Uma choldra
Eça de Queiroz qualificava a elite política portuguesa do século XIX como choldra.
Um bando de gente medíocre, profundamente preconceituosa e provinciana, que vivia deslumbrada consigo própria e os seus “notáveis feitos”.
Visto ao longe, o país político sofre do mesmo síndrome e não se consegue libertar-se do atavismo crónico que Eça tão brilhantemente criticava e caricaturava.
As rábulas na Administração Interna e Educação estão aí para o demonstrar à saciedade.
Os exames nacionais deixaram todos com os nervos em franja.
O Ministro que viu o processo descambar até à beira do caos; o primeiro ministro e o porta voz da AD que só conseguiram agravar o nervosismo geral com uma gestão política e comunicacional desastrosas; as oposições, que conseguiram apresentar propostas inenarráveis e só passiveis de entender numa perspectiva de minar um processo e um ministro que claramente lhes desagradam; alunos, pais, professores (os mais inocentes e prejudicados em toda esta balbúrdia), estruturas sindicais, todos de cabeça perdida (alguns perfeitas baratas tontas).
No meio desta rebaldaria, um ministro da Administração Interna que diariamente se vê afectado na sua credibilidade com uma sucessão de trapalhadas ainda longe de estarem minimamente explicadas e que descredibilizam o ministério, o governo e a instituição onde o ministro prestou funções anteriormente.
Curiosamente neste caso só uma parte da oposição corre a pedir a guilhotina.
Um manto diáfano protege Luís Neves do escrutino público a que Fernando Alexandre está sujeito, só pode ser essa a explicação.
Dois séculos depois, Eça revisitado - uma choldra.



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