13 de outubro de 2015

Lembrando Jô Soares a propósito do momento político em Portugal


Enquanto vou assistindo de longe ao desfile de reuniões políticas em Portugal, no final das quais todos falam em vitórias; vendo o grande derrotado das recentes eleições legislativas, o verdadeiro rosto da derrota, a negociar condições que lhe permitam chefiar um governo, claramente à revelia do que foram as escolhas dos eleitores portugueses, que lhe esfregaram na cara que não lhe confiavam nem uma tesoura nas mãos, o que dizer de um governo; pensando num Presidente da República que cometeu novo erro crasso ao convidar para formar governo o líder da coligação vencedora das eleições sem ter dado cavaco (não é trocadilho fácil...) aos outros partidos com representação parlamentar, à revelia do que prevê a Constituição; observando perplexo a desfaçatez de partidos que abandonam as que diziam ser as suas bandeiras, as suas convicções mais profundas, só para poderem ter acesso ao poder que sempre lhes pareceu estar demasiado longe no horizonte; percebendo que os líderes da coligação que venceu nas urnas parece terem antecipada e precipitadamente colocado de parte a possibilidade de acontecer no País o que aconteceu com o mesmo líder socialista na Câmara Municipal de Lisboa (coligações à esquerda);  vem à memória um delicioso boneco criado por Jô Soares (Sebastião, codinome Pierre, um expatriado brasileiro em Paris) na série "Viva o Gordo", e apetece adaptar a sua catch phrase e gritar com ele  - vocês não querem que eu volte!!

36 comentários:

  1. Anda tudo louco em busca da "cadeira perdida". Sinceramente a caminho de duas semanas - ainda faltam a contagem dos votos dos emigrantes - ninguém se entenderá? Depois é o retroceder é o avançar e como sempre...o povo que se lixe!

    Lembro-me tão bem desta série Viva o Gordo:)

    Beijocas

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    1. E o País à espera, Fatyly.
      "Ai Portugal, Portugal, do que é que tu estás à espera? "

      Só o Jô para nos fazer sorrir mesmo no meio desta tragicomédia, Fatyly :))

      Beijocas

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  2. A analogia é perfeita para descrever o que se tem passado em Portugal. Eu não descreveria melhor toda esta situação deprimente.

    Um beijinho

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    1. Se não é comédia, Miss Smile...
      Os actores é que são fraquitos, não chegam aos calcanhares do Jô.
      Beijinhos

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  3. Subscrevo por inteiro esta sublime analise, Camarada Pedro.

    O Grande Líder Tandoori Costa quer vencer na secretaria uma eleição que foi das piores derrotas jamais sofridas pelo PS.

    Aquele abraço, Camarada Pedro.

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    1. Se o Costa fosse o único idiota ainda a coisa não estava tão mal.
      O pior é que está muito bem acompanhado.
      Aquele abraço

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    2. A cretinice é algo que grassa no novo triste País.

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    3. Acredita que, estando longe, ainda dói mais, Ricardo? :(

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    4. Adoro estes, ou melhor, a conversação, a elegância, com laivos de sátira, destes meus dois camaradas.
      Pedro, desculpe, eu sei k estou fora do meu lugar, mas prometo k vou já sentar-me.
      See you!

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    5. Eu e o Ricardo, não nos conhecendo pessoalmente, temos muitas coisas em comum, CÉU.
      A começar no respeito e na centralidade da família.
      Só estamos nos antípodas é na bola - ele é benfiquista e eu portista.

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  4. ~~~
    ~~ Tratando as eleições como um jogo de futebol !!
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    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

    ~~ Em democracia,
    não são ditadores que governam, mas maiorias parlamentares.
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    ~~ Acabou-se a bipolarização da política portuguesa, AC tem
    o mérito de provar que é possível criar pontes de entendimento
    contra uma política subserviente, de mentira e de descalabro.

    ~~ Quem lhe assegura que estes refrescantes entendimentos
    não tenham um efeito completamente contrário à sua sátira??
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

    ~~ Pode acontecer exatamente o contrário. Pense melhor.
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
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    ~~~~~ Beijinhos. ~~~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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    1. A Majo leu o que eu escrevi???
      Ou leu enviesado?
      Não há um único actor que não esteja a fazer borrada nesta quadratura do círculo.
      Uns mais que outros, mas estão TODOS a borrar a pintura.
      E a pensar muito pouco num país que está em auto-gestão.
      Não tenho ódios de estimação, Majo.
      Nem vacas sagradas.
      Seja qual for a solução, e mantenho que quem ganhou as eleições foi a coligação, e que é esta que tem todo o direito de formar governo (se não for capaz a conversa já é outra), mas seja qual for a solução ENTENDAM-SE!!
      Beijinhos

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    2. ~~~
      ~ Vamos ver quem irá engolir os sapos...
      ll; ))

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    3. Mas eu não quero que ninguém engula sapos, Majo.
      O que eu não quero é o meu País desgovernado e à mercê de carreiristas e oportunistas.
      Tenham a cor que tiverem.

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    4. ~ Quer queira, quer não queira, alguém terá que engolir sapos...
      ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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    5. Então que engulam, Majo.
      Mas que se despachem e e que não façam é figura de sapos.

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  5. Este cenário tem causas, vem de trás. E não, não recuo a 2011.
    Mas que é estranho é.
    Abraço

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    1. O país vai ficar à espera quanto tempo, António??
      Se ainda não se chegou a consenso acerca de quem ganhou as eleições e deve formar governo, quando é que vamos ter um governo em funções, um Orçamento aprovado???
      Está tudo doido????
      Aquele abraço

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  6. O reformado de Boliqueime é um inútil, cada vez mais provadamente.

    A Esquerda deveria ter feito estas negociações antes das eleições, não depois.

    O povo português ao dar a maioria relativa a CDS/PSD , depois de quatro anos pavorosos , demonstra que sofre do Síndroma de Estocolmo.

    Conclusão: dá.me abrigo aí , em Macau, Pedro?

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    1. São,
      Cada vez gosto mais de si!

      O PR fez (mais uma) cagada.
      Não se convida alguém para formar governo antes de ouvir todos os partidos com representação parlamentar.
      É isso que a Constituição prevê, porra!

      Depois, e como a São bem refere, o PS e os partidos à sua esquerda teriam toda a legitimade para formar governo se fosse essa a proposta com que apresentaram aos portugueses.
      Foi o oposto!!
      Ainda assim, e se a coligação que venceu as eleições (foi o PS que as perdeu mais do que a coligação que as venceu) não conseguir formar governo, e o PS e os partidos à sua esquerda forem capazes de o fazer...
      Andar com golpadas à revelia dos resultados eleitorais e das propostas que foram submetidas a sufrágio não é sério, não é honesto.

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  7. Isto é uma telenovela, só restandos saber quantos episódios tera e
    como nas telenovelas resolve-se tudo no último episódio.
    Abraço amigo.
    Irene Alves


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    1. Vamos fazer fast forward, Irene Alves??
      Há um País à espera.
      Um abraço

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  8. Ainda hão-de passar pela vergonha de fazerem eleições e ninguém lá ir votar!!!
    É que dá um desconsolo verificar que o interesse deles não tem nada a ver com os nossos, comuns mortais....
    bjs

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    1. A abstenção nestas eleições já foi brutal, papoila.
      Com este tipo de comportamenteos dos eleitos o mais natural é que cresça.
      Convido-a a ler o que vou hoje aqui publicar do blogue A Revolta das Palavras, de José António Barreiros.
      Bjs

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  9. Meu caro Pedro, como eu gostava de estar em Macau... mas não me confundas pois tenho consciência que a política chinesa também não é nenhum doce.
    A que me refiro é à mostra da World Press Photo que (tanto quanto sei) está aberta ao público de 10 Outubro a 01 de Novembro na "Casa Garden".
    Quanto ao Cavaco, perdão, ao Sr. Presidente da República Portuguesa, estou convencido que está completamente xéxé e (de algum modo) à mercê dos seus adjuntos e conselheiros que certamente são da sua mesma área política.
    Só assim se percebe que inicial e unicamente tenha convocado o Coelho.
    Infelizmente, em todos eles não me parece ver "melhoras". O futuro mas se assemelha a um regresso ao passado!
    Akele grande abraço pah!

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    1. Confirmo que essa mostra da World Press Photo está efectivamente em exibição aqui na Casa Garden, Kok.
      Quero lá ir no domingo.

      O futuro parece efectivamente um regresso ao passado pós-revolução, Kok.
      Só nos falta agora um governo de iniciativa presidencial.

      Aquele abraço

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  10. Os seus textos e análises são five stars, Pedro!
    Vamos com calma! Eu sei, sou alentejana, "tá" bem, mas a calma ajuda imenso.
    Ora, "PRA FRENTE", cuidadosamente.
    Vou revelar-lhe um segredo: se eu fosse 1ª ministra, tentaria fazer um acordo com o PCP. Estou bem da cabecinha e nunca bebi qualquer bebida k contivesse álcool.

    Beijo.

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    1. CÉU,
      Se havia dúvidas, ficaram dissipadas.
      António Costa, o grande derrotado destas eleições, quer ser primeiro-ministro.
      Coligando-se aos partidos à sua esquerda.
      Se não consegue sê-lo nas urnas, pode ser mesmo na secretaria.

      Beijo

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  11. Andamos perdidos neste país onde o governo não se entende e a "múmia" anda a leste. Duas semanas depois e estamos a navegar.
    Kis:>{

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    1. E o País à espera, a navegar à bolina, AvoGi.
      Que incentivo ao voto!!
      Beijinhos

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  12. Pois...está tudo uma grande confusão...

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    1. Confusão, falta de sentido de Estado, de vergonha.
      Admirem-se com os números da abstenção!!

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  13. Penso que se o Costa tivesse feito estas negociações antes das eleições provavelmente os dois partidos à sua esquerda, não levariam toda a campanha a atacar o PS e das duas uma. Ou o PS ganharia com larga margem e já estaríamos a formar governo, ou as teria perdido por uma margem maior e não andaríamos nesta dança macaca. Fala-se muito que Portugal não é a Grécia, mas eles formaram governo em três dias. E nós estamos neste impasse.
    Também penso que o Cavaco Silva, ao chamar apenas a coligação, foi em parte o grande culpado do que se passa. Despertou no PS a vontade de mostrar que é ele que tem a faca e o queijo na mão e que o País não o pode pôr de lado. E quem sofre é o País. Mas convenhamos que o País também tem aquilo que merece. Teve nas mãos a forma de se manifestar e de poder eleger claramente quem queria que o governasse. E ou por inercia, ou por indecisão não quis fazê-lo.
    Mas isto é o que eu penso e eu não entendo nada de política.
    Um abraço

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    1. Ora aí estão dois aspectos essenciais neste imbróglio, Elvira Carvalho - o PS não se apresentou coligado com ninguém nem deu sinais que o iria fazer (ninguém votou nesta hipótese); o PR borrou a escrita ao desrespeitar a Constituição e chamar os vencedores sem ouvir os vencidos.

      Mas a estratégia de tomada do poder já estava arquitectada.
      E eu adivinhei-a antes das eleições.
      Nesse particular a intervenção do PR não pesou nada, creio eu.
      Um abraço

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  14. Ora bem? Bem mal? A política é um jogo de interesses, não é ? Há quantos anos se anda no jogo democrático aparente onde o que vale são truques. A soberania reside no povo? É claro que não! Não sou filiado em nenhum partido e vejo esta marmelada à distância. A honestidade ou a falta dela vai da direita à esquerda. Será legítimo que os canhotos mudem de ideias mesmo que seja por conveniência? Não será isso democracia? Ou será que a dita senhora é um exclusivo (eu atrevo-me a dizer - ferramenta) de alguns?
    A culpa disto tudo vem de trás, como na história do cavalo. O primeiro responsável pelo estado em que se encontra o país é o povo que continua subjugado pelo medo, pela pequena corrupção, os favorzinhos, eternamente acagaçado de calças na mão. O outro culpado é o inquilino do Palácio de Belém que não é presidente de nada.
    Peço desculpa por tanta pergunta, Pedro. E poderia multiplica-las para a UE e outras instituições.
    Abraço

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    1. Amanhã vou aqui escrever aquilo que penso acerca desta estratégia de Costa e dos partidos à sua esquerda.
      Não pode valer tudo, Agostinho.
      A política sem ética e seriedade é politiquice, aldrabice, jogo de politiqueiros pantomineiros.
      Não gosto de gente assim.
      Tenham a cor que tiverem.
      Aquele abraço

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