25 de março de 2015

Traído pela Universidade de Macau


Sinto-me traído pela Universidade de Macau.
Depois da licenciatura em Coimbra, já lá vão uns bons anitos, apareceu a oportunidade do mestrado em Macau.
Um curso em língua inglesa (European Union Law), bem estruturado, com grandes mestres vindos de todo o Mundo, a possibilidade de conhecer o Direito Europeu que era um estranho para mim (e ter mais contacto com o tronco comum do curso que abrangia International Law e Comparative Law), o desafio de melhorar o meu currículo académico e completar um mestrado em língua inglesa.
Tudo isto complementado com o reconhecimento automático das habilitações em Portugal e, por via do mesmo, o reconhecimento dessas mesmas habilitações no espaço da União Europeia.
O desafio era demasiado aliciante para poder ser recusado.
Concluído o mestrado há já alguns anos, sou agora confrontado com a alteração das regras do jogo.
O reconhecimento automático das habilitações deixa de ser uma realidade porque a Universidade resolveu fazer umas mexidas nos currículos dos cursos ministrados na Faculdade de Direito.
Mexidas feitas quase em segredo, de forma leviana e irresponsável, que afectam todos os que alimentavam legítimas expectativas de ver as suas habilitações reconhecidas para além das exíguas fronteiras de Macau.
Sinto-me traído pela Universidade de Macau.
A mesma que há muito vem tendo uma atitude de permanente ataque ao Direito de matriz portuguesa que vigora em Macau, que é suposto aqui vigorar pelo menos até 2049, que o académico Mi Jian, Professor da Universidade de Ciência Política e Direito da China, já em 1996 afirmava ser uma referência para o sistema jurídico chinês num caminho de evolução sob uma pluralidade de sistemas (o Direito que vigora no Continente, os sistemas jurídicos das duas Regiões Administrativas Especiais).
A atitude dos actuais responsáveis na Universidade de Macau revela uma perigosa sobranceria, acompanhada de uma preocupante ignorância,  que devia ter conduzido ao seu afastamento há já muito tempo.
Para que eu, outros como eu, os planos que Pequim tinha para Macau na área jurídica, não sejamos traídos pela incapacidade e falta de visão de quem transitoriamente dirige a Universidade.

35 comentários:

  1. Boa notícia Pedro.
    Arruma as ideias e agarra esta partida.
    No fim haverás de dizer como outros VALEU:

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    1. O mestrado valeu a pena, luís.
      Já passaram sete anos (já devia estar a fazer doutoramento mas ainda não apareceu nada que me motive) mas ainda hoje recordo bem o convívio, o stress da pesquisa ("um pouco de pressão nunca fez mal a ninguém", dizia o meu orientador de tese), a descoberta de temas que me eram quase estranhos.
      Tudo isso fica e sem qualquer arrependimento.

      O que é intolerável é esta manobra despudorada e estúpida para tentar afastar a aplicação do Direito de matriz portuguesa de Macau.
      O oposto do que a China quer e estes idiotas ainda não perceberam.

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  2. ~ Espero que os maus ventos mudem de direcção e que tudo se resolva da melhor maneira, ou seja, de forma justa.

    ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~
    .

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    1. Gente ignorante, Majo, gente ignorante.
      Pior que isso, ignorantes com poder.
      São os mais perigosos
      Beijinhos

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  3. Não há na cabeça dessa gente a ideia de esmifrar mais uns cobres? Mais um MBA para conferir equivalencias...
    Abraço, Pedro.

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    1. Quem é que domina os casinos em Macau, Agostinho (excepção à família Ho, talvez)?
      Americanos e tipos de Hong Kong.
      O espaço da Common Law.
      Branco é, galinha o põe!
      Aquele abraço

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  4. Não há motivos para o arrependimento, meu caro, o que aqui falha é, unicamente, a bestialidade da UM.

    Aquele abraço desde o outro lado do mundo, Pedro.

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    1. Umas luminárias, Ricardo!
      Dava dó se não fossem tão sacanas.
      Aquele abraço

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  5. Coimbramigo

    É uma sacanice ponto. E não se pode extermina-los?

    Se queres conhecer o vilão mete-lhe a vara na mão...

    Abç de Pangim

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    1. Vinda de luminárias como estas ainda revolta mais, FerreirAmigo.
      Aquele abraço

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  6. Meu amigo o conhecimento está consigo para sempre, o reconhecimento é que falhou.
    Realmente uma grande injustiça, lamento!

    beijinho
    Fê.

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    1. Uma grande verdade, Fê.
      Não me arrependo nadinha de ter feito o mestrado.
      E, mais dia menos dia, virá o doutoramento (a minha mulher está a fazer)
      Mas não será na Universidade de Macau.
      Beijinhos

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  7. Caro Amigo Pedro Coimbra!
    É terrível quando sabemos que as regras do jogo mudaram, mesmo para aqueles que já tinham os títulos homologados.
    Esta nefasta decisão é intolerável e injusta.
    Que os asseclas da deusa da Justiça e da Sabedoria tenham a sensatez de reconsiderarem esta nefasta decisão.
    Caloroso abraço! Saudações injustas!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver sem véus!

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    1. O mal está feito, Amigo João Paulo de Oliveira.
      Para reverter o processo vai ter que se voltar ao início, renegociar tudo, repensar os currículos dos cursos.
      E, antes de tudo, correr com esta gente que está a dar cabo da instituição.
      Aquele abraço

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  8. Posso dizer o mesmo da universidade católica, de uma suposta pós-graduação que lá tirei - a pagar, com aulas durante dois anos e seguida de estágio de seis meses - que depois se veio a verificar não ter as condições necessárias para ser considerada de pós-graduação, pois aceitaram alunos que não tinham curso superiores. Que culpa tenho eu? Eu já tinha o meu curso completo e sempre pensei que uma universidade como a católica não anunciaria pós-graduações que afinal (ainda) não o eram... :P

    Beijocas

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    1. Fiz o percurso completo, Teté.
      Licenciatura em Coimbra, pós-graduação e mestrado aqui em Macau.
      Não me arrependo de nada, bem pelo contrário.
      Só me revolta a sacanice a chico-espertice, a irresponsabilidade.
      Beijocas

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  9. Han não ficou registado o que eu disse? Escrevi escrevi e népia!?

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  10. lamentável e pouco séria essa mudança de regras a meio do jogo, realmente!

    Espero sinceramente que o Pedro não seja prejudicado...

    Abraço solidário

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    1. Pouco séria e profundamente idiota, São.
      Não me prejudica na carreira profissional, não penso seguir nenhuma carreira académica, mas detesto batota.
      E houve aqui muita batota.
      Um abraço

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  11. Nestas coisas quase nunca voltam atrás. Seria reconhecer incompetência da parte de quem dirige e eles não fazem. E quem se lixa é sempre o mexilhão, que é como quem diz os alunos que queimaram horas e pestanas no estudo.
    Um abraço

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    1. As instituições ficam, as pessoas é que se vão, Elvira Carvalho.
      No caso destes dirigentes ontem já era tarde!
      Um abraço

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  12. As injustiças são "duras de roer"...
    Deve haver muita gente prejudicada não haverá possibilidade de reparar o erro?
    Até lá que não te falte o animo e que se resolvam as coisas tanto quanto possível ao teu gosto.
    xx

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    1. Há sempre possibilidade, papoila.
      Terá que se começar o processo de reconhecimento automático do zero, fazer as necessárias correspondências a nível curricular.
      E correr com esta gentinha.

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  13. O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã. Da Vinci
    será verdade? :)
    boa noite
    Angela

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    1. Não me arrependo nada da experiência, Angela.
      As pessoas que conheci, com quem convivi, as matérias que estudei a fundo e que mal conhecia.
      O problema é a batota e a irresponsabilidade.

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  14. Pedro passo apenas para deixar um beijinho.

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  15. O poder dos ignorantes é perigoso e antievolutivo.

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    1. Quando os estúpidos têm muito poder o cenário fica negro, Catarina

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  16. Infelizmente é apanágio de muitas cabecinhas de algumas universidades. Segue o teu rumo porque o tempo encarregar-se-à de limpar esses (sem adjectivo).
    É triste a roçar a incredibilidade? Claro que sim...mas por cá meu amigo as coisas são feitas nos bastidores, mudam como cata-ventos e até nos comentários já referiram uma muito badalada...mas que poucos falam porque são levados a calarem-se.

    Força rapaz e acredita num futuro melhor!

    Beijos

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    1. Acredito sempre, Fatylya.
      Até porque, repito, as pessoas passam e as instituições ficam.
      Beijinhos

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  17. O Crato esteve aí há uns tempos, não esteve, Pedro? Então deve ter ido ensinar alguns dos truques que ele por cá utiliza.

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    1. Na escola onde o Crato andou estes são mestres, Carlos!!!

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