Acordo de Meca


Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinaram em Meca um acordo de defesa mútua.
O poderio económico (Arábia Saudita) junta-se ao poderio militar (a Turquia é o maior exército europeu dentro da NATO) e ao poderio nuclear (Paquistão).
A NATO muçulmana ouviu-se logo comentar.
Nada mais errado.
O Acordo de Meca é um memorando de intenções.
Não tem estruturas, não tem comando, não tem regras nem normas de funcionamento.
Três nações sunitas unem-se para deixar bem claro que o Islão sunita não quer ficar à margem no desenho de uma nova ordem mundial que se percebe estar a acontecer diariamente e que inclusivamente já conduziu a duas guerras activas.
Muito mais que uma aliança militar, o Acordo de Meca é uma aliança religiosa.
E por isso mesmo simbolicamente foi assinado em Meca e não na capital de algum dos países signatários.
Não tem uma potência dominante, como o eram os Estados Unidos na NATO ou a União Soviética no Pacto de Varsóvia, antes representa a voz do islamismo sunita numa nova ordem mundial que poderá resultar do final dos conflitos no Médio Oriente e no Leste da Europa.
Uma aliança aberta à adesão de outras potências que professem a mesma mundividência dos membros fundadores.
Uma aliança escatológica muito mais que um pacto de defesa, essa é a natureza intrínseca do Acordo de Meca.

Comentários

  1. Apesar da roupagem religiosa, o acordo funciona como uma resposta prática de sobrevivência a crises contemporâneas, digo eu, embora não esteja bem informada sobre o assunto.

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    1. A cola é religiosa, Teresa.
      Essa é a grande essência.
      Porque pouco mais que isso existe.
      Como funciona na prática? Quem toma a iniciativa? Quem decide?

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  2. Chegaram à conclusão de que não podem contar com os Estados Unidos para muita coisa, essencialmente, em termos de segurança.
    Aos poucos, e em diferentes vertentes, os “aliados” estão a afastar-se dos americanos.

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    1. Esse é o grande legado Trump, Catarina - uma América cada vez mais desacreditada e isolada.
      Brilhante!

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  3. Eu quero paz e o palerma do Trump cada vez mais enterra-se na porcaria que faz!
    Beijos e um bom dia!

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  4. Três países à procura de dar mostras de que devem contar com eles.
    Pelo que li, é mais conversa para encher.
    Tenho razão, Pedro?
    Um abraço.

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    1. Mais marcar presença, António.
      E dizer que não haverá nova ordem mundial à margem do Islão.
      Porque é previsível que outros países sigam estes.
      Um abraço

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  5. Oxalá seja isso mesmo:" uma nova ordem mundial..."

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    1. Essa já está em marcha.
      E as lutas que vemos todos os dias são o reflexo disso mesmo.

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  6. Não sei nada sobre o tema.

    Pelo que percebi , é então uma acordo religioso e nada mais...

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    1. Base religiosa.
      Mas muito politicamente simbólico.
      Não desenhem uma nova ordem mundial deixando o Islão à margem.
      Essa é a grande mensagem.

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  7. Certo... e entretanto Israel prossegue com o seu genocídio na Palestina, prossegue bombardeando o Líbano, prossegue ocupando ilegalmente partes da Síria e o Paquistão, a Turquia e a Arábia Saudita assobiam para o lado... o Irão é o único País do Médio Oriente que realmente se mexe para travar o Imperialismo Anglo-Sionista. O resto é conversa.

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    1. O Irão, terminada a guerra, será muito provavelmente um dos países que fará parte desta coligação.

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  8. A análise do Pedro Coimbra parece-me globalmente correcta, mas atenção: os grandes impérios começam sempre por ser pequeninos. O "profeta" Maomerda também começou as suas conquistas com apenas umas dezenas de guerreiros... mas os seus seguidores conquistaram meio mundo, Península Ibérica incluída!

    Isto é apenas o primeiro passo de uma caminhada que pode revelar-se gloriosa para os muçulmanos, dependendo da evolução demográfica global e da sua (in)capacidade de converter os países africanos à "religião da paz"...

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    1. Obviamente esta não é propriamente uma aliança defensiva ou pacifista.
      Basta estar atento ao contexto em que é formada.

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