9 de abril de 2014

JOSÉ RÉGIO (Soneto escrito em 1969)


Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.


Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.

23 comentários:

  1. Estimado Amigo Pedro Coimbra,
    Belo soneto que continua bem actualizado.
    Abraço amigo

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    1. Publicado em 1969, quase podia ter sido escrito hoje.
      Hoje, outros valores ($$$$$$) se levantam, é verdade.
      Mas é muito semelhante.
      Aquele abraço!

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    2. É isso mesmo, Pedro!

      "Publicado em 1969, quase podia ter sido escrito hoje."

      A História se repete: os fantoches em São Bento são muito semelhantes.

      E daqui a uns 40 anos muitos portugueses vão recordar com saudade o governo actual, como agora muitos portugueses recordam com saudade o aluno de Loyola.

      JOSÉ RÉGIO SEMPRE!!!

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  2. Um legado excelente, mas infelizmente tão actual nos dias de hoje.

    Beijocas

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    1. Só não poderia ser escrito agora pelos valores envolvidos, Fatyly :(
      Beijocas

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  3. «Assentam-se os fantoches em São Bento
    E o Decreto da fome é publicado.»

    Tenho dito, Pedro!

    Aquele abraço

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    1. Mudam-se os tempos mas as vontades são muito semelhantes, Ricardo.
      O Esteves Cardoso costumava dizer que os portugueses gostavam imenso de colocar um patego em Belém e um pateta em São Bento.
      Será que tinha razão?!
      Aquele abraço!!

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    2. ~ ~ ~ Quase meio século depois...
      ~ ~ ~ ~ Em tempos de democracia...
      ~ ~ ~ ~ ~ O governo tem que ser avaliado!

      ~ ~ ~ " E cá vanos nós...
      ~ ~ ~ Sem cantos nem risos...

      ~ ~ ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~ ~ ~

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    3. Essa é a grande diferença, Majo.
      Agora vivemos em democracia e os portugueses podem dar um real chuto no traseiro de quem não (os) serve.
      Beijinhos

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  4. Mais palavras para quê? Ontem como hoje!
    Não sei se é fado ou destino, sabemos todos que é uma tragédia para muitos, demais.
    Abraço.

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    1. Hoje em dia há uma grande diferença, GL.
      Porque vivemos numa democracia, temos palavra.
      Abraço

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    2. "Porque vivemos numa democracia, temos palavra."

      LÁ ISSO É VERDADE!!!

      O que certos bloguistas escrevem, no tempo do pupilo de Loyola, já estavam na prisão ou a tocar harpa lá em cima.

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    3. Essa realidade é que nos deve animar e orientar todos os dias.
      Podemos dizer e escrever o que queremos sem receio de ir parar ao Tarrafal

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  5. Régio diz tudo.
    Qual será o disparate associado ao número sete? Fiquei com curiosidade.
    Beijinho. :))

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    1. Tão actual que até assusta, ana

      Parecido com o som de sete em cantonense é o som de um palavrão acabado em lho :))))
      Beijinho

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  6. Actual.
    É só uma questão de fazer a reconversão do escudo em euro e adaptar o passado à realidade.

    Aquele abraço, Pedro.

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    1. E introduzir MUUUIIIITA inflacção, António.
      Aquele abraço!!

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  7. Estou de volta.
    Desde o tempo das cavernas que o homem sempre que apanha os outros 'distraídos' mostra os seus instintos rasteiros. Com tudo o que se passa ainda a haver muita gente cuja prioridade é desregular.
    Boa semana Pedro.

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    1. Os doidos e os oportunistas estão longe da extinção, Agostinho.
      Grande abraço!

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