16 de abril de 2019

O Rei diferente


O Rei diferente
Falar de “rei” e de “reino” provoca um incómodo “monárquico” ao recordar lutas de poder e guerras, domínio e exploração, “famílias” e descendências, classes privilegiadas e desfavorecidas, esplendor de uns e miséria de muitos. São certamente redutoras estas ideias e o mundo desenvolvido e democrático em que vivemos já as ultrapassou! É também desse imaginário que vive a série “A Guerra dos Tronos” que entra na sua última série por estes dias, aguardando-se a revelação de quem se irá sentar no “trono de ferro”!
O Reino de Deus que Jesus anunciou e mostrou estar já presente no mundo com a sua vinda, é essencialmente outro. Correndo o risco de utilizar categorias já gastas pelas “realezas” humanas, Jesus desmontou as ideias habituais de “realeza”. Ele é o “rei diferente”, que o profeta Zacarias (9, 9-10) anunciou: o rei pobre, pacífico e universal. É o rei que vem até nós, em vez de esperar que todos venham até ele.
Ele é o pobre, rei dos pobres, que entra em Jerusalém sentado num jumento que não lhe pertence. Não vem tomar o poder, nem encabeçar uma revolução. Aceita as aclamações da multidão, das crianças e dos discípulos pois conhece o seu desejo de esperança, a sua fome e sede de justiça. Não traz riquezas para distribuir nem promessas ilusórias de paraísos na terra. Ele é o rei dos crentes e humildes das bem-aventuranças, que não vai fazer “em vez de” mas convoca todos à conversão, à mudança de vida, à aceitação das suas palavras e dos seus gestos de amor, a deixarmo-nos orientar por Deus. É com a pobreza da sua vida dada por amor que Ele vai enriquecer a humanidade.
É também o rei da paz. Proclama o escândalo e a desumanidade da guerra, da destruição dos outros e do mundo, da escalada de conflitos e da invenção de armamentos mais sofisticados. A batalha contra o egoísmo e a soberba implica reconciliação e perdão. Desafia a não amar só os que nos amam e fazer o bem aos nossos: é preciso amar os inimigos e fazer bem a quem nos odeia. Revela como a vida se perde quando se tenta ganhar mais bens, mais riqueza, quando cresce a indiferença ao sofrimento e à injustiça, mesmo às portas de casa, tão perto do coração. Dá-nos uma única arma: a cruz, sinal perdão e de amor, da vida que se ganha quando é dada por amor, da paz que é a felicidade partilhada.
Ele é o rei universal, sem família nem dinastia privilegiada a quem oferecer lugares de honra, mas fazendo de toda a humanidade a família única. Todos filhos do mesmo Pai que ama incondicionalmente, e irmãos de todas as raças, línguas e feitios. O seu reino não tem fronteiras, nem muros, nem ricos nem pobres, nem privilegiados nem excluídos. Na maravilhosa diversidade de dons e culturas, revela a grandeza do coração humano que pode alargar-se ao infinito. E o seu poder é dar vida, fazer Páscoa, tornar-se nosso alimento. Pão que comemos para construir o seu Reino, para vivermos com Ele e como Ele.
É este o Rei que aclamamos e amamos? É o seu Reino que vamos edificando?
in Voz da Verdade 14.04.2019

11 comentários:

  1. Bom dia
    Ele foi único , mas poucos O aclamam e amam e infelizmente O seu reino está a perder muito poder !
    JAFR

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    1. Muito por culpa da actuação da Igreja Católica e de alguns fiéis, Joaquim Rosário.

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  2. Texto muito profundo e belo. A verdadeira essência do catolicismo está aí. O que falhou ao longo dos anos? A própria Igreja, que não tem dado o melhor exemplo ao longo dos séculos... Basta ver a História Europeia. Mas(e aí entram os fiéis), NÃO há que confundir as práticas menos "ortodoxas" destes homens que ao longo da História chefiaram a Igreja, com os ensinamentos que Cristo nos deixou. Há muita gente que deixou o Catolicismo porque o padre A ou B não eram os melhores na sua prática.
    A mim isso, apesar de me entristecer, não abala a minha Fé. Uma coisa são os homens, outra os ensinamentos que nos foram deixados...
    Cumprimentos da Maria do Porto

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    1. A Igreja Católica, e muitos fiéis, têm tido uma prática contrária ao que apregoam, Maria do Porto.
      E isso afasta as pessoas da Igreja.

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  3. Texto incrível. Concordo com tudo que foi dito.
    Boa semana!

    Jovem Jornalista
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    Até mais, Emerson Garcia

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    1. Recebo sempre as publicações deste site, Emerson Garcia.
      E esta vem mesmo a propósito da Páscoa.

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  4. remarkable post my friend!

    i am not into religions as they are beyond my comprehension

    i simply awe a single creator whoever he is ,nature itself or something above it but i believe there is something executing universe and life so amazingly

    i believe in laws of universe and i believe that whoever the Lord is he loves his all creations EQUALLY no matter what people 's ignorance make them to say

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    1. No matter our beliefs, the respect for life and for our fellowman should be universal, baili.

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  5. Um código de conduta revolucionário que sempre foi descrebidilizado pelo Poder terreste. Aliás até o Poder se apropriou dele para facilitar a sua lógica.
    Boa Páscoa, para toda a sua Família.

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    1. O Poder tem tendência a invocar a religião para tentar justificar o injustificável, Agostinho

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