5 de junho de 2018

"O Pinhal de Leiria" - A culpa foi do D. Dinis.


Foi uma ideia original de D. Afonso III e de seu filho D. Dinis, plantador de naus a haver.
Estúpidos e meio boçais, nunca apresentaram um Plano de Ordenamento e Gestão Florestal. Depois deles, o filho da mãe do D. Afonso IV não mandou fazer estudos topográficos e geodésicos. D. Manuel I, desmiolado, esqueceu-se de estudar os resíduos sólidos e os recursos faunísticos. D. João V, esse palerma, desprezou os avanços da bioclimatologia e da ecofisiologia das árvores.
A maluca da D. Maria I não percebia nada de biologia vegetal e da diversidade das plantas. No fundo, era uma reaccionária.
O resultado de sete séculos de incúria está à vista: ardeu tudo.
Há-de ali nascer um novo pinhal, após rigorosos estudos académicos e científicos.
Em vez do bolorento nome de Pinhal de El-Rei, irá decerto chamar-se Complexo Bio-Florestal 25 de Abril, com árvores de várias espécies para assegurar a pluralidade, esplanadas e bares, passadiços, zonas culturais — e uma ciclovia asfaltada da Marinha Grande a São Pedro de Moel.
Estou certo de que o projecto assentará numa "visão pós-moderna da natureza" e no "conhecimento da dinâmica dos sistemas vivos", além da “capacidade de análise e interpretação da paisagem como meio influenciador do homem”.
Bem vistas as coisas, tivemos muita sorte.
NOTA: O que me espanta é como foi possível.
Tantas centenas de anos sem aviões para apagar fogos, sem SIRESP, sem carros de bombeiros, sem autoridade (?) da protecção civil e sem diversificação das espécies … e só agora é que ardeu !!!
(Autor desconhecido)

16 comentários:

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    1. Não sabendo quem é o autor tiro-lhe o chapéu, Catarina.

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  2. Muito bom !!

    Um crítica mordaz e certeira ao politicamente correcto, além de outras coisas

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    1. Não sei quem é o autor, São.
      Mas que estava inspirado, lá isso estava.

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  3. E ardeu tão pertinho de mim, que ainda hoje tenho pesadelos com o fogo.
    Muito bom o texto.

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    1. Mesmo quem está longe arrepia-se quando pensa neste horror, Magui :(

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  4. Nunca se fez nada, agora fala-se muito, fez-se alguma coisa. Mas infelizmente vai voltar a acontecer, isto porque os que os põem, andam aí à solta :(
    Abraço Pedro

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    1. Esta época, a partir de Junho, deixa-me de coração nas mãos, Mena Almeida.
      Como é que se pode ser tão cruel??
      Abraço

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    1. Agora confesso que não percebi, Carlos.
      Refere-se ao abandono de terrenos, à falta de cuidado com a limpeza das matas?

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  6. Nada mudará. É o meu palpite. Oxalá me engane. Conheço muitos exemplos para pensar deste modo.
    Fazem-se estudos e mais estudos, pode até implementar-se a recuperação da Mata com o investimento de milhões. Mas falta-nos a persistêcia das políticas e de pôr a mão na massa".
    Depois do entusiasmo vem o desleixo e a má gestão que nos caracteriza como país e como nação. Enfim, "valha-nos S.ta Bárbara"!
    Abraço.

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    1. Infelizmente também é essa a sensação que tenho, Agostinho.
      Oxalá estejamos ambos enganados.

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  7. Inicio e o final do texto dizem tudo ou salvo a imodéstia, como costumo dizer eu, por inerência do que me diz a própria da infeliz realidade: quantos mais meios materiais e humanos pró prevenção e combate a incêndios, curiosa e ironicamente mais e maiores incêndios há _ vá-a lá entender-se, aquém e além de, também e meu ver, o próprio fenómeno incendiário se ter já tornado uma industria, com múltiplos interesses, em si mesmo/a!

    Abraço

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    1. Uma indústria MUITO lucrativa, Victor Barão.
      E que não respeita nada nem ninguém.
      Aquele abraço

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  8. Está muito divertido... ótima ironia.
    ''O Complexo Biofloretal 25 de Abril''
    foi máximo, rrsrsrsss...
    Beijinho
    ~~~

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    1. O texto está muito bem conseguido, Majo.
      Beijinho

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