Quando todos perdem
Em A Arte da Guerra, Sun Tzu ensinava como vencer batalhas até acabar por vencer a guerra.
Fosse no campo de batalha ou no dia a dia, nas nossas vidas, aquela seria a estratégia a seguir para se poder ser um vencedor.
Esta semana que agora terminou permitiu perceber que Sun Tzu não foi lido, ou pelo menos compreendido, em muitas latitudes.
Não foi compreendido desde logo no Médio Oriente.
Porque ninguém, mas absolutamente ninguém, ganhou nada com aquela guerra estúpida.
Os iranianos ficaram com um país parcialmente destruído e clamaram vitória.
Perderam grande parte da marinha, do exército, perderam todos os líderes, e ainda assim clamaram vitória.
Porque conseguiram afectar a economia mundial durante alguns meses com reflexos inevitáveis no futuro??
Já os americanos clamaram vitória porque deixaram o urânio intocado, com toda a probabilidade de vir a ser enriquecido e transformado em arma nuclear pelos iranianos mais à frente no tempo?
Ou porque contribuíram decisivamente para destruir a economia mundial por causa da teimosia israelita que os arrastou para uma guerra inconsequente?
Talvez porque estejam a contar com os trezentos mil milhões de dólares que supostamente os países do Golfo irão disponibilizar para a reconstrução do Irão (adivinhem quem iria fazer essa reconstrução?? Trump e os seus amigos do betão, obviamente. Com o dinheiro dos outros).
Quem não clama vitória é Israel.
Talvez o maior de todos os derrotados.
Não capturou o urânio iraniano, deixou o regime ainda mais radicalizado e com sede de vingança, ficou ainda mais isolado no contexto internacional.
Bibi jogou o tudo por tudo, vai sair do poder, vai ser perseguido judicialmente, vai ser substituído por gente ainda mais radical que ele e o seu governo.
Israel vinga-se na Palestina e no Líbano, alimenta ódios e sai como um pária desta guerra.
Uma guerra que também aumentou dissensões entre o Irão e os Estados vizinhos que são aliados dos Estados Unidos e que foram repetidamente atacados neste conflito.
Mudamos de latitude e aterramos no Parlamento em Portugal.
Onde toda a gente perdeu com a malfadada novela da legislação laboral.
Perdeu o governo porque não soube vender a lei, negociar, convencer.
Mas perdeu também o PS porque não se consegue apresentar como um partido dialogante, confiável, minimamente reformista.
E perderam aqueles partidos retógrados e situacionistas da extrema esquerda que mais não fazem que berrar e queixar-se sem querer alterar nada.
Juntou-se-lhes à última hora o populista Chega, o partido que é uma mescla de gente e temas que navega ao sabor dos ventos sem rumo nem destino.
Ver Chega e extrema esquerda a votar no mesmo sentido e celebrar é a imagem perfeita de um país e de um parlamento desnorteado e desaustinado.
Imagem acentuada pelas lágrimas de sindicalistas ao serviço do PCP com a função única de se certificar que o país não sai dos anos setenta do século passado por mais que ao lado o mundo pule e avance.
Daqui a dias estarão nas ruas a protestar contra as condições de vida e as condições laborais que há cinquenta anos teimam manter inalteradas (exemplo típico de venire contra factum proprio).
Pirro, Rei do Epiro, depois de derrotar os romanos na Batalha de Ásculo, terá exclamado “mais uma vitória como esta e estamos acabados”.
Também terá sido lido por todos estes “vencedores”?
Perceberam que quando as baixas são em demasia não há vitórias?



Creio não haver divergências em relação a este tão bem elaborado texto.
ResponderEliminarUm abraço, Pedro.
Tantos tiros nos pés que esta malta dá, António.
EliminarConfesso algum desalento.
Um abraço
Gostei de ler e sim todos perderam e o povo é que paga! Malditos sejam!
ResponderEliminarBeijos e um bom dia!
Gente que gosta de dar tiros nos pés, Fatyly.
EliminarE gabar-se disso.
Beijos
Uma visão realista e inquietante‼️
ResponderEliminarE desiludida, Teresa.
EliminarQue esterco de lideranças.
Embora não estando absolutamente de acordo com tudo, considero que tem razão na maior parte do que escreveu.
ResponderEliminarEnquanto aquela legislação laboral não for revista o investimento no país será muito complicado, São.
EliminarAcredite no que eu digo.
Se me permite, subscrevo inteiramente tudo o que escreveu. Numa guerra todos perdem, ninguém se pode proclamar vencedor.
ResponderEliminarPor cá este parlamento continua a desiludir. Não são capazes de olhar para o país. Cada um apenas olha para o seu umbigo.
Um abraço.
Espero estar enganado, mas vejo o Presidente da República brevemente com um sério problema para resolver.
EliminarUm abraço
Maybe because it's empty in its putrefact essence...
ResponderEliminarAnd the smell is nasty 🤢
EliminarA guerra só é lucrativa para os vendedores de armamento, de resto todos perdemos direta ou indiretamente.
ResponderEliminarAbraço
Os lobistas do armamento são quem se ri.
EliminarAbraço
As supostas vitórias não passam de uma ilusão a curto prazo.
ResponderEliminarIlusões que vêm com um preço muito alto, Catarina.
EliminarA ser distribuído por todos.
I feel agree with you said dear Pedro
ResponderEliminarSadly politicians cause wars with aims sometimes totally different than what we see in plain sight
Sometimes their victory is absolute and sometimes it’s in bits and fragments
But in any situation common people pay the price unfortunately
I dream of the world where innocent people don’t have to suffer for others gains