10 de maio de 2017

Zhang Dejiang em Macau

Hoje é o último dia da visita de Zhang Dejiang a Macau.
Número três na hierarquia política chinesa, Presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, responsável máximo pelos assuntos das duas Regiões Administrativas Especiais, Zhang Dejiang veio a Macau ver in loco a realidade que lhe é constantemente transmitida em relatório.
Não tanto auscultar a população (os problemas "políticos" que a população de Macau procurou transmitir ao representante da liderança chinesa ultrapassaram quase sempre os limites do ridículo), muito mais deixar mensagens, recados bem audíveis, para Macau também, mas muito mais para a mal comportada Hong Kong quando se aproxima uma mais provável visita de Xi Jinping à Região Administrativa Especial vizinha, em Julho, para comemorar o vigésimo aniversário da transferência de poderes na antiga colónia britânica.
A poucas horas da partida para Pequim, o balanço da visita de Zhang Dejiang passa muito por estas premissas, por este quase paternalismo tão tipicamente chinês - continuem a portar-se bem em Macau e terão a recompensa da Mãe Pátria, não sigam o exemplo daqueles insurrectos de Hong Kong que, mesmo assim, pelo menos por enquanto, ainda vão tendo o apoio de Pequim.
E aqui pode introduzir-se um novo tópico no balanço da visita de Zhang Dejiang a Macau - a importância desmedida dada a certas questões, e a certas pessoas, que, em última análise, lhes dão um impacto público que de outro modo não teriam.
Uma importância que conduz também a uma paranóia securitária perfeitamente descabida.
Qualquer balanço desta visita ficaria incompleto se não se desse relevo ao facto de o dia-a-dia dos residentes de Macau se ter visto profundamente transtornado, consequência de medidas de segurança que aos olhos do cidadão comum se afiguram perfeitamente exageradas.
Numa cidade com a pacatez de Macau, com a paz social de Macau, seria necessário fechar vias públicas, ver dezenas de agentes da autoridade um pouco por toda a cidade, barreiras a dificultarem ou impedirem o já complicado trânsito de peões e automóveis?
Para o leigo em matéria de segurança a resposta é obviamente um rotundo não.

18 comentários:

  1. O trânsito ainda continua a ser caótico por ai?
    É uma das imagens que tenho mais presentes de Macau.
    Esse aparato que refere será, então, mais para impressionarem e intimidarem do que por temerem algum ataque.
    Estarão a assimilar comportamentos ocidentais?

    Bom resto de semana.

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    1. Tem dias, Célia.
      Especialmente com as milhentas obras que se espalham um pouco por toda a cidade.

      É mesmo isso que diz, mostrar músculo, prevenir.
      Mas chega ao exagero e incomoda quem tem que viver e trabalhar na cidade, cumprir horários, deslocar-se todos os dias.

      Bom resto de semana

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  2. Estas visitas deveriam de ser importantes para a "Mãe Pátria" desbloquear algumas situações reivindicadas pela população, mas infelizmente não parece ser o caso.
    Um abraço e boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    Livros-Autografados

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    1. Não é esse o objectivo, Francisco.
      Até porque, para auscultar a população há o Executivo e há o representantes de Pequim que passam a informação necessária.
      Estas visitas vão para além disso.
      São uma forma de transmitir no local mensagens muito concretas, outras subliminares.
      É política, não é que os cidadãos vão reivindicar e que é naturalmente encaminhado para o Executivo.
      E ainda bem que assim é.
      Se não fosse onde é que ficavam os dois sistemas do princípio "um país, dois sistemas"?
      Aquele abraço

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  3. Em todos os lugares do mundo vive-se sobre tensões, roguemos pela paz e resoluções,o caos está acabando com a dignidade da humanidade.

    Tenha um bom dia Pedro.
    Abração!

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    1. Os chineses não deixam nada ao acaso, Meus Traços e Linhas.
      Por vezes, nesse afã de tudo perceber e de tudo controlar, exageram.
      Terá sido o que aqui se passou na minha opinião.
      Tenha um óptimo dia.
      Abração também

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  4. Exageros de quem tem o poder e o dinheiro na mão.
    Kis :=}

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    1. É muito chinesa esta paranóia com a segurança.
      Aos nossos olhos ocidentais parece um grande exagero.
      Mas lá que funciona, lá isso funciona.
      Bjs

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  5. Uma visita política por assim dizer,certo?
    Beijinhos

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    1. Quase totalmente política, Chic'Ana.
      Mas ainda com tempo para ter um gesto de simpatia para com as comunidades portuguesa e macaense.
      Singelo mas que caiu bem.

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  6. Objectivamente, o que significou a visita (e o espalhafato) de Zhang Dejiang?
    Mais do mesmo ... pois ...
    Um abraço, Pedro.

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    1. Politicamente significou muito, António.
      Quem o ouviu por estes dias, se estava atento, deve ter percebido muito bem o que ele estava a dizer.
      Antes de tudo que no princípio "um país, dois sistemas" o país tem sempre a primazia.
      Olhe os independentistas de Hong Kong com as orelhas a arder.
      Aquele abraço

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  7. Parece-me uma análise perfeita que gostei de ler.
    Beijinho, JPedro.
    ~~~~~~~~~~~~

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    1. Há quem ache que eu exagerei, Majo.
      Opiniões...
      Beijinhos

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  8. Esse exagero de segurança faz parte do cenário e da dramatização ... ;)

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    1. É tipicamente chinês, São.
      Nada é deixado ao acaso, tudo é planeado ao milímetro.
      Até com alguns exageros pelo meio.

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  9. OS chineses estão ainda muito enraizados à etiqueta e ao protocolo.

    Abç

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    1. De uma maneira às vezes quase doentia, mz.
      Abraço

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