Bárbaros ao volante
Macau foi abalada com o atropelamento brutal de uma criança de dez anos.
Uma criança que foi abatida por um bárbaro ao volante.
O menino foi exemplar na sua conduta.
No caminho entre a escola e a sua casa, no final de mais uma dia de aulas, o menino fez o que se deve fazer, o que foi educado a fazer - atravessou a estrada na passadeira destinada ao atravessamento de peões.
O que não poderia adivinhar era a presença de um tresloucado ao volante naquele local.
Um assassino que abateu a criança com uma pancada seca e fatal.
Como sempre acontece neste tipo de situações, é preciso encontrar um culpado.
Como se o culpado não fosse óbvio.
E lá vieram as vozes costumeiras defender a revisão da lei, a necessidade de haver maior sensibilização das escolas para alertar e educar as crianças.
A escola, os pais, o menino, fizeram tudo o que lhes é exigível, agiram exemplarmente.
O que falhou, mais uma vez, foi a sociedade.
A mesma que permite diariamente a existência de bárbaros ao volante.
Os bárbaros que conduzem em velocidade excessiva, que utilizam o telemóvel para enviar mensagens e fazer telefonemas ao volante, que conduzem alcoolizados ou sob o efeito de drogas.
A mesma sociedade que é implacável a punir o estacionamento proibido ou em parquímetros sem a moeda obrigatória, mas que tolera os bárbaros a quem confere e mantém licença de condução.
A vítima desta vez foi um menino indefeso de dez anos.
Um menino que tinha família, amigos, que vinha da escola e cumpriu escrupulosamente todas as normas.
Macau revoltou-se, vestiu-se de luto, chorou.
E amanhã assistirá novamente ao desfile de bárbaros ao volante.
Até quando? Com quantas vidas ceifadas por esta barbárie interminável?


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