3 de agosto de 2016

Uma conferência de imprensa bizarra e inútil


A conferência de imprensa que a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau realizou na tarde de ontem pareceu-me bizarra e inútil.
Estava convencido que a realização de uma conferência de imprensa se justificava quando havia notícias, novidades para transmitir à população.
Chamar a imprensa em peso para se dizer que se cumpriu o que está legalmente previsto, com base em critérios científicos, não faz muito sentido.
Menos sentido faz quando esta chamada surge como resposta às vozes que na rua, na rádio, nas redes sociais, reclamavam porque no Delta do Rio da Pérolas só Macau não içou o sinal 8 de tufão preferindo manter o sinal 3 por intermináveis 22 horas.
Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos teriam prestado um muito melhor serviço à população se tivessem aproveitado a ocasião e a polémica de ontem para explicar sucintamente os critérios científicos que presidem à decisão de içar os diferentes sinais de tufão e quem toma essa decisão.
O que a população viu e sentiu foram ventos e chuvas intensas, árvores derrubadas, acidentes vários dos quais resultaram alguns ferimentos, imagens de pessoas em dificuldades, especialmente na travessia das pontes.
E, legitimamente, interrogou-se se perante tal cenário não seria mais seguro içar o sinal 8 enquanto o tufão passava, à semelhança do que aconteceu nas cidades à volta de Macau.
Reagir a estas e outras dúvidas com argumentos tão inusitados quanto o não se deixar influenciar por pressões económicas na tomada de decisões de teor técnico e científico, é bizarro, inútil, transmite uma ideia de birra que é absolutamente inadmissível quando vinda da parte de altos responsáveis da Administração.

25 comentários:

  1. É estranho e realmente não só aí, mas também por cá há conferências "bizarras e inúteis" para todos os gostos. Em vez disso que seria uma poupança do dinheiro dos contribuintes, deveriam investir noutras áreas, porque informar SIM, esclarecer SIM mas tornear ou falar inutilmente NÃO!

    Beijos

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    1. Ainda para mais fiquei com a ideia (e acho que não fui só eu...) que os Serviços organizaram aquele espalhafato porque ficaram aborrecidos com as críticas da população.
      Se não têm arcaboiço para receber críticas sugiro que mudem de profissão ou ocupem lugares mais discretos na hierarquia.
      São muito bem pagos, entre outras coisas, para receber essas críticas e saber quando e como lhes responder.
      Bjs

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  2. Fiquei com a impressão de que essas criaturas não sabem lá muito bem o que fazem....

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    1. Profissionalmente acredito que não.
      Já nestas figuras estapafúrdias acredito que até saibam.
      Mas não se importam.
      Tem que haver quem puxe as orelhas aos meninos que se portam mal.

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  3. Não terá havido confusão na leitura da sinalética. Em numeração árabe o 3 é um 8 a que se fez uma lipoaspiração...
    Quanto à conferência ... não é caso único, como as reportagens, como as notícias, como ...
    Dias felizes sem fusões.

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    1. Não, Agostinho, não houve confusão.
      O que é curioso é que o tufão mais violento dos últimos 30 anos a atingir o Delta do Rio das Pérolas tenha oficialmente passado ao largo de Macau.
      Quem levou com o vento, a chuva, e não levou com outras coisas por acaso, não teve a mesma impressão.
      Há fenómenos que a ciência não explica e os homens também não.

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  4. Uma conferência de imprensa para mostrar serviço e encher o olho.
    Fica-me a sensação de que se terão 'esquecido' do fundamental em favor do acessório.

    Um abraço, Pedro.

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    1. Em cheio, António!
      Aquele abraço

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    2. Assino por baixo o comentário do António.

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    3. E eu respondo da mesma forma, Carlos - em cheio!!

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  5. muitas vezes as pessoas não fazem muito sentido messssmo.
    Abraço!

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  6. Uma Conferência de Imprensa confere um certo brilho a qualquer Grupo Administrativo, Pedro! Ainda que não tenham nada de especial para comunicar.
    É outra loiça, por assim dizer!! :))
    Beijinhos.

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    1. Em muitas situações deixa-os muito mais baços do que estavam antes, Janita.
      Adivinhe em que categoria se insere esta?? :)))
      Beijinhos

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    2. Loiça das Caldas, não Pedro? Ehehehe

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    3. Está a dar uma bronca, Janita!!!
      Quando não se tem nada de novo para dizer não vale a pena convocar conferências de imprensa.
      Quando é que aprendem isso??

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    4. Ainda bem que está a dar bronca.
      É sinal que o povo não adormece.
      É um ótimo sinal!

      Não sei se por aqui teriamos um povo assim, andamos cada vez mais curvados na espinha e as críticas são lançadas aos céus, nem tanto dirigidas às competências.

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  7. Enfim...para inglês ver!

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    1. Se calhar foi mais americano que inglês, Psicanalista :))

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  8. Pensa positivo: este sinal inequívoco de mau estar pode vir a ter bons resultados para futuro. Estarei a ser optimista demais?

    Beijinhos em águas calmas e soalheiras
    (^^)

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    1. Está agitar as águas por estas bandas.
      Aqui não estão nada calmas depois de uma série de asneiras...
      Beijinhos

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  9. Eu pensava que é costume oriental marcar conferências de empresa exatamente para isso: para dizer que o que fizeram foi a pensar no melhor, que agiram de acordo, têm as consciências limpas, fizeram o seu trabalho e por isso, não é justo tanto criticismo. As pessoas têm de parar de ser tão más com eles.

    Juro que é essa "vibe" que a cultura oriental me passa.
    Mas por vezes, nessas conferências, fazem um "mea culpa" e informam que vão demitir-se. Só que para isso, é preciso que as suas acções tenham resultado numa catástrofe daquelas dolorosas!!

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    1. O barulho ainda não acabou, Portuguesinha.
      E os Serviços agora já admitem rever critérios, repensar a sua política e a sua comunicação.
      Essa ideia de os orientais comerem e calarem, se pode ter tido alguma correspondência com a realidade no passado, já há muito tempo que a não tem.

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    2. Ainda bem pedro, ainda bem!
      Mas o sentido que quis dar foi cultural e da parte dos que cometem algo que gera polémica. Parece-me existir essa necessidade de "curvar em vénias" e justificar o feito. Se o povo já não se contenta com tanta facilidade, faz ele muito bem!

      Se as coisas estão mal, têm de mudar e a pressão do povo a exigir explicações pode marcar a diferença.

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    3. ë o que está a acontecer, Portuguesinha.
      Como em tudo, com disparates pelo meio.
      A ideia de consultar a população acerca de critério eminentemente técnicos é o mais gritante desses erros.

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