Vladimir Putin e Marcello Caetano
Todos os ditadores são por natureza presunçosos.
Convictos da sua superioridade intelectual e moral, sentem necessidade de a exibir publicamente.
Marcello Caetano tinha as famosas Conversas em Família.
Com elas entrava pela casa dentro dos portugueses e dava-lhes conta das grandes realizações do Estado.
As mesmas que justificavam as provações e sacrifícios a que era submetido um povo amordaçado e impedido de reagir por uma polícia política que controlava qualquer tentativa de dissensão.
Vladimir Putin fez um discurso no chamado Dia da Vitória que é a versão russa das Conversas em Família.
A mesma exaltação patriótica, o mesmo apelo a um hipotético inimigo externo, a mesma mão de ferro para esmagar qualquer tentativa de apresentar uma versão alternativa.
Marcello Caetano e Vladimir Putin, ambos envolvidos em guerras sem sentido, ambos a sentirem o regime perigar, falam para dentro do país e tentam desesperadamente encontrar uma cola que consiga unir os cacos de regimes decrépitos e estilhaçados.
Mas ambos sabem que, apesar de haver sempre aliados de conveniência, há sempre uma voz que diz não.



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