9 de abril de 2014

A harmonia já não é o que era


No léxico político local, grandemente influenciado pelos ventos que sopram do Norte, os vocábulos harmonia e consenso são fundamentais.
Não só no discurso, mas também na prática.
Não deixa assim de surpreender o teor da entrevista concedida por Ho Sut Heng, líder da influente Associação Geral dos Operários de Macau (AGOM), facilmente identificável como pró - Pequim, ao Ponto Final de ontem.
Ho Sut Heng, membro do Conselho Consultivo, da Conferência Consultiva do Povo Chinês, admitir o aparecimento de um candidato ao cargo de Chefe do Executivo mais forte que Chui Sai On, quando era (ainda é?!) um dado adquirido que Chui Sai On se apresentaria a sufrágio sem qualquer oposição ou concorrência, é um dado novo no panorama político local que merece alguma atenção.
Se é óbvio que, com esta chamada de atenção, a AGOM procura antecipar-se a futuras negociações e apoios com o futuro Chefe do Executivo, também não se pode descurar o que estas declarações representam no tal quadro dos tão ansiados harmonia e consenso.
A performance da equipa governativa vai sendo cada vez mais alvo de críticas.
Vindas até dos sectores que tradicionalmente apoiam o Governo.
As declarações de Ho Sut Heng, admitindo o aparecimento de um candidato mais forte na corrida a Chefe do Executivo, e a necessidade de renovação da equipa governativa (mais uma voz que afina pelo mesmo diapasão), julgo que têm que ser lidas também na vertente de uma mensagem audível no espaço público (costuma acontecer apenas em círculos muito reservados) no sentido de o mandato do novo Chefe do Executivo, ainda que seja a mesma pessoa, ter que ser muito mais convincente e muito mais abrangente que este que agora termina.
De onde vem essa mensagem é a pergunta que devemos colocar a nós próprios.
Virá com o tal vento que sopra do Norte?

12 comentários:

  1. ~ ~ De 7 a 8 horas a leste, sei muito pouco do que se passa nesse território. Procurei ver melhor o rosto da socióloga. Vi, pela 1ª vez, o Times de Macau.

    ~ ~ Em terras do Sul, depois de uns dias espetaculares de sol, temos novamente nuvens com vento. ~ ~

    ~ ~ ~ Um ótimo fim de tarde. ~ ~ ~

    ~ ~ ~ ~ ~ B e i j i n h o s. ~ ~ ~ ~ ~

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    1. Nada aqui acontece por acaso, Majo.
      Para esta senhora, presidente de um das associações mais tradicionais de Macau, e mais pró-Pequim, dizer uma coisa destas é por alguém lhe encomendou o sermão.
      Beijinhos com sol (aleluia!!!) por estes lados

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  2. Caro Amigo Pedro Coimbra!
    Aqui na terra que ainda tem palmeiras e sabiás, além do ano da Copa do Mundo, é o ano de eleições para presidente e deputados.
    Parece que virou rotina ver escandalosos casos de corrupção virem à baila.
    Caloroso abraço! Saudações desconfiadas!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento

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    1. As questões que se levantam à volta da Copa (gastos excessivos e atrasos na finalização dos estádios) vou acompanhando com assiduidade, Amigo João Paulo de Oliveira.
      Estas politiquices, porque é disso que se trata, chegam a ser irritantes.
      Grande abraço!

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  3. Também já chegou aí o apelo ao consenso?! Meu DEus, deve ser contagiosa essa mania de que devemos voltar à unanimidade da ditadura!!

    Saudações

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    1. São,
      Dia em que não se ouça falar do consenso e da harmonia até é estranho.
      Já não há pachorra!

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    1. Às vezes fazem bem, Carlos.
      Para acordar alguns glutões que por aqui andam e que acham que tudo lhes é permitido

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  5. Pedro cá para mim não é vento, pode ser cassete gravada por alguém!

    Beijinho e uma flor

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    1. No fundo, vem a dar no mesmo, Adélia.
      Beijinho

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  6. Por mim a senhora estará a por-se na bicha a ver se abicha qualquer coisa.

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    1. Também é isso, Agostinho.
      Mas não só.
      Curiosamente, este post foi hoje publicado pelo jornal Ponto Final, que tinha publicado a entrevista.

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