24 de maio de 2017

23 de maio de 2017

Mais um treinador de saída


As notícias mais recentes não surpreendem – Nuno Espírito Santo (NES) já não é o treinador da equipa de futebol do Futebol Clube do Porto (FCP).
A rescisão por mútuo acordo já é oficial e só vem formalizar aquilo que há já alguns dias se comentava nos bastidores do futebol português.
Mais uma aposta de Pinto de Costa que resulta num fracasso em toda a linha, mais uma fulanização de um problema que é muito mais estrutural do que inépcia ou incapacidade deste ou de outro treinador.
Se é verdade que NES foi sempre a cara do nervosismo, da tremedeira, sempre foi enfadonho na forma de comunicar e revelou uma incapacidade congénita de perceber as características dos jogadores e de consequentemente saber retirar dos mesmos o melhor rendimento, também não deixa de ser verdade que NES veio encontrar um FCP completamente perdido desde a saída de Vítor Pereira (com toda contestação, com plantéis menos valiosos que o Benfica, soube ser bicampeão).
Vítor Pereira ainda soube dar a volta  a uma situação que só aos mais distraídos terá passado despercebida – a mudança de paradigma do que foi um FCP de grandes conquistas desportivas para um perfil de um FCP mercantilista com resultados desportivos desastrosos.
O modelo de gestão que Pinto da Costa levou para o clube, e que tantos êxitos desportivos proporcionou (detecção de talentos no mercado interno, formação de jogadores que eram deixados rodar em clubes de confiança até estarem suficientemente maduros para entrarem na equipa principal, um scouting que permitia comprar pouco mas bom, a fazer diferença) foi abandonado dando lugar a um modelo mercantilista, a um FCP entreposto de jogadores ou abrigo de jogadores em fim de carreira.
E o principal responsável por essa mudança de estratégia, de paradigma, não é NES nem o foram os treinadores que o antecederam.
O principal responsável é claramente Jorge Nuno Pinto da Costa, há muito metido em embrulhadas particulares e desportivas que não lhe permitem pensar e dirigir o clube como deveria.
O mesmo Jorge Nuno Pinto da Costa que sempre se soube rodear de pessoas de sua inteira confiança e que agora se vê rodeado de comissionistas que vão enriquecendo à custa do clube.
NES abandona o FCP.
Tinha que ser entregue a cabeça de alguém depois de mais uma época desastrosa e de um final de época verdadeiramente penoso.
Mas o problema estrutural que coloca o actual FCP uns passos atrás do Sport Lisboa e Benfica tudo indica que se mantenha inalterado.
Sem uma alteração profunda dessa base estrutural, que obriga a uma revolução no interior do clube, a começar e a acabar nos órgãos dirigentes, a próxima época, seja qual for o treinador, será muito provavelmente mais do mesmo, same same but different.

As notícias na televisão (António Barreto)


É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática. A preguiça é virtude. O tosco é arte. A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.
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Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense. Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiáriossão os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.

Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiza falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.

Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.

É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. Arte? Um director-geral chega.

Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.

A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.

Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.

A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos papagaios no seu melhor!

Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão.

22 de maio de 2017

ADIVINHE O TÍTULO DO FILME


Um casal não possui os braços e têm um filho.
Qual o nome do filme?
– Ninguém Segura Esse Bebê!

  
Cai um sino na churrasqueia.
Qual é o nome do filme?
– Assassino.

  
Um médico inventou um remédio que cura dores de cabeça antes delas acontecerem.
Qual o filme?
– O extermina-a-dor do futuro!

  
O “Cebolinha” e a “Mônica” foram ao cinema, na portaria o Cebolinha comprou dois chupas só para ele.
Qual é o nome do filme que eles foram assistir?
– Lambo 2!



Em um local onde só tinham pizzas, as de aliche foram expulsas pelas pizzas de ervilha.
Qual é o nome do filme?
– Aliche no país das más ervilhas

  
Um homem bebeu um Tang laranja e se atirou de cima da torre Eiffel.
Qual é o nome do filme?
– O último Tang em Paris!

  
Um homem tinha como profissão cuidar de ursos. Certo dia ele se aposentou.
Qual o nome do filme?
– O Ex-ursista!

  
Um homem entrou na sala de cinema quando tudo estava completamente escuro mas mesmo assim encontrou um lugar.
Qual é o nome do filme?
– O iluminado!


Um homem foi a um bar e sem ninguém ver colocou um copo na mochila.
Qual o nome do filme?
– Robo cop!


Um tênis afunda no meio do mar.
Qual é o nome do filme?
– Titanike!

  
BOA SEMANA!

18 de maio de 2017

Deputado Pearl Horizon?


Que a Assembleia Legislativa de Macau não é mais do que uma plataforma de defesa de interesses de grupos muito concretos já todos sabíamos.
Ainda assim de quando em vez ainda somos surpreendidos com a dimensão que este fenómeno consegue atingir.
Ver o líder da Associação de Proprietários do Pearl Horizon afirmar que se quer candidatar a um lugar de deputado, apresentando como plataforma “política” a defesa daqueles que adquiriram fracções na planta do empreendimento Pearl Horizon e que agora se vêem sem casa nem dinheiro, é sem dúvida um desses momentos.
A Assembleia Legislativa devia ser um espaço de discussão política e de políticas.
Em vez disso é um espaço de defesa de interesses particulares ou corporativos.
Dá pena assistir a esta subalternização do órgão legislativo em Macau.
E causa enfado e irritação assistir à teimosia ignorante de quem se recusa a perceber que tem que defender os seus legítimos interesses num outro órgão da estrutura tripartida de poderes desta Região Administrativa Especial.
Os tribunais, o poder judicial, evidentemente.

Intemporais (74)

17 de maio de 2017

A Coreia do Norte a testar os limites da paciência de Trump?


Empresas de segurança informática norte-americanas estão a ligar os ataques informáticos que fizeram espalhar o vírus ransomware um pouco por todo o Mundo a piratas informáticos norte-coreanos.
O vírus ransomware encripta os dados informáticos do utilizador e bloqueia o acesso aos mesmos até que seja pago um resgate aos piratas que desencadeiam estes ciberataques.
Mais do que os ataques em si mesmos, e os incómodos e malefícios que dos mesmos directamente resultam, confesso que me preocupa a crescente tensão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte que os mesmos representam.
Parece (oxalá não seja assim...) que os norte-coreanos estão a testar os limites da paciência norte-americana.
Um exercício que, a ser real, é muito arriscado quando na Casa Branca se senta um louco irresponsável.
O mesmo louco irresponsável que parece estar a recolher dados, provas, que justifiquem uma qualquer intervenção armada na Coreia do Norte.
Quando um doido varrido testa a paciência de um louco irresponsável fazendo tábua-rasa das sanções que lhe são impostas, repetindo testes com mísseis balísticos que se julga serem mais e mais sofisticados, ataca outros países por via informática e procura chantagear esses países no intuito de obter fundos que lhe permitam continuar a sua corrida armamentista, temos todos que ficar seriamente preocupados e pensar se os avisos do grupo Anonymous no sentido de estarmos à beira de um terceiro conflito a nível mundial, com norte-coreanos e norte-americanos como instigadores, não serão afinal demasiado reais para ser ignorados.

Japão esbanjando tecnologia

16 de maio de 2017

One Belt, One Road (OBOR), a nova Rota da Seda


A China tem em marcha a nova Rota da Seda, o projecto "One Belt, One Road" ("Uma Faixa, uma Rota"), OBOR na sigla inglesa.
A liderança chinesa deu pela primeira vez a conhecer estes seus planos no ano de 2013.
Desde então a estratégia tem sido consolidar e fazer crescer as ideias iniciais e o alargamento a novos países dispostos a aderir ao projecto chinês.
Por estes dias a capital chinesa recebe mais de vinte líderes mundiais que discutem entre si como ligar a Ásia, a Europa e a África através de novas rotas comerciais.
Um plano que envolve números brutais, quer em termos da população abrangida (cerca de 60% da população mundial), quer em termos de infra-estruturas já construídas e a construir, quer naturalmente em termos de montantes financeiros envolvidos em todo o projecto (o Banco Asiático para o Desenvolvimento como grande financiador de todo o projecto).
Mais do que um grande projecto comercial, esta Nova Rota da Seda encerra em si claramente uma estratégia de poder, de domínio político e económico a nível mundial.
Há muito ultrapassada a bipolaridade que caracterizou a liderança planetária durante os anos da Guerra Fria, os Estados Unidos passaram a apresentar-se como único líder da governança mundial. 
Chegou o momento de a China se apresentar disposta a assumir papel idêntico, concorrencial ou até mesmo alternativo ao americano.
Mais do que um mega-projecto comercial é esta estratégia económica e política que se discute nestes dias em Pequim.
O eixo do poder está a mudar da América para a Ásia, de Washington para Pequim.

A dimensão que extravasa a nossa imaginação

12 de maio de 2017

Humor no final da semana










Entretanto, na Madeira...

BOM FIM-DE-SEMANA!

11 de maio de 2017

Coreia do Sul vira à esquerda


Moon Jae- in será o novo Presidente da Coreia do Sul.
Como acontecera em França também na Coreia do Sul as sondagens não erraram.
E Moon Jae-in, personalidade vinda do centro-esquerda do espectro político sul-coreano (Partido Democrático), advogado, defensor dos direitos humanos, terá agora a responsabilidade de colar os cacos que ficaram espalhados na sociedade sul-coreana, consequência do processo que levou à destituição de Park Geun-hye.
Esta será a tarefa mais imediata e mais complexa na vertente interna.
Mas o discurso de Moon Jae-in, em campanha e após a eleição, chama mais a atenção pelos conteúdos ligados à vertente externa das suas propostas políticas.
Propostas audazes, difíceis de levar à prática, que poderão, se bem sucedidas, ter forte impacto nos equilíbrios políticos a nível mundial.
Um afastamento progressivo da protecção norte-americana, uma tentativa de aproximação ao vizinho norte-coreano, são ideias estas sim verdadeiramente fracturantes.
Não acredito na possibilidade desta aproximação, pelo menos enquanto a dinastia Kim permanecer no poder na Coreia do Norte.
Mas só a disponibilidade para tentar essa aproximação é algo de novo, de radicalmente diferente, em relação à política dos conservadores há longo tempo na condução política da Coreia do Sul.
A alternância democrática na Coreia do Sul concretizou-se numa viragem à esquerda na política do país.
O que daí vai efectivamente resultar só com o correr do tempo poderemos verificar.

Intemporais (73)

10 de maio de 2017

Zhang Dejiang em Macau

Hoje é o último dia da visita de Zhang Dejiang a Macau.
Número três na hierarquia política chinesa, Presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, responsável máximo pelos assuntos das duas Regiões Administrativas Especiais, Zhang Dejiang veio a Macau ver in loco a realidade que lhe é constantemente transmitida em relatório.
Não tanto auscultar a população (os problemas "políticos" que a população de Macau procurou transmitir ao representante da liderança chinesa ultrapassaram quase sempre os limites do ridículo), muito mais deixar mensagens, recados bem audíveis, para Macau também, mas muito mais para a mal comportada Hong Kong quando se aproxima uma mais provável visita de Xi Jinping à Região Administrativa Especial vizinha, em Julho, para comemorar o vigésimo aniversário da transferência de poderes na antiga colónia britânica.
A poucas horas da partida para Pequim, o balanço da visita de Zhang Dejiang passa muito por estas premissas, por este quase paternalismo tão tipicamente chinês - continuem a portar-se bem em Macau e terão a recompensa da Mãe Pátria, não sigam o exemplo daqueles insurrectos de Hong Kong que, mesmo assim, pelo menos por enquanto, ainda vão tendo o apoio de Pequim.
E aqui pode introduzir-se um novo tópico no balanço da visita de Zhang Dejiang a Macau - a importância desmedida dada a certas questões, e a certas pessoas, que, em última análise, lhes dão um impacto público que de outro modo não teriam.
Uma importância que conduz também a uma paranóia securitária perfeitamente descabida.
Qualquer balanço desta visita ficaria incompleto se não se desse relevo ao facto de o dia-a-dia dos residentes de Macau se ter visto profundamente transtornado, consequência de medidas de segurança que aos olhos do cidadão comum se afiguram perfeitamente exageradas.
Numa cidade com a pacatez de Macau, com a paz social de Macau, seria necessário fechar vias públicas, ver dezenas de agentes da autoridade um pouco por toda a cidade, barreiras a dificultarem ou impedirem o já complicado trânsito de peões e automóveis?
Para o leigo em matéria de segurança a resposta é obviamente um rotundo não.