21 de junho de 2017

Inferno em Pedrógão Grande



Ao contrário do que escreve Miguel Esteves Cardoso, eu não sou nem me julgo especialista no combate a incêndios, muito menos em medidas de prevenção que são necessárias implementar para evitar que estes aconteçam.
Como qualquer cidadão tenho as minhas opiniões, em nada baseadas em dados científicos, apenas na minha sensibilidade.
Consciente dessa minha limitação não vou estar agora a expor opiniões que não terão qualquer valor para terceiros.
Guardo-as para mim.
O que já não guardo para mim é uma imensa dor, misturada com revolta, por ver tantas vidas ceifadas em florestas que se querem acolhedoras e que são repentinamente transformadas num autêntico Inferno na Terra.
Há pessoas que serão encarregues de investigar se este fenómeno é normal, se é a Natureza a mostrar a sua revolta pelos maus tratos que tem sofrido, ou se há outras explicações.
Porque é essa a função dessas pessoas, desses especialistas.
Desejo que essa investigação se faça, que se apure tudo o que há para apurar, que se explique o que agora nos parece inexplicável.
E desejo também que, no final, não se reduza tudo o que se passou a um fenómeno muito habitual - a demissão de um qualquer responsável político cuja cabeça entregue em bandeja de prata acalma a fúria da multidão, um qualquer São João Baptista dos tempos modernos.

46 comentários:

  1. Ponho-me do teu lado porque também não sou perita em nada e já dei no post abaixo, o resto da minha modesta opinião.

    Beijos e o meu silêncio profundo e respeitador para todos os que sofreram e ainda estão a sofrer este cenário de horror.

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    1. Para quê dar uns bitaites numa situação tão catastrófica e que em tanto ultrapassa a nossa compreensão, Fatyly?
      Ser solidário é importante, dizer ou escrever uns disparates não tem interesse nenhum nem auxilia ninguém.
      Beijos

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  2. Pedro,
    mas o que se verifica também é que fora da "época dos fogos" deixa-se de falar disso, desaparecem os especialistas, deixa de ser notícia e as noticias são cada vez mais efémeras, e só em cima do acontecimento...
    parece que até fica mal de voltar a falar de algo que já passou como se o resto do ano não fosse a altura apropriada para preparar a proteção das populações para o ano seguinte

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    1. Repito o que já comentei, Angela - isso é o que ouço e vejo desde garoto.
      Estou a chegar aos 53 e pouco ou nada mudou.

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  3. Também não sou perito, mas convivo desde miúdo com fogos florestais. Muitos deles onde este aconteceu, mas sem esta dimensão.
    E, talvez porque sou de lá, sei em que condições estavam as matas e o porquê de estarem nessas condições. E sei que não há uma resposta fácil para este problema.

    A Nacional 326 era uma estrada linda para se conduzir, sobretudo entre o IC8 e a Castanheira de Pêra, onde as árvores faziam um arco abobadado por cima da estrada que no verão lhe davam uma luz única. Infelizmente a mesma coisa que lhe dava a beleza foi a morte de tanta gente! E não ficou lá mais gente, inclusive família minha, por muito pouco!
    Em conversa com um familiar, sobrevivente dessa estrada (infelizmente o carro dele não sobreviveu) deu para perceber que, além de tudo o resto, das causa, das condições das matas, etc, este foi um incêndio atípico, que se movia com uma velocidade brutal empurrado por ventos que causavam redemoinhos que espalhavam o fogo em várias direcções. O meu primo descreveu o que viu como um tufão de fogo!
    Podia ter sido minimizado? Podia! Bastava as leis terem sido cumpridas! Mas agora, como diria o Marquês de Pombal, é tempo de enterrar os mortos e socorrer os vivos!


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    1. Agora estamos naquela fase horrível em que os números começam a ser substituídos por rostos.
      E em que as pessoas começam a descobrir que perderam amigos nesta tragédia dantesca.
      Aquele devia ser um local agradável, não um forno crematório, Cláudio Gil :(

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  4. Depois desta horrível tragédia temos que pensar muito bem o que queremos da nossa dita floresta se é que ela existe o que eu vejo é monoculturas, eucaliptal e pinhal, se quiserem continuar a alimentar as celuloses então continuem e as desgraças não vão parar.
    Um abraço.
    Autografos Futebol

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    1. Lágrimas de crocodilo como alguém já escreveu, Francisco Emanuel.
      Ouça o comentário do Sousa Tavares acerca das árvores que são plantadas, dos interesses das celuloses, dos negócios à volta do fogo.
      Aquele abraço

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  5. Também não sou especialista para dar opiniões credíveis sobre esta matéria, sei apenas que há muito que se deveriam ter tomado medidas para que estas catástrofes fossem evitadas.
    Resta a dor e o pesar dos que partiram e dos que ficaram pensar que nada lhes resta.

    Beijos Pedro

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    1. A conversa é sempre a mesma, Manu.
      E não passa disso - conversa.
      Infelizmente, apesar do que escrevo, não acredito que este ano, apesar de tão brutal tragédia, se vá para além da conversa.
      Beijos

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  6. É lamentável as vidas humanas que se perderam neste nefasto incêndio, mas enquanto não houver coragem de se acabar com os negócios à volta dos fogos e da floresta, vamos continuando a ter destas tragédias.
    Um abraço e boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    O prazer dos livros

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    1. O que aconteceu em Pedrógão foi especialmente chocante.
      A perda de vidas humanas, num número absolutamente brutal, não pode deixar ninguém indiferente.
      Aquele abraço

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  7. Este seu texto, PEDRO, escreve exactamente aquilo que eu queria dizer é fui tão mal interpretada.

    Não quero aproveitar a oportunidade para pedir a cabeça dos políticos portugueses de quem não gosto. Não sou amiga de cabeças em bandejas de prata como a Salomé.

    Desejo que haja uma investigação, doa a quem doer.
    É flagrante, que quem simpatiza com o governo apela ao silêncio com respeito às vítimas e familiares.
    Essa, do São Pedro ser o culpado é deitar areia branca nos meus olhos, não respeitando a minha inteligência e a dor das vítimas e familiares.

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    1. Qualquer conclusão que se tire neste momento peca por precipitada, por falta de fundamentos, por ser tirada a quente, com mais emoção que razão, Teresa.
      TUDO terá que ser investigado, mas mesmo TUDO.
      Depois sim é que poderão/deverão ser exigidas responsabilidades se as houver e a quem as tiver.
      Condenar ou absolver quem quer que seja neste momento é um puro exercício de transformar o que se pensa e o que se deseja em realidade.
      Mau caminho, como é óbvio.

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  8. Quando voltamos da montanha no Domingo acendi a TV e vi imagens que me deixou muito abalada. Meto-me no lugar dessas pessoas e sinto uma énorme tristeza pelas vidas perdidas e pela natureza que cada vez está menos protegida.
    Desejo ao Pedro um excellent fim de dia. Um abraço :)

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    1. Uma tragédia brutal, The Reader's Tales.
      Ainda parece surreal.
      Um abraço, um excelente fim de dia também

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  9. É impossível passarmos ao lado de tão grande tragédia.
    Fossem as causas as que tiverem sido, o mal aconteceu.
    Há necessidade de perceber o que se passou? Sim, obviamente.

    Ando cada vez mais desgostoso com a postura da nossa comunicação social. O que pode levar um pseudo repórter a perguntar à Ministra Constança se vai demitir-se. Pior ainda quando percebemos a forma como o fez e o tom usado. É assim que se resolvem os problemas?

    Um abraço

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    1. Se a ministra de demitir ou for demitida não se fala mais no caso?
      Como aconteceu com o Jorge Coelho?
      Que foi à sua vidinha e as famílias destroçadas ficaram o quê? Contentes?
      O meu receio é esse, António - oferece-se a cabeça de alguém e não se fala mais no assunto.
      Se já não tivéssemos visto isso antes estaria muito mais tranquilo.
      Assim francamente não estou.
      E aí está essa pergunta, que desconhecia, a confirmar os meus receios.
      Aquele abraço

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  10. Uma tragedia, infelizmente demasiado real.. que sirva de exemplo e de aprendizagem, há mudanças a fazer, isso sem dúvida, que tenham o descernimento de perceber quais as melhores medidas a desenvolver para prevenir que mais desastres semelhantes tenham lugar..
    Beijinhos

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    1. Como eu gostava de acreditar que ia ser assim, Chic'Ana!
      Infelizmente não acredito.
      Por favor provem-me que estou enganado.
      Beijinhos

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  11. Agora já se disse que quando o raio caiu, já o fogo por lá andava há quase duas horas.
    De uma maneira ou de outra, agora o que importa, é evitar a todo o custo que esta tragédia se repita.
    Abraço

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    1. A quente dizem-se todos os disparates, Elvira Carvalho.
      É o avião que cai, é o raio que já foi depois do fogo ter começado, mais se seguirão.
      Cabeça fria, por muito que custe, deixar passar o tempo de luto e começar a apurar TUDO, começar a cuidar dos vivos depois de sepultar os mortos.
      Abraço

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  12. Em primeiro lugar , solidariedade para quem sofre !

    Quando a cinza pousar, exige-se saber realmente o que se passou e, ainda mais, tomar medidas concretas no terreno( na lei já temos bastantes).

    Exige-se também mais decoro, mais responsabilidade e mais respeito pelo Outro à comunicação social, que - salvo honrosas excepções - se portou vergonhosamente !

    Espero que esta tragédia sirva para algo e útil


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    1. Os movimentos solidários, que também chegaram aqui, mostram o melhor que há em nós, São.

      Gostei do seu comentário.
      É isso mesmo - leis há muitas.
      Falta é levá-las à prática.
      Quando assim não acontece não passam de letra morta.

      Se o primeiro parágrafo fazia referência ao melhor que há em nós, este último fica para o pior.
      Revoltante!

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  13. Concordo, Pedro.
    O que eu penso é que há que fazer um trabalho exaustivo para que esta situação não se repita, ontem ouvi uma Doutora , essa sim , uma estudiosa do assunto, falou muito bem (pelo menos eu gostei) e percebe-se muito bem que o assunto está longe de ser fácil de resolver...
    bjs Peço desculpa de não dizer quem foi a senhora mas é que ouvi por acaso e não sei o seu nome...)

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    1. O meu receio é que se volte a falar muito, a estudar muito, a discutir muito, para ficar tudo na mesma, papoila.

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  14. A ulpa é dos eucaliptos, com forme li por aí, mas mesmo assim há que tomar medidas... Todos os anos há incêndios criminosos ou não, há que prevenir para não remediar.
    E a comunicação social... Bem não tenho palavras para tamanhodezrezlsigopelos lesados
    Kis :=)

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    1. São os eucaliptos, é o São Pedro, é a ministra, AvoGi.
      Sempre a mesma lenga-lenga, e nunca as soluções que deviam existir desde ontem.
      Bjs

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  15. Sobre tudo se escreve todos os anos, de bradar aos céus:

    http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/transportes/aviacao/detalhe/cartel_de_fogo_espanhol_tinha_coordenador_em_portugal

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    1. Escreve-se muito, discute-se muito, faz-se muito pouco, Anónimo.
      O que o Miguel Esteves Cardoso escreve.

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  16. Olá Pedro, muito triste mesmo, como a Elvira falou, agora é cuidar para evitar um novo episódio. Que Deus tenha compaixão dessas famílias aflitas.

    Bjss!

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    1. Como eu gostaria de acreditar que esta tragédia representa um ponto de viragem, Diná...
      Não acredito com toda a sinceridade.
      Bjs

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  17. O nosso maior problema é que se fala muito, se investiga muito, se relata muito mas também se esquece muito. Sempre esquecemos. Até à tragédia seguinte.

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    1. Na tragédia seguinte vai voltar-se a falar muito, a discutir muito, a perorar imenso, luisa.
      Talvez demitir alguém ou pedir que se demita.

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  18. OI PEDRO!
    TOMARA QUE ESTEJAS CERTO E QUE SEJAM FEITAS INVESTIGAÇÕES SÉRIAS PARA APURAR ESTE FATO TÃO TRISTE QUE LEVOU TANTAS PESSOAS AO ÓBITO E FAMÍLIAS AO SOFRIMENTO DA PERDA.
    ALGO HÁ QUE SER FEITO POIS, MESMO SENDO APURADO TRATAR-SE DE ALGUM FENÔMENO DA NATUREZA, HÁ QUE HAVER ALGUMA FORMA DE PREVENÇÃO, ASSIM PENSO EU.
    UM ABRAÇO.
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. Eu também tenho esse desejo, Zilani Célia.
      Mas é um desejo acompanhado de um profundo e teimoso receio que não seja nada disso que se vai passar na realidade.
      Um abraço

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  19. Antes de mais acabo de "aterrar" aqui em Devaneios a Oriente e já me fiz seguidor, porque após fazer uma breve incursão gostei do que vi e li. A começar por este post "Inferno em Pedrógão Grande" que me parece bastante sensato e coerente em si mesmo, tanto mais se contrastado com o texto "Começar do zero" do MEC, em que se dalgum resumido modo concordo com o MEC no que à sua critica face a (quase) toda a gente saber alegadamente fazer o diagnóstico e dar as soluções, no entanto tudo continuar igual ou quiçá pior ano após ano. Só que a concluir o próprio MEC acaba basicamente por se auto contradizer, ao apontar ele mesmo uma série de possíveis soluções, que em resumo final não serão mesmo mais que isso e enquanto tal parte do que ele mesmo critica ao princípio.

    Quanto ao mais eu próprio já tenho escrito a acerca do fenómeno incendiário, a partir da minha leiga perspectiva ao respeito, fazendo-o enquanto tal mais numa perspectiva de suscitar/provocar reflexões e inquietações do que de fazer diagnósticos ou dar soluções _ muito menos face ao a todos os títulos excepcional nível do que se passou em Pedrógão e ainda que a um nível mais controlado subsequentemente continua a passar-se nas regiões limítrofes.

    Cumprimentos

    VB

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    1. Antes de mais, seja muito bem-vindo, Victor Barão.
      Curiosamente também detectei essa contradição no texto do Miguel Esteves Cardoso.
      Para quem ia tão bem ao criticar os pseudo-especialistas, borrou a pintura ao tornar-se de repente num daqueles que critica.
      Toda a zona à volta de Pedrógão Grande está transformada num verdadeiro pesadelo, numa tragédia de proporções épicas.
      É tempo de auxiliar os vivos, sepultar e respeitar os mortos, debelar os incêndios ainda activos.
      Depois, de cabeça mais fria, volta a dizer, apurar TUDO.
      Esse é o meu desejo.
      Confesso que não é a minha expectativa.
      Porque o (mau) exemplo ao logos dos anos assim me faz sentir e pensar.
      Cumprimentos

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  20. Não creio que vai acontecer, Pedro. Demissões - quero dizer.
    Tenho me inteirado melhor sobre o fenómeno e sobre as florestas. Não vejo razão para alguém se demitir. Li hoje que o António Costa deu início a uma mudança no final de 2016 - a Assembleia da República já aprovou alguns diplomas, outros estão pendentes. E nisto das florestas e do património privado é assunto para se resolver em décadas, não em dias.

    MAS DEU-ME ESPERANÇA saber que já se começou a mexer nesse pote... Alguém, mais para a frente, vai ficar com os créditos de todos os que ficarem para trás. Mas isso é o de menos, se disso resultar uma mudança definitiva, para melhor.

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    1. O próprio António Costa, então Ministro da Administração Interna, mexeu neste dossier, Portuguesinha.
      E mudou o quê?
      O ministro.
      Espero estar enganado mas acredito piamente que a cabeça de alguém (a Ministra?) vai ser a solução para mais esta tragédia.
      Ontem, através de amigos, soube que os Bombeiros locais várias vezes formaram um cordão humano para proteger as populações civis colocando em risco as próprias vidas.
      Um deles acabou por falecer.
      Se este cenário é o Inferno, e se há Céu, são pessoas destas que para lá vão.

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