18 de outubro de 2017

Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII por Frei António das Chagas (António Fonseca Soares) - reedição


CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

12 comentários:

  1. Um trocadilho que indica muito talento!! : ))

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    1. E que faz todo o sentido num tempo em que o tempo começa a ser curto para fazer o que já devia ter sido feito, Catarina.

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    1. Já aqui tinha publicado, Fatyly.
      Mas como estamos num tempo em que o tempo parece ser pouco valorizado, fiz a republicação.
      Beijocas, um bom dia

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  3. Espetacular!!!
    Obrigado pela partilha.
    Pedro, espero que tudo esteja ok com a sua família aqui em Portugal.
    Um abraço
    Maria de
    Divagar Sobre Tudo um Pouco

    Maria de
    Divagar Sobre Tudo um Pouco

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    1. Felizmente tudo não passou de um susto, Maria Rodrigues.
      Um abraço

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  4. Estamos sempre a tempo de ter conta, mas o mais certo é nem tomarmos isso em conta e continuarmos a queixar-nos de nos faltar o tempo.
    :)

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    1. E depois vamos perguntar ao tempo quanto tempo tem o tempo, luisa :)

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    1. Um trocadilho em verso.
      Ou, como diriam o meu padrinho e irmão, um trocadlho do carilho :)))

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  6. Um belo Soneto a ter em conta
    enquanto houver tempo para
    levarmos em conta o tempo
    que para nós se desconta.

    Beijinhos contados e em conta! :)

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    1. Podemos ficar à conversa que não temos o tempo contado.
      E vamos perder conta do tempo, Janita.
      Beijinhos

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