31 de outubro de 2017

27 de outubro de 2017

Mariage catalan (Casamento catalão)



Dis, mon fils, il faut que je te parle ! Ce soir, après la noce, tu vas rentrer dans ta maison avec ta femme. Il faut que je t'explique certaines choses.
- Oui, Papa ­­­­­­
- Premièrement, tu vas prendre ta femme dans tes bras pour rentrer dans la maison, parce qu'un Catalan c'est fort ! 
- Bien, Papa 
- Ensuite, tu vas aller prendre une douche, parce qu'un Catalan, c'est propre !
- Oui, Papa 
- Puis, tu reviens dans la chambre tout nu, parce qu'un Catalan, c'est beau ! 
- C'est vrai, Papa 
Là, tu vas regarder ta femme dans les yeux, parce qu'un Catalan, c'est fier 
- Oh oui, Papa
- Enfin, tu t'occupes de ta femme toute la nuit, parce qu'un Catalan, c'est amoureux ! Tu m'as compris, mon fils? 
- Oui, Oui, Papa
Et la noce se passe joyeusement. 
Le lendemain, le Père rencontre son fils dans le village : 
- Alors, mon fils, comment s'est passée cette nuit ? 
- Oh bien Papa. Tout d'abord j'ai pris ma femme dans mes bras pour rentrer dans la maison, parce qu'un Catalan c'est fort ! Ensuite, je suis allé prendre une douche, parce qu'un Catalan, c'est propre ! 
- Après, je suis revenu dans la chambre tout nu, parce qu'un Catalan, c’est beau, et j'ai regardé ma femme dans les yeux, parce qu'un Catalan, c'est fier ! 
- Après, j'ai embrassé ma femme partout, parce qu'un Catalan, c'est amoureux ­­­­­­ 
- C'est très bien, mon fils, et après? ­­­­­­ 
- Après ....... je me suis masturbé parce qu'un Catalan, c'est autonome et indépendant ! 

(tradução livre) 

- Filho, tenho que falar contigo. Este noite, depois da boda, vais voltar a casa com a tua mulher. Tenho que te explicar algumas coisas. 
- Sim, papá. 
- Primeiramente vais pegar na tua mulher ao colo para entrar em casa porque o catalão é forte! 
- Está bem, papá. 
- Depois vais tomar um duche porque o catalão cuida da sua higiene! 
- Está bem, papá. 
- Depois regressas ao quarto todo nu porque o catalão é belo. 
- É verdade, papá. 
- Depois vais olhar a tua mulher nos olhos porque o catalão é bravo. 
- Está bem papá. 
- Depois vais amar a tua mulher toda a noite porque o catalão é campeão no amor. Compreendeste tudo? 
- Sim, papá. 
A noite de núpcias passa alegremente. 
No dia seguinte o pai encontra o filho. 
- Então filho, como é que foi a noite passada? 
- Foi óptima, papá. Em primeiro lugar eu peguei na minha mulher ao colo porque o catalão é forte. Depois fui tomar um duche porque o catalão cuida da sua higiene. Depois regressei ao quarto todo nu porque o catalão é belo. Depois olhei a minha mulher nos olhos porque o catalão é bravo. Depois beijei a minha mulher diversas vezes porque um catalão é campeão no amor. 
- Muito bem, muito bem meu filho. E depois? 
- Depois…depois masturbei-me porque o catalão é autónomo e independente! 

(Sim do FerreirAmigo

BOM FIM-DE-SEMANA! 
(Alargado porque segunda-feira é feriado. E quinta-feira há tolerância de ponto)

26 de outubro de 2017

Os recados de Marcelo e os trabalhos de Costa


Moção de censura debatida e rejeitada no Parlamento em Portugal.
E o Presidente da República (PR) a deixar recados bem audíveis, em público, ao Primeiro-Ministro(PM).
Não serão os doze trabalhos de Hércules, nem será uma penitência, o que o PR pede ao PM.
Mas será algo muito semelhante.
Com a legitimidade reforçada pela rejeição da moção de censura apresentada pelo CDS (assim o afirma o PR...) o Governo não poderá adiar mais as reformas há tanto necessárias e nunca concretizadas para evitar que tragédias como as recentes se repitam em Portugal.
A tese do PR é defensável.
Os partidos que garantem apoio parlamentar ao governo, a famosa "geringonça", deram um sinal de união inequívoco.
Todos estão dispostos a fazer cedências desde que o resultado final seja não deixar os partidos à Direita (PSD e CDS) governar.
Se é um facto que se pode retirar esta conclusão do debate parlamentar, e da rejeição da moção de censura, não é menos verdade que a moção de censura apresentada pelo CDS deixou clara a profunda divisão que o Parlamento e o País conhecem neste momento.
Bem pode o PR clamar por um pacto de regime, por soluções de convergência, que tal não irá por certo acontecer.
Há feridas abertas que levarão muito tempo a curar e a fechar.
Esta conclusão, este separar das águas, terá sido o único mérito da moção de censura da iniciativa do CDS.
Como tal o(s) trabalho(s) de Costa terão mesmo muito de hercúleo.
Sem a ajuda de um eromenos mas necessariamente com o imprescindível auxílio dos seus dois aliados na "geringonça".

Intemporais (90)

25 de outubro de 2017

Bodas de porcelana



A celebração do vigésimo aniversário de casamento significa a comemoração das bodas de porcelana.
A porcelana que se diz ser brilhante, transparente, resistente, isenta de porosidade e sonoridade.
Desejo que, nestes primeiros vinte anos, nos muitos outros que acredito se seguirão, estas características se apliquem também ao nosso casamento que hoje celebra as bodas de porcelana.
A união entre duas pessoas, à semelhança da porcelana, tem sempre um elemento de fragilidade.
Duas pessoas muito diferentes, que se conhecem e apaixonam, que passam a partilhar uma vida, é sempre um desafio complexo.
Mas que, sempre à semelhança da porcelana, pode ser de grande beleza.
Lembro Barack Obama e com ele afirmo que temos sido mais que marido e mulher, pai e mãe das nossas maravilhosas filhas, os melhores companheiros, os melhores amigos.
Nesta caminhada de vinte anos, nos outros todos que se seguirão, os cuidados que uma bela peça de porcelana exige têm que ser também aplicados à nossa união.
Vinte anos depois das primeiras promessas, na celebração das bodas de porcelana da nossa união, só posso prometer que cuidarei com todo o carinho e enlevo dessa peça de beleza única na minha vida que é a família que constituímos.
Para que a porcelana que simboliza o vigésimo aniversário da nossa união nunca se quebre e mantenha sempre a sedução e a beleza que tem tido ao longo destes vinte anos.

24 de outubro de 2017

Congresso do Partido Comunista Chinês


O Congresso do Partido Comunista Chinês, que decorre em Pequim desde o dia 18 p.p., está a produzir os resultados esperados.
Já todos sabemos que o regime político chinês é avesso a surpresas, a golpes teatrais de última hora.
Neste enquadramento em nada surpreende o reforço do poder de Xi Jinping dentro do Partido e dentro do País.
O País que Xi Jinping já disse alto e bom som vai estar bem atento às duas Regiões Administrativas Especiais, sobretudo a quaisquer intenções de sedição (as diatribes de Hong Kong e os movimentos independentistas na Europa enervam Pequim).
O mesmo País que vê reforçada a sua imagem internacional muito à custa de um errático Donald Trump.
Afirmando o seu poder a nível interno, conseguindo inclusivamente que se reúna à sua volta um culto de personalidade há muito distante da política chinesa, Xi Jinping vai simultaneamente reforçando a importância e o poder da China no contexto político e económico mundial.
Do Congresso do PCC não se esperam grandes surpresas, nunca se esperam grandes surpresas.
A maior poderá mesmo ser uma formalização desse culto de personalidade à volta de Xi Jinping que poderia mesmo passar pela inclusão do seu nome nos estatutos do PCC, uma honra até agora apenas reservada a Mao Tse-Tung e Deng Xiaoping.

Francisco sobre: 5. A Igreja e a política (Anselmo Borges, Diário de Notícias 20.10.2017)


Ainda com os diálogos do Papa Francisco e de Dominique Wolton: Politique et Société. Concluo.

1. Um tema que atravessa todo o livro é a política. Francisco pronuncia-se sob múltiplos ângulos. Trump "terá dito de mim que sou um homem político... Agradeci--lhe, porque Aristóteles define a pessoa humana como um animal político, e é uma honra para mim. Portanto, sou, pelo menos, uma pessoa! Quanto aos muros..." "A Igreja deve servir em política, lançando pontes: é esse o seu papel diplomático. "O trabalho dos núncios é lançar pontes"." Mas há "a grande política e a pequena política. A Igreja não deve meter-se na política partidária. A política, a grande política, é uma das formas mais elevadas de amor. Porquê? Porque está orientada para o bem comum de todos". "Há sempre uma relação com a política. Porque a pastoral não pode não ser política", para indicar caminhos e valores do Evangelho. Mas concorda com Wolton na denúncia do fundamentalismo e "do risco de fusão da religião e da política".

2. Sobre as desigualdades. Os números: "Hoje, no mundo, 62 ricos possuem a mesma riqueza que 3,5 mil milhões de pobres. Há hoje 871 milhões de pessoas com fome, 250 milhões de migrantes que não têm para onde ir, que não têm nada. Mas o tráfico de droga envolve mais ou menos 300 mil milhões de dólares e pensa-se que, nos paraísos fiscais, 2,4 milhões de milhões de dólares circulam de um lugar para outro."

Na base, está "o ídolo dinheiro". "Caímos na idolatria do dinheiro." Segundo o Evangelho, há incompatibilidade entre Deus e o dinheiro, quando este é divinizado. "Os dois pilares da fé cristã, das nossas riquezas, são: as Bem-aventuranças e o capítulo 25 de São Mateus, que estabelece o critério pelo qual seremos julgados": tive fome, tive sede, e destes-me de comer, de beber...; "é aqui que está a nossa riqueza. Mas irá dizer que sou um Papa demasiado simplista! [risos]. Graças a Deus..."

Wolton: "Diz que é necessário o Estado e que se comprometa..." Francisco: "A economia liberal de mercado é uma loucura. Temos necessidade de que o Estado regule um pouco. E é o que falta: o papel do Estado regulador. Por isso, peço que se abandone a "liquidez" da economia para voltar a qualquer coisa de concreto, isto é, à economia social de mercado: mantenho o mercado, mas "social" de mercado." O problema é "uma economia líquida. A finança". Wolton concorda: "A finança é um modelo de liberalismo demasiado desigual. A finança comeu a economia, que comeu a política..." E Francisco: "É o virtual contra o real." Para meditação, avisa: "Na morte, não levaremos dinheiro connosco. Nunca vi atrás de um carro funerário um camião com os haveres da residência anterior..."

3. Sobre as migrações e a Europa. Francisco é o primeiro Papa jesuíta da história e também o primeiro latino-americano. Argentino, filho de pais italianos, imigrados. "A identidade do povo argentino provém da mestiçagem, porque as vagas de imigrações misturaram-se, misturaram-se... E eu senti-me sempre um pouco assim. Para nós, era absolutamente normal ter na escola várias religiões em conjunto."

Esta sua experiência contribuirá para a sua sensibilidade para com os migrantes. Considera aliás que a teologia cristã é "uma teologia de migrantes", "o próprio Jesus foi um refugiado, um emigrante".

"O problema começa nos países donde vêm os emigrantes. Porque deixam a sua terra? Por falta de trabalho ou por causa da guerra. São as razões principais... Pode-se investir, as pessoas terão uma fonte de trabalho e não terão necessidade de partir. Mas, se há guerra, de qualquer modo, têm de fugir. Ora, quem faz a guerra? Quem dá as armas? Nós."

"A Europa é uma história de integração cultural, multicultural, muito forte. Neste momento, a Europa tem medo. Ela fecha, fecha, fecha..." A questão é que "creio que a Europa se tornou uma "avó". Ora, eu quereria ver uma Europa mãe. A Europa pode perder o sentido da sua cultura, da sua tradição. Pensemos que é o único continente a ter-nos dado uma tão grande riqueza cultural, quero sublinhá-lo. A Europa é o berço do humanismo. A Europa deve reencontrar as suas raízes, também cristãs. E não ter medo. Não ter medo de tornar-se a Europa mãe". E atira de modo mordaz: "Se os europeus querem ficar só com europeus, façam filhos!" Inquietação maior: "Já não vejo estadistas como Schuman, como Adenauer..."

4. Wolton lança desafios a Francisco.

4. 1. Seja como for, "a Europa representa o maior "estaleiro" pacífico democrático da história do mundo". Porque é que as Igrejas não convocam, com todas as religiões e famílias de pensamento, um "acontecimento solene, para dizer que é fundamental" que a união da Europa resulte? Trata-se da "maior utopia democrática da história da humanidade: nunca 27 a 30 países, isto é, 500 milhões de habitantes com 25 línguas, tentaram pacificamente coabitar". Francisco: "Desejo fazer um encontro sobre a Europa com os intelectuais europeus", do Atlântico aos Urais...

4. 2. Há tensão à volta da diversidade cultural. Francisco reafirma que a Igreja não pode ser "imperialista" e que a globalização "em forma de esfera é má" enquanto a Igreja fala da globalização em "poliedro".

4. 3. É urgente uma reflexão crítica sobre a comunicação: por todo lado há comunicação técnica e, no entanto, "nunca houve tanta incomunicação"; está-se perante o perigo de "uma forma de esquizofrenia da comunicação": uma mundialização das técnicas e cada vez menos comunicação humana; não há "o toque, falta o corpo". E pense-se no poder inaudito, quanto a dinheiro e controlo, dos GAFA (Google, Apple, Facebook, Amazon)...

5. Wolton confessa que foi um privilégio dialogar com "uma das personalidades intelectuais e religiosas mais excepcionais do mundo". Duas frases o marcaram: "Não tenho medo de nada" e "Não é fácil, não é fácil..."

23 de outubro de 2017

Gosto muito desta explicação... reconfortante!


No concernente a caducidade das chamadas “Pessoas da Terceira Idade”, os Geriatras explicam que é uma etapa da vida que varia conforme a cultura e desenvolvimento da sociedade em que tais pessoas vivem. Por exemplo, em países classificados como em vias de desenvolvimento, alguém é considerado da "Terceira Idade" a partir dos 60 anos. No entanto a Geriátrica ou Geriatria, ramo da medicina que foca o estudo, a prevenção e as principais ocorrências na pessoa idosa, considera que somente após alcançar 75 anos a pessoa é considerada de "Terceira Idade". Nessa idade as pessoas têm habilidades regenerativas limitadas. As mudanças físicas e emocionais expõem a perigo a qualidade de vida dos idosos.
O Geriatra Alemão Dr. Michael Ramscar considera que:
" Afinal, os cérebros das pessoas mais velhas são lentos só porque elas sabem muito. As pessoas não declinam mentalmente com a idade. Os cientistas acreditam que elas apenas têm mesmo mais tempo para recordar fatos e acumulam muito mais informações nos seus cérebros. Muito parecido com o que acontece nos discos rígidos dos computadores quando ficam cheios, dificultando assim o tempo de acesso às informações pretendidas. Os investigadores dizem que esta desaceleração não é o mesmo que o declínio cognitivo. O cérebro humano funciona mais lentamente na velhice, disse o Dr. Michael Ramscar, mas apenas porque temos armazenadas mais informações. Com o tempo, o cérebro de pessoas mais velhas não fica mais fraco. Pelo contrário, elas simplesmente sabem mais.
Mesmo quando as pessoas mais velhas se esquecem do que iam fazer na outra dependência da casa, esse não é um problema de memória mas apenas uma forma da Natureza as obrigar a fazer mais exercício físico".
Eu sei que tenho mais amigos a quem deveria mostrar isto mas, de momento, não consigo recordar os respectivos nomes. Por isso, agradeço que o enviem aos vossos amigos. 
Quem sabe eles também são meus amigos...

Mais uma do FerreirAmigo

20 de outubro de 2017

19 de outubro de 2017

Responsabilidade política


A doutrina brasileira ensina que “(…) a responsabilidade política pauta-se em princípios que derivam do conceito de representação. A priori, a representação caracteriza a transferência de poderes de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos, para outro ou outros, tornando quem recebe tal parcela de poder, responsável pelos atos que adotar, em nome de quem transferiu, cabendo-lhes uma contra-prestação, traduzida no dever de prestar contas dos seus atos que geram efeitos para o outorgante.”
A tragédia brutal que Portugal enfrenta pela segunda vez no espaço de poucos meses com os incêndios florestais e as suas consequências dantescas, trouxe a expressão responsabilidade política para o espaço público como poucas vezes terá acontecido anteriormente.
Pedia-se que a Ministra e o Secretário de Estado da Administração Interna assumissem a responsabilidade política pelos inúmeros casos de ferimentos ou morte de pessoas inocentes, pela brutal devastação causada pelos incêndios.
Os responsáveis políticos deveriam, seguindo a noção supracitada, prestar contas pelo que aconteceu e não poderia ter acontecido.
É essa a minha opinião também.
Se o número brutal de vidas e bens perdidos já seriam motivo mais que suficiente para responsabilizar politicamente a Ministra e o seu Secretário de Estado, o comportamento de ambos ainda mais viria reforçar essa óbvia consequência.
Não só eram eles os responsáveis directos pela remodelação das estruturas da protecção civil, as mesmas que falharam de modo rotundo no combate ao flagelo dos incêndios, como eram também os responsáveis directos pela decisão catastrófica de desactivar parte desses meios quando a chamada época Charlie já se teria esgotado.
Se tudo isto não fosse bastante para responsabilizar ambos, as declarações que proferiram publicamente seriam o ponto de não retorno.
Constança Urbano de Sousa e Jorge Gomes são os únicos responsáveis pelas catástrofes vividas em Portugal?
Claro que não.
Não só não são os únicos, como não serão talvez os maiores responsáveis por essas situações, como o seu afastamento não vai corrigir o muito que tem que ser corrigido.
Políticas de florestação e reflorestação erradas ao longo dos anos, ausência de prevenção, negligência criminosa e mão criminosa na origem de muitos incêndios, são fenómenos de todos conhecidos.
Mas não é de alteração de políticas e mentalidades que agora se trata.
Porque essas são questões que não se tratam no imediato.
No imediato o que pode e deve ser tratado é a responsabilização política dos titulares de cargos públicos.
Não perceber isso revela um autismo incompreensível.
O Presidente da República, que se tinha remetido a meras declarações de circunstância, deu finalmente um murro na mesa.
E exigiu medidas imediatas.
Medidas que passam pela confirmação do apoio parlamentar ao actual Governo, apoio esse que garantirá a implementação de reformas políticas inadiáveis, e uma alteração de pessoas percebendo-se bem quem eram os visados.
Sábado, prometeu Carlos César, depois da reunião do Conselho de Ministros, haveria novidades.
Não foi preciso esperar por sábado.
A Ministra da Administração Interna percebeu finalmente que não tinha quaisquer condições para permanecer em funções e apresentou o pedido de demissão.
Que o Primeiro Ministro aceitou, conhecendo-se já o nome do novo Ministro, Eduardo Cabrita, a quem desejo as maiores felicidades neste novo desafio.
Eduardo Cabrita que, naturalmente, irá reformular a desgastada equipa do Ministério da Administração Interna.
Para, depois sim, se discutirem medidas de intervenção profunda.
Com outras pessoas, outras caras, esperemos com maior convergência entre as diversas forças políticas que os problemas são demasiados e demasiado graves para serem tratados ao nível da chicana política.
São problemas de uma dimensão extrema, a exigirem um verdadeiro pacto de regime, que será também o que o Presidente da República pretenderá com o voto de confiança da Assembleia da República que exige.

Intemporais (89)

18 de outubro de 2017

Tudo em aberto (mas muito complicado)


O Porto perdeu na Alemanha.
Não seria notícia porque o mais normal é as equipas portuguesas perderem contra equipas alemãs, sobretudo quando os jogos se realizam na Alemanha.
Desta vez foi o Porto e foi em Leipzig.
Num jogo entre segundos classificados dos campeonatos dos respectivos países na última época, a equipa alemã ganhou porque foi superior.
Se é efectivamente superior isso já é outra conversa.
Ontem foi, em todos os capítulos do jogo, e ganhou com justiça.
Sérgio Conceição, que tinha dito na conferência de imprensa que não era pago para fazer surpresas, resolveu surpreender.
Dar a titularidade a José Sá, num jogo de Liga dos Campeões, e deixar Casillas no banco, pode ser um voto de confiança no jovem guarda-redes.
Mas o momento para dar essa injecção de confiança foi muito mal escolhido.
E com consequências muito nefastas.
O sector defensivo do Porto, por norma forte, ontem tremeu bastante.
E começou a tremer com o primeiro golo dos alemães e com um erro crasso de José Sá.
Sérgio Conceição, no final do jogo, reconhecia essas falhas do sector defensivo do Porto no jogo de ontem.
E mostrava-se surpreendido com as mesmas.
Não querendo crucificar José Sá e Sérgio Conceição, muita dessa tremideira poderá bem ter passado pela aposta, precipitada e descabida (Sérgio Conceição afirmou inequivocamente que a decisão de deixar Casillas no banco foi estritamente técnica) num jovem e inexperiente guarda-redes em detrimento de outro que é "só" dos jogadores mais experientes na Liga dos Campeões.
Está tudo em aberto no grupo.
Mas muito complicado.
O Besiktas estará muito perto de se apurar.
As outras três equipas (sim, incluindo o Mónaco) lutam pela outra vaga na Liga dos Campeões.
Se isso é verdade, também não o será menos o facto de o Porto estar obrigado a ganhar ao Leipzig já daqui a duas semanas no Dragão. 

Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII por Frei António das Chagas (António Fonseca Soares) - reedição


CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

17 de outubro de 2017

Cleptómanos


Diz-se cleptómano um indivíduo que sofre de cleptomania, um distúrbio que o leva a roubar compulsivamente, a ter um desejo mórbido de se apropriar de algo que não lhe pertence.
Só um distúrbio mental semelhante poderá explicar o comportamento de alguns taxistas em Macau.
Por mais que as multas sejam agravadas, que a vigilância aperte (será assim??), que a opinião pública se revolte, que as queixas se acumulem, uma série de indivíduos sem escrúpulos, muito provavelmente cleptómanos, insiste no acto de roubar (a violência não é física, é psicológica, é explorar ausência de alternativas).
O que leva a pensar que, para além de cleptómanos, serão também delinquentes por tendência.
Poucos dias depois de se terem conhecido queixas de turistas, que espalham a pior imagem de Macau aqui e nos locais de origem, tendo como origem o (péssimo) comportamento de alguns taxistas, eis que, aproveitando novo tufão, se chegou ao ponto de pedir 500 patacas por pessoa (por pessoa, não por corrida!!) para transportar passageiros que não têm outro meio de se deslocar.
Há muito que se ultrapassou o limite do admissível, do tolerável.
Tem que se dizer basta de uma vez por todas.
Como?
Começando a tirar esta escumalha das ruas de Macau caçando-lhes permanentemente as licenças de condução profissional.
Enquanto não houver coragem política para dar este passo, e efectivamente implementá-lo (the law in the books tem poucos efeitos com estes cleptómanos, terá mesmo que se recorrer à law in action) episódios verdadeiramente vergonhosos e revoltantes vão repetir-se e só terão tendência a agravar-se.

Francisco sobre: 4. o diálogo ecuménico e inter-religioso (Anselmo Borges)


Ainda os diálogos do Papa Francisco e de Dominique Wolton: Politique et société. Se há palavra que atravessa o livro todo é a palavra diálogo. "Como é que a Igreja poderia contribuir hoje para a mundialização?", pergunta Wolton. E Francisco: "Pelo diálogo. Penso que sem diálogo hoje não é possível. Mas um diálogo sincero, mesmo se for preciso dizer na cara coisas desagradáveis." Foi a avó que lhe abriu as portas da "diversidade ecuménica". Criança, viu umas senhoras do Exército da Salvação e perguntou: são freiras? "Não, são protestantes, mas são pessoas boas." De facto, marcou-o, pois, por exemplo, estamos a celebrar os 500 anos da Reforma e, pela primeira vez, isso acontece com católicos e protestantes, e, depois de tudo quanto na Igreja se tinha ouvido sobre Lutero - "os protestantes iam para o inferno" -, Francisco veio dizer que ele foi "um pioneiro religioso, uma testemunha do Evangelho e um mestre da fé... A intenção de Lutero foi renovar a Igreja, não dividi-la. Era um reformador. Havia corrupção na Igreja, mundanismo, obsessão pelo dinheiro, pelo poder". E encontrou--se com o patriarca de Constantinopla, pedindo-lhe a bênção, e com o de Moscovo.
O diálogo, e concretamente o diálogo inter-religioso, "não significa porem-se todos de acordo. Não. Significa caminhar juntos, cada um com a sua própria identidade". Wolton: "E, no diálogo com o Islão, não seria necessário pedir um pouco de reciprocidade? Não há verdadeira liberdade para os cristãos na Arábia Saudita e nalguns países muçulmanos. É difícil para os cristãos. E os fundamentalistas islamistas assassinam em nome de Deus." Francisco: "Eles não aceitam o princípio da reciprocidade. Alguns países do Golfo também são abertos e ajudam-nos a construir igrejas. Porque é que são abertos? Porque têm trabalhadores filipinos, católicos, indianos... O problema na Arábia Saudita é uma questão de mentalidade. Todavia, com o islão, o diálogo avança bem, porque, não sei se sabe, o imã da Universidade de Al--Azhar, no Cairo, Ahmed Mohamed el-Tayeb, veio visitar-me e eu retribuí a visita. Penso que lhes faria bem a eles fazerem um estudo crítico do Alcorão, como nós fizemos com a nossa Bíblia. O método histórico e crítico de interpretação fá-los-á evoluir."
Francisco reconhece, portanto, que para o diálogo inter-religioso é fundamental não tomar os livros sagrados à letra: é necessária uma leitura histórico- crítica. Outro princípio essencial para a liberdade religiosa e a paz entre as religiões tem que ver com a laicidade do Estado, isto é, o Estado não pode ser confessional, o Estado deve ser laico. Para garantir a liberdade religiosa de todos: ter esta religião ou aquela, nenhuma, poder mudar de religião. Francisco: "O Estado laico é uma coisa sã. Há uma sã laicidade. Jesus disse-o: é preciso dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Somos todos iguais diante de Deus." Mas laicidade não é laicismo. Neste, constrói-se "um imaginário colectivo no qual as religiões são vistas como uma subcultura". É necessário "elevar" um pouco o nível da laicidade mediante "a abertura à transcendência". Que quer dizer "um Estado laico "aberto à transcendência"? Que as religiões fazem parte da cultura, que não são subculturas. Quando se diz que não se deve colocar cruzes visíveis ao pescoço ou que as mulheres não devem levar isto ou aquilo, é uma estupidez. Porque uma e outra atitude representam uma cultura. Um leva uma cruz, outro outra coisa, o rabino a kipa, o papa o solidéu" [risos]. "Esta é a sã laicidade. Há exageros, nomeadamente quando a laicidade é colocada acima das religiões. Porventura as religiões não fazem parte da cultura? Serão subculturas?"
Wolton pergunta como é possível chegar ao diálogo com os ateus e os não crentes. Francisco responde que fazem parte da realidade. Há pontos de vista diferentes, mas "a realidade é a verdade". As pontes são o nosso diálogo. Mas deve partir-se da realidade, não da teoria, e "procurar juntos, é um caminho de busca. Procurar". Wolton insiste: "Seja como for, que fazer? Os ateus fizeram muito pela libertação social, política, pela democracia desde o século XVIII. O que é que a Igreja faz? A Igreja diz muitas vezes que "os espera". Mas se são ateus não precisam da vossa espera. Então, como dialogar? Que fazer com os ateus? Porque a Igreja matou muitos..." Francisco: "Noutras épocas, alguns diziam: "Deixai-os tranquilos, irão para o inferno."" Wolton: "Claro" [risos]. Francisco: "Mas nunca devemos falar com adjectivos. A verdadeira comunicação faz-se com substantivos. Isto é, com uma pessoa. Essa pessoa pode ser agnóstica, ateia, católica, judia..., mas isso são adjectivos. Eu, eu falo com uma pessoa. É um homem, é uma mulher, como eu. Um jovem perguntou-me na Polónia: "Que dizer a um ateu?" Respondi-lhe: "A última coisa que deverás fazer é pregar a um ateu. Tu deves viver a tua vida, tu escuta-lo, mas não deves fazer apologia". O diálogo deve fazer-se com a experiência humana. Podemos falar de muitos temas que temos em comum: problemas éticos, coisas humanas. Do que pensamos, dos problemas humanos, como comportar-se... Podemos debater sobre o desenvolvimento humano. E quando se chega ao problema de Deus, cada um diz a sua escolha. Mas escutando o outro com respeito... Podemos falar sem medo - tu és ateu, eu não... mas falemos. Ambos acabaremos no mesmo lugar. Seremos ambos comidos pelos vermes!"
Wolton: "O que é mais difícil: o diálogo ecuménico ou o diálogo inter-religioso?" Francisco: "Segundo a minha experiência, diria que o inter-religioso foi mais fácil do que o ecuménico. Tive muitos diálogos ecuménicos e gosto muito. Mas, se compararmos, o inter--religioso foi mais fácil para mim. Porque se fala mais do homem..." Wolton: "Quando se está próximo, tudo é difícil. Quando se está afastado, é mais fácil. É estranho."

DN 13.10.2017

16 de outubro de 2017

CÚMULOS


Qual é o cúmulo da incompetência ?
– Deixar o bichinho virtual escapar.

Qual é o cúmulo da lentidão?
– Fazer uma corrida sozinho e chegar em segundo.

Qual é o cúmulo da má pontaria ?
– Atirar uma pedra no chão e errar.

Qual é o cúmulo da ingratidão ?
– Dar ao seu pai um vidro com esperma e dizer: “Toma, agora eu não te devo mais porra nenhuma !”

Qual é o cúmulo da preguiça?
- Casar com uma mulher grávida de outro.
- Deitar-se numa rede e esperar que o vento a balance.

Qual é cúmulo da paciência ?
– Limpar o cu a um elefante com cotonetes!
– Catar piolhos com luvas de boxe!
– Colocar um cagalhão numa gaiola e esperar que ele cante!
– Esvaziar uma piscina com conta-gotas!

Qual é o cúmulo do absurdo?
– O mudo dizer para o surdo que o cego viu o aleijado correr.
-Ser atropelado por uma ambulância.

Qual é cúmulo da economia ?
-Usar o papel higiénico dos dois lados

Qual é o cúmulo da distracção ?
-Na lua de mel, levantar da cama, deixar 100 euros na mesinha de cabeceira e ir embora.

Qual é o cúmulo da rapidez?
– Fechar uma gaveta à chave e colocar a chave lá dentro.
– Cagar da janela do 25º andar de um edifício, descer a correr pelas escadas e ao chegar à rua olhar para cima e ver o cu a fechar.
– Ir ao enterro de um parente e encontrá-lo vivo.

Qual é cúmulo o da rebeldia?
– Morar sozinho e fugir de casa.

Qual é cúmulo o da traição?
– Suicidar-se com uma punhalada nas costas.

Qual é o cúmulo da vaidade?
– Engolir um baton para passar na boca do estômago.
– Comer uma rosa para enfeitar os vasos sanguíneos.

BOA SEMANA!

13 de outubro de 2017

Fases da vida


Eu acho que o ciclo da vida está virado todo de trás para a frente.

Nós deveríamos morrer primeiro, livrar-se logo disso.

Depois viver num asilo até ser chutado para fora de lá por estar muito novo.

Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.

Então trabalhar 40 anos até ficar suficientemente novo para poder aproveitar a reforma.

Chega a época de curtir bastante, beber bastante álcool, fazer festas e fazer a preparação para a faculdade.

Depois a ida para a escola, ser criança, não ter nenhuma responsabilidade, tornar-se um bebezinho de colo, voltar para o útero da mãe e passar os seus últimos nove meses de vida flutuando.

Finalmente tudo terminar com um óptimo orgasmo!!!

BOM FIM-DE-SEMANA!

12 de outubro de 2017

Independència diferit


Carles Puigdemont proclamou a independência da Catalunha.
Para logo a seguir declarar independència diferit (independência adiada).
Entalado entre as ambições independentistas de uma parte do povo catalão, supostamente legitimadas por um referendo convocado à margem da lei e sem qualquer validade constitucional, e as pressões, internas e externas, dos que tratam a questão como secessão, Carles Puigdemont, a cara e a voz dos independentistas catalães, preferiu adiar uma qualquer tomada de posição definitiva.
E conseguiu com este passo supostamente agradar a todos sem efectivamente agradar a ninguém.
Os líderes do movimento independentista catalão perceberam que qualquer declaração unilateral de independência os deixaria isolados e estaria condenada ao fracasso.
Sem apoio externo, com uma forte oposição interna, inclusivamente a dar origem a tomadas de posição extremas (deslocação de empresas muito importantes no tecido económico catalão como maior exemplo dessa realidade), Carles Puigdemont carregou na tecla pause.
Entretanto, de Madrid, acentuavam-se o tom de reprovação e as ameaças.
Agora a ameaça de  invocar o artigo 155º da Constituição e suspender o estatuto autonómico catalão antes da convocação de eleições regionais.
A palavra diálogo vai sendo repetida à exaustão enquanto a realidade vai mostrando cada um a falar para seu lado.
Não é fácil prever o que acontecerá no futuro em Espanha agora que Carles Puigdemont declarou formalmente independència diferit e Madrid acentua a sua posição de força e a sua total oposição às ambições independentistas que chegam da Catalunha.
Mas não será muito arriscado prever que o caos político em Espanha  segue dentro de momentos.

Intemporais (88)

11 de outubro de 2017

Missão cumprida


Portugal bateu a Suíça e apurou-se directamente para o Mundial a realizar na Rússia no próximo ano.
Em boa verdade imperou a lei do mais forte e apurou-se quem era favorito.
Portugal, campeão europeu em título, tem a obrigação de vencer a Suíça.
E foi isso que ontem aconteceu.
Sem grandes brilhantismos, sem nota artística elevada, com alguma sorte (o autogolo deu um jeitão), com naturalidade.
Os suíços apresentaram-se no Estádio da Luz muito arrumadinhos, muito certinhos, muito fiáveis, muito à imagem dos célebres relógios que fabricam e tanta fama e fortuna deram ao país.
Pouco ou nada incomodaram os portugueses, os quais, por sua vez, apresentaram alguma dificuldade em fazer a máquina suíça emperrar.
Mesmo os relógios mais famosos e fiáveis precisam de manutenção e têm falhas.
Raramente, mas têm falhas.
E o relógio suíço falhou e escancarou as portas do apuramento aos portugueses.
Quando aquele autogolo aconteceu julgo que, se dúvidas houvesse acerca do apuramento directo, se terão dissipado naquele exacto momento.
Os suíços não ameaçavam, não se mostravam capazes de incomodar os portugueses.
Bastava ser paciente, inteligente, eventualmente esperar por nova falha num mecanismo bastante bem oleado.
Os Silvas (Bernardo e André) provocaram essa falha e o apuramento ficou selado.
Missão cumprida.

RERUM ESQUISITUM - (BOCA DO INFERNO - Ricardo Araújo Pereira)


Um grupo de teólogos conservadores acusou o Papa Francisco de heresia. Era previsível. O Papa tem dito coisas que fazem certos crentes benzerem-se – o que constitui uma operação teológica bastante paradoxal, em que o Papa simultaneamente estimula o comportamento moral e imoral. Mas também era previsível porque o ambiente geral é de identificação e condenação de heresias. Teólogos laicos igualmente puritanos já tinham acusado Chico Buarque de machismo e Ney Matogrosso de homofobia. Era uma questão de tempo até que teólogos religiosos acusassem o Papa de heresia.
Do ponto de vista teológico, a atitude destes últimos é mais arriscada: os teólogos laicos que acusaram Chico Buarque de machismo e Ney Matogrosso de homofobia limitaram-se a ir contra as evidências – e este tipo de teólogo nunca permitiu que as evidências modificassem a sua acção. Mas os teólogos que acusam Francisco de heresia estão em choque com um dogma. E o dogma tem, sobre as evidências, a grande vantagem de não precisar de ser evidente para se impor. Sucede que a infalibilidade papal é um dogma. Quando o Santo Padre faz deliberações em assuntos de moral e fé (que são as matérias que os teólogos contestam), nunca erra. 
A razão para isso é difícil de contestar: quando trata desses temas, o Papa é assessorado pelo Espírito Santo. Os teólogos que o acusam de heresia estão, por isso, a acusar de herege o Espírito Santo. É frequente depararmos com situações em que alguém é mais papista do que o Papa. Mas julgo que é a primeira vez que alguém é mais espiritosantista que o Espírito Santo.
Entre outras coisas, o Papa manifestou abertura para saber se os católicos divorciados que voltam a casar poderiam, contrariamente ao que se permite agora, voltar a comungar. Ter-se-á passado o seguinte: o Espírito Santo, tomando em consideração as mudanças sociais ocorridas nos últimos dois mil anos, terá segredado ao Papa que talvez não fizesse sentido manter proibições um bocadinho retrógradas. O Papa, tomando boa nota da sugestão do seu assistente, e provavelmente concordando com ela, resolveu levantar a questão. Foi então que vários teólogos, mentalmente menos jovens do que o Espírito Santo, se opuseram à medida. O Espírito Santo, segundo eles, não percebe nada das coisas sagradas. Como ateu, não saberia pronunciar-me. Mas talvez possam ter razão. Que o Papa seja dado a heresias é estranho, mas possível. Pelo menos mais provável do que a homofobia do Ney Matogrosso.

Crónica publicada na VISÃO 1282 de 28 de Setembro

10 de outubro de 2017

Discriminação positiva?


A recente proposta de diferenciar as tarifas de autocarros para os residentes permanentes e os não residentes foi apresentada como uma medida que teria como finalidade discriminar positivamente os residentes permanentes.
A definição mais comum de discriminação positiva ensina-nos que discriminação positiva é um tipo de discriminação que tem como finalidade seleccionar pessoas que estejam em situação de desvantagem tratando-as desigualmente e favorecendo-as com alguma medida que as tornem menos desiguais. É um processo que tem como objectivo tornar a sociedade mais igualitária diminuindo os desequilíbrios que existem em certos grupos sociais.
A proposta apresentada pelo Conselho Consultivo do Trânsito, aparentemente com a concordância do Executivo, parece caminhar em sentido rigorosamente oposto.
Não são os residentes permanentes, com melhores condições de vida e mais protecção social, que devem ser discriminados positivamente.
Se for essa a ratio legis então a proposta terá que ser toda reformulada e apresentar tarifas mais elevadas para os residentes permanentes e não para os residentes não - permanentes.
Uma proposta que não se entende, que está muito mal explicada, que não faz sentido nenhum.
Que tal parar um pouco para pensar?
Valerá a pena apresentar semelhante proposta?
Se for, e tenho sérias dúvidas que seja, terão que ser aduzidas razões muito concretas e ponderosas para o fazer.
Nunca, mas mesmo nunca, nos moldes agora dados a conhecer, discriminação positiva.

Francisco sobre: 3. a Igreja e a alegria (Padre Anselmo Borges)


Continuo com os diálogos do Papa Francisco e de Dominique Wolton: Politique et société. Quando se fala da Igreja, pensa-se logo na instituição e nos dirigentes: papa, bispos, padres... Ora, acentua Francisco, "a Igreja somos nós todos." "Há os pecados dos dirigentes da Igreja, com falta de inteligência ou que se deixam manipular. Mas a Igreja não são os bispos, os papas e os padres. A Igreja é o povo. O Vaticano II disse: "O povo de Deus, no seu conjunto, não se engana." Se quiser conhecer a Igreja, vá a uma aldeia onde se vive a vida da Igreja. Vá a um hospital onde há tantos cristãos que vêm ajudar, leigos, irmãs... Vá a África, onde se encontram tantos missionários. Não para converter - era noutros tempos que se falava de conversão -, mas para servir."

O que é que mais o toca? "Há tanta santidade. É uma palavra que quero utilizar na Igreja hoje, mas no sentido da santidade quotidiana, nas famílias... Quando falo desta santidade ordinária, que já designei como a "classe média" da santidade..., sabe qual é a imagem que me vem ao espírito? O Angelus, de Millet. A simplicidade desses dois camponeses que rezam. Um povo que reza, um povo que peca e depois se arrepende dos seus pecados. Há uma forma de santidade oculta na Igreja. Há heróis que partem em missão. Alguns sacrificaram a sua vida. É isso que me toca mais na Igreja: a sua santidade fecunda, ordinária. Essa capacidade de tornar-se santo sem se fazer notar."

Por isso, Francisco tem medo da rigidez. "Por detrás de cada rigidez há uma incapacidade de comunicar. Pense nesses padres rígidos que têm medo da comunicação, pense nos políticos rígidos... É uma forma de fundamentalismo. Quando me aparece uma pessoa rígida, e sobretudo um jovem, digo imediatamente a mim próprio que está doente. O perigo é que procuram a segurança... Não sabem, sentem-no. Vão, portanto, procurar estruturas fortes que os defendam na vida." Temos então o tradicionalismo, o medo da novidade, do diálogo. Ignoram que a tradição, para ser viva, tem de estar em movimento. "Como cresce a tradição? Cresce como uma pessoa: pelo diálogo, que é como a amamentação para a criança. O diálogo com o mundo que nos rodeia. Se não se dialoga, não se pode crescer, fica-se fechado, pequeno, um anão. Não posso contentar-me com caminhar com palas, devo olhar e dialogar. Dialogando e escutando outra opinião, posso, como no caso da pena de morte, da tortura, da escravatura, mudar o meu ponto de vista. Sem mudar a doutrina. A doutrina cresceu com a compreensão. Isso é a base da tradição. Ao contrário, a ideologia tradicionalista tem uma fé como isto [faz o gesto das palas]: na missa, a bênção deve dar-se desta maneira, os dedos devem colocar-se deste modo, como se fazia antes... O que o Vaticano II fez com a liturgia foi algo enormíssimo. Porque abriu o culto de Deus ao povo. Agora, o povo participa." Aqui, digo eu: o cardeal Robert Sarah que não pense que vai pôr outra vez a missa em latim, com o padre de costas para o povo...

Neste contexto, põe-se a pergunta: os divorciados recasados podem comungar? "Há o que eu fiz, depois de dois sínodos: a exortação "A Alegria do Amor"... É algo claro e positivo, que alguns com tendências ultratradicionalistas combatem, dizendo que não é a verdadeira doutrina. Quanto às famílias feridas, eu digo lá que há quatro critérios: acolher, acompanhar, discernir as situações e integrar. Abre-se um caminho de comunicação. Perguntam-me: "Mas pode dar-se a comunhão aos divorciados?" Respondo: "Falai com o divorciado, falai com a divorciada, acolhei, acompanhai, integrai, discerni!" Infelizmente, nós os padres estamos habituados a normas congeladas, fixas. E ouve-se dizer: "Não podem receber a comunhão." Que não, não e não. Este tipo de proibições é o que encontramos no drama de Jesus com os fariseus. A mesma coisa!"

Neste enquadramento, porque "a misericórdia é um dos nomes de Deus - se eu não aceito que Deus é misericordioso não sou crente" -, todos os padres, incluindo os lefebvrianos, podem agora absolver o pecado do aborto. "Atenção! Isto não significa banalizar o aborto. O aborto é grave, um pecado grave. É o assassínio de um inocente. Mas se há pecado é necessário facilitar o perdão."

O cristianismo "não é uma ciência, uma moral, uma ideologia, uma ONG: o cristianismo é um encontro com uma pessoa. É a experiência da estupefacção, da maravilha espantosa de ter encontrado Deus, Jesus Cristo, é isso que me deixa estupefacto". Por isso, "não se pode ensinar a moral com preceitos como: "Não podes fazer isto, deves fazer isto, tu deves, tu não deves, tu podes, tu não podes." A moral é uma consequência do encontro com Jesus Cristo, uma consequência da fé, para nós os católicos. E para os outros a moral é uma consequência do encontro com um ideal, ou com Deus, ou consigo mesmo, mas com a melhor parte de si mesmo. A moral é sempre uma consequência". Assim, é inconcebível uma Igreja afastada das pessoas. "A Igreja de Jesus Cristo tem de estar ligada ao povo. O contrário seria fazer como alguns políticos que se interessam pelas pessoas durante as campanhas eleitorais e depois as esquecem. Para mim, a proximidade, mesmo na vida pastoral, é a chave da evangelização... Quando quero transmitir algo a alguém, devo esforçar-me por pensar que estou diante do mistério de uma outra pessoa."

Wolton: "Que palavras do seu pontificado quereria ver retidas?" Francisco: "A palavra que mais utilizo é a "alegria". Uso muitas vezes a "ternura", a "proximidade". Aos padres digo: "Por favor, sede próximos das pessoas." Aos bispos digo: "Não sejais príncipes, senhores, sede próximos das pessoas, dos padres." Também a "oração", rezar no sentido de estar diante de Deus" e fazer silêncio e meditar, no meio de uma sociedade do ruído, do "rapidão".

in DN 06.10.2017

9 de outubro de 2017

O Provador de Vinho


Numa conhecida vinícola da serra o provador havia falecido e o proprietário começou a procurar alguém que fizesse o trabalho.
Um velho, jeito de antigo malandro, bêbado e mal vestido, apresentou-se para solicitar o lugar.
O proprietário, que não gostou do candidato, queria por isso ver-se livre dele.
Então, na presença de outros dirigentes da empresa, mandou dar-lhe um copo de vinho para ele testar.
O velho provou e disse:
- É um Moscatel de três anos, elaborado com uvas colhidas na parte norte da região, guardado  num barril inox. É de baixa qualidade, porém, aceitável.
-Correcto, disse o chefe. Outro copo por favor.
- É um cabernet, safra 2008, com uvas colhidas nas encostas ao sul da região, guardado em barril de carvalho americano a 8 graus de temperatura. Ainda faltam uns três anos para que alcance a mais alta qualidade.
- Absolutamente correcto. Um terceiro copo.
- É um espumante elaborado com uvas chardonnay, completado com 15% pinot noir, de alta qualidade e exclusivas, disse o bêbado.
O proprietário não acreditava no que estava a ver e fez um sinal com os olhos à secretária e pediu-lhe que fizesse algo.
Ela saiu da sala e regressou com um copo de urina.
O malandro provou e, calmamente, disse:
- É de uma ruiva de 26 anos de idade, com três meses de gravidez e, se não me derem o emprego, digo quem é o pai.
- Tás contratado!!

BOA SEMANA!

6 de outubro de 2017

Péssimo serviço ao cliente


- Quando vou dar sangue não sou eu que o tiro, é uma enfermeira que o tira.
- Compreendo, Sr. João, mas isto é um banco de esperma e funciona de maneira diferente.
- Péssimo serviço!! 

(Com um agradecimento especial ao Ricardo Santos)

BOM FIM-DE-SEMANA!


4 de outubro de 2017

Possuir armas não é um direito fundamental


Infelizmente com grande regularidade as tragédias envolvendo a posse e a utilização de armas nos Estados Unidos da América acontecem e chocam o país e o resto do Mundo.
Agora foi a vez de um assassino lunático martirizar largas dezenas de pessoas que se encontravam tranquilamente a assistir a um concerto de música country em Las Vegas.
Um lunático que tinha um verdadeiro arsenal de armas no quarto de hotel e outro em casa.
Um lunático que, vá-se lá perceber como, se deu ao luxo de andar a instalar câmaras de vigilância no interior do hotel para ter a certeza que as suas intenções assassinas não seriam frustradas.
Quando estas tragédias acontecem fazem-se ouvir as vozes que defendem o controlo da venda de armas nos Estados Unidos da América.
Vozes que são logo abafadas ou silenciadas pelo poderoso lóbi armamentista.
Um lóbi que conta com o apoio de figuras muito poderosas, muito influentes.
A começar no próprio Presidente Donald Trump que se apressou a afirmar, quando confrontado com a hipótese de se dar início ao debate acerca do controlo da venda e posse de armas (só o debate, não o controlo em si mesmo), que "talvez venha a acontecer" (sic).
Não vai acontecer, já todos o sabemos.
Porque há muita gente, gente muito poderosa, que se recusa a perceber que o direito a possuir armas não é um direito fundamental.

Intemporais (87)

Excepcionalmente à quarta-feira porque amanhã é feriado e para homenagear Tom Petty