FIASCO



Putin foi a Pequim.
Para tirar brilho e peso à visita de Trump, disse-se. 
A mesma coreografia, o mesmo peso institucional, o reafirmar da aliança estratégica com a China. 
Este será o olhar e o balanço oficial russos.
Mais uma vez a máquina de propaganda russa a funcionar e a procurar espalhar desinformação.
Um olhar mais atento e mais isento rapidamente desmonta esta narrativa. 
Longe dos holofotes, Putin tinha um objectivo muito concreto e tangível nesta visita a Pequim.
E esse era um objectivo económico que passava pelo famoso Power of Siberia 2, o gasoduto que seria o milagre salvador da depauperada economia russa. 
Putin chegou a Pequim com propostas maximalistas, crente que o aliado chinês seria a válvula que permitiria insuflar a economia de guerra russa. 
A China financiaria a construção do Power of Siberia 2 e seria o seu maior consumidor.
O melhor de dois mundos.
Putin afinal mostrou que não percebe a mentalidade chinesa. 
A China tem parcerias estratégicas, não tem nem quer ter aliados. 
E aceitou as condições e os planos russos. 
Com uma contraproposta muito clara e simples - a China iria pagar o gás e o petróleo russos a preço de saldo de fim de estação quando comparado com o que os europeus pagavam. 
Essa parte foi convenientemente deixada na sombra pelas diplomacia e propaganda russas. 
Propagandear um fiasco não é boa política, convenhamos.

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