11 de fevereiro de 2015

A cimeira do Eurogrupo e o póquer aberto



Preparando a cimeira europeia que se avizinha, os ministros das finanças do Eurogrupo reúnem-se hoje em Bruxelas para ouvir Yanis Varoufakis apresentar as ideias do novo governo grego para fazer face a uma dívida que assume mas que afirma não ter possibilidades de liquidar nas condições acordadas.
O que se tem ouvido, da parte de Yanis Varoufakis e Wolfgang Schäuble, é um discurso musculado, extremado, uma afirmação tenaz de posições antagónicas.
Um discurso para consumo interno, claramente direccionado aos respectivos eleitorados,  um marcar de posições à partida para aquilo que ambos sabem ser um inevitável processo de negociação.
A Grécia parte para este processo com um sinal bem claro - não pretende abandonar o euro, muito menos a União Europeia, mas dispõe de alternativas (Rússia e China à cabeça) na eventualidade muito remota desse cenário se concretizar.
Assumindo a habitual postura dura, de aparente inflexibilidade, 
Wolfgang Schäuble, estribado  no apoio de países como a Finlândia, Portugal e Espanha, afirma que não vai ceder às pretensões gregas de renegociação das condições de liquidação da dívida, que os acordos têm que ser cumpridos na sua plenitude.
Representando o meio termo, 
o chefe do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, afirma que é necessário ouvir as posições de um novo governo dentro do Eurogrupo e partir daí para uma negociação aberta e flexível.
Só quem nunca jogou póquer aberto é que não percebe o bluff de Varoufakis e 
Schäuble e não sabe que, no fim, nem sempre a melhor mão, o melhor jogo, vence.
Já se vêem algumas cartas na mesa, outras vão ser colocadas hoje, ainda haverá mais jogo e mais estratégia antes das apostas finais.
Que o jogo não esteja viciado, que se saiba jogar limpo, com argúcia mas boa-fé, é o que se deseja que resulte desta cimeira do Eurogrupo.
Para que, ao contrário de um qualquer jogo de póquer, não haja no final vencedores e vencidos, antes a tal negociação aberta e flexível que 
Jeroen Dijsselbloem aponta e que parece de todo inevitável.
Mesmo correndo o risco de criar precedentes perigosos.

23 comentários:

  1. Desejo que seja um encontro sério e saudável e acredito que surgirá uma boa solução, porque todo este processo abanou a UE que à décadas anda a brincar com o fogo e com os povos!

    Um bom dia

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    1. Estou convencido que, depois de alguns arrufos, do mostrar peito dos dois lados, existirá um qualquer acordo que salve a face a ambos e que permita a permanência da Grécia no euro e na União Europeia.
      Mas essa negociação será ainda mais complicada por ter que necessariamente envolver outros países devedores.
      Um bom dia também

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  2. ~ Parabéns, Pedro.
    ~ Uma análise precisa e assertiva.

    ~ Não sei jogar póquer, mas imagino.
    ~ A opinião de Jeroen é sensata e pode fazer toda a diferença.
    ~ A direita alemã continua a agir prepotentemente pensando em votos e querendo mostrar que todos lhe devem vassalagem.

    ~ Eu que sempre usei carros Opel, resignei-me a não adquirir outro: Já agora, vou esperar para ver.

    ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~
    .

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    1. Também acredito que a opinião do representante da entidade supranacional, que não está a responder para eleitorados internos, poderá fazer toda a diferença, Majo.
      E tenho esperança que seja assim.

      Não há razão para abandonar os carros alemães, Majo.
      Eu e a minha mulher conduzimos um cada um.
      E estamos bastante satisfeitos.

      Beijinhos

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    2. ~ Será um sacrifício abandonar a Opel, mas pode crer que fá-lo-ei, se os alemães se mostrarem intransigentes. Beijinho, amigo. ~
      .

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    3. O meu pai teve um Kadett durante 30 anos, Majo.
      Beijinhos

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  3. Pedro, concordo consigo na essência, aliás, isso não é novidade nenhuma, porém, parece-me que Portugal e a Irlanda (não esquecer), in casu, apenas exigem tratamento igual ao que tiveram para cumprirem os seus "Planos de Reajustamento Financeiro".

    Meu caro, isso lembra-me o "Dom Quixote de La Mancha" que venceu tantos combates como aqueles que perdeu, aliás, para ele, ou melhor, para Cervantes a vitória e derrota equivaliam-se, o que, de certa forma, relativizava qualquer uma delas. Assim, tal como o fidalgo transformava as suas derrotas em vitórias com a maior facilidade do mundo, a UE e mesmo a Grécia transformarão numa grande vitória e nunca admitirão o fracasso.

    Aquele abraço, Pedro e desculpe lá estas "derivações literárias".

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    1. Derive à vontade, Ricardo.
      Gosto de comentários inteligentes de pessoas inteligentes.
      Portugal e a Irlanda, se a Grécia for alvo de tratamento preferencial, e se o quiserem (ainda não o pediram) acredito que também poderão ter as condições de liquidação das respectivas dívidas renegociadas.
      Mas nunca o pediram, atenção.
      No final, bem à chinesa, acho que ninguém irá perder face.
      Aquele abraço

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    1. A posição geo estratégica e simbólica da Grécia é demasiado importante para a União Europeia, Timtim Tim.
      E vai conduzir a bons resultados

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  5. A falar é que se entende, mas julgo que deve aer difícil a Dama nazi entender...principalmente em português
    Kis :>}

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    1. Vai ter que entender, AvoGi.
      Ela sabe que não pode impor a sua vontade.
      Mas vai passando essa ideia.
      Sobretudo para dentro do país.
      Beijinhos

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  6. Isto de jogar limpo com políticos não é fácil, mas é esperar que reine um pouco de bom senso no geral...

    Beijocas

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    1. Uma vez que estão políticos dos dois lados esse efeito sacana dilui-se, Teté :))
      Beijocas

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  7. Espero que a Alemanha , porque é ela quem manda realmente na pseudo União Europeia, tenha bom senso...

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    1. Vai ter, São.
      Agora é a fase do discurso musculado, para dentro, para o eleitorado alemão.
      Que vai suavizar com o passar do tempo

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  8. Vamos ver se sai fumo branco desta reunião Pedro!
    abraço positivo
    Angela

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    1. Desta ainda não, Angela.
      Não acredito.
      Será um processo que não se resolve numa reunião.
      Um abraço

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  9. Passo só para deixar um beijinho. O cansaço do excesso de trabalho faz-me andar menos pela blogosfera.
    Irei ler o texto.:))

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  10. Pedro,
    A minha simpatia está com a Grécia. Tinha lido nos media.
    Bjs. :))

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    1. Eu quero que haja entendimento e que haja uma lufada de ar fresco na União Europeia, ana.
      Anda tão cinzentinha a UE!!
      Beijinhos

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  11. Parece-me evidente que ambos vão ceder e no final vão dizer isso mesmo, mas ambos se mostrarão satisfeitos. Chegou-se a um ponto em que ninguém vai querer perder a cara. O pior deste jogo são mesmo os mirones como Passos e Cavaco que têm feito figura de bobos

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    1. Passos e Cavaco também estão a falar para dentro, Carlos.
      Com o problema que quererem agradar (literalmente) a gregos e troianos.
      Acabam por não agradar a ninguém e fazer figura de parvos

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