7 de junho de 2018

Vamos imaginar...


Vamos imaginar que, um dia, um grande líder de uma grande potência mundial, procurando reunificar essa potência com algumas parcelas há muito afastadas, criava uma teoria político-administrativa completamente nova.
Vamos imaginar que essa reunificação existia, pelo menos com algumas das parcelas, e da teoria se passava à prática já depois da morte de quem a imaginou.
Vamos imaginar que essa prática se revelava um sucesso durante vários anos.
Vamos imaginar que a conjugação de dois factores primordiais – garotos mal comportados e um regime mais musculado – começava a influir negativamente no que até então era visto como um exemplo da tão ansiada harmonia.
Vamos imaginar que a teoria político-administrativa começava até a ser ameaçada por quem tinha o dever primordial de a proteger.
Vamos imaginar, por exemplo, que, contrariando o disposto na lei, uma sentença desrespeitava o uso das línguas oficiais e só era apresentada às partes litigantes e seus advogados numa das línguas oficiais.
Vamos imaginar que nem todos dominavam a língua oficial na qual fora lavrada, em dezenas de páginas, uma sentença fundamental para o presente e futuro da concretização da tal teoria político-administrativa única.
Vamos imaginar que, com esse comportamento, a Justiça, o exercício do contraditório e do direito de recurso, reconhecidos nas leis fundamentais e nos pactos internacionais, ficavam comprometidos.
Vamos imaginar que ficava até comprometida, em última análise e no limite, a implementação do tal princípio político-administrativo único na História da Humanidade.
Não, não pode haver semelhança com a realidade.
Deve ser mesmo só imaginação.

50 comentários:


  1. PEDRO COIMBRA,

    muito sutil, muita habilidade para explorar o tema com a máxima capacidade de usando uma certa dose de sarcasmo, você poder finalmente, conseguir dar o seu recado.
    Ótimo!
    Lá no nosso blog FALANDO SERIO desta semana publiquei: OS DOENTES VESTEM LONDRES.
    É polêmico e acho que vai gostar.
    Um abração carioca.

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    1. Paulo Tamburro,
      Qualquer semelhança entre a imaginação e realidade não terá sido mera coincidência :))
      Um abração macaense

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    1. Aqui a imaginação é só para passar a texto uma situação muito real, Amigo João Paulo de Oliveira.

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  3. ... e quando a realidade nos traz desenlaces que nem fomos capazes (enquanto Homem) de imaginar...

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    1. Estamos a caminha um bocado nesse sentido, Boop.
      Oxalá esteja enganado.

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  4. Estou de acordo com a Catarina "imaginação ou pesadelo".
    Um abraço e continuação de boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    O prazer dos livros

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    1. Não é imaginação, Francisco, é bem real.
      Aquele abraço

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  5. Há realidades que apagam imaginações, como há sonhos que se concretizam!

    Aquele abraço Pedro.

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    1. Eu só peço que o sonho não vire pesadelo, António Querido.
      Aquele abraço

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  6. Imaginar tudo isso causa calafrios. Oxalá não passe disso mesmo. Imaginação.
    Um abraço

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    1. Está a ser muito real, Elvira Carvalho.
      E eu não estou a achar piada nenhuma.
      Um abraço

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  7. Uma imaginação de pesadelo... :(

    Hoje:- Sou uma gota de água no teu oceano .

    Bjos
    Votos de uma óptima Quinta-Feira

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    1. Uma imaginação muito baseada na realidade, Larissa Santos :(
      Bjs, votos de óptima quinta-feira também

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  8. i already live in my Utopia through my imagination

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  9. Exercício difícil o que aqui é proposto.
    Imagino que o Pedro concorda.
    Um abraço

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  10. Presumo que é mais um exercício de triste realidade do que de imaginação....

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  11. Neste caso, a imaginação tem o tempo e o poder para fazer quase tudo o que quer... Portanto, é bastante provável que tudo se torne realidade. Mas talvez não, nem precisam disso.
    Bom fim de semana, caro Pedro.
    Um abraço.

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  12. Bravíssimo Pedro!
    Uma excelente forma de
    expor uma questão.
    Adoro "inteligência"
    a serviço da "palavra".
    Bjins
    CatiahoAlc.

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  13. Vamos imaginar que as pessoas perderam o bom senso e o respeito pelos outros ...

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    1. Mais uma vez a realidade ultrapassa a imaginação, Magui:(

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  14. Será mesmo imaginação, Pedro? Era bom que fosse, mas não é...

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  15. Quando a imaginação nada mais é que a pura realidade
    Abraço Pedro

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    1. Na mouche, Kique.
      Aquele abraço.

      P.S. Não tem sido possível comentar no blogue. Vamos ver se hoje já é possível.

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  16. Seria muito grave que a língua, além de lhe ser negado o seu estatuto, negociado e aprovado, de coesão cultural, possa, ainda, funcionar como entrave à aplicação da justiça.
    Medo.
    Saudações, Pedro.

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    1. Quando se faz uma coisa destas é isso que acontece, Célia
      Seja ou não essa a intenção.
      Bjs, bfds

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  17. Imaginação, não raro, tornada triste/macabra realidade!

    Abraço

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  18. Deduzo que o Pedro esteja a falar de Macau e da China, e que sente na pele aquilo que está a acontecer.
    Lamento.

    Abraço

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    1. E deduz muito bem, AC.
      Há gente com muita pressa de perder aquilo que tem de único.
      Uns coitados que nem sabem o que fazem.
      Aquele abraço

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  19. Lamento muito, mesmo muito, por Macau.
    Beijinho.
    ~~~~

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    1. Também eu, Majo.
      Por isso é que é preciso denunciar estas situações.
      Se não o fazemos passamos a ser cúmplices.
      Beijinho

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