23 de abril de 2014

E o Chefe falou de política


Três vezes por ano, cumprindo o ritual e a tradição, o Chefe do Executivo desloca-se à Assembleia Legislativa.
Normalmente para se falar muito (o Chefe do Executivo e os deputados) e dizer muito pouco.
Não surpreendeu que este cenário se tivesse, no essencial, repetido ontem.
Trivialidades, questões de pormenor, questiúnculas que devem ser tratadas e  resolvidas a um nível muito mais baixo, foram o essencial da intervenção do Chefe do Executivo no hemiciclo.
Com o precioso auxílio dos deputados que também não estão ali para se preocupar com questões de política geral, de visão de futuro, de programa de governação.
Perguntas sectoriais, ou de profundo teor corporativo, dão lugar a respostas do mesmo teor.
No meio da habitual sensaboria (same same but different) eis que o Chefe do Executivo, actual e mais que provável sucessor de si próprio, resolve introduzir uma nota política no seu (longo) discurso.
Não que tenha sido para dar uma novidade extraordinária, antes para confirmar o que era sussurrado nos corredores do poder e dito e repetido à boca cheia na sociedade - o próximo Executivo, que será muito provavelmente presidido pela mesma pessoa, terá alterações na sua composição a nível de Secretarias.
Mais pormenores não foram, nem deviam ser, divulgados ontem (muito embora a referência à preocupação da população com o controlo financeiro e orçamental não seja de todo despicienda...).
Esperemos que o sejam no decorrer da campanha.
Mesmo que Chui Sai On se apresente, como é de todo previsível, como único candidato à sua sucessão, é fundamental que seja muito mais abrangente nos assuntos que aborda, muito mais preciso nas ideias e nas políticas que pretende implementar do que tem sido até agora.

18 comentários:

  1. Isto está igual em todo o lado. Quando oprimem o povo calam-se e deixam seguir. Quando se auto aumentam calam-se e deixam seguir.
    Parece que até foram eleitos para se auto-promoverem e esquecem que o povo fica à mercê de tantos tubarões.
    Parece-me que estamos a entrar novamente nos tempos de escravidão e de tortura descarada e de opressão.
    Os políticos com mais responsabilidade vão assobiando para o ar e sacudindo as mãos como se nada fosse com eles...

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    1. Aqui, em boa verdade, nem há políticos, luís.
      Quando o Chefe do Executivo concorre sozinho, e vai ser reeleito a concorrer sozinho, como é que se pode falar de política.
      Essa é a principal razão para não haver discurso político em Macau.
      Não é necessário.

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  2. Fora do "poder" todos têm soluções, seriedade e forma. Mal entram e se assentam...o status sobe-lhes à cabeça e fazem precisamente o que lhes convém sem olhar a quem!!!!

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    1. Como em todas as situações, quando não há concorrência, Fatyly.....
      Correr sozinho, para quê esforçar-se?

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  3. A fórmula divina de construir uma longa carreira: não levantar ondas. Por esses lados há tendência para se formarem tsunamis...

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    1. A nível político, nem por isso, Agostinho.
      Muita harmonia, muita harmonia.

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    2. Tsunamis se não houver harmonia. Já os houve.

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    3. Meter água é especialidade de muita gente por estas bandas, Agostinho :)))

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  4. Os chefes não se cansam de nos surpreender! :)
    Não dizendo nada, obviamente!

    Abraço

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    1. Este, ontem, já disse qualquer coisita, Rosa dos Ventos.
      Se formos comparar com o que é hábito (não) dizer.....
      Abraço

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  5. Bom dia!
    Encontramos seu blog.
    Somos do Herdeiros de Deus - Ministério de Louvor.
    Deus abençoe
    http://herdeirosdedeushd.blogspot.com.br/

    Abraço
    Suely

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    1. Sou católico, Suely.
      Embora, a bem da verdade, algo faltoso nas minhas obrigações religiosas, na minha prática religiosa.
      Abraço

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  6. Retenha-se o essencial, na perspectiva dele. O chefe estava lá.

    Aquele abraço, Pedro.

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    1. Três vezes por ano, António.
      Não falha.
      Não diz nada de jeito, mas está lá!
      Aquele abraço!

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  7. Chefes de Executivo que vão às Assembleias e depois não dizem nada de interesse?!? Onde é que já vi isso?!?

    Beijocas e haja paciência...

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    1. Teté,
      Portugal administrou Macau mais de 400 anos.
      Muita coisa ficou :))
      Beijocas

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  8. Mudanças bastante previsiveis...
    Mor

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    1. A novidade que ele veio dar, Mor :)))
      Também falou nas territas na Ilha da Montanha, em abono da verdade.
      Porque é que é necessário ir três vezes por ano à AL para debitar o mesmo estupor do mesmo discurso??!!

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