24 de fevereiro de 2015

Conhece a expressão carrying capacity?


A expressão carrying capacity, aplicada à afluência de turistas a um determinado local, significa a capacidade máxima desse local para absorver os visitantes que o procuram antes que seja atingido o ponto de ruptura.
Ponto de ruptura a nível físico (saturação das infra-estruturas disponíveis) mas também psicológico (saturação dos indivíduos integrantes da comunidade que recebe os visitantes).
Muitos estudos têm sido levados a cabo em Macau acerca deste tema.
Estudos que, salvo melhor opinião em contrário, têm descurado a vertente psicológica e privilegiado a vertente física.
A avaliar pelas últimas declarações dos responsáveis pela área do Turismo em Macau parece ter-se finalmente percebido que o ponto de saturação, nos dois níveis, se ainda não foi atingido, e é muito duvidoso que o não tenha sido, estará muito próximo.
A contribuir decisivamente para esta avaliação estarão certamente os acontecimentos mais recentes em Hong Kong (Macau insiste em correr atrás de Hong Kong...), a reacção de repúdio da população da vizinha Região Administrativa Especial face ao brutal número de visitantes que cruzam diariamente as suas fronteiras.
Visitantes na sua esmagadora maioria vindos do interior da China fazendo uso do mecanismo de vistos individuais emitidos pelo Governo da República Popular da China.
A reacção da população de Hong Kong (já são vários focos de tensão para não haver preocupação) provocou uma reacção política e o pedido formal às autoridades centrais para limitarem o número de vistos individuais a emitir futuramente.
O mesmo pedido que se anuncia agora será também feito por Macau.
Saúda-se esta postura dos governantes de Macau.
Finalmente reconhece-se que já se terá atingido o limite das capacidades, físicas e psicológicas sublinhe-se, de receber visitantes em Macau.
O primeiro passo estará dado.
Terá de se seguir o envio formal desta mensagem a Pequim.
Para que Pequim possa também formalmente tomar conhecimento da mesma e adoptar em seguida as medidas adequadas.
Será bom para todos se for seguida esta sequência.
Bom para quem recebe, bom para quem visita, bom para quem autoriza a visita.


26 comentários:

  1. ~ ~ Interessante, nunca tinha visto o turismo por este prisma.
    ~ ~ Houve anos em que o Algarve também mostrou-se superlotado, mas optaram por criar infraestruturas adequadas, que hoje são excessivas.

    ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~
    ~

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    1. Chegou-se a um ponto de (quase) não retorno, Majo.
      A China, querendo ajudar as duas Regiões Administrativas Especiais, acabou por criar um monstro.
      Com a invasão de pessoas veio a carestia de vida, menor qualidade de vida, alguns hábitos muito pouco recomendáveis.
      Têm que ser tomadas medidas muito rapidamente para não se chegar a situações muito mais complicadas.
      Beijinhos

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  2. Então agora não podemos ir aí?

    Aquele abraço, Pedro.

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    1. A questão levanta-se com os chineses que chegam do interior da China, Ricardo.
      Com muito dinheiro é muito pouca educação
      O Ricardo pode, e deve, fazer uma visita.
      Aquele abraço

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  3. Quando seguirá Veneza esse caminho?

    Boa semana, Pedro

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    1. Curioso que se lembre de Veneza, São.
      Lia ontem que uma suite num hotel na Praça de São Marcos, com vista para o Canal, custa metade do preço de uma suite no Venetian aqui.
      Ou seja, o original é vendido a metade do preço da cópia.
      Dá para entender esta loucura????
      Boa semana

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  4. Desconhecia a expressão.

    Sabia da população numerosa do Oriente e pouco mais.

    É preocupante esse magote desmesurado.

    Dá que pensar.

    Beijinhos

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    1. Já nem há mais tempo para pensar, Pérola.
      Chega de estudos, e grupos de trabalho, e estudos acerca das conclusões dos estudos.
      Agora é tempo de agir.
      E esperemos que já não seja tarde.
      Beijinhos

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  5. Pedro, o que é em demasia causa sempre situações complicadas de gerir. Torna-se difícil receber os visitantes em boas condições.
    Abraço

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    1. É mau para todos, Carpe diem - para quem recebe, para quem viaja.
      Bom senso, por favor.
      Aquele abraço

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  6. Muitas vezes é preciso chegar a esse ponto para se criarem alternativas. Espero que tudo corra pelo melhor.

    beijinho e boa semana

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    1. As alternativas já foram criadas, Fê.
      Não funcionam.
      Porque não é o que os visitantes querem.
      O que é necessário, obrigatório!, é diminuir o número de pessoas.
      Beijinhos, votos de boa semana

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  7. Se em 2008 atravessar a fronteira em Macau já era um Inferninho, imagino como seja agora!
    Boa semana, Pedro

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    1. A fronteira na Porta do Cerco é terrível, Carlos.
      Não me apanham lá de maneira nenhuma.
      Boa semana

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  8. Pedro, é que esses territórios são muito pequeninos, não é?
    lembro de ler que em Goa, a India enviou para lá tanta gente que abafou a cultura local ou quase... que era bastante diferente do resto da India e há goeses a protestar mas não serve de muito, pelo que li nalguns artigos,
    claro, é o que consigo ler, nunca fui ver localmente!
    abraços
    Angela

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    1. Macau é muito pequenino, Angela
      Em tamanho.
      Porque tem muita alma.
      Solução?
      A óbvia - menos gente a atravessar as fronteiras.
      Abraços

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    1. Trabalhei na área durante um ano, Gábi.
      E a minha mulher trabalha nessa área há mais de vinte.
      Foi através desse contacto que nos conhecemos.
      O resto é história :))

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  10. Gostei de ler o seu texto. Também nunca tinha visto o turismo sob esta forma.
    Beijinho, Pedro. :))

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    1. O limite, ana.
      Que muitas pessoas se recusam a ver que tem que existir.
      Beijinhos

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  11. É assustador! Bom quem não vai sou eu :)

    Beijinho Pedro

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    1. Estes dias de Ano Novo Lunar são os mais complicados, Adélia.
      Há muita gente que vive em Macau que sai daqui nestes dias para fugir a esta invasão.
      Beijinhos

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  12. O turismo pode destruir a estrutura orgânica dum país,, as bases das comunidades e a cultura dum povo.
    Imagino esse problema em Macau, tal como em Hong-Kong.

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    1. Finalmente, num lado e noutro, abriram os olhos e perceberam que é chegado o momento de dizer chega, Agostinho.
      Aleluia!

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