18 de junho de 2019

BERARDO E A FLORESTA (João Marcelino)


O ‘caso Berardo’ confirma uma evidência: o regime de Sócrates fez um assalto aos bancos para dar ao seu comandante o poder supremo de decidir que empresas poderiam ter acesso ao crédito.

Passei grande parte dos últimos anos angustiado e a interrogar-me: se esta gente é assim como pode Portugal ter futuro? Este pensamento tinha a ver com os ’empresários’ e políticos que ia conhecendo, e com quem, por via da minha profissão de jornalista, tinha de trabalhar directamente ou de contactar com assiduidade.

E tenho, por isso, uma notícia desagradável a dar: não se pense que José Berardo é o pior exemplo daquilo que a sociedade portuguesa pode apresentar. Há pior, muito pior, nesse campeonato do descaramento, da incultura, da boçalidade, da irresponsabilidade social e de uma criminosa maneira de viver a vida à conta do erário público e dos bancos.

A colecção de capatazes que não sabem, não se lembram, não viram, não possuem, não fizeram, cuja agenda só marca almoço, jantar e traficar, e que até são capazes de sacudir um último pingo de dignidade para salvarem o dinheiro que escondem em offshores é bastante mais vasta, não se esgota na miserável novela que tem decorrido no Parlamento a propósito dos roubos públicos perpetrados nos últimos anos. Berardo, insisto, apenas abusou da sorte porque sempre viveu a vida com este descaro que agora todos os portugueses já conhecem e da maneira mais chocante.

O ‘caso Berardo’ confirma ainda uma evidência: o regime de Sócrates fez um assalto aos bancos para dar ao seu comandante o poder supremo de decidir que empresas poderiam ter acesso ao crédito. A lógica era simples: Ricardo Salgado estava sempre com o governo de turno a Caixa era nossa e o BCP como maior banco privado, era a peça que faltava. 
Esse foi o racional do processo que movimentou Carlos Santos Ferreira e Armando Vara da CGD, em comissão de serviço, para o BCP, ou Francisco Bandeira, elemento da comissão da CGD que avalizou o empréstimo a Berardo sem as devidas garantias, se que foi colocado no BPN depois da derrocada cavaquista ou até Celeste Cardona, que fez parte da mesma irmandade com Maldonado Gonelha.

Tivemos em Portugal a versão europeia do que se passou no Brasil com Lula e na Venezuela com Chávez ou Maduro. O pernil de porco, as casas pré-fabricadas, como antes o mensalão, a troca da participação da Vivo pela da Oi, a defesa da PT da OPA da Sonae e outros negócios que se podiam pensar entre a tenda do defunto Khadafi e os palácios da América Latina são episódios desse pesadelo nacional de que só acordámos, a partir de 2009, pelo lado bom da trágica crise imobiliária “made in USA”.

Os deputados portugueses podem dar as voltas que quiserem mas não deviam fingir que não sabiam, ensaiando, na série Berardo, aqueles rostos dignos de uma produção de Hollywood. Por maioria de razões, não tenho apreço pelas reacções de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa.
Eles sabem, sempre souberam, do papel que Berardo e os outros desempenharam e desempenham na sociedade portuguesa.

Claro que seria justo que Berardo, nesta versão de um sem-abrigo, perdesse os quadros da colecção que ainda leva o seu nome. Aquela interpretação do ainda comendador produz asco. Mas há uma conclusão evidente deste processo: os 969 milhões concedidos a Berardo para comprar acções do BCP não foram emprestados por incompetência. Saíram, naquela altura, da troika de bancos (CGD, BES, agora Novo Banco, e do próprio BCP) por decisão política, conluio criminoso e objectivo bem 
definido. E de toda essa gente só Armando Vara está preso e não por motivos directamente relacionados. Os outros responsáveis por uma destruição de valor ainda incalculável continuam à solta.

10 comentários:

  1. O Pedro Coimbra apresentou aqui um bom resume das trafulhices socialistas.
    Eu acrecentaria que OS comunistas,socialistas odeiam a empresa PRIVADA. Havia que comprar e traz r para rede publica ou fazer mais uma PP de um banco privado com sucesso o chamado PCP.
    Resultados parecidos por todo o lado.

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    1. O texto é do João Marcelino, Augie Cardoso.
      Mas resume bem as trafulhices que foram feitas por alguns e estão a ser pagas por todos.

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  2. Concordo inteiramente mas a juntar a esta novela todos os dias e ou semanas surgem mais casos de corrupção sejam elas camarárias ou de outra natureza. O anterior governo apregoava que vivíamos acima das nossas possibilidades quando afinal havia e há outros e outras - da direita à esquerda - sem qualquer pingo de vergonha. Mais, gamarem dinheiro e não só na ou da "solidariedade" dos portugueses em prol de quem perdeu tudo, no mínimo daria a pena máxima!
    Em todos os partidos há gente corrupta que desde bem cedo encontram o "modus operandi" na juventudes partidárias.
    Mas pior de tudo isto é que temos uma justiça lenta, bem lenta com permissão de não sei quantos recursos onde os grandes ladrões continuam na maior e as cadeias cheias de pequenos delitos e não só! O processo de Sócrates & Companhia, dizem, só terminará em 2030 uma vergonha!
    Não votei no actual governo mas reconheço que tem feito obra em prol dos portugueses o que faz "ganir" o centro e direita.
    Enfim Pedro!

    Beijocas e um bom dia

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    1. Não há cores políticas, Fatyly.
      Estamos a falar de uma cambada de cleptómanos que saquearam o que puderam.
      Beijocas

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  3. Agora é Berardo que está na berlinda, mas, infelizmente estamos rodeados de corruptos e outros ladrões que continuam à solta :)

    Beijos Pedro

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    1. O Berardo é a face mais visível, Manu.
      Mas está longe de ser único.
      Beijos

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  4. Penso muito nisso, quantos Berardos estão por aí...

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  5. Cleptómanos? Oh Pedro não me lixes pá! Sabes bem que os cleptómanos gamam por impulso, por uma tara que não controlam.
    Ora nada disso existe com todos aqueles que... para falar verdade já estou cansado daquela teoria de que: são todos inocentes até que se prove o contrário!
    Para mim, neste caso, é precisamente o inverso independentemente do que se vier a apurar em julgamento (se o mesmo vier a acontecer).
    O meu conterrâneo António Aleixo que disse que: a razão mesmo vencida não deixa de ser razão!
    Em tribunal "eles" até podem ser todos ilibados porém não poderão deixar de serem culpados.
    Não posso deixar de parafrasear o Sr. Salgado que despudoradamente afirmou: estamos rodeados de aldrabões!
    Se tudo isto não fosse tão trágico mais parecia ser uma ópera cómica!
    Akele abraço pah!

    §- é pá hoje estiquei-me no comentário. Sorry!!!

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    1. Qual sorry, está óptimo!
      E é verdade, não são doentes, não padecem de enfermidade, são mesmo vigaristas, ladrões.
      Aquele abraço!

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