16 de março de 2017

União Europeia de teste em teste


Há razões para festejar os resultados eleitorais na Holanda (as sondagens à boca das urnas dão a vitória ao VVD do actual primeiro-ministro Mark Rutte que deverá conseguir 31 deputados contra os 19 do CDA, do PVV e do D66)?
Se o objectivo era apenas derrotar Geert Wilders e o seu PVV a resposta terá que ser positiva.
Mas se se pensar na votação expressiva que os populistas holandeses conseguiram o foguetório deverá dar lugar a alguma cautela, a alguma parcimónia.
Geert Wilders e o seu PVV subiram no número de votos, no número de mandatos, e isso deve-nos fazer parar os festejos por uns momentos para tentar perceber as razões que explicam o crescimento destes fenómenos de nacionalismo populista e demagogo.
Mais a mais quando estamos a pouco mais de um mês de novas eleições, de novo teste à União Europeia e aos movimentos populistas que a enxameiam.
Se uma vitória de Geert Wilders na Holanda seria perigosa, uma vitória de Marine Le Pen em França, um dos países fundadores das Comunidades e um dos motores da União Europeia, seria desastrosa.
E não se diga que essa é uma possibilidade remota porque não o é.
Os estudos sociológicos mais recentes mostram sem sombra de dúvida um crescimento eleitoral da Frente Nacional, sobretudo entre os eleitores mais jovens (França não é a América de Trump, ou a Inglaterra de Theresa May ), uma aceitação que antes era escondida ou pouco assumida e agora é clara, transparente, pública.
Enquanto jorra o champanhe que comemora a derrota de Wilders na Holanda é bom que não se chegue à embriaguez porque o maior perigo mora logo ali ao lado e a festa pode dar lugar a uma brutal ressaca já no dia 23 de Abril.

35 comentários:

  1. tenho grande receio das eleições francesas, dos seus resultados e consequências.
    Um abraço

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    1. Bem mais complicadas que as eleições holandesas, Elvira Carvalho.
      Um abraço

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  2. É triste para contestar que ainda poucas pessoas lembram-se o desastre que o nacionalisme provocou no século passado.

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    1. Pois é alfacinha, sempre que a Europa caminhou no sentido dos nacionalismos e dos extremismos, os resultados foram catastróficos.
      Mas a memória dos homens é curta.

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  3. Os holandeses continuam, apesar de tudo, tolerantes e a aceitar outras culturas, o que já não é o caso dos franceses, que são nacionalistas até à medula. Le Pen está a caminhar para a vitória.

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    1. Espero bem que esteja enganada, Teresa.
      E que Marine Le Pen saia também derrotada nas eleições em França.
      Mas confesso que tenho receio do cenário oposto.

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  4. Nem tudo são más noticias na Europa, tivemos uma boa e surpreendente noticia nas eleições da Áustria agora na Holanda e esperemos que os outros países sigam o exemplo a bem da Europa.
    Um abraço e boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    Livros-Autografados

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    1. A Europa não pode dar-se ao luxo de arriscar em extremismos, Francisco.
      Basta lembrar o que aconteceu sempre que se entrou por esses caminhos.
      Aquele abraço

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  5. Não entendo esta preocupação toda, pedro! Se a Europa virar à direita ou pra extrema direita, qual é o problema? A "casa" tem de arrumar e isso tem de ser feito mais ano, menos ano, e tudo indica k essa arrumação não está assim tão longe. A velha Europa quer, precisa de sangue novo e deseja endireitar-se.

    Ser nazi é uma tragédia, pke Hitler, fez x, y e z. Então e Estaline? Comparando as situações, este foi o maior ditador da História (bem, temos de pensar no da Coreia do Norte, mas, as épocas são diferentes, é claro, e o homem tem Internet (risos) e bombas nucleares, diz ele e o seu staff). Resumindo, Comunismo=Fascismo.

    O mundo é composto de mudança, já o poeta dizia.

    Resto de boa semana.

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    1. CÉU,
      Não gosto de extremismos.
      Venham eles da direita ou da esquerda, são sempre terriveis e dão sempre origem a catástrofes.
      Uma das grandes realizações da União Europeia é a manutenção de um espaço de paz e tolerância único no Mundo.
      Não quero acreditar que os cidadãos europeus queiram desperdiçar uma das suas melhores qualidades, seria pura estupidez.
      Resto de boa semana também

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    2. Pedro com maiúscula e não como escrevi no comentário anterior. As minhas desculpas, mas, há escritores, considerados grandes, em talento, que não escrevem os nomes próprios com maiúsculas, a seguir ao ponto final, não usam letra maiúscula e até não fazem pontuação, portanto, o meu erro não serve de desculpa.

      Li, tudinho, tudinho! Está no seu direito, mas cada qual pensa como pensa e tem direito a ser aquilo k quiser ser, plebeia ou princesa.

      A Europa não foi, não é e não será estúpida, aliás, tem sido a ponte e o abrigo de muitos continentes.

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    3. "A Europa não foi, não é e não será estúpida, aliás, tem sido a ponte e o abrigo de muitos continentes. "
      Na mouche, CÉU!!
      Sou um europeísta confesso e convicto.
      E quanto mais vou conhecendo do resto do Mundo mais orgulho tenho em ser europeu.
      A Europa (não é só a União Europeia) está a passar por uma crise complicada?
      Está.
      Mas já passou por outras e sempre se saiu bem.
      Beijos

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    4. Exatamente, Pedro! A Europa já passou por fases bem complicadas, que conseguiu resolver ou atenuar e será sempre o velho continente, que com umas "fissuras", aqui ou ali, lá vai dando a volta por cima.

      Não gosto de viajar e conheço pouco, mto pouco do mundo, e qdo me falam dos cheiros de África, e alguns até os conheço, razoavelmente, eu respondo: mto bem, fique o senhor com os cheiros, que eu fico com a Europa. Qdo exacerbam Nova York, a cidade k nunca dorme, lembro-me logo de filmes k vejo na televisão com polícias e ladrões e aqueles carros enormes, bizarros, enfim, americanos, e está tudo dito. Que sociedade esquisita!
      Os chineses estão a comprar tudo, estão, e têm mto dinheiro? Então, continuem, k apesar de tudo isso, não deixam, nunca deixarão de ser chineses. EU SOU EUROPEIA, de alma e coração, como sou de direita, e não de centro, politicamente e não há de que... e não gosto de mares, ilhas e ilhotas. Enfim, sou toda TERRA e com os pés bem assentes nela.

      Beijos e bom week-end!

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  6. Ora bem, estas estão ultrapassadas, venham as próximas, as de França que nos colocam em sentido!
    Beijinhos

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    1. Em França o susto já é bem maior, Chic'Ana.
      Um dos pilares da União Europeia ser de repente retirado ia fazer desmoronar o edifício todo.
      Beijinhos

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  7. Pedro, julgo que não serão situações comparáveis, França junta-se sempre na 2ª volta para derrotar a xenofobia e o nacionalismo exacerbado da Frente Nacional.

    Por outro lado, sendo eu um homem de inclinação centro-direita choca-me ler comentários como os da sua leitora Céu, faz-me confusão com se pode imaginar que isto endireite com um a fórmula que teve resultados desastrosos há tão 70 anos.

    Aquele abraço, meu caro.

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    1. Também acredito que mesmo que Marine Le Pen vença à primeira volta, e esta é ainda uma grande dúvida, à segunda volta será claramente derrotada.
      A Europa, apesar de fenómenos isolados, não está disposta a mais aventuras extremistas.
      Isso só poderá acontecer em países próximos do totalitarismo.
      O que não é o caso de nenhum dos países que integram a União Europeia.
      Os nacionalismos e os totalitarismos deram tão bom resultado que seria mesmo óptima ideia seguir esse caminho outra vez!!
      Aquele abraço

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  8. Eu estava otimista em relação às eleições na Holanda. Mas confesso que estou mais preocupada com os resultados das eleições em França.

    Um beijinho, Pedro

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    1. E há razões para isso, Miss Smile.
      Porque Marine Le Pen tem muito maior implantação quando comparada com Geert Wilders e porque França tem muito mais peso do que a Holanda dentro da União Europeia.
      Beijinho

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  9. É preciso esperar que as coisas corram bem lá.

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    1. Tenho essa esperança, Diana Fonseca.
      Não quero acreditar que a União Europeia esteja disposta a mais aventuras.

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  10. Subscrevo na íntegra.

    E em França as cisas estão piores, porque a Esquerda está comatosa...

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    1. A França, goste-se ou não, tem outro peso que a Holanda não tem.
      Essa é a realidade, São.

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  11. Vamos aguardar. E e tretsnto em França um adolescente atirou sobre a comunidade educativa da és Olá que frequenta

    Crise de valores... É isso

    Kis :=}

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    1. Um adolescente atirou sobre a comunidade educativa e uma carta armadilhada explodiu, AvoGi.
      São estes desafios que devem ser enfrentados enquanto comunidade e não isoladamente.
      Bjs

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  12. Eu festejo a derrota de Wilders e do partido do Djisselboem e o segundo lugar dos verdes, não a vitória dos liberais.
    Quanto ao resto, já sabe a minha opinião há muito tempo, Pedro

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    1. E, no meio dos festejos, atenção ao que se passa noutros países.
      Um olho no burro e outro no cigano.

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  13. Meu amigo também não vejo razões para tanta euforia
    com os resultados eleitorais na Hollanda. O 1º. partido
    perdeu votos e deputados. Geert Wilders do PVV teve mais
    votos e deputados. Esta a realidade. Também não entendo porque na Holanda há antos partidos.E pouco falam nos Verdes que foram os que mais subiram.
    Haverá um governo de grande coligação.
    E ainda acredito que Maria Le Pen perca à segunda volta.
    Mas que a Europa precisa de repensar "a sério" toda a sua estratégia, precisa.
    Abraço
    e bom fim de semana.
    Irene Alves

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    1. Não posso acreditar que Marine Le Pen venha alguma vez a governar em França, Irene Alves.
      Nem ela nem ninguém como ela.
      Seria uma grande desilusão.
      Um abraço

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  14. Ótima postagem gostei muito, ganhou um fã abraços.

    Me segue, que eu sigo de volta!

    http://nintudo.blogspot.com.br/

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  15. Estou seguindo vc Pedro, boa semana abraços...

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  16. Enquanto a União Europeia continuar a titubear, sem aparente rumo, empatando aqui e ali, o populismo não parará de crescer. Infelizmente.

    Abraço, Pedro

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