10 de abril de 2014

Relembrar o 27 de Fevereiro de 1953


O Acordo de Londres foi assinado a 27 de Fevereiro de 1957. Depois das ajudas do Plano Marshall veio o haircut. Grécia e Irlanda ajudaram

Há 60 anos, a 27 de Fevereiro de 1953, 20 países, entre eles Grécia, Irlanda e Espanha, decidiram perdoar mais de 60% da dívida da Alemanha (República Federal ou Alemanha Ocidental). O tratado, assinado em Londres, foi determinante para o país se tornar numa grande potência económica mundial e num importante aliado dos Estados Unidos durante as décadas da Guerra Fria contra a antiga União Soviética.

O perdão da dívida, que na prática foi uma extensão e reforço das ajudas financeiras directas do Plano Marshall, liderado pelos Estados Unidos, permitiu aos alemães reduzirem substancialmente o fardo da dívida contraída antes e depois da Segunda Guerra Mundial.

Segundo uma análise de Éric Toussaint, historiador e presidente do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, "a dívida antes da guerra ascendia a 22,6 mil milhões de marcos, incluindo juros. A dívida do pós- guerra foi estimada em 16,2 mil milhões. No acordo assinado em Londres a 27 de Fevereiro de 1953 estes montantes foram reduzidos para 7,5 mil milhões e 7 mil milhões respectivamente. Isto equivale a uma redução de 62,6%", explica o perito.

"O acordo estabeleceu a possibilidade [por parte da Alemanha] de suspender pagamentos e renegociar as condições caso ocorresse uma mudança substancial que limitasse a disponibilidade de recursos", diz o historiador.

A Alemanha beneficiou ainda de uma medida excepcional que, em alguns casos, permitiu reduzir taxas de juro cobradas aos país em 5 pontos percentuais.

Outro historiador, desta feita o alemão Albrecht Ritschl, confirmou que existiu de facto um perdão de dívida gigantesco ao país, que no caso do credor Estados Unidos foi quase total. "Em 1953, os Estados Unidos ofereceram à Alemanha um haircut, reduzindo o seu problema de dívida a praticamente nada", disse em entrevista à revista Spiegel, em 2011.

14 comentários:

  1. ~
    ~ ~ Já conheço esta ""circular"", há uns dois anos...

    ~ Se não me engano, este caso constava no vídeo que o Prof, Marcelo Rebelo de Sousa enviou a Merkel, com o objetivo de ser difundido pela comunicação social alemã e não foi, porque a chanceler achou que iria exaltar os ânimos dos seus partidários!

    ~ ~ ~ Sentimos a nossa honra esmagada. Inesquecível!

    ~ ~ ~ ~ Foi bom recordar...

    ~ ~ ~ Serve para nunca esquecermos a prepotência, a arrogância e impiedade com que fomos tratados por esta criatura e seus sequazes, numa altura em que estávamos muito fragilizados, precisando de amparo.

    ~ ~ ~ ~ ~ ~ Um dia. bom e especial. ~ ~ ~ Beijinho. ~ ~ ~ ~ ~ ~

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    1. Majo,
      Atenção que eu não estou a advogar nenhum perdão de dívida.
      Um renegociação, é isso que deve ser pensado e proposto.
      Porque é bom para todos.
      Com o devedor deixa de poder pagar, isso interessa a quem??
      Um dia muito feliz também.
      Beijinhos

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    2. ~ Nem eu, nem nenhum português honrado quer o perdão da dívida.
      ~ A experiência da mendicância de auxílio, foi terrivelmente aviltante.
      ~ Não se pode falar em renociação. Até agora, Portugal não fez mais que cumprir a vontade dos agiotas. Uma negociação será bem vinda, desde que não acarrete mais subserviência.

      ~ Queremos, veentemente, ver novamente. Portugal soberano e digno.

      ~ E quero ver repostos os feriados tradicionais portugueses que fazem parte da nossa cultura...

      ~ ~ ~ Abraço. ~ ~ ~

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    3. Nada de mendigar nada, Majo.
      Apenas uma renegociação franca e aberta.
      Obediência cega é pura estupidez.
      Todos sofrem com isso.
      No final, os próprios credores que não vêem os seus créditos satisfeitos.

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  2. Há de chegar o tempo, antes disso vão comendo o máximo da carne.

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    1. Mais uma vez, não estou a advogar nenhum perdão de dívida, Agostinho.
      Não será melhor para todos, renegociar e pagar tudo que se deve sem matar o devedor?

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    2. A solidariedade apregoada poderia proporcionar prestações de juros, digamos, mais módicos. Quanto ao pagar, também concordo Quanto às decisões criminosas que foram tomadas ao longo do tempo não deveriam ser resolvidas com soluções aquosas...

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    3. Ninguém quer ser caloteiro, Agostinho.
      Pelo contrário.
      O que se pretende é ter condições para pagar.

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  3. Para compreender a História é preciso sabê-la, certo, Pedro?

    Ai tem a minha resposta em relação aos actuais políticos europeus, e mais não digo porque não me quero aborrecer e quero que V.Exª tenha um resto dia feliz !!!

    Aquele abraço, Pedro!

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    1. Em boa verdade há aí muito boa gente que talvez conheça a história da Carochinha, Ricardo.
      História é que é um bocado mais complicado.
      Aquele abraço!!

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  4. É uma chapada para os actuais governantes europeus...
    Grata pela partilha pertinente.:))

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    1. Não devemos apagar a memória ou rescrever a História, ana
      Esse é um dever de cidadania.
      Beijinhos

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  5. a solidariedade já não é o que era

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