6 de outubro de 2015

Depois das eleições


Já todos conhecemos os resultados eleitorais em Portugal.
Mas poucos os lêem da mesma forma.
Numas eleições que confirmaram o crescente divórcio entre os portugueses e a política (43% de abstenção é brutal!!) fica a minha leitura dos resultados.
Os grandes vencedores destas eleições são a coligação e o Bloco de Esquerda.
A coligação porque ganha as eleições.
E ganha as eleições depois de quatro anos de governação cheia de percalços, exigindo sacrifícios terríveis aos cidadãos portugueses, partindo muito atrás dos principais adversários e sendo capaz de os ultrapassar.
Vitória que é ainda mais expressiva se pensarmos que constitui quase case study uma vez que é a primeira vez que governantes europeus que implementaram rigorosos programas de austeridade se vêem reeleitos.
Outro dos vencedores da noite é o Bloco de Esquerda.
Quando ameaçava escangalhar-se,  depois da saída ou afastamento das figuras mais emblemáticas, o Bloco, sob a firme liderança de Catarina Martins, cresce eleitoralmente, reforça a votação, ultrapassa o PCP para se colocar como terceira força no espectro político português.
Grande derrotado, claramente o PS.
O PS que, depois de uma campanha eleitoral desastrosa, cheia de equívocos, nunca se conseguindo definir nem colocar politicamente, aparentemente partia em posição de grande vantagem para se ver ultrapassado no decorrer da campanha e derrotado nas urnas.
Fulanizando, esta é uma derrota muito pessoal de António Costa.
O líder que tomou o poder dentro do partido na sequência de uma vitória eleitoral por "poucochinho" (sic) para vir a ser derrotado quando tinha tudo a seu favor para vencer.
O PS que vai ter que saber unificar as várias tendências que existem dentro do partido sob pena de esta ter sido só a primeira de muitas derrotas eleitorais.
Também derrotado, ainda que noutra dimensão, o PCP.
O partido que perde o terceiro lugar no espectro partidário a favor do renascido Bloco de Esquerda.
O que se pode seguir agora que já são conhecidos os resultados eleitorais?
No dia em que se sabe que o Presidente da República vai receber o líder da coligação vencedora para o convidar a formar governo, o Bloco de Esquerda dá voz a uma possível golpada pós-eleitoral que já comentava como possível com amigos quando ainda só se conheciam os resultados das sondagens.
Uma golpada semelhante a outra a que assisti directamente há quase trinta anos (déja vu), ainda que num cenário de eleições autárquicas, a nível de freguesia.
Uma golpada matemática na qual o partido ou coligação mais votado não tem maioria absoluta e os outros partidos podem consegui-la se somarem todos os seus mandatos.
O Bloco dá a cara por esta golpada que apelida de alternativa.
Não acredito que venha  ser levada a cabo.
Não só o PS não estará disponível para alinhar nesta estratégia de tomada de poder, como, mesmo que  estivesse, tenho sérias dúvidas que o Presidente da República desse posse a um governo assim formado.
Os próximos tempos vão ser de grande teste para o chamado "centrão", os dois partidos que formam a coligação vencedora e o PS.
Que estão condenados a chegar a entendimentos para que não se caia num cenário de pura ingovernabilidade.
Quanto tempo durarão esses entendimentos, consequentemente o governo a que Cavaco Silva dará posse, é neste momento a pergunta do milhão de euros.

36 comentários:

  1. Também penso que o grande derrotado destas eleições é o PS. Uma enorme decepção. A coligação fez uma campanha bem melhor. Começaram a ganhar desde que escolheram o nome da coligação. PÀF.. O nome de Portugal tem muita força para o povo que ama o seu país. Tanta que faz esquecer quem está por trás do nome. António Costa submergiu ao peso de ser o saco de pancada destas eleições, pois quem a viu, lembra que CDU, e BE, quase desistiram de atacar o governo para atacarem o PS. E Costa não teve força, ou não soube dar a volta `por cima. Agora resta-lhe negociar com o governo de modo a não deixá-los governar como até aqui, e marcar um congresso para reganhar ou não, o PS, sob pena de dar a machadada final na sua derrota.
    Não acredito que este governo lá esteja os 4 anos, não porque a esquerda se una para o derrotar, seria um suicídio político para o PS, mas porque a Passos não interessa um governo de maioria relativa, e logo que ele pense que tem o eleitorado na mão para uma maioria absoluta, ele se encarregará de arranjar maneira do governo cair. E como o presidente será o Marcelo, ele marcará novas eleições. Aposto numa crise entre os 15 e os 18 meses de governo.
    Em Portugal a direita sempre esteve unida. Só por isso o estado novo durou praticamente 50 anos. A esquerda está cada dia mais dividida. Logo caminha inexoravelmente para o seu extermínio.
    É o que eu penso, mas eu sou um calhau com olhos que não entende nada de política.
    Um abraço

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    1. Elvira Carvalho,
      Não sendo eu entusiasta de governos maioritários, como de resto aqui afirmei recentemente, a verdade é que, em termos de estabilidade são muito mais fiáveis que governos minoritários.
      Também não acredito que o governo que aí vem conclua o seu mandato, governe os quatro anos.
      Seria uma surpresa, uma novidade.
      No que diz respeito às eleições, com o já comentei com amigos e noutros blogues, mais do que a coligação tê-las sabido ganhar foi o PS quem as perdeu.
      Ensaduichado entre os partidos à esquerda e a coligação, o PS de António Costa nunca se soube definir, nunca soube ocupar o seu espaço, foi desastroso em termos de marketing, de comunicação.
      Como se isto não bastasse, as guerrilhas internas, e aquelas facções todas que parece que crescem como cogumelos, retiraram-lhe qualquer réstia de credibilidade.
      Concordo inteiramente com o seu ponto de vista.
      Depois das eleições presidenciais, com um novo PR, o governo que vai agora ser empossado implodirá ou será feito explodir.
      E lá virão novas eleições.
      Um abraço

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  2. Os próximos tempos trarão insegurança, com toda a certeza.
    Se é verdade que existe, agora, uma maioria de esquerda no Parlamento, essa maioria não deverá funcionar em pleno. Não vejo como diferenças tão grandes entre o PS e a dupla BE/PCP possam ser ultrapassadas, por forma a derrubar o governo.
    Vão ser curiosos estes primeiros passos da legislatura. A começar pela moção de censura que o BE diz ir apresentar, colando o PCP à iniciativa. E que continua com a apresentação do programa de governo, sendo certo que BE e PCP vão rejeitá-lo.
    Nestas duas situações, qual a posição do PS? Alinha à esquerda e torna inviável a governação ou assobia para o lado abstendo-se, permitindo que a coligação se vá desenrascando?

    O meu desencanto não aponta a cores políticas mas sim ao povo português que às 2ªs, 4ªs e 6ªs protesta contra tudo e contra todos, e às 3ªas e 5ªs apoiam um governo que foi desgastante e promete continuar a ser. Ao domingo? Ah, ao domingo estão de folga.
    Um abraço, Pedro.

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    1. Se leio bem as declarações até agora feitas, o PS irá abster-se e viabilizar, no imediato, o novo governo.
      Haverá capacidade de diálogo entre o PS (qual PS???) e a coligação?
      Se não houver, e não acredito que haja durante quatro anos, lá teremos novas eleições para separar águas.
      Se eu fosse estratega do PS procuraria evitar essas eleições nos tempos mais próximos.
      Porque, se o governo é derrubado com a conivência do PS, a estratégia da coligação será de vitimização.
      E acredito que possa ser uma estratégia capaz de lhe conferir a maioria que agora perderam.
      O PS está numa situação particularmente complicada - estilhaçado, desgastado, entalado entre os partidos à esquerda e a coligação.
      Precisa de um grande jogo de cintura, que não teve nestas eleições, para não sair ainda mais chamuscado do que já está.
      Aquele abraço

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  3. Pedro, por força da Constituição da República este XX Governo Constitucional, após empossado pelo Presidente da República, deverá, no mínimo, aguentar-se até finais de 2016, é o que decorre da Lei fundamental.

    Seria a negação total se o PS se coligasse ao BE e, já agora, à CDU e essa não foi, de todo, a vontade que o Povo expressou nas urnas, mas já não digo nada, em face, da ânsia de poder que reina e é apanágio no PS.

    Quanto ao mais estou de acordo com a sua análise ao acto eleitoral.

    Aquele abraço, Pedro.

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    1. Infelizmente são esses prazos constitucionais que penso que nos darão o tempo de vida deste governo, Ricardo.
      O que se pode chamar o período de nojo do PR.
      Do que sai e do que entra.
      Enquanto esses prazos correm vão-se afiando as facas.

      Uma coligação entre o PS, o Bloco e a CDU é o desejo finalmente confesso dos partidos mais à esquerda no espectro político português.
      Que sabem que nunca serão poder se não tiverem a muleta PS.
      PS que sabe que não pode ser essa muleta porque, no dia em que o fosse, o eleitorado português, que alinha ao centro, faria ao PS o que aconteceu aos partidos socialistas pela Europa fora.

      E Catarina Martins sabe muito melhor que eu que Cavaco nunca daria posse a um governo formado nessas condições.
      Ela quis entalar o PS, ganhar espaço à esquerda, e isso já conseguiu.

      Aquele abraço

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  4. Mesmo antes do pequeno almoço li "Depois das eleições", porque a minha curiosidade de saber a sua opinião era enorme.

    ENTENDI os resultados eleitorais exactamente como o Pedro escreve na sua análise política, excelente como sempre.

    Assisto tranquilamente ao desfecho e bebo chá.

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    1. É mesmo isso que devemos fazer agora, ematejoca - assistir com tranquilidade ao próximos desenvolvimentos.
      Vamos ter um governo minoritário, a governar com o PS como árbitro, a governar a prazo.
      Daqui a uma no, mais coisa, menos coisa, voltamos a conversar.
      Que seja um ano tranquilo também para os portugueses que já sofreram bastante.

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  5. “o crescente divórcio entre os portugueses e a política (43% de abstenção é brutal!!)
    Não concordo, Pedro e explico porquê.
    É um facto que de uma eleição para a outra a abstenção cresce !... mas porquê ?...

    A nossa população anda "grosso modo" pelos 10 milhões.
    Mais de 9.600.000 de eleitores inscritos ... ?!?!?!?
    Quantos jovens até aos 18 anos teremos, para descontar àquele nº ? …
    Devem lá estar os meus pais (já falecidos) , os pais falecidos dos meus amigos, assim como os meus ex amigos (já falecidos) e quem sabe se, os meus avós, os putos dos meus amigos, o bébe na barriga da minha vizinha .... o Camões e o Eusébio ..... ?
    Claro que assim só votam metade dos inscritos...... (ou então não estou a ver alguma coisa...)
    Creio que o que se passa é que os Distritos, as Câmaras Municipais (e respectivas Juntas de Freguesia) recebem os subsídios políticos e nomeiam os seus “deputados” (mesmo de Freguesia) em função do nº de eleitores inscritos !
    Ora,... interessará tudo, menos "matar os mortos" ! :)))

    Quanto ao PS, depois de ter “uma perspectiva” de cerca de 60% de intenções de voto (veio para cerca de metade), começaram a perder a partir do momento em que “o povo” começou a ver que o PS, afinal só pretendia o poder, demonstrando uma total ausência de sentido de Estado, ao recusar-se terminantemente a dar qualquer tipo de colaboração, no sentido de ajudar a reduzir os impactos dos grandes problemas financeiros com a Europa e nos sacrifícios a que estivemos ( e ainda estamos) remetidos, limitando-se apenas a dizer “NÃO” e sem nada de construtivo, acabando até por já na recta final afirmar que não viabilizaria um governo igual !
    António Costa não teve a coragem necessária para fazer frente à ala mais à esquerda do PS e com isso se condenou ao fracasso !
    O seu interesse era o de “o pior melhor para nós (PS)” !
    Ora “o povo” não é burro, começou a “desconfiar” do PS e a decidir “regressar” ao PSD e CDS e “experimentar” o BE, que foi dando algumas notas de cedência à viabilização de um governo futuro.
    Mesmo assim, o PS mostrou-se irredutível até ao último momento e agora reconhece que não lhe resta outra atitude “patriótica” e de Estado, senão a de viabilizar este governo !

    Há uma grande confusão com as “Esquerdas” !!! … Que esquerdas ? … O que há é um centro direita (PAF), um Centro esquerda (PS) e a esquerda (BE e CDU). Portanto é um grande erro pensar-se numa só oposição de esquerda, porque elas são duas e completamente incompatíveis e por isso, não podem formar um governo, pelo menos mais estável que o actual ! … O próprio PCP está constantemente a dizer que o PS é de direita !!!
    Principalmente no que diz respeito à Europa e à dívida, as posições são completamente opostas e inconciliáveis. Seria um governo para alguns meses e colocaria Portugal ao nível da Grécia de há meio ano !

    O PS está muito mais próximo do PSD, do que o que o separa do BE e do PCP !!! ... e é mais que evidente que estes, neste momento, "não querem" entender isso ! :(

    Um abraço, Pedro !

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    1. Começo pelo fim, Rui - o ultimo parágrafo do seu comentário diz tudo!
      Foi esse balançar, essa indecisão, que tramaram Costa.
      Ele devia ter deixado claro desde o início que o PS, não concordando com tudo o que a coligação fez, noneadamente a nível da dureza das medidas tomadas, estava muito mais próximo dessa mesma coligação do que da esquerda mais radical (aquela que é efectivamente à esquerda).
      A coligação soube cavalgar essa indecisão, colar o PS ao perigo grego (Syriza) e com isso conquistar o centro que é onde se ganham eleições.

      Já o fenómeno abstenção, embora tenha muito a ver com a manifesta falta de actualização dos cadernos eleitorais, não é por aí que se explica, Rui.
      Dizia-me pessoa amiga que estava chocada com a ausência de jovens nos locais de votação por onde tinha passado.
      Há um divórcio crescente entre a classe política e os cidadãos, infelizmente sobretudo os mais jovens.
      Tem que ser a classe política a saber conquistar essa juventude, a saber reconquistar os que se foram afastando da política ao longo dos anos.
      E não é com campanhas como a que agora terminou, enfadonhas, cheias de ataques pessoais e poucas ideias, que lá se chega.

      Aquele abraço

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  6. Adivinhar, ao que parece não é fácil, e o futuro a Deus pertence.
    A apreciação que o Pedro fez aos resultados das eleições está perfeita, nítida e desapaixonada, mas NÃO acredito, tal como o Pedro, que se faça a tal GOLPADA. A Vila Francada, ainda se fez no tempo das guerras entre liberais e absolutistas, mas Golpada, não acontecerá, pke a esquerda não se entende e diz-se democrática, amiga do povo, pelos trabalhadores, abaixo os ricos, morte a não sei quem ou quê etc. e tal. Que estranha contradição!
    O próximo Presidente da República será Marcelo Rebelo de Sousa (a esquerda gosta das "patetices" k ele vai dizendo na televisão e acredita no k ele diz), tudo indica, que está farto de dizer mal do "filho" e dar-lhe algumas estaladas, qdo necessárias, mas "pé de galinha, neste caso, galo, não mata pinto", portanto, "tá-se" ou vai "tar-se" ainda melhor.
    Estamos todos a dançar ao mesmo ritmo, ou seja, a DIREITA continuará a governar, repito, governar este país.
    Qto ao BE é uma força política de marés, ora vazias, ora um bocadinho mais cheias, mas com o tempo, tende a desaparecer ou ser pouco relevante, politicamente.

    Beijo e parabéns pela análise feita.

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    1. Catarina Martins quis duas coisas com aquela declaração, CÉU - ver se pegava (algo em que ela própria não acreditaria muito) e entalar o PS, forçando o partido a enjeitar a proposta do Bloco, chegar-se à direita, podendo o Bloco ir buscar mais alguns simpatizantes à ala mais à esquerda do PS.
      Nesse aspecto, xeque-mate!

      O Bloco é uma força política que congrega partidos que não tinham expressão eleitoral mas que, com a força de lideranças fortes e carismáticas, não só tem sobrevivido, como tem crescido em expressão eleitoral.

      O que nunca será, tal como o PCP, é solução de governo em Portugal.
      Não está no ADN desses partidos, muito menos dos portugueses.

      Beijo

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  7. Excelente análise sobre as recentes eleições legislativas, Pedro!
    Assim, até dá gosto ler sobre política!
    Uma apreciação clara, isenta e sem necessitar denegrir nem enxovalhar seja quem for!
    Nem outra coisa seria de esperar de alguém tão bem formado....Um exemplo a seguir por muitos a quem o despeito cega, nesta e em outras situações.

    Beijinhos e boa semana


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    1. Uma das coisas que achei de uma baixeza inqualificável nesta como noutras campanhas foram os ataques pessoais vindos de todos os lados, Janita.
      Discutam-se ideias, soluções, não se lave roupa suja em público.
      E saiba-se ter o distanciamento e a serenidade suficientes para ver the big picture.
      Não é assim tão difícil.
      Beijinhos, boa semana

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  8. Considero uma derrota no partido que votei, (o PS) muita pressão, um partido muito dividido e toda a campanha da esquerda, fosse qual fosse o partido todos disseram mal uns dos outros, afinal que esquerda temos nós? É assustador o nº de abstenção, a falta de interesse dos jovens e a forma como a direita conseguiu baralhar esta porra, vi entrevista onde perguntavam aos eleitores se eram capaz de votar num "Portugal à Frente" PAF, respondiam que SIM e se eram capaz de votar no Passos Coelho, respondiam "Nunca, Deus me livre" afinal este foi o grande golpe da direita e, as pessoas não têm interesse em aprofundar as coisas, deixaram de acreditar, talvez, mas porra,ai que votar para que aquela escumalha saiam de lá.

    Desculpe se exagerei, tenho desculpa ;) :) ando nervosa vou ser operada à minha coluna dia 14

    Um beijinho

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    1. Começo pelo fim, Adelia - não exagerou nada, esteja à vontade e pensamento positivo que a cirurgia vai correr bem.

      A campanha eleitoral foi muito fraca.
      Mas, nesse particular, a uma coligação muito hábil e muito profissional (Portas???) opôs-se um PS completamente baralhado, estilhaçado, desarrumado de ideias e programa.
      Que começou a correr sozinho e acabou ultrapassado com a meta à vista.
      O mesmo PS que Catarina Martins habilmente agora obriga a encostar ao centro, à direita até, para viabilizar o governo a prazo da coligação.
      O mesmo PS que esteve sempre debaixo de fogo da coligação pela forma como Costa tomou o partido e numa colagem ao Syriza que Costa nunca soube afastar.
      Não foi a coligação que ganhou as eleições, Adélia, foi o PS que as perdeu.

      Beijinhos, pensamento positivo, as melhoras, rápido restabelecimento

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  9. 43% de abstenção depois de 4 anos brutais diz bem que povo é este...
    mas é o que temos!!!
    Tudo já fervilha dentro do PS, com jantares de conspiração...tudo serve
    para jantaradas, mesmo que os outros não comam...
    Parece que há 15 deputados eleitos pelo PS da ala segurista e que já
    ameaçam o António Costa. Querem consensos com a coligação e o
    aprovamento do Orçamento. Se se separarem é mais um grupo parlamentar.
    Espero que não cheguem a tanto.
    A Catarina Martins foi levada ao colo pela comunicação social.Servia à
    direita que roubasse votos ao PS e conseguiram.
    O António Costa, para mim, foi uma DESILUSÃO!!!
    Abraço amigo.
    Irene Alves

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    1. Foi uma desilusão para muita gente, Irene Alves.
      Porque não conseguiu dar o salto de líder regional para líder nacional.
      É mais uma exemplo que um bom autarca não deve por causa disso meter-se noutras cavalgadas.
      Já tinha sido assim com o ministro Fernando Gomes, lembra-se?

      A Catarina Martins é demasiado hábil e está demasiado bem rodeada para ser manipulada, Irene Alves.
      Ela foi a cara do Bloco, simpática e bonita, que encostou Costa e o PS às cordas.
      Com calculista, com frieza, tipicamente wyn/wyn situation - ou o PS aceita e governa refem do Bloco, ou rejeita e o Bloco tenta ir buscar mais alguns votos à ala mais à esquerda do PS.

      O partido que vive a noite das facas longas ainda antes da noite eleitoral e que perdeu as eleições de forma quase inacreditável.

      Abraço

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  10. Não votei vizinho,'uma vez que já havia agendado estas mini-mini-férias antes da múmia se decidir em que fim de semana seria o acto eleitoral. Té porque fez-me ter de justificar perante a minha freguesia o declinar do convite para a presidencia da mesa de voto, chiça,,,,,
    Depois,como toda a gente sabe quanto mais cedo se mercar as passagens mais barato é, estas estavam já compradas de antes do verão.
    E....bem o acto eleitoral.....falemos e sejamos francos, foi uma banhada no psd dqui da região.
    Eu sou uma mulher que acredita que um país ou região avança quando há oposição. Assim haverá várias formas depensar eunião de debates entre todos os i tervenientes. Aqui,'naram, chega de laranjadas maioritarias que fizeram desta ilha um paraiso ditatorial a mando de um despota. Tudo mudougraças a deus
    Adorei a leitura do rescaldo, até porque não me dediquei à política nestefim de semana
    Kis :=>)

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    1. AvoGi
      Tinha aqui escrito recentemente que não gosto de maiorias.
      Dão estabilidade, prestam-se a abusos, a conformismo e clientelismo.
      Vamos aguardar para ver como o "centrão" se vai entender.
      Mas vão ter que se entender.
      O governo vai durar pouco tempo?
      É muito provável.
      Vamos aguardar, vamos assistir, vamos ver o que pensam os portugueses num cenário de novas eleições dentro de um ano, mais coisa menos coisa.
      O PR sabe bem o que é isso, foi assim que conseguiu a primeira maioria absoluta.
      Esta malta, dos diversos partidos, ainda se lembra disso?
      Beijinhos

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    2. Se vai durar pouco? Venha outro...melhor sem maioria absoluta...um pouco diferente deste que me rouba todos os meses e que, pelos vistos, vai continuar a fatiar
      Kis:=>)

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    3. E o que é que virá a seguir, AvoGi?
      O que importa é ver o país fora das garras dos credores para, então sim, poder ser governado.
      Enquanto tal não acontecer por completo só é gerido.
      Beijinhos

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  11. Teremos um governo minoritário que contará com o PS para um compromisso político em nome do País. Provavelmente não irá durar muito mais do que um ano no máximo. O novo governo estará a prazo para cumprir os compromissos internacionais inadiáveis. Depois, com outro Presidente da República e outro líder do PS a situação será bastante diferente, com eleições antecipadas, provavelmente.
    Abraço

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    1. De forma muito simples e directa, está aqui tudo, Carpe Diem
      Abraço

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  12. Estou com a Janita este texto está que dá gosto! Deixo os parabéns pela a análise com a qual concordo em absoluto e também deixo os parabéns ao Rui que deixou a sua opinião complementar!
    bjs

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    1. papoila,
      Com as opiniões da malta toda, e a boa troca de ideias que daí resultou, é que isto ficou um mimo.
      Bjs

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  13. Coimbramigo

    Acabou de sair (20:36 TMG) a notícia de que o sr CS "ordenou" ao sr PC que se entenda com o PS (sr. AC???) senão não há governo para ninguém...

    Isto e um resumo muito... resumido do que apareceu na comunicação social. Começo a crer que a FAP está metida numa ganda alhada... por ter ganho as eleições. O PS idem, idem, «««««,»»»»» por não as ter ganho.

    Aliás o PCP teve uma grande vitória (como sempre, pois nunca perdeu eleições, nunca!) porque evitou a maioria absoluta através da luta dos trabalhadores e do povo! Só que o BE lhe passou uma ganda rasteira e tirou-lhe o eterno terceiro lugar.

    Quem se ficou a rebolar de riso foi a menina Catarina (Eufémia? Não, Martins) que com a ajuda da menina Mariana fez um vistaço! Para mim a menina Catarina foi a miss legislativas 2015 ou a Rainha do Carnaval do 4 de Outubro.

    Mas a procissão nem sequer está no adro. Vai ser um saralho do carilho! Perante o horizonte que antevejo sombrio só me resta ir ao campo de Santana por 1.678.098,4 velas na estátua do Dr. Sousa Martins.

    Pois o que se avizinha nem a pitonisa de Delfos (com toneladas de enxofre) pode prever; razão teve o João Pinto do teu FêPêCê quando disse convictamente "previsões só no fim do jogo"...

    Só que este jogo não decorre num estádio relvado: decorre em Portugal! Estamos todos lixados! Agora compreendo o sr. Schäuble que felicitou a FAP "que está no bom caminho, mas.... precisa de continuar. Lá se vai mais uma percentagem da minha reforma.

    De resto, a madama Chistine do alto do seu poleiro éfeémeiano, já avisara que a culigação (com u, leram bem) tem de acelerar a desgraça porque assim (???) não vamos lá. Lá? Aonde?

    Prontos (sem s) esta é a minha opinião - e é melhor ter uma do que não ter nenhuma!!!!!

    一個大大的擁抱 do Leãozão

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    1. O PR disse aquilo que se esperava, FerreirAmigo - organizem-se, entendam-se!
      Não foi surpresa, que é algo que nunca sai da boca de Cavaco, em boa verdade.
      Agora a coligação e o PS têm que se sentar à mesa e chegar a compromissos.
      Que serão de curta duração, como já se comentou por aqui.

      O PS que ficou nestas eleições na condição de partido sanduíche.
      Acossado pela esquerda, necessitado de chegar a entendimentos com a direita.

      As meninas do Bloco conseguiram o que os cartolas nunca tinham conseguido.
      Quando muita gente já via no Bloco um novo PRD, uma moda, aí está o partido com nova vida, nova força.
      E a ultrapassar o "eterno vencedor" PCP.

      Mas este Bloco continua a não ser solução de governo.
      Desde logo porque nega uma evidência - Portugal está inserido na União Europeia, na moeda única.
      E tem que se reger pelas regras de ambas.
      Um tema que curiosamente esteve muito ausente na campanha.
      O Bloco, muito à semelhança do Syriza até levar um banho de realidade, vai recusando esta evidência.
      Enquanto o fizer será sempre um partido marginal.

      Grande abraço para ti

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  14. Este PS que se vende sempre por uma migalha de poder mexe-me com os nervos. Talvez por essa razão muitos o abandonaram e votaram Bloco. Também, pela mesma razão, o Bloco não possa contar com estabilidade eleitoral, até porque foi buscar votantes a muitos espectros partidários.
    Aguardo, sem grandes expectativas, os tempos que virão.

    Beijinhos, Pedro. :)

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    1. Maria Eu,
      O que queria que fizesse o PS?
      Já começo a ter pena de António Costa, confesso.
      Que se coligasse ao Bloco e ao PCP para propor uma solução (???) de governo entre forças que estão muito distantes e que o PR nunca aceitaria??
      Ou que derrubasse o governo que ainda nem sequer foi formado??
      Foi com essa afirmação que Costa começou a perder as eleições...

      O Bloco foi muito beneficiado com o voto de protesto, o voto das pessoas que estavam fartas da coligação mas também não acreditavam no PS.
      Para além disso, aquelas carinhas larocas, simpáticas, com ideias claras, facilidade de expressão, ajudaram a esta festa.
      Mas também duvido muito que esta seja a expressão eleitoral do Bloco numas eleições sem a carga emotiva que acompanhou estas.

      Os tempos que seguem serão de entendimento efémero entre PS e coligação.
      Daqui a um ano voltamos a falar.
      E, muito provavelmente, a votar.

      Beijinhos

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  15. Eles estão "condenados" a chegar a um entendimento. Essa parece-me uma palavra chave.

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    1. Um entendimento ou entendimentos pontuais, luisa.
      O "centrão" vai andar assim durante o tempo em que este PR não pode dissolver a AR, o novo PR também não.
      O tal período que se pode designar por período de nojo.
      Depois começa a contagem das espingardas.
      À qual se seguirá uma nova contagem de votos.

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  16. O que vai acontecer já todos o sabemos. Em Portugal as soluções são sempre as que já existem, ou seja, poderá até haver renovação de actores mas a peça representada é sempre a mesma. Fatal como o destino, diz o povo que é pachorrento.

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    1. Com um governo minoritário pelo menos terá que haver mais diálogo, mais negociação, mais compromisso, como pediu o PR, Agostinho.
      Vamos ver por quanto tempo...

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