Eu quero, eu não quero, eu boicoto



Quem acharia ser possível uma aliança entre o Irão e Israel?
Ainda para mais uma aliança no presente, em cenário de guerra?
A realidade é que essa aliança existe e está em plena actividade. 
Israel e Irão, o que bombardeia e o que é atingido, afinal são aliados. 
Porque têm um objectivo comum - prolongar a guerra no Irão. 
Israel precisa que a guerra se mantenha para poder continuar a atacar o Hezbolah no Líbano. 
E Netanyahu precisa que a guerra continue para não ser preso. 
O Irão quer que a guerra continue porque sabe que nas próximas semanas, enquanto o campeonato do mundo de futebol se disputa, vai ter tempo para refazer as suas reservas estratégicas e espalhar a narrativa que tem vindo a desenvolver, afirmar-se ao leme e no controlo de todo o processo usando o Estreito de Hormuz e o urânio enriquecido como armas negociais. 
Só um dos intervenientes directos nesta guerra quer o fim do conflito.
E quer um fim rápido por mais que publicamente afirme o oposto - os Estados Unidos, Donald Trump. 
O homem que se irritou com o seu aliado, que o insultou, porque finalmente percebeu que esse aliado o empurrou para uma guerra desastrosa e sem saída. 
E que boicota sucessivamente todas as tentativas do desesperado presidente americano tendentes a sair desta armadilha com uma réstia de dignidade.

Comentários

  1. Réstìa de dignidade?! Ele próprio a estilhaçou de tal forma (se alguma vez a teve) que nāo há ponta por onde se pegue.

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    1. Também não deixa de ser verdade.
      A monumental vaia em Nova Iorque diz tudo.

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  2. Uma guerra prolongada ou descontrolada acarreta o risco de retaliação directa contra infraestruturas críticas no próprio território iraniano, algo que as autoridades de Teerão tentam gerir estrategicamente.

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    1. O Irão está a gerir a agenda, Teresa.
      Depois de ser bombardeado, de ter assassinado milhares de cidadãos, de ter uma economia de rastos, já pouco ou nada tem a perder.
      E, ao contrário, de Trump e Netanyahu, os lideres iranianos não se preocupam com calendários eleitorais.

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    2. A análise geopolítica das motivações do Irão envolve múltiplos fatores estratégicos, militares e diplomáticos, sem que exista um consenso absoluto sobre o desejo de prolongar o conflito apenas em função de um evento desportivo.

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    3. O Mundial vem dar jeito, Teresa.
      Nem americanos nem iranianos, ambos participantes (os americanos até são organizadores), quererão ficar com o odioso de andar à pancada com um Mundial em fundo.
      Para os iranianos é um alívio, para os americanos uma forma de não sujar a competição que organizam.

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