25 de abril de 2010

Grandes portugueses (vivos)

Mais uma vez, uma personalidade pela qual não nutro qualquer simpatia.
Mas à qual, não obstante, reconheço uma projecção que ultrapassa as fronteiras do país.
E que julgo ser de inteira justiça realçar neste espaço na data que hoje se comemora.
Mário Alberto Nobre Lopes Soares, nascido a 7 de Dezembro de 1924 em Lisboa, licenciado em História, Filosofia e Direito pela Universidade de Lisboa.
Torna-se professor em 1957 mas a sua feroz oposição ao regime político vigente levam a que seja repetidamente detido.
Activo na resistência ao regime fascista, conhece Álvaro Cunhal ainda como estudante no Colégio Moderno, propriedade de seu pai.
Enquanto estudante universitário adere ao Partido Comunista Português, é o responsável pela secção juvenil, e é nessa qualidade que organiza manifestações que o regime não lhe perdoa sendo preso pela PIDE pela primeira vez em 1946, e outras duas em 1949.
Apoiante de Humberto Delgado em 1958, então já advogado por impossibilidade de continuar a sua carreira docente, Mário Soares torna-se advogado da família do General sem Medo após o assasinato deste.
Em 1964, exilado na Suíça e já bem distante do Partido Comunista, cria a Acção Socialista Portuguesa com Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa.
Em 1968 é novamente preso pela PIDE e deportado para São Tomé.
Apesar de um breve regresso a Portugal já com Marcello Caetano no poder, Mário Soares fica exilado em Roma em 1970, mas acabará por se fixar em França, onde ensina em paris, e onde, em 1973 cria o Partido Socialista, e se torna seu presidente, sucessor da Acção Socialista, sob a protecção de Willy Brandt.
Com a revolução de Abril de 1974 regressa definitavemente a Portugal e enfrenta o Partido Comunista e os militares que tentavam tomar o poder.
As eleições de 1976 são ganhas pelo Partido Socialista e Mário Soares é nomeado Primeiro-Ministro num momento de consolidação do regime democrático.
Em 1978, comm um governo muito impopular, abandona o poder, que viria a reconquistar em em 1983 e a manter até 1985.
É então que negoceia a entrada de Portugal na União Europeia.
Em 1986 derrota Freitas do Amaral nas eleições e torna-se Presidente da República, cargo que manterá até 1996.
Quando se pensava que estava definitivamente retirado da vida política activa, regressa em 1999 conseguindo um lugar de deputado no Parlamento Europeu onde permanece até 2004.
Concorre novamente à presidência da República em 2005 mas sai vergado ao peso de uma derrota épica.
E é esta uma das críticas que com maior frequência lhe é dirigida - não ter sabido retirar-se.
Continua activo nas sua intervenções e comentários  e é reconhecido internacionalmente como um dos portugueses que mais contribuíram para a consolidação do regime democrático em Portugal.
Goste-se, ou não.

 

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