Uma choldra
Eça de Queiroz qualificava a elite política portuguesa do século XIX como choldra.
Um bando de gente medíocre, profundamente preconceituosa e provinciana, que vivia deslumbrada consigo própria e os seus “notáveis feitos”.
Visto ao longe, o país político sofre do mesmo síndrome e não se consegue libertar-se do atavismo crónico que Eça tão brilhantemente criticava e caricaturava.
As rábulas na Administração Interna e Educação estão aí para o demonstrar à saciedade.
Os exames nacionais deixaram todos com os nervos em franja.
O Ministro que viu o processo descambar até à beira do caos; o primeiro ministro e o porta voz da AD que só conseguiram agravar o nervosismo geral com uma gestão política e comunicacional desastrosas; as oposições, que conseguiram apresentar propostas inenarráveis e só passiveis de entender numa perspectiva de minar um processo e um ministro que claramente lhes desagradam; alunos, pais, professores (os mais inocentes e prejudicados em toda esta balbúrdia), estruturas sindicais, todos de cabeça perdida (alguns perfeitas baratas tontas).
No meio desta rebaldaria, um ministro da Administração Interna que diariamente se vê afectado na sua credibilidade com uma sucessão de trapalhadas ainda longe de estarem minimamente explicadas e que descredibilizam o ministério, o governo e a instituição onde o ministro prestou funções anteriormente.
Curiosamente neste caso só uma parte da oposição corre a pedir a guilhotina.
Um manto diáfano protege Luís Neves do escrutino público a que Fernando Alexandre está sujeito, só pode ser essa a explicação.
Dois séculos depois, Eça revisitado - uma choldra.



Infelizmente, Eça continua actual em muitos aspectos...
ResponderEliminarQue escreveria ele face a esta confusão?
Independentemente das explicações que deve e tarda a dar com toda a clareza, Luís Neves é um alvo a abater desde o momento em que desmontou o discurso relativo à criminalidade , à imigração e à ligação entre ambas.
Foi mexer no vespeiro do Chega e saiu picado.
EliminarMas tem gerido pessimamente toda esta embrulhada.
Quando os defeitos são atávicos, iremos recordar Eça de Queirós para sempre!
ResponderEliminarAbraço
Infelizmente neste particular pelas piores razões.
EliminarAbraço
É a política ... (subentenda-se o resto da frase).
ResponderEliminarUm abraço.
Um abraço, António
EliminarA história repete-se meu amigo e mais não digo!
ResponderEliminarBeijos e um bom dia!
Classe política tão fraquinha que dá dó.
EliminarBeijos
Choldra com eles! É o que apetece dizer.
ResponderEliminarUm abraço.
E não se vislumbram alternativas.
EliminarUm abraço
Estamos quase sempre no nosso melhor.
ResponderEliminarSe o melhor é isto…
Eliminar«Um manto diáfano protege Luís Neves do escrutino público a que Fernando Alexandre está sujeito, só pode ser essa a explicação.»
ResponderEliminarÉ a tal abrilada que o Pedro Coimbra diz não existir... ou como dizem os espanhóis, «no creo en brujas, pero que las hay, las hay»!
Não será exactamente isso e você sabe e sabe que eu sei que sabe
EliminarEvocar Eça „dois séculos depois“ serve frequentemente como um espelho para os problemas estruturais do Portugal democrático e europeu.
ResponderEliminarO Eça é eterno
EliminarMas a verdade é que eles ficam bem na fotografia.
ResponderEliminargood to know about the bunch of ....
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