse ano, regressando em 1914).
É com este equipamento que os «seleccionados» jogam. 
Entre eles, estão fundadores do Sporting, do Benfica e do Belenenses.
O primeiro a contar da esquerda da fila dos que estão em pé é Cosme Damião, o terceiro da fila dos que estão sentados é Francisco Stromp.

14 de Outubro de 2014

Combate ao Estado Islâmico


O Estado Islâmico, também conhecido por Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), na sigla inglesa ISIL (Islamic State of Iraq and the Levant) ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS), na sigla inglesa ISIS (Islamic State in Iraq and Syria), é um grupo jihadista que no seu auto-proclamado califado afirma autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos do mundo e aspira a tomar o controlo de muitas outras regiões de maioria islâmica, a começar pelo território da região do Levante, que inclui a Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Hatay, uma área no sul da Turquia.
Entidade sinistra, capaz das maiores atrocidades e de actos  da mais absoluta brutalidade e da mais pura barbárie, o Estado Islâmico será provavelmente a mais perigosa organização terrorista em actividade actualmente.
Uma organização terrorista com a qual é impossível dialogar e que tem que ser combatida sem tréguas nem piedade até ser erradicada se tal  se revelar possível.
Um passo muito importante nesse sentido foi dado pelo parlamento turco ao aprovar uma moção que autoriza as suas tropas a juntarem-se a uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos e que inclui a França, o Reino Unido, a Dinamarca e a a Holanda (combates no Iraque) e integra o Egipto, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, a Jordânia e o Qatar (combates na Síria).
Mais importante, o mesmo parlamento turco aprovou ainda a utilização da base aérea de Incirilik, no sul do país, por parte dos americanos, um ponto fulcral na estratégia de combates aéreos aos jihadistas do Estado Islâmico. 
São passos que se podem revelar importantes, fundamentais mesmo,  na tarefa de libertar o mundo do pesadelo que é o Estado Islâmico, da ideologia cruel e repugnante que os seus seguidores professam.
É tempo de perceber de uma vez por todas que o combate a organizações terroristas impiedosas como é o Estado Islâmico é prioritário (andou bem o parlamento turco ao separar as águas com uma possível intervenção militar americana na Síria) e é um combate que procura evitar a continuação de operações de puro genocídio, de continuada limpeza étnica e religiosa.
Como tantas vezes a História ensinou, mas a Humanidade parece ainda não ter aprendido, ontem seria já muito tarde para levar a cabo esta tarefa. 

13 de Outubro de 2014

Dois Alentejanos em Lisboa




Dois Alentejanos resolvem ir a Lisboa passear!
Quando chegam lá, o que resolvem fazer?
Ir às "meninas".
Chegam a um bordel, e depois de terem escolhido as "meninas", vão para o quarto.
Quando já estavam quentes e preparados para o "catra-pau-pimba", diz a "menina", ao dar-lhe uma camisinha para a mão:
- " Olha tens que usar esta coisinha, tá bém?"
- " Atão porquêi?"
- " Isto é para não ficarmos grávidas!"
- " 'Tá bém, pode sêri!"
Bem, depois de terem acabado, foram embora p'rá terra.
Encontram-se duas semanas mais tarde e diz um para o outro:
- " Ó Cumpadre, aquelas Lisboetas pá! Aquilo é que foi."
- " Se foi, ê dê duas trancadas, comê nunca tinha dado na vida!"
- " Olhe lá, vocemecêi importa-se qu'elas engravidem?"
- " Ê não! Quero lá saberi!"
- " Atão vamos tirar estas porras qu'há quinze dias quê na mijo!"
BOA SEMANA!

Parto moderno



Um casal foi à Maternidade para a mulher ter um bebé.
Assim que chegaram, o médico diz-lhes que tinha sido inventada uma máquina capaz de transferir uma parte das dores do parto para o PAI. 
Pergunta-lhes se estão dispostos a tentar. 
Ficaram ambos muito entusiasmados e o médico diz-lhes então que como o marido era inexperiente ia começar com 10%, explicando-lhe que 10% das dores já era superior a alguma dor que ele tenha tido.
Mas no desenrolar do parto o marido sente-se bem e pede ao médico para aumentar um bocado a taxa de transferência. 
O médico aumenta então a percentagem para 20. 
O marido continua a sentir-se bem, mas para ter a certeza o médico examina-o.
Neste momento decidiram tentar 50%!! 
O marido continuou a sentir-se extraordinariamente bem.
Entusiasmado, e estando obviamente a ajudar a mulher, o marido pede ao médico para lhe transferir 100% das dores. 
A mulher teve um bebé saudável, virtualmente sem dores.
Ela e o marido estavam entusiasmadíssimos. 
Ao chegarem a casa, o carteiro estava morto no alpendre!

Romance no motel (machista até mais não!)




O rapaz leva a namorada para o motel.
Chegando lá, ela tira a roupa, deita-se na cama, abre as pernas e sussurra com voz lânguida: 
- Vem, faz-me sentir mulher! 
O rapaz tira as roupas lentamente, ela começa a ver os músculos dele a contraírem-se, ele olha para a mulher nos olhos e diz: 
- Toma, lava!

10 de Outubro de 2014

Leis complementares à Lei de Murphy



Leis complementares à Lei de Murphy

Recordemos a Lei de MURPHY :
"Se alguma coisa pode dar errado, dará".

AGORA SEGUEM ALGUMAS LEIS E PRINCÍPIOS DEMONSTRADOS EMPIRICAMENTE:
(Ler com atenção as designações das Leis)

"O seguro cobre tudo, menos o que aconteceu." ( Lei de Nonti Pagam).

"Quando estiveres só com uma mão livre para abrir a porta, a chave estará no bolso oposto."
(Lei de Assimetria, de Laka Gamos).

"Quando tuas mãos estiverem sujas de gordura, vais começar a ter comichão pelo menos no nariz."
(Lei de mecânica de Tukulito Tepyka).

"Não importa por que lado seja aberta a caixa de um medicamento. O papel das instruções vai sempre atrapalhar."
(Princípio de Aspirinovisk).

"Quando achas que as coisas começam a melhorar, é porque algo te passou despercebido."
(Primeiro teorema de Tamus Ferradus)

"Sempre que as coisas parecem fáceis, é porque não entendemos todas as instruções."
(Princípio de Atrop Lado)

"Os problemas não se criam, nem se resolvem, só se transformam."
(Lei da persistência de Waiterc Pastar)

"Vais chegar ao telefone exactamente a tempo de ouvir quando desligam."
(Principio de Ring A. Bell)

"Se só existirem dois programas que valha a pena ver, os dois passarão na mesma hora."
(Lei de Putz Kiparil)

"A probabilidade que te sujes a comer é directamente proporcional à necessidade que tiveres de estar limpo."
(Lei de Kika Gadha)

"A velocidade do vento é directamente proporcional ao preço do penteado."
(Lei Meteorológica Pagá Barbero )

"Quando, depois de anos sem usar, decides atirar alguma coisa fora, vais precisar dela na semana seguinte."
( Lei irreversível de Kitonto Kifostes)

"Sempre que chegares pontualmente a um encontro não haverá ninguém lá para comprovar, e se ao contrário, te atrasares, toda a gente terá chegado antes de ti."
(Princípio de Tardelli e Esgrande La de Mora)


1- LEIS BÁSICAS DA CIÊNCIA MODERNA:
* Se mexer, pertence à Biologia.
* Se cheirar, pertence à Química.
* Se não funcionar, pertence à Física.
* Se ninguém entender, é Matemática.
* Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
* Se mexer, cheirar, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.

2- LEI DA PROCURA INDIRECTA:
* O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra.
* Encontras sempre aquilo que não procuras.

3- LEI DA TELEFONIA:
* Quando te ligam: se tens caneta, não tens papel. Se tiveres papel, não tens caneta. Se tiveres ambos, ninguém liga.
* Quando ligas para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.
* Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.

4- LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA:
* Se estiver escrito 'Tamanho Único', é porque não serve em ninguém, muito menos em ti.

5- LEI DA GRAVIDADE:
* Se consegues manter a cabeça fria enquanto à tua volta todos a estão perdendo, provavelmente não estás entendendo a gravidade da situação.

6- LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS:
* 80% da prova final serão baseados na única aula a que não compareceste e os outros 20% serão baseados no único livro que não leste.

7- LEI DA QUEDA LIVRE:
* Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.
* A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor da carpete.

8- LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS:
* A fila do lado sempre anda mais rápido.
* Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

9- LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:
* Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.

10- LEI DO ESPARADRAPO:
* Existem dois tipos de adesivo: o que não cola e o que não sai.

11- LEI DA VIDA:
* Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
* Tudo que é bom na vida é ilegal, ou é imoral, ou engorda ou engravida.

12- LEI DA ATRACÇÃO DE PARTÍCULAS:
*Toda a partícula que voa encontra sempre um olho aberto.

BOM FIM-DE-SEMANA!

9 de Outubro de 2014

Proibido usar burka no Algarve

Coisas do nosso passado recente
(a boa influência mourisca)

.
«Faço saber que pelo regulamento policial d’este Governo Civil, de 6 do corrente mes, com execução permanente, aprovado pelo governo, determino o seguinte:
Artigo 32º – É proibido nas ruas e templos de todas as povoações deste distrito o uso dos chamados rebuços ou biôcos de que as mulheres se servem escondendo o rosto.
Artigo 33º – As mulheres que, nesta cidade, forem encontradas transgredindo o disposto no precedente artigo serão, pelas vezes primeira e segunda, conduzidas ao comissário de polícia ou posto policial mais próximo, e nas outras povoações à presença das respectivas autoridades administrativas ou aonde estas designarem, a fim de serem reconhecidas; o que nunca terá lugar nas ruas ou fora dos locais determinados; e pela terceira ou mais vezes serão detidas e entregues ao poder judicial, por desobediência.
Parágrafo único – Esta última disposição será sempre aplicável a qualquer indivíduo do sexo masculino, quando for encontrado em disfarce com vestes próprias do outro sexo e como este cobrindo o rosto.
Artigo 34º – O estabelecido nos dois precedentes artigos não terá lugar para com pessoas mascaradas durante a época do Carnaval, que deverá contar-se de 20 de Janeiro ao Entrudo; subsistirão, porém, as mesmas disposições durante a referida época, em relação às pessoas que não trouxerem máscara usando biôco ou rebuço.
 Artigo 41º – O presente regulamento começa a vigorar, conforme o disposto no artigo 403º do código administrativo, três dias depois da sua publicação por editais – Governo Civil de Faro, 28 de Setembro de 1892– Júlio Lourenço Pinto.»



O biôco (ou biuco) – Algarve


Raul Brandão escreve a propósito do biuco no seu livro "Os Pescadores", em 1922:

" Ainda há pouco tempo todas (as mulheres de Olhão) usavam cloques e bioco. O capote, muito amplo e atirado com elegância sobre a cabeça, tornava-as impenetráveis.
É um trajo misterioso e atraente. Quando saem, de negro envoltas nos biocos, parecem fantasmas. Passam, olham-nos e não as vemos. Mas o lume do olhar, mais vivo no rebuço, tem outro realce... Desaparecem e deixam-nos cismáticos. Ao longe, no lajedo da rua ouve-se ainda o cloque-cloque do calçado - e já o fantasma se esvaiu, deixando-nos uma impressão de mistério e sonho. é uma mulher esplêndida que vai para uma aventura de amor? De quem são aqueles olhos que ferem lume?... Fitou-nos, sumiu-se, e ainda - perdida para sempre a figura -, ainda o som chama por nós baixinho, muito ao longe-cloque..."
Trata-se de uma capa que cobre inteiramente quem a usava. A cabeça era oculta pelo próprio cabeção ou por um rebuço feito por qualquer xaile, lenço ou mantilha. As mulheres embiocadas pareciam “ursos com cabeça de elefante”
Oficialmente a sua extinção ocorreu em 1882 e por ordem de Júlio Lourenço Pinto, então Governador Civil do Algarve, foi proibido nas ruas e templos, embora continuasse a ser usado em Olhão até aos anos 30 do século XX em que foram vistos os últimos biocos.



Numa época em que se assistimos com frequência a exemplos da mais absoluta barbárie, da mais gratuita crueldade, publicitada por imagens do mais puro horror, tudo obra de um bando de facínoras tresloucados que se dominam Estado Islâmico, é bom perceber que, como em tudo na vida, não se deve tomar a nuvem por Juno.