Os Estados Unidos e Israel fizeram o trabalho sujo
Depois de ler as declarações de Sergey Ryabkov, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, ocorreu-me que no mundo hipócrita que vivemos, Estados Unidos e Israel ficaram com o odiosa tarefa de levar a cabo o trabalho sujo que outros se abstiveram de fazer.
Sergey Ryabkov veio publicamente afirmar que o Irão, aliado precioso da Rússia, nunca teve intenção de possuir uma bomba nuclear.
Sergey Ryabkov que é membro do mesmo governo que ainda muito recentemente se disponibilizou para receber os quatrocentos quilos de urânio enriquecido que o Irão ainda tem em seu poder.
Urânio enriquecido a um nível muito superior ao que é necessário para qualquer outro efeito que não seja o fabrico de uma arma nuclear, sublinhe-se.
Israel, temendo pela sua sobrevivência enquanto Estado, consciente do facto de um dos desígnios do regime teocrático iraniano ser a destruição do Estado israelita, consciente também da debilidade momentânea do regime iraniano e da presença na Casa Branca de um aliado fundamental, resolveu tomar a mais drástica de todas as medidas possíveis.
E contou para tal com o apoio de Donald Trump.
Cinicamente, o resto do Planeta criticou e critica Trump e Netanyahu.
Enquanto disfarçadamente suspira de alívio e murmura um agradecimento a quem teve a coragem e iniciativa de fazer o trabalho sujo que tantos queriam ver feito sem sujar as mãos nem ferir a reputação.
Coisa bem diferente é avaliar o como foi feito, a aventura de entrar sem ter um plano de contingência para o tempo durante e o depois.
Essa é toda uma outra questão, toda uma outra conversa.



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