22 de junho de 2017

Substituição de gerações

Fausto cantava em 1996 que "atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir".
Hoje temos dois exemplos dessa realidade, dois exemplos de substituição de gerações.
O primeiro em Macau.
Trinta e três anos depois da sua primeira eleição para a Assembleia Legislativa de Macau, Leonel Alves, muito provavelmente o mais bem preparado tecnicamente de todos os deputados, e o que melhor conhece o funcionamento do hemiciclo, anunciou formalmente que chegou o momento de dar lugar a outros.
Não conheço pessoalmente Leonel Alves, muito menos lhe devo quaisquer favores ou ele a mim.
Sinto-me assim particularmente confortável ao afirmar que a Assembleia Legislativa, infelizmente já de si tão pobre na sua composição, e a correr sérios riscos de ver essa pobreza agravar-se com o cenário que se adivinha para as eleições de Setembro,  sofre um duro golpe com a perda de um deputado como Leonel Alves.
Compreendo perfeitamente a decisão do deputado, tenho que a aceitar, mas não posso, enquanto cidadão de Macau, residente permanente e alguém que tanto gosta desta que é agora Região Administrativa Especial da China, deixar de lamentar a mesma. 
Porque não será fácil encontrar alguém que possa suceder a Leonel Alves e desempenhar na Assembleia Legislativa um papel semelhante ao que este filho da terra desempenhou ao longo destes anos.
De Macau para Portugal, da Assembleia Legislativa para a Selecção Nacional de Futebol.
Se a substituição de gerações na Assembleia Legislativa de Macau não faz prever nada de bom, a substituição de gerações na Selecção Nacional funcionou lindamente.
Jogadores em fim de carreira, longe do brilho e do fulgor de outros tempos (Moutinho, Quaresma, Nani) foram substituídos com vantagem, com notórias melhorias, por uma nova geração (Adrien, Bernardo, André, "os Silvas") no jogo contra a Rússia para a Taça das Confederações.
Outra energia, outra dinâmica, outra movimentação e outra imaginação, resultaram numa vitória importantíssima que deverá assegurar a passagem da Selecção Nacional às meias-finais do torneio. 
Fausto tinha toda a razão - "atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir."

20 comentários:

  1. Oxalá, o deputado seja substituído por alguém competente, mas não é fácil. Parece que hoje em dia, tudo o que é incompetência, vai cair na política.
    Quanto à Seleção, gostei de ver. O que nem sempre acontece, pese os resultados às vezes até cumprirem.
    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Substituir o deputado Leonel Alves por alguém com uma preparação e uma capacidade semelhantes parece-me virtualmente impossível, Elvira Carvalho.

      Na Selecção estou com o Fernando Santos - o mais importante é ser competitivo, ganhar.
      Jogar bonitinho e não ganhar foi o nosso fado durante anos.
      Mas temos ali um problema sério de substituição de gerações - a dupla de centrais.
      Pepe e Bruno Alves também estão no ocaso das respectivas carreiras.
      Quem os vai substituir>
      O futebol português não tem formado centrais e o problema está já aí ao virar da esquina.
      Abraço

      Eliminar
  2. Pelo que li vai ser difícil substituir o deputado Leonel Alves derivado aos seus conhecimentos, mas é a lei da vida nada é eterno, o mesmo possivelmente mas a outro nível se irá passar com o Ronaldo.
    Um abraço e boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    O prazer dos livros

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois é, Francisco, essa treta de não haver pessoas insubstituíveis tem muito que se lhe diga.
      Podem ser substituídas.
      Mas não com o mesmo nível nem sequer semelhante.
      Aquele abraço

      Eliminar
  3. Há pessoas que são insubstituíveis nos ligares que ocupam o que deve ser o caso deste deputado. A assembleia assim vai realmente ficar mais pobre.
    Um abraço.
    Autografos Futebol

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O problema é que não há gente preparada para tomar o lugar dele, Francisco Emanuel.
      E quem vai ser eleito (não é muito difícil adivinhar) não lhe chega aos calcanhares em capacidade técnica e em conhecimento da forma como funciona a Assembleia.
      Aquele abraço

      Eliminar
  4. Gosto de mudanças gosto de dar lugar aos mais novos...sempre falei que quaresma Bruno Alves Coentrão estão no ocaso da vida profissional.. há que alistar em sangue fresco con outros reflexos...
    Kis :=}

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O pior são os centrais, AvoGi.
      Nos últimos anos os clubes portugueses, sobretudo os grandes clubes, apostaram em centrais estrangeiros.
      É a Selecção fica sem campo de escolha.
      Temos um problema a muito curto prazo.
      Bjs

      Eliminar
  5. Sobre o primeiro tema, apetece-me dizer que os melhores não são, por iniciativa própria ou outra, suficientemente aproveitados.

    Sobre a selecção não falo. Apenas digo que gostava de ver Fernando Santos devolver a alegria de jogar aos jogadores portugueses.
    Eu sei que ninguém pode dar o que não tem mas ... é o que penso.

    Um abraço, Pedro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Leonel Alves, que entrou na Assembleia Legislativa pela mão de Carlos d'Assumpção, foi muito bem aproveitado e durante muitos anos.
      Achou que já era suficiente, que é tempo de ver ali sangue novo, ideias novas.
      Tenho pena porque tenho a certeza que a Assembleia vai ficar mais pobre sem ele.

      Fernando Santos.
      Enquanto a Selecção for ganhando eu perdoo-lhe as cautelas e o futebol enfadonho, António.
      Tantas vezes, tantos anos, que jogámos bem, que jogámos bonito, para não ganhar nada.
      Quero troféus, quero a Taça das Confederações.
      Mesmo a jogar mal.

      Aquele abraço

      Eliminar
  6. Conheci Leonel Alves e, embora esteja hoje em dia totalmente a leste do que se vai passando por aí, não me custa nada assinar por baixo.
    Já quanto à renovação da SN, tenho mais dúvidas Pedro. A melhoria de rendimento do primeiro para o segundo deveu-se a duas alterações tácticas
    Primeiro: Passamos do 4X3X3 para um 4X4x2. Com a entrada de André Silva CR passou a ter maior apoio e omeio campo ficou mais sólido.
    Nani não jogou toda a época, a sua chamada à selecção foi um erro de casting
    Moutinho está cansado e também me dá a sensação de já não aguentar 90 m
    Já Quaresma continua a ser um grande desequilibrador, a ter um talento extraordinário ( cada vez que penso que Lopetegui o despediu do Porto, só me apetece bater-lhe) e combina na perfeição com CR7
    Finalmente, na defesa, constatou-se que a dupla de veteranos Pepe/Bruno Alves continua imperial e insubstituível. No jogo com o México foram dois erros defensivos que permitiram os dois golos mexicanos. Contra a Rússia, os centrais estiveram ao nível qu nos acostumaram: inultrapassáveis.
    E a verdade é que para além de José Fonte ( com reticências...), não vejo quem possa entrar na equipa para o eixo da defesa. Essa vai ser uma grande dor de cabeça na selecção.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Hoje em dia, ainda mais que em tempos idos, ele é de longe o deputado mais qualificado na AL, Carlos.
      É um dos poucos que consegue fazer a ponte entre vários interesses, que domina o processo legislativo na perfeição.
      E é o único que se exprime sempre em língua portuguesa (o Pereira Coutinho alterna as línguas portuguesa e chinesa).
      Tudo tem um fim...

      A Selecção Nacional.
      Estamos ali com um problema sério na zona dos centrais, Carlos.
      Quem é que vai substituir Pepe e Bruno Alves, já dois trintões?
      Não estou mesmo a ver.
      Se é verdade que o Quaresma é um génio, um desiquilibrador nato, também é verdade que trabalha pouco no processo defensivo e é um bom bocado calão.
      O quarteto que ontem jogou no meio-campo funciona muito bem.
      E ainda há boas alternativas no banco.
      Não é por aí que me preocupo.

      Eliminar
  7. Foi quase como uma lufada de ar fresco na seleção, e a certeza de que continuamos com excelentes jogadores!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Faltam-nos centrais mais novos, Chic'Ana.
      E vamos precisar deles muito brevemente.
      Beijinhos

      Eliminar
  8. Gosto dessa partilha política sobre Macau e da vitória da nossa selecção e, em especial a ligação que fez do seu post com a frase da canção do Fausto.

    De 1996 a esta parte, o mundo já mudou tanto, mas tanto... e saliento a forma exemplar da passagem de Macau, para a China e de como as nossas relações continuam estáveis.

    Outros tempos existem hoje e, as novas gerações carregam todo o mundo; o antigo,o presente e a dúvida do futuro.

    Bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. mz,
      Quase 18 anos depois da transferência de poderes Macau mudou muito.
      A todos os níveis.
      Mas as traves mestras da maneira de viver, dos princípios políticos e económicos que tinham sido acordados têm sido cumpridos à risca.
      E acredito que assim continue a ser no futuro.
      Bjs

      Eliminar
  9. Moutinho no fim de carreira? Como o tempo passa. Não foi há tanto tempo assim que era um garoto a correr atrás do cão... estou a ficar... menos jovem!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estamos os dois, Catarina.
      Na terça-feira chego aos 53.
      Bfds

      Eliminar
    2. O mais curioso é que realmente não sinto nada, excepto nalguns achaques, os 53, Catarina.
      Sou um puto de cabelo e barba grisalhos :)))

      Eliminar